No Amor E No Crime
6 Capítulo Cinco: Gone
Notas iniciais
Capítulo Cinco: Gone
POV Bella
Edward realmente havia ido me buscar na escola. Estava feliz por aquela atitude da parte dele, mas não tinha esperança de que algo fosse mudar. Tinha certeza de que ele havia feito aquilo apenas por que estava com a consciência pesada pelo que havia dito a mim ontem.
Achei que devia dizer alguma coisa, para ele não achar que eu estava com raiva.
Ao chegarmos em casa, no entanto, esqueci completamente qualquer coisa que pudesse ter pensado em dizer. A cozinha estava cheia de sacolas e a mesa, toda arrumada um jantar chique para dois.
– O que é isso? – Eu perguntei, sem crer que ele iria fazer um jantar romântico para alguma vagabunda mesmo comigo em casa.
– Estou preparando o jantar. – Ele disse apenas, como se não tivesse problema.
– Ah, ótimo! – Falei, irritada. — Ótimo mesmo. Tudo bem, tanto faz. Eu vou pra qualquer lugar, mas não espere que eu fique em casa para ver isso.
– Do que você está falando? – Edward perguntou espantado.
– Deste jantar! – Exclamei.
– Eu pensei em fazer algo para pedir desculpas a você. Não gostou? – Edward perguntou coçando a cabeça duvidosamente.
– Pra... Pra mim? – Gaguejei.
– Claro, para... Espera, para quem você pensou que fosse? – Ele quis saber, estreitando os olhos. Corei furiosamente.
– Ninguém. – Falei rapidamente. Edward começou então a rir, como se o meu constrangimento já não fosse grande.
– Ninguém? Aham, sei. – Ele disse. – Apenas suba e arrume as suas coisas. Logo o jantar estará pronto.
– Quer que eu ajude? – Ofereci, mortificada.
– Não! – Edward respondeu rapidamente. Estreitei os olhos, mas deixei para lá. Depois daquela crise besta de ciúmes que eu havia tido, não havia problema em deixar essa passar.
Subi, tomei banho e resolvi vestir algo especial. Algo que eu também havia comprado junto com o vestido vermelho.
POV Edward
De certa forma havia sido engraçado ver a pirralha ter uma crise de ciúmes ao pensar que eu faria um jantar a dois para outra mulher. Mas então vinha a culpa novamente. Ela realmente devia pensar mal de mim, achando que eu traria uma mulher para casa, ainda mais com ela aqui. Eu ficava imaginando que tipo de impressão ela tinha de mim devido a essas coisas.
Logo terminei o jantar. Frango à parmegiana com macarronada. Não era algo difícil de fazer, apenas um pouco trabalhoso, mas logo terminei.
– Bella, pode descer. O jantar está pronto. – Gritei escadas acima. Em seguida fui pegar os pratos para colocar na mesa. Ouvi os passos de Bella na escada e logo ela estava ao meu lado.
Quase engasguei quando vi o que a pirralha estava vestindo. O “vestido” – supondo que aquilo fosse um vestido – que ela usava era completamente transparente e minúsculo. Na verdade não era mais do que um paninho. Ela parecia não notar nada de estranho. Encostou-se ao meu braço, cheirando a comida.
– Hmm, fiquei até com fome. – Ela disse sorrindo.
– O que diabos você está vestindo? – Eu quis saber, me afastando rapidamente do calor do seu corpo.
– Um vestido. – Ela disse e pude ver claramente que a maldita estava prendendo um sorrisinho. Aquela garota devia ser o demônio, só podia!
– Isso com certeza não é um vestido! – Exclamei, a voz falhando.
– Claro que é, tem dizendo na etiqueta, pode ver. – Ela falou, virando-se e oferecendo as costas para que eu verificasse. Devo dizer que meu olhar passou longe da etiqueta, se concentrando em um local bem mais abaixo.
– Tudo bem, eu acredito em você. – Falei rapidamente. Se eu chegasse mais perto dela, não sabia o que poderia fazer. Rosnei e fui buscar a panela de macarronada. Bella simplesmente sentou-se no seu lugar, esperando com um sorrisinho de canto brincando em seus lábios rosados.
Voltei para a mesa e então sentei para comer com Bella. Tirando a óbvia tentativa de me provocar com aquele seu paninho – eu disse tentativa? –, a garota foi completamente simpática o jantar inteiro, elogiando a comida e o cozinheiro, claro.
Aquilo me fez pensar que talvez, apenas talvez, ela não estivesse com raiva de mim pelo que eu havia dito. Talvez fosse outra coisa que a estivesse incomodando. A escola, por exemplo. Havia algo que realmente a incomodava em relação àquele lugar.
Eu estava prestes a perguntar mais uma vez sobre a escola quando o meu telefone tocou.
– Desculpe. – Falei, pegando o objeto para olhar quem era. No visor apareceu o nome de Jessica. Mordi o lábio. Eu não queria atender, mas sabia que Jessica nunca me ligava sem motivo. Se ela estava ligando, provavelmente era por que Mike havia saído da cidade e ela queria me ver. Era a minha chance de conseguir mais informações. – Só um minuto.
Levantei-me da mesa e fui andando até a varanda, então atendi.
– Oi Jessica. – Falei em voz baixa.
– Por que você está sussurrando? – Ela perguntou confusa.
– Não quero que... Que a minha sobrinha escute. – Eu disse. Afinal, Jessica achava que Bella era minha sobrinha.
– Ah, certo. Eu havia me esquecido. – Jessica falou. Então pude ouvir seu risinho irritante do outro lado da linha. – Bom, eu liguei por que o Mike viajou a negócios hoje. Só volta na sexta. Pensei que você podia dar uma passada aqui mais tarde.
– Hmm, eu não sei, Jessica... – Resmunguei. Não estava com a mínima vontade de ver a Jessica agora, mas ela sempre tinha alguma informação boa para me dar, mesmo sem querer.
– Por que não? O que houve? – Ela quis saber, confusa.
– Nada. Tudo bem, eu passo aí mais tarde. – Eu disse por fim. Desliguei, olhando para o telefone com desgosto por alguns segundos. Então voltei para a mesa.
– Quem era? – Bella perguntou casualmente.
– Ninguém, apenas um informante. – Menti, sem saber bem por quê. A pirralha sabia sobre o meu caso com a Jessica.
– Sei. – Ela disse apenas. Passamos o resto do jantar em silêncio. Fiquei sem entender por que Bella começou a ser tão fria comigo de repente.
Depois de termos comido, Bella me ajudou a lavar os pratos, então foi para o seu quarto dizendo ter dever de casa para fazer. Como já estava no meio do semestre, achei realmente que Bella tinha que botar os deveres de casa em dia para acompanhar os colegas.
Tentei fazer silêncio enquanto me arrumava para sair. Não queria que Bella percebesse e viesse para mim cheia de perguntas. Com sorte eu estaria de volta antes que ela viesse se esgueirar para a minha cama, se é que ela viria.
Mas quando desci e passava pela sala em direção à porta, a luz do abajur acendeu, quase me dando um ataque cardíaco.
– Merda! – Exclamei, colocando a mão no coração. – O que você estava fazendo sentada no escuro?
– Estava esperando para saber se você realmente seria tão cara de pau a ponto de se esgueirar para ver a Jessica no meio da noite depois de ter mentido para mim. – Bella falou, os lábios apertados de raiva.
– Como você... Você escutou? – Eu perguntei, sentindo um ligeiro calor cobrindo o meu rosto e ficando irritado com isso. Eu não era mais um garoto para corar quando é pego fazendo algo errado.
– Claro que eu escutei. Para um ladrão profissional, você não é nenhum gênio quando se trata de dissimular uma ligação. – Bella falou.
– Bom, isso não é da sua conta, de qualquer forma. Não é nada demais. – Eu disse, esperando que o assunto se encerrasse por ali mesmo.
– Então por que você mentiu para mim? – Bella perguntou.
– O quê? – Perguntei sem entender.
– Se não é nada demais, por que você mentiu para mim? Poderia ter simplesmente me dito quando eu perguntei. – Ela retrucou, ficando finalmente de pé. Devo dizer que a luz batendo no seu “vestido” e deixando tudo à mostra não estava facilitando o meu lado.
– Bom... Bom... – Fiquei sem saber o que responder. O olhar de Bella parecia dizer que eu a havia traído. E eu, incrivelmente, me sentia assim mesmo, coisa que não fazia sentido algum. – Olha, eu já estou atrasado, depois falamos sobre isso.
Dizendo isso, me virei para ir embora.
– Não, eu não vou deixar você sair assim. – Bella disse, agarrando a manga do meu moletom.
– Bella, por favor... – Comecei, nervoso. – Isso não tem nada a ver com você.
– Claro que tem a ver comigo! – Ela exclamou, indo se postar à minha frente. – O que você acha que eu deveria sentir ao ver a pessoa que eu amo indo encontrar outra, sabendo exatamente o que eles vão fazer juntos?
Suspirei, cansando.
– Por que você insiste nisso? – Eu perguntei.
– E por que você insiste em não me dar uma chance? – Ela perguntou, seus olhos marejados. Senti meu estômago afundar. Bella agarrou a outra manga da minha camisa, chegando mais perto. – Apenas... Talvez... Talvez se você dormisse comigo, eu saberia... Saberia se eu realmente te amo. E você poderia ter certeza...
– Eu vou fingir que nem ouvi isso. Nós conversamos sobre isso ontem! – Exclamei nervosamente.
– Eu sei... Eu sei, mas eu não posso deixar você ir assim, sem fazer nada. – Ela replicou, apertando ainda mais seus dedos em minha roupa. – Só uma vez. Quem sabe eu não me decepciono e te deixo em paz.
– Bella... Eu não posso fazer isso com você. – Eu disse, lutando contra todos os meus instintos, que diziam para possuí-la ali mesmo, no chão da sala.
– Eu tenho experiência, se é disso que você está com medo. Não sou mais nenhuma garotinha. – Ela falou com a voz trêmula.
– Você tem experiência? Achei que era... – Comecei.
– Não sou. – Ela garantiu. Então repetiu: — Só uma vez. Por favor.
– Hmm... Não. – Eu disse, sacudindo a cabeça para clarear a mente. Estava quase aceitando. – Não, eu não posso.
– Eu não vou deixar você sair, apenas diga sim. – Bella jogou os braços ao redor do meu peito e me apertou com força.
Seu corpo inteiro tremia e, então, percebi que Bella estava mentindo. Geralmente eu era bom para detectar uma mentira, mas Bella era sempre tão sincera que eu normalmente assumia que ela estava falando a verdade. Mas agora eu percebi. A garota era virgem, apenas estava dizendo aquilo para me convencer.
E eu mal podia crer que ela faria algo como aquilo. Será que Bella não tinha noção das consequências de seus atos? Com raiva, fiz com que ela me soltasse. Iria ensinar uma lição para aquela pirralha.
– Ótimo. – Falei irritado. — Se é isso que você quer, por que não tira a roupa?
A garota me olhou com espanto por alguns segundos.
– Você está falando sério? – Ela quis saber.
– Claro, se você tem tanta experiência assim, deve saber o que fazer. – Eu disse, olhando para ela com a sobrancelha erguida. Queria saber até onde a garota estava disposta a ir.
– Claro. – Ela resmungou. Suas mãos tremiam enquanto ela tentava puxar o zíper nas costas do vestido. Quando finalmente conseguiu, Bella deslizou a alça da peça para baixo, se desnudando devagar. Então ela ficou ali parada, vestindo apenas uma calcinha minúscula.
O tesão que eu sentia ameaçava me deixar maluco. Mas a raiva que eu tinha pelo que Bella estava fazendo a si mesma era maior. Será que ela não sabia que ela bonita demais, inteligente demais, boa demais para ficar ali, implorando pela minha atenção? Ela merecia mais do que isso.
Fui até ela e coloquei os seus cabelos para trás. Bella não me olhou nos olhos, apenas esperou. Formei um rabo de cavalo com os cabelos da pirralha e o enrolei em minha mão, puxando sua cabeça para o lado e levando meus lábios ao seu pescoço. Bella tremeu ainda mais e vi suas mãos se fechando em punho. Ainda assim ela não me mandou parar. Apertei um de seus seios nas mãos, beijando seu pescoço e seu ombro.
Em seguida desci a mão para a sua calcinha devagar. Quando toquei o lado da peça, a mão de Bella voou para a minha, me parando. Ela estremeceu, mas não disse nada. Apenas ficou ali segurando a minha mão. Afastei-me dela e vi que uma lágrima solitária escoria pelo rosto de Bella.
– Achei que você tinha muita experiência com isso. – Eu disse ironicamente. Bella me olhou com a boca franzida.
– Você estava brincando comigo? – Ela perguntou parecendo magoada.
– Acho que eu te ensinei uma boa lição hoje, não? – Eu repliquei. – Não brinque com as pessoas, se não estiver disposta a ir até o fim, pirralha. Você sabe como eu me sinto cada vez que você me provoca, cada vez que diz que me ama e exige de mim coisas que não são minha obrigação? Você não pode sair por aí jogando os seus sentimentos para cima das pessoas e exigir que elas correspondam.
Bella corou completamente. Suas mãos foram parar em seus seios, cobrindo-os. Ela então abaixou a cabeça.
– Entendi. – Ela disse apenas.
– Entendeu? – Eu perguntei confuso.
– Entendi. – Ela repetiu. Então completou: – Eu peço desculpas por tudo o que fiz. Não é problema seu se eu te amo, você mal me conhece.
Eu simplesmente fiquei ali, boquiaberto, sem saber o que responder. Mas Bella me poupou o trabalho de pensar em algo para dizer, correndo escadas acima com lágrimas por todo o rosto. Queria ir atrás dela e dizer que sentia muito, que eu havia sido um idiota, mas ainda estava com raiva por ela se diminuir tanto.
Eu havia percebido, finalmente, o porquê de eu evitar tanto a Bella. No fundo, eu sabia que não a merecia. Ela era tão sincera, tão engraçada e fofa e perfeita. Não era para o meu bico.
Minha cabeça doía e resolvi sair para dar uma volta, tomar um ar fresco. Peguei o carro e dei uma volta perto do Central Park. Apenas me toquei que havia esquecido completamente de Jessica quando ela ligou para perguntar onde diabos eu havia me enfiado.
– Desculpe, Jessica. Eu tive um problema com os meus investidores. Não vou poder te ver hoje. Ligo para você depois. – Prometi, então desliguei antes que ela pudesse dizer algo mais. Em seguida fui para casa.
POV Bella
Eu não queria desistir de Edward. Não queria mesmo.
Mas eu já havia me humilhado tanto, sofrido tanto... E feito da vida dele um inferno.
Tudo o que Edward me disse finalmente me atingiu de verdade. Ele sempre havia deixado claro o quanto eu o incomodava, mas eu nunca havia percebido realmente, até hoje.
Não devia ser legal ter uma pessoa no seu pé, dizendo o tempo inteiro que te ama, exigindo que você faça coisas que você não quer fazer por causa de sentimentos que você nunca pediu.
Eu finalmente havia percebido o quanto eu era chata.
Acho que no fundo eu nunca quis acreditar nas coisas que ele me dizia, porque assim teria que admitir que eu era apenas um estorvo. Eu havia presumido que um dia ele se apaixonaria por mim, se eu ficasse por perto por tempo suficiente. Mas é o que as pessoas dizem, querer não é poder. E você não pode forçar uma pessoa a te amar apenas por que você quer.
Então finalmente entendi o que eu precisava fazer.
POV Edward
Quando cheguei em casa, tudo estava em silêncio. Imaginei se Bella já havia ido dormir, provavelmente me odiando agora. Fui direto para o meu quarto. Tristemente, Bella não estava em minha cama mais uma vez. Suspirei e tirei a roupa, duvidando seriamente que conseguisse dormir essa noite.
E realmente não consegui pregar o olho, apenas pensando em Bella. Resolvi pedir desculpas à pirralha de manhã. Eu havia sido duro demais com ela, no fim das contas.
Como não dormi, estava de pé logo cedo. O tempo foi passando e estranhei Bella não descer para ir à escola. Fui ao seu quarto e bati na porta. Ela não atendeu. Bati novamente e então entrei.
O quarto estava completamente vazio, como se ninguém nunca tivesse dormido nele. As coisas de Bella não estavam lá. Suas roupas, as fotos... Havia apenas um pedaço de papel sobre a cama, o qual eu peguei e logo percebi que era uma carta para mim.
Querido Edward,
Peço perdão por todos os problemas que te causei. Eu não devia ter depositado todas as minhas expectativas em você, não é sua culpa. Eu acho que, ao longo dos anos, fui criando dentro de mim a certeza de que te conhecia e de que certamente você me amaria quando me conhecesse. Acho que era apenas uma ilusão de criança. Não vou mais perturbar você com essas coisas.
Não se preocupe comigo, estarei bem.
Eu tenho dinheiro, sou emancipada e sei cuidar de mim mesma. Apenas fui para a sua casa por que Charlie mandou — ele ainda acha que sou uma criança -, e... Bom, por que queria ficar perto de você. Não é como se eu realmente precisasse.
Mas eu sei que eu já incomodei demais você. Não se sinta responsável por mim, o único responsável sou eu mesma. Espero que sua vida volte ao normal logo. Pode dizer a todos que voltei para o Canadá, que estava com saudades de casa, ou qualquer outra coisa.
Um abraço,
Bella.
Havia várias palavras rabiscadas no fim da carta, como se Bella não tivesse certeza de como terminar quando escreveu. Sob um dos rabiscos, pude ver com dificuldade as palavras “Eu te amo”.
Meu estômago afundou.
Não podia crer que a pirralha havia ido embora assim. Na verdade, eu nem podia acreditar que ela se quer havia ido embora. Acho que no fundo eu havia me acostumado a pensar que ela sempre estaria ali me perturbando.
Será que a pirralha havia realmente ido embora de vez?
Notas finais
Não tive muito tempo de revisar o cap, por isso se tiver algum erro podem me avisar.
Eu queria agradecer a ROBSTEN pela recomendação. Obrigada flor.
Gostaram do cap? Muhahahahahahahaha!
Bjus
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