No Amor E No Futebol Vale Tudo!
16 Capítulo 16
Notas iniciais
---Vai aonde, mocinha? ---perguntou meu pai olhando o jornal.
---Vou me encontrar com uns amigos. ---respondi satisfeita.
---Amigos? Desde quando você tem amigos? ---perguntou surpreso tirando os olhos do jornal e me encarando.
---Arthur, isso é coisa que se fale para sua filha? ---reclamou minha mãe.
---Eu pensava que a Sofia só tinha a Kelly como amiga. ---disse meu pai se defendendo.
---Mas, isso foi antes de eu arranjar um emprego. ---falei revirando os olhos.
---Bom, fico feliz com isso, mas cuidado com os vitorianos quando passar pela rua, ele podem te fazer algum mal pra me prejudicar. ---falou meu pai, eu fiquei assustada com isso, afinal isso lá era coisa pra se falar pra filha quando ela sai de casa?
---Eu também quero ir! ---gritou Kevin saindo correndo ao meu encontro.
---Ir pra onde? ---perguntei sarcasticamente. Se ele pensava que eu iria leva-lo pra encontrar meus amigos...
---Para o Shopping! Eu quero.
---Tá. ---respondi. ---Quando eu for pro Shopping eu te aviso.
---Você vai pra onde? ---perguntou.
---Não é da sua conta. ---respondi bruscamente. Meu irmão era o mais perto de uma pessoa normal na minha família e eu não gostava de ser dura com ele, mas ás vezes... E tenho que admitir que estou meio cismada por causa de ontem... ---Foi mal, Kevin, você sabe que vou te levar pra assistir João e Maria em 3D, mas hoje não dá.
---Tudo bem, vai em frente ficar com seus novos amigos. ---disse e saiu correndo indo para o quarto.
---Você devia arranjar um tempo para o seu irmão, sabia? ---falou minha mãe.
---Eu só sou uma. Caramba! ---reclamei. ---Tenho que ir. Diga para o Kevin que eu amo ele.
E fechei a porta.
¨¨
Encontrei Clara, Patrick, e Matheus sentados numa mesa na lanchonete que combinamos de nos encontrar. Eles comiam batatas fritas e riam de alguma coisa. Assim que me viram, abriram um sorriso que me deixou emocionada.
---Sofia, meu amor! ---gritou Matheus vindo ao meu encontro e beijando minha mão.
---Que pressão! ---falou Clara, mas me abraçou também, alegre. ---Quero que me conte todos os detalhes dos seus primeiros dias no segundo turno. ---disse toda feliz me levando a mesa.
---Iai, Sofia? ---cumprimentou Patrick como uma pessoa normal.
Assim que sentei, todos me encararam curiosos.
---O que querem saber?
---Tudo! ---disse Clara. ---Na verdade, eu quero saber se os caras de lá são bonitos.
---Eu não quero saber isso! ---reclamou Matheus e Patrick fez uma careta.
---Parem de ser estraga prazeres...
---São. Quero dizer, eles são lindos, mas velhos. ---falei dando de ombros. Eu estava com medo de eles perguntarem alguma coisa que envolva o Christian. Afinal, muitos babados aconteceram com o nome dele, certo?
---Tem muita maconha? ---perguntou Matheus. Eu contei sobre o que eu passei no porão e da policia e que foi por isso que eles tiveram que limpar o restaurante de manhã. Contei sobre o cantor de arrocha e os novatos que vão lá pra beber o bar todo.
Depois de um silencio, Patrick fala:
---Deve ser horrível trabalhar com uma musica de arrocha tocando no seu ouvido! ---disse enojado.
---Você não sabia o cheiro da maconha? ---perguntou abismado Matheus como se fosse obrigada a saber.
---Não.
---Não ligue, Sofia, ele sabe o cheiro da maconha por que mora na favela e lá só tem esse cheiro. ---falou Clara sorrindo.
---Hei, você também mora! ---rebateu Matheus rindo.
Ela apenas deu de ombros.
---Tem alguém novo? ---perguntou Patrick. Eu fiquei chocada. Acho que comecei a suar frio, e nem sabia por que. Na verdade eu sabia, essa pergunta era a que eu menos queria ouvir, Pois a resposta é bem clara. Ou seja, eu vou ter que mentir.
---Não... ---falei e acho que não fui convincente, por que todos eles suspenderam a sobrancelha. ---Quero dizer, eu não sei direito...
---Você não sabe quem trabalha com você? ---perguntou Patrick parecendo chocado.
---É claro que eu sei! Não tem ninguém novo que eu saiba, certo? ---falei desconfortável, mas depois me repreendi, já que não tinha como eles saberem do Christian a menos que...
---Eu quero ver como é! ---exclamou Clara saltitante.
---Não! ---quase gritei. Todos me olharam, assustados. ---Quero dizer, vocês vão ficar chocados.
---Faz parte. ---disse Patrick normalmente.
Clara ficou me olhando com os olhos apertados como se estivesse tentando desvendar algum mistério.
---Eu quero ver! ---falou Matheus. ---Afinal, deve ser barriu lidar com esses maconheiros.
---Você nem imagina o quanto! ---exclamei cansada.
---Acho melhor não, Matheus. Vamos outro dia. ---falou Clara de repente. Eu fiquei confusa. Clara era a que mais queria ir.
---Ah fala sério, Clara! Eu quero visitar o ambiente de trabalho da minha futura namorada. ---falou Matheus. Eu joguei uma batatinha nele, irritada.
---Pode ir abrindo a matraca. ---falou Clara me encarando, Quando os meninos andavam na nossa frente entretidos em alguma conversa sobre Vídeo Game.
---Hã? ---perguntei confusa.
---É o cara dos ratos, não é? ---disse falando baixo. Respirei fundo, eu precisava contar isso á alguém, se não iria enlouquecer.
---É. Ele salvou minha vida anteontem, e ontem ele resolveu trabalhar no bar. ---sussurrei. Ela abriu a boca, assustada.
---O cara está totalmente apaixonado por você! ---exclamou sorrindo abertamente. Eu a fulminei com o olhar.
---É claro que não. ---falei. ---Não fale besteiras, Clara. Ele quer um desafio, só isso. ---completei afetada.
---Não me diga que o homem te persegue como um louco, por que quer algo pra pensar durante a noite? ---falou, depois pareceu pensar no que disse. ---Quer saber? Essa frase pode ser analisada pelo lado romântico.
---Não existe lado romântico, Clara. ---Falei revoltada. ---Ele é um pirigueto de carteirinha que só quer magoar meu coração.
---Se não gosta dele, então não há mínima chance de ele magoar seu coração, há? ---falou sorrindo.
Era disso que eu tinha medo. E se houvesse essa possibilidade? E se ele, no final das contas, conseguir fazer eu me apaixonar perdidamente por ele e no final arrancar meu coração e se gabar para seus Vitorianos?
Resolvi parar de pensar nisso, por que eu sabia que não tinha remota hipótese de eu me apaixonar por Christian. Tudo bem, eu tenho sensações esmagadoras quando estou ao seu lado, mas isso não significa nada, certo?
---Estou chocada. ---concluiu olhando para frente. ---O que vai fazer?
---Nada. ---falei. ---Não posso fazer nada. E ele não vai desistir até ter certeza que nada vai acontecer entre nós.
---E quando você acha que ele vai perceber isso? ---disse sorrindo.
---Quem sabe? ---ri, mas na verdade, estava nervosa, como sempre ficava ao falar em Christian.
***
Uma semana depois!
---Até que enfim, depois de uma semana nos enrolando, você enfim, resolveu nos mostrar seu turno. ---falou Matheus. Clara revirou os olhos.
---Eu estava ocupada demais, resolvendo umas coisas. ---falei engolindo em seco.
---Que coisas eram essas, pelo amor de Deus?
---Matheus, tenha vergonha! ---repreendeu Clara. ---Vá cuidar da sua vida.
---Eu só quero ver se é tão horrível como dizem! ---falou entrando como se fosse o Deus do mundo. Suspirei cansada, e fui na frente, pronta pra mandar Christian se esconder a noite toda.
Minha relação com Christian era estranha. Eu tentava evita-lo com todas as minhas forças e ele me seguia aonde quer que eu fosse e ainda dizia que era coincidência. E o pior de tudo é que uma parte de mim adorava quando ele fazia isso.
O encontrei limpando o frigobar junto com o Jorge. Os dois estavam sem camisa e eu quase cai de cara no chão. Não por causa do Jorge, é claro, que tinha uma barriga pra dentro e cheio de pelo no peito. (Eca!)
Mas, sim o corpo de uma certa pessoa, que parecia esculpida por um Deus grego. Não sei quanto tempo fiquei olhando aquele corpo, mas foi o suficiente pra ele notar meu olhar e se virar pra mim.
---Oi linda. ---falou com um sorriso estonteante. ---Acabou de chegar? ---ele parecia que nem estava com a mão na massa. Tinha o ar vivo de sempre.
---Não me chame de linda, Christian! ---falei sem graça.
---Ah, esqueci que eu só posso chamar você de Linda quando estamos a sós. ---falou sorrindo. Eu fiquei vermelha como um camarão e quase dei um tapa nele. Jorge riu, mas já estava acostumado com os comentários constrangedores do Christian pra mim.
---Você não pode me chamar de linda nunca! ---falei estressada depois olhei pra ele. ---Preciso falar com você a sós.
---Ui, estou saindo. ---falou Jorge rindo e saindo. Christian olhou pra mim, com aqueles olhos penetrantes e falou:
---O que foi? ---perguntou sorrindo. --- falou aquilo pra ficar a sós comigo?
---Acho que você está trabalhando há muito tempo. ---falei ironicamente.
---Também acho. ---disse tentando tirar a sujeira do braço, sem sucesso. ---Acho que nunca limparam esse frigobar. A sujeira dele parece uma tatuagem permanente. ---completou sorrindo, encarando o preto da sua mão.
---Preciso que fique aqui dentro. ---falei rápido.
---Fico. ---Disse sem hesitar. ---Mas, só se ficar aqui comigo.
---Christian, é sério. Meus amigos estão aí, e... Vai dar a maior polemica se você aparecer.
---Seus amigos? Isso inclui aquele seu amigo, o da colheita maldita? ---disse cruzando os braços no peito. Parecia que ele não gostava nem um pouco do Matheus.
---Pare de chamar ele assim! ---falei.
---O cara jogou ratos em mim! ---disse revoltado. ---Tenho mais que motivos pra não gostar dele.
---Eu o mandei fazer aquilo, você sabe disso, e nem por isso você me apelida com nomes de filmes de terror! ---falei.
---É, mas você é diferente... ---falou coçando a parte de trás do pescoço, um gesto fofo.
---Eu sou diferente como? Você tem todos os motivos pra me odiar! ---exclamei.
---Não tenho não. ---teimou, vindo pra mais perto de mim. ---Você fez aquilo não por que não gostava de mim. Muito pelo contrario, na verdade. ---disse olhando para meus lábios. ---Você fez aquilo por que sente a mesma coisa que eu e não quer admitir.
---Pare de ser tão teimoso! ---exclamei sem ar, será que ele não entendia que eu e ele podemos morrer?
---Pare você de ser tão teimosa!---sorriu. Ele estava a centímetros de mim, e eu sentia que eu ia ter um colapso nervoso a qualquer momento.
A porta se abriu com força e Cleandro apareceu abruptamente, interrompendo o clima, e eu não sabia se ficava triste ou feliz com essa intromissão.
---Desculpe interromper, mas há clientes que querem se embebedar. Vocês precisão trabalhar, deixem o namoro pra depois. ---falou ele fechando a porta na nossa cara. Eu me separei dele, arfando, e ele também não parecia com a respiração normal. Olhamos um para o outro e, sem pensar, começamos a rir. Eu não estava acreditando no que havia se tornado a minha vida. Ficamos rindo até que eu falei:
---Fique aí. --- e quando ia me retirar daquela sala, Christian segura meu pulso e fala:
---Sabe qual é o outro motivo pra eu odiar esse ser que você não quer perturbar? ---falou sério.
---Christian...
---É por que eu sei que ele quer ficar com você. ---completou. Pensei que ia desmaiar. Sorri, inconscientemente, com a ideia do Christian com ciúmes de mim.
---Está com ciúmes? ---provoquei.
---Com certeza. ---respondeu sorrindo de lado. ---E é por isso que eu não posso ficar aqui. Vou fazer questão de aparecer e dar boas vindas.
---Christian, não.
---Prometo me comportar. ---falou e saiu da sala.
Pronto, eu ia morrer!
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