No Amor E No Crime

2 Capítulo Um: Pirralha não tão pirralha


Notas iniciais
LEIAM A NOTINHA LÁ EMBAIXO.

Capítulo Um: Pirralha não tão pirralha



POV Edward

Acordei normalmente naquele dia. Não me lembrava de nada estranho, nada diferente. Mas quando senti cheiro de queimado vindo da cozinha, tive certeza de que minha casa estava pegando fogo.

Qual não foi a minha surpresa ao descer correndo a escada e encontrar Bella na cozinha, tentando salvar algo que se parecia de alguma forma com panquecas.

Esfreguei o rosto com força.

Havia esquecido que recebera Bella Swan em casa. Acho que no fundo, desejava que tudo fosse apenas um pesadelo.

Como eu deveria lidar com uma pirralha daquelas sob o meu teto?

Então escutei um forte estrondo e olhei novamente para Bella. A garota estava parada olhando para mim, tendo acabado de derrubar a frigideira e a bendita panqueca carbonizada. Ela não parecia ter notado o deslize.

Curioso, segui seu olhar para baixo e vi, para meu constrangimento, que na ânsia de apagar qualquer incêndio que tivesse se iniciado em meu apartamento, eu havia descido as escadas usando apenas uma boxer branca que, na luz que entrava pela janela, ficava de certa forma transparente.

Bella ofegava, encarando... Bom, encarando. Usei as duas mãos para me cobrir e corri escadas acima para me vestir. Coloquei uma calça de moletom e uma regata. Então desci para a cozinha novamente.

Bella se encontrava ainda em frente ao fogão, extremamente corada, tentando recolher os restos daquele café da manhã desastroso, que haviam ficado grudados no chão.

– Desculpe por aquilo. – Eu falei desconcertado, indo ajudá-la a limpar. Bella olhou para mim com aqueles seus grandes olhos castanhos muito abertos.

– Sempre que você quiser andar de cueca pela casa, por mim tudo bem. – Ela falou muito rápido, vermelha ao extremo. Tive que rir da sua cara.

– Acho que não. – Eu disse apenas. Ela apertou os lábios, me olhando irritada. Olhou para baixo por um momento e então olhou novamente para mim.

– Você é um homem. – Ela disse.

– É tão óbvio assim? – Fiz graça. Ela não riu. Parecia que o que ia dizer era muito sério, por isso parei de rir.

– Eu estou morando aqui agora. Por isso... – Ela ficou ainda mais vermelha, se é que isso era possível. Engoliu em seco. – Por isso, sempre que você quiser satisfazer as suas necessidades, pode me procurar.

Fiquei olhando para ela por alguns segundos, tentando imaginar se ela estava mesmo falando o que eu achava que ela estava falando.

– Você está se oferecendo para dormir comigo? – Eu tive que perguntar,

– Sim. – Ela disse simplesmente. – Eu te amo.

Eu simplesmente não soube o que responder.

O que diabos se passa na cabeça desses pirralhos de hoje em dia?

– Hmm, não acho que isso vá acontecer. – Eu disse apenas, me levantando e jogando aquela frigideira junto com o seu conteúdo no lixo. Era caso perdido.

– Por que não? – Bella insistiu, parando de braços cruzados à minha frente.

– Por que não, garota. – Eu repliquei. Ela bufou e saiu de perto de mim, indo pôr a mesa para o desjejum. Preparei uma omelete para nós e suco de laranja. Bella não pareceu estar de muito bom humor depois disso.


POV Bella

Eu não havia sido totalmente sincera com Edward. Charlie havia sido pego sim. Mas algo em mim me dizia que na verdade ele havia se entregado para que eu tivesse tempo de escapar. Eu sabia que ele faria isso. Mas ainda não era capaz de admitir para mim mesma com sinceridade, muito menos para Edward, que era a pessoa que eu mais queria impressionar no mundo.

No dia da minha festa de nove anos, Edward estivera lá. Eu correra por todo o lado com as outras crianças, mas no fim acabei tropeçando e caindo. Edward fora até mim, limpara meu joelho com um lenço que tirara do bolso e dera um beijo ali.

Por algum motivo, daquele momento em diante eu soube que nunca amaria ninguém que não fosse ele. Eu sabia disso, mas não tinha esperança de ficar com ele. Edward era mais velho e mais experiente do que eu. E lindo.

Como ele era lindo!

Mesmo sabendo disso, sempre que ele me chamava de garota ou de pirralha parecia que ele estava apenas cutucando a minha ferida, já aberta.

Eu não podia deixá-lo continuar com isso.


POV Edward

– Agora vamos repassar. Quem é você? – Eu perguntei para Bella, enquanto estávamos sentados na sala, com um monte de papeis sobre a mesa de centro nos separando.

– Sou Isabella Swan. Sou filha de sua irmã e morava no Canadá. Minha mãe achou que era uma boa ideia que eu fizesse intercâmbio e estudasse em uma escola dos EUA, já que eu pretendo fazer faculdade em Harvard, por isso me mandou para passar uns tempos com você. – Ela recitou facilmente. Era incrível a facilidade que a garota tinha para mentir. Charlie a havia ensinado bem.

– Ótimo. E quem sou eu? – Questionei a seguir.

– Você é Edward Cullen, irmão de minha mãe. Quando minha avó morreu ela deixou uma herança grande para você e minha mãe. Vocês repartiram o dinheiro e se separaram. Minha mãe casou com um canadense e se mudou para lá. Você ficou nos EUA e investiu o dinheiro na bolsa de valores. Com isso ficou milionário, comprou imóveis e outras ações e vive dos lucros. É o fundador de várias obras de caridade e membro respeitável da alta sociedade. – Ela disse seriamente. Quando terminou, olhou para mim e riu. – Você realmente conta essas mentiras para as pessoas sem rir?

– Não são todas mentiras. – Eu dei de ombros.

– Sim, não são. Meu pai me falou. – Ela disse enigmaticamente, sorrindo de canto para mim.

– O que o seu pai falou? – Eu quis saber.

– Tudo. Ele te ensinou tudo o que você sabe, e você imediatamente se destacou. Como ele, você rouba apenas de políticos corruptos e pessoas que fazem fortuna de forma ilegal. Mas você foi além. Você criou diversas obras de caridade e usa o dinheiro dos roubos e dos seus lucros em ações para mantê-las. – Ela disse com os olhos brilhando. Então sorriu suavemente. – Esse é mais um dos motivos que me fez me apaixonar por você.

– Por que você vive repetindo isso? – Eu falei, apertando o rosto nas palmas de minhas mãos. A garota não parava de repetir que me amava.

– Porque é verdade. – Ela disse simplesmente. Suspirei e mudei de assunto.

– Hoje eu estou dando uma festa para uma de minhas fundações, no Plaza. Pessoas importantes vão aparecer para me dar o seu dinheiro. Você já está bem treinada no seu papel, mas as suas roupas... – Eu disse. Minha sobrinha não podia sair por aí vestida igual a um moleque de rua.

– O que têm elas? – Bella perguntou estreitando os olhos.

– Vamos ter que sair para fazer compras. – Sentenciei. Bella suspirou.

– Acho que não tem jeito. Mas você vai pagar tudo. A sobrinha é sua, meu chapa. – Ela disse dando de ombros. Tive que rir. A garota tinha personalidade.

– Dinheiro não é problema, querida. – Eu disse.


POV Bella

Naquela tarde Edward me levou ao shopping. Ela insistira em comprar não só o vestido para aquela festa, mas outras tantas roupas para o dia-a-dia. Ele dizia que eu não podia andar por ai com as minhas roupas normais ou chamaria mais atenção do que o necessário.

Quando fomos comprar o vestido para a festa de hoje à noite, Edward foi procurar algo na sessão infantil. A peça que ele escolheu me fez arregalar os olhos.

– Você deve estar brincando! – Exclamei exasperada.

– Por quê? – Ele quis saber, sem entender.

– Isso é roupa de criança! – Eu apontei o óbvio.

– Mas você é criança. – Ele afirmou. Apertei os lábios.

Antes que eu pudesse xingá-lo de algo bem feio, no entanto, seu telefone tocou. Ele olhou para o visor e suspirou. – Experimente este. Vou atender o celular lá fora.

Com raiva, joguei o vestido para o lado e fui procurar outra coisa. Alguns minutos depois Edward voltou.

– Vou ter que ir agora, tenho que resolver alguns assuntos da festa. Meu motorista vai ficar com você. Pegue o meu cartão. Você tem celular, não é? – Ele me entregou seu cartão de crédito, me disse a senha e pegou o número do meu celular. – Vejo você na festa. Dê um jeito nesse ninho que você chama de cabelo. E compre aquele vestido.

Ele deu todas essas ordens e, sem dizer mais nada, foi embora, me deixando naquela loja enorme com o seu cartão de crédito sem limites.

Ah, ele não sabia o que estava esperando por ele. Eu normalmente era bem fácil de conviver e nem gostava de fazer compras, mas ele já estava me provocando demais. Fui até a parte de vestidos de noite e escolhi algo bem mais interessante. Em seguida fui ao cabeleireiro.


POV Edward

A festa já havia começado. O problema com a banda havia sido resolvido e os convidados já chegavam. Os fotógrafos se aglomeravam na porta do hotel, querendo tirar a foto desta ou daquela celebridade. Eu fiquei postado ali perto, dando as boas vindas a todos.

Algum tempo depois o meu motorista parou o carro na frente do hotel, o que era um alívio, pois já comaçava a imaginar se Bella resolvera me dar o bolo apenas para me provocar. Ela tinha cara de ser uma pirralha capaz de fazer isso.

Mas a mulher que saiu daquele carro não tinha nada de pirralha. Fiquei boquiaberto enquanto ela se aproximava de mim.

(*Link, que por algum motivo não está pegando: http://papelpop.com/papelpop/wp-content/uploads/2012/05/kristen-stewart-cosmopolis-vestido-vermelho.jpg)

– Oi tio Edward. – Ela falou meigamente, me dando um beijo no rosto. Os fotógrafos imediatamente se aglomeraram à nossa volta, querendo um bom ângulo. Sorri automaticamente.

– Que roupa é essa? – Perguntei pelo canto da boca, posando para outra foto em seguida.

– Uma roupa de festa. – Ela resmungou de volta.

– Não foi a que eu escolhi. – Reclamei.

– Não, essa fui eu que escolhi. O que me lembra... – Ela falou, quando os fotógrafos nos deixaram. Tirou meu cartão de crédito de sua bolsa. – Aqui está o seu cartão. Espero que não se importe, comprei outras coisinhas nele.

– Que coisinhas? – Eu quis saber, mas algum dos meus convidados se aproximou e tive que dar-lhe atenção. Bella foi em direção ao salão da festa, sorrindo de canto.

Acho que eu havia subestimado a pirralha, que não era tão pirralha assim. No fim das contas, ela era mesmo filha de Charlie Swan.

Depois que todos os convidados chegaram, circulei pelo salão, cumprimentando a todos. Vi Bella perto do bar, pegando uma Vodka Martini. Fui imediatamente para junto dela e peguei a taça de sua mão.

– Uma coca-cola, por favor. – Eu pedi ao barman, tomando um gole do Martini.

– Ei, isso é meu! – Bella reclamou.

– Você ainda não tem vinte e um, então isso é meu. – Repliquei. Ela me fuzilou com os olhos e pegou a coca que o barman entregou para ela.

– Você é um chato. – Ela resmungou.

– Já se desapaixonou? – Perguntei esperançoso.

– Não. – Ela disse sorrindo. – Se é isso que você quer, pode perder as esperanças. Eu nunca vou deixar de te amar.

Revirei os olhos, inconformado.

– Vamos, vou te apresentar a algumas pessoas. Afinal, você é nova na cidade. – Eu disse, estendendo meu braço para ela. Bella o aceitou, feliz.

Andamos pela festa e eu a apresentei a vários dos meus contribuintes. Todos gostaram da minha sobrinha. Alguns gostaram até demais. Principalmente alguns marmanjos sem vergonha na cara, que ficavam encarando o decote dela na maior cara de pau, mesmo comigo bem do lado.

Eu não podia negar que a pirralha estava muito sexy naquele vestido. Ainda assim era uma pirralha.

Estava me afastando do Governador quando Jessica se aproximou.

– Olá Edward. Como vai? – Ela perguntou educadamente.

– Muito bem, obrigado. – Respondi da mesma forma. Pelo menos em público ela não podia mostrar a safada que era. Até por que seu marido estava junto.

– Edward, como vai? – Mike perguntou.

– Muito bem, Mike. E a compra de capital da empresa? Tudo correu bem? – Eu quis saber. Mike havia acabado de ficar milionário (bom, pelo menos mais do que já era) vendendo parte do capital de sua empresa de informática.

– Otimamente bem, meu amigo. Doarei uma boa quantia para suas obras hoje. – Mike falou.

– Muito obrigado. Senhora... – Falei, beijando respeitosamente a mão de Jessica, como se já não tivesse beijado outras partes.

– Até logo. – Ela falou.

O fato é que Jessica havia casado com Mike apenas por dinheiro. O cara no fundo sabia, mas amava demais a mulher para fazer qualquer coisa quanto aos seus casos. Eu era um deles, embora Mike não soubesse. Mas ele sabia dos outros.

E eu saía com ela porque, como grande fofoqueira que era, Jessica me passava grandes informações sobre suas amigas da alta sociedade sem nem mesmo perceber. Dizia quem tinha muito dinheiro, quem havia falido, quem tinha amantes, quem viajava o tempo inteiro. Tudo muito importante no meu trabalho.

Quando nos afastamos dos dois, Bella me olhou com cara feia.

– Não gostei daquela mulher. Ela é casada e ficava olhando para você daquele jeito... – Ela reclamou. Então estreitou os olhos e sussurrou. – Você tem um caso com ela, não tem?

– Isso não é assunto pra você, garota. – Falei, subitamente constrangido, sem saber por quê. Ela apertou os lábios, soltou o meu braço e foi sentar-se no lugar que fora reservado para ela.

Antes de iniciar a festa, tive que fazer um discurso de agradecimento aos presentes. Depois houve o jantar. Sentei ao lado de Bella, mas ela não me dirigiu a palavra, preferindo olhar para o rapaz sentado ao seu lado, Tyler, e conversar com ele.

Após o jantar a música começou a tocar e, como era de praxe, tirei Bella para dançar. Ela aceitou, pois sabia que não devia fazer escândalo. Mesmo assim vi que ela ainda estava brava.

– Está chateada por causa da Jessica? – Perguntei.

– Jessica? – Ela falou fazendo cara feia. – Claro que eu estou chateada por causa dela. Não é normal que eu fique assim sabendo que quem eu amo tem um caso com uma mulher casada?

Suspirei.

– Apesar de eu saber que não preciso me explicar pra você, eu vou dizer isso para que você não tenha uma ideia errada. Eu saio com a Jessica por que ela me dá informações. Ela é extremamente fofoqueira, por isso está sempre falando da vida de suas amigas milionárias. Apenas por isso. – Eu disse, mesmos sabendo que não precisava. Ela fez bico.

– Mesmo assim. Não gosto de pensar em você se agarrando com ela. – Bella resmungou. Eu ri.

– Não pode fazer nada quanto a isso, pirralha. – Eu falei divertido. Ela fez cara feia e se afastou. Alguma de minhas convidadas estava ali perto, por isso me aproximei e chamei-a para dançar, deixando que Bella voltasse emburrada para o seu lugar.

Não por muito tempo, no entanto. Logo Tyler convidou-a para dançar. E depois dele foram outros tantos.

Naquela noite, ao chegarmos em casa, Bella parecia um pouquinho feliz, apesar de não estar falando comigo nos melhores termos. Apenas o necessário.

– Boa noite. – Falei, dirigindo-me ao meu quarto.

– Boa noite. – Ela disse, subindo as escadas batendo os pés e indo para o seu quarto.

Eu já estava deitado na cama, quase dormindo, quando Bella apareceu.

– Edward. Edward! – Ela sussurrou, parada de pé ao lado da minha cama.

– O que foi? – Perguntei sonolento, vendo-a abraçada com seu travesseiro ao meu lado.

– Eu não consigo dormir. – Ela disse.

– E eu com isso? – Eu quis saber.

– Deixe-me dormir aqui. – Ela pediu.

– Pensei que estava com raiva de mim. – Resmunguei.

– Eu estou, mas não consigo dormir. Você deixa? – Ela quis saber.

– Não. Vá para o seu quarto, pirralha. – Eu mandei, virando-me de costas para ela. Estava exausto e morrendo de sono. Não estava com paciência para isso.

– Por favor, Edward. – Ela pediu.

– Vá embora. – Repliquei.

– Eu juro que não vou fazer nada. Fico encolhidinha ao seu lado, não vou nem me mexer. – Ela ainda tentou. Apertei os olhos e suspirei.

– Tudo bem, mas fique quieta. – Falei com raiva. Não podia crer que estava concordando com aquilo.

– Ok. – Ela disse e pela sua voz percebi a sua alegria.

Mesmo de olhos fechados, revirei os olhos. Senti Bella se deitar e então apaguei. Sabia que de alguma forma iria me arrepender disso.



Notas finais
Oi gente.
Acabei de terminar esse cap. Espero que gostem.
Eu prometi postar toda sexta e provavelmente vai ser mesmo assim.
Mas como minhas leitorinhas foram muito boas, resolvi postar esse, já que o outro foi só o prólogo.
O que acharam?
Bjs