No Amor E No Futebol Vale Tudo!
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Meu celular tocou na hora em que eu estava saindo de casa pra mais uma noite louca no meu trabalho.
---Alô? ---falei fechando a porta de casa.
---Sofia? ---disse uma voz abafada, mas pude perceber que era Clara. ---Você está trabalhando?
---Não, oi Clara, pode falar.
---Estamos morrendo de saudades de você! Podemos nos ver amanhã? ---falou entusiasmada, tinha uma voz de menino no fundo, bem irritado. ---Eu estou louca pra saber como é trabalhar nesse turno! Tem aqueles caras lindos e grandes?... Cala a boca, Matheus, eu to falando...
Silencio.
---Alô? ---falou uma voz masculina. ---Oi Sofia!
---Oi Matheus...
---Sentindo minha falta? ---falou e eu sabia que ele devia estar sorrindo, aquele sorriso acolhedor que eu adorava. ---Por que eu estou morrendo de saudades sua...
---Eu estou sentindo saudades de todos vocês...
---Toma na cara! ---falou Clara no fundo. Ele bufou e xingou ela. ----Sofia, a gente pode se encontrar amanhã? ---continuou ele.
---Nós dois?
---Se você quiser... ---disse, mas ouvi Clara gritando no fundo. ---Matheus! ---ele a mandou calar a boca e continuou: ---Digo todos nós, que tal?
---ótimo, mas vai ter que ser de tarde, você sabe, eu trabalho de noite. ---falei sorrindo.
---Tudo bem. Então até amanhã. ---falou. ---Até amanhã Sofia! ---gritou Clara no fundo e eu desliguei sorrindo abertamente. Meus amigos.
¨¨
Passei pela porta e já vi duas pessoas brigando num canto. De vista, nada grave, mas é bom ficar de olho. Fui até o caixa dar um oi pra Marcus, ele sorriu ao me ver e disse:
---Oi Heroína.
---Prefiro Loirinha. ---falei constrangida. ---Oi.
---Ontem foi um dia... Não tenho nem palavras... Aquele cara...
---Nem precisa dizer nada, eu até sei o que vai dizer, “como um desconhecido se sacrifica por uma estranha...” Olha, isso é estressante...
---Eu não ia dizer isso, na verdade ia dizer que esse desconhecido está te esperando na sala de espera, mas... Ótimas notícias, loirinha... ---sorriu.
---Quê? ---quase gritei assustada. Christian estava me esperando... Por quê? ---O que o Christian está fazendo aqui? ---perguntei pra mim mesmo.
---Eu me pergunto, se ele é tão desconhecido assim, como você pode saber o nome dele? ---disse Marcus sorrindo e se virou. Eu nem me dei o trabalho de me explicar, praticamente sai correndo ansiosa e nervosa. Por que ele me deixava assim?
---Hei, pra onde a senhorita vai com tanta pressa? ---perguntou Jorge rindo.
---Err... Tenho que resolver uma coisa...
---Por acaso essa coisa se aplica ao cara que está te esperando na sala de espera? ---falou. ---O cara salva a sua vida, depois pede um emprego no bar... Sinistro.
---Pediu um emprego aqui? ---falei ainda tentando entender tudo isso.
---Pediu. Acho que ele deve estar afim de você... ---falou, mas não ouvi o resto por que sai correndo e dessa vez não ia agradecer por ele ter salvado minha vida.
Entrei na sala de espera arfando por causa da correria, ele levantou do sofá assim que me viu e me encarou enquanto eu fechava a porta. Eu olhei pra ele e tentei respirar calmamente... Sem sucesso. Reuni toda raiva contida que ainda tinha em mim e fui até ele.
---O que pensa que está fazendo aqui?
---Vim ver você.
---Se veio ouvir agradecimentos, pode dar meia volta e...
---Tinha uma pequena esperança, mas sabia que você não ia dar o braço a torcer. ---falou sorrindo. ---Vim pra cuidar de você.
---Cuidar de mim? ---falei indignada.
---Claro, se não quer me dar um chance, pelo menos podemos ser amigos. ---falou vindo pra mais perto de mim.
---Que historia é essa de vir trabalhar aqui? Não é verdade, é? ---falei.
---é. Depois de ontem, eu percebi que não é seguro você ficar aqui sozinha.
---Tenho quatro homens pra me salvar, caso aja alguma coisa. Não estou sozinha!
---Não vi nenhum desses homens ir te salvar ontem. ---falou sério. ---Olha, eu tentei ficar longe. Depois do que você fez comigo da ultima vez, eu desisti.
Abaixei a cabeça, constrangida.
---Eu sei que me quer longe, mas também sei o por que. ---falou sorrindo de lado, olhei pra ele e não consegui desviar meu olhar daquele rosto. ---Eu sou diferente deles, só quero que não queira ficar perto de mim pelo que eu sou. Não pelo que eu represento.
---Você não entende. Não é só eu, é minha família. Eu não posso... Não é certo.
---Então você quer que eu vá? Por que sua família não aprova?
---É! ---falei sem pensar.
---ótimo. ---falou e sorriu abertamente. ---Você acabou de admitir que é só por sua família que você não me quer por perto.
Respirei fundo pra me conter.
---Você é insuportável. ---falei, mas não pareceu convincente. ---Se alguém da minha família te ver comigo, ou vão te mandar embora ou vão te matar.
---Ninguém precisa saber que eu estou aqui. ---falou sorrindo. ---Podemos ser amigos?
Não falei nada.
---Vamos, Sofia, eu salvei sua vida. E só estou aqui para aprimorar minhas relações interpessoais. ---falou, eu ri e o encarei.
---Não prometo que vamos ser amigos, mas prometo não jogar nada em você! Por que não quero arriscar a segurança do bar. ---falei, nem conseguia acreditar que estava aceitando a entrada dele na minha vida, mas o que eu podia fazer? Ele não iria desistir e eu não ia arriscar ser despedida de novo.
---Já é um começo! ---falou sorrindo.
--- Mas se por acaso você fizer alguma coisa, ou... Se aproximar muito, ou tentar me agarrar, ou...
---Sofia... Apenas amigos. ---falou com um sorriso torto. ---Não estou aqui pra mais nada a não ser te proteger do pior que esse bar pode oferecer, estou realmente preocupado.
---Eu acredito. ---falei sarcasticamente. Olhei pra ele de novo e perdi o folego, ele me encarava profundamente. ---Estou falando sério, Christian, não tente nenhum gracinha, nem tente me seduzir ou me tentar a fazer coisas que eu não faria em estado normal.
---Como assim? ---falou bem pertinho de mim, eu sentia a respiração dele e isso me deixava meio louca.
---Assim! ---falei constrangida, empurrando ele.
---Eu tento você a fazer coisas que você não faria em estado normal? ---falou sorrindo cruzando os braços, olhando pra mim atentamente.
---Não! Mas estou avisando que não é pra fazer isso. ---avisei. ---Se fizer, juro que... Mando uns caras da Bamor atrás de você.
---Sério? ---disse fingindo pânico. ---Eu morro de medo dos caras da Bamor.
Eu o fulminei com o olhar.
---E se você me seduzir? ---perguntou sorrindo.
---Eu nunca vou fazer isso! ---falei irritada. ---Eu nem sei como seduzir!
---Como não sabe? Você me seduz sempre que te vejo! ---falou sorrindo docemente. Meu coração pulou uma batida, mas me controlei.
---Não faço propositalmente!
---Mas faz. E se de repente, eu acabar fazendo algo... Por que você me seduziu?
---Esse tipo de sedução não.
---Como vou saber qual sedução recusar? ---falou sorrindo.
---Se eu quiser beijar você, pode deixar que vou fazer isso. Se eu não te beijar, é por que não quero. ---falei. Essa foi uma grande mentira e acho que ele percebeu por que me olhou com cara de pouco caso.
---Mentirosa. ---falou. ---Aposto que quer me beijar agora, mas não tem coragem de admitir.
---Mentiroso! ---revidei. ---Tudo bem, provavelmente eu não vou beijar você de cara, mas... Vou demostrar que quero. Sem você ficar se chegando pra perto de mim e falando coisas...
Ele riu.
---Você já parou pra pensar que eu seduzo você, por que você me seduz? Sem querer, mas seduz? ---disse sorrindo.
---Você me deixa louca! ---exclamei sem saber o que fazer.
---Você também! ---falou sério vindo até mim.
---Não assim! ---falei desesperada, me afastando mais. ---Se eu quiser beijar você provavelmente vou fazer coisas e você vai saber...
---Como o que?
---Se eu não fizer essas coisas, você não poderá me beijar. Está ouvindo? ---falei indo pra mais perto, pronta pra uma demonstração.
---Sim senhora. ---falou rindo.
---Mas isso não quer dizer que um dia eu vá fazer essas coisas, só estou falando pra você não confundir...
---Eu sei, Sofia. ---falou olhando pra mim.
---Ok. ---falei, cheguei bem perto dele. ---Se eu quiser que você me beije... Vou ficar mais perto de você, por vontade própria, mais tempo que o necessário, vou tocar no seu rosto... ---enquanto eu falava eu fazia os movimentos. ---Vou olhar nos seus olhos e você vai saber que eu quero.
---Como eu estou vendo agora? ---sussurrou arfando.
---Não. Isso é uma demonstração. ---sussurrei respirando forte. ---Só assim... Ouviu?
---Ouvi. ---sussurrou e tocou meus lábios com os seus. Eu podia sentir tudo. Fogo, agua... Uma explosão... Só com nossos lábios se tocando. Me afastei dele antes que o beijo se aprofundasse. Parecia que eu tinha corrido uma maratona, respirar parecia uma tarefa difícil.
---Eu disse pra não fazer isso! ---exclamei irritada.
---Você disse pra não fazer se você não estivesse me seduzindo! ---falou ele parecendo muito feliz. ---Você estava Sofia! Eu não tenho culpa!
---Mas era uma demonstração! ---gritei estressada e sai apressada da sala.
Fechei a porta e respirei fundo. Como ele conseguia me deixar desse jeito?
---Está tudo bem, Sofia? ---perguntou Marcus quando passou por mim. ---Parece um fantasma.
---Hã? ---olhei pra ele confusa. ---Não, eu estou bem... Já volto!
Sai correndo e entrei na sala de Cleandro. Precisava ter uma conversa muito séria com ele. Fechei a porta e o encarei, ele me olhou assustado com a minha invasão.
---Ahm... Sofia?
---Pode deixar de lado cordialidades! Por que fez isso, Cleandro, eu pensava que você era meu amigo! ---exclamei afetada.
---Calma... ---falou e levantou, ficou de frente pra mim e me encarou. ---Do que está falando?
Olhei pra ele abismada.
---Você está falando dele? Ah... É... Não é nada pessoal.
---Como não é? Você sabe o que...
---Eu não sei, Sofia. Na verdade gostaria muito de saber qual é o problema entre vocês. ---falou confuso. ---ele salvou sua vida ontem. Devia estar agradecida.
---E estou! ---falei derrotada. ---Só não devia estar. ---sentei na cadeira totalmente sem chão. Eu queria não ter essas sensações com relação a Christian. Tornava tudo mais difícil. Por que não consigo esconder dele.
---Pode me dizer o que está acontecendo? ---perguntou Cleandro.
Pensei em dizer. Queria dizer a alguém o que eu sentia. Alguém que eu sabia que ia guardar o segredo. Que não ia contar para o meu pai. Não podia contar pra Cleandro. Não depois de ele ter abrido a boca e contado para o meu pai o lance dos ratos. Fiquei decepcionada.
---Só não gosto dele.
---Isso você já me falou. ---disse Cleandro respirando fundo. ---Se não quer me dizer a verdade, eu entendo.
---Mas é a verdade!
---Desculpe, Sofia, mas eu devo isso á ele. Ele não só salvou sua vida como a vida daquele traidor e a reputação do meu restaurante. Nenhuma tragédia aconteceu graças a esse garoto. ---falou obstinado. ---Portanto, assunto encerrado.
---Ok.
---E nada de ratos!
---Certo. ---falei e sai derrotada.
Encontrei bar mais cheio do que antes e me assustei ao ver o quanto isso não me surpreendia.
Procurei Jorge e Victor em todos os lugares e os encontrei conversando animadamente com uma certa pessoa.
---Moça! Aqui! ---chamou umas dez pessoas enquanto eu caminhava até meus queridos colegas de trabalho.
---Olá, esqueceram onde estão? ---falei meio irritada. Eles olharam pra mim ao mesmo tempo. Jorge e Victor pareciam animadíssimos com a presença de Christian nas nossas vidas.
---Sofia, que bom que veio, por que não nos falou que o seu amigo era tão incrível? Ele nos contou ótimas historias. –falou Jorge rindo.
---Quem disse que ele é meu amigo? ---perguntei.
---E você ainda tentou mentir dizendo que ele era um desconhecido com complexo de salvador...! ---exclamou Victor parecendo magoado.
---Você disse que eu tinha complexo de salvador? Como assim? ---falou Christian ofendido.
---Claro que não! Eu... O que disse á eles? ---falei me voltando pra ele. Ele riu.
---Não disse nada mais que a verdade. ---falou me provocando. Comecei a ficar nervosa. Como assim?
---Você...
---Ele só disse que vocês se conhecem de um jogo, ele não quis nos dizer qual, nem mais nenhum detalhe. ---falou Jorge.
---Bom! ---exclamei aliviada.
---Sem mais estresses a parti de hoje, ok? ---falou Christian sorrindo estendendo a mão.
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