Nirvana
6 Zoey e Tony - A garotinha do papai e a melhor pegadinha ever
Um dia antes:
Imaginem uma filha de Hades.
Imaginaram?
Vocês devem estar pensando como eu sou: cabelos negros até as costas, aquele bem liso mesmo. Estilo Samara. Ah! E minhas roupas? Bem pretas com caveiras e talvez, alguma camisa de uma banda de rock satânica.
Tente de novo.
Okay! Não tente de novo, vocês vão pensar que eu sou uma gótica depressiva. Todo mundo pensa que a) eu sou uma satânica adoradora do papai ou b) eu sou uma gótica depressiva.
Qual é gente? É tão difícil imaginar uma filha de Hades com pelo menos um pouco de estilo?
Não que eu seja uma barbie girl, credo! É muito rosa.
Olhei meu reflexo: o cabelo loiro caia sobre meus ombros em pequenos cachos. A blusa do acampamento meio sangue se encontrava debaixo de um casaquinho preto justo ao corpo e minha calça skinny deixava minha silhueta muito mais definida. Os olhos azuis estavam ressaltados devido as camadas de rímel meticulosamente passadas que deixavam meu olhar mais felino em uma bela harmonia com a cor dos lábios.
Eu sou Zoey e sou fabulosa.
Caminhei para a saída do chalé, mas ao abrir a porta para sair, me deparei com um garoto de pelo menos onze anos parou na minha frente. Ele carregava uma caixa de papelão que devia ser pelo menos duas vezes maior que a sua cabeça.
–Entrega para a Zoey Di... – Ele disse com dificuldades e eu peguei a caixa da mão dele, voltando para o chalé de Hades e me trancando novamente.
Levei a caixa até a minha cama e abri-a rapidamente. Normalmente, meu pai me enviava algumas camisas com frases tipo: “Daddy’s bad girl” com uma caveira e um lacinho ou até “Hades Rules”. Quando eu tinha onze anos, isso era até legal tipo: “meu pai pelo menos me envia camisetas. E olha, essa caveira tem um lacinho!”, mas quando eu fiz treze anos isso começou a encher o saco.
Coloquei ambas as mãos dentro da caixa e tateei o que tinha dentro, quando senti algo, puxei para cima.
–Estão brincando comigo. –Soltei irritada quando vi uma camiseta preta escrita “Hades little princess” e continuei procurando alguma carta dentro da caixa.
Por que ele não me mandava cartas em vez de blusas estranhas?
Joguei a blusa em cima da cama e caminhei para fora do chalé.
[ P.O.V. Tony Waldorf ]
A noite de hoje tinha tudo para ser um sucesso. Daqui a algumas horas, o acampamento meio-sangue iria descobrir do que Tony Waldorf é capaz.
Tudo começou faz poucas semanas quando eu estava preparando outra pegadinha: eu iria colocar tinta azul no xampu do Quíron assim ele ia ficar um centauro com cabelo azul. E cara, isso não seria incrível?
Então, no caminho da casa grande, me deparei com algo muito melhor. MUITO melhor. Eu corri para o chalé de Hermes, catei uma câmera qualquer e voltei para lá, gravando tudo o que estava acontecendo.
Aquilo era ouro puro.
E hoje, o acampamento inteiro iria ver.
–Ei Tony! – Alison Beat vinha em minha direção. O que irritava era que ela tinha uma queda por mim.
–Oi Ali – Eu dei uma piscada para ela.
–O Dilan me encontrou no caminho do refeitório e pediu para te avisar que já era para vocês se encontrarem.
–Ele te disse o porque? – Ela não podia saber da pegadinha, se começasse a se espalhar, não teria tanta graça.
–Ern... Não. Por quê? – Ela me olhou, curiosa.
–Surpresa. Você vem hoje?
–Ah, não sei, esses eventos públicos me enchem o saco. – Ela cruzou os braços como se estivesse entediada.
–Poxa... Eu queria muito que você viesse – Levei a mão até se queixo e depois lhe dei um beijo na bochecha.
–Ah... – Ela ficou vermelha – Se é assim... – Ela sorriu – Eu venho.
–Certo, até de noite – dei uma piscadela para ela e caminhei até a praia.
(...)
A praia já estava com alguns campistas sentados, esperando a solta anual dos fogos. Alguns fogos já estavam estendidos no chão sob um grande telão de led onde teria a contagem regressiva. Avistei Dilan abaixado perto da mesa de controle onde controlaria os fogos e o telão. Ele segurava um dvd prateado que refletia alguns raios solares do fim do dia. Caminhei até ele, sorrindo. Faltava poucas horas.
–E ai bro? – Ele estendeu o braço, para um toque.
–E ai. Conseguiu pegar o que eu te disse lá no meu chalé?
Ele acenou positivamente, me mostrando o dvd.
–Mas a final, o que tem ai?
–Segredo. Você vai ter que esperar como todo mundo. Agora vem me ajudar a arrumar esses cabos.
Na medida em que os campistas chegavam e se ajeitavam na areia, Dilan e eu tínhamos arrumado os fios de modo que conseguíssemos interferir no sinal do que seria exibido na tela de led.
O céu já tinha escurecido e quase todo o acampamento estava ali reunido. O Sr.D pegou um microfone e começou a fazer seu discurso, e a anunciar a queima dos fogos.
–...Então! Vamos lá! Liguem a contagem regressiva.
O telão de led acendeu, deixando o número 10 bem grande. O acampamento inteiro estava em coro.
–10!
Iria ser demais
–9!
O dvd já estava pronto.
–8!
Esfreguei ambas as minhas mãos, como se estivesse pronto para comer algo delicioso.
–7!
Dilan começou a rir do meu lado.
–6!
Pegamos os cabos que fariam a interferência.
–5!
Eu estava tremendo.
–4!
Seria a melhor pegadinha ever.
–3!
Deixei os cabos próximos.
–2!
É agora ou nunca.
–1!
Juntei os cabos, e a imagem da tela de led mudou, fazendo os campistas explodirem em risadas.
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