Nirvana
25 Tony e Kurt - Águas do Rio East.
Notas iniciais
Nos aproximamos da beirada da ponte, observando o corpo sem vida boiar nas águas escuras do Rio East.
Ninguém pode fazer nada, ninguém conseguiu segura-la.
Tinha sido culpa do vento, e de mais ninguém.
(...) 15 horas antes (...)
[P.O.V – TONY ]
–Kurt, sai daí... Por favor – Alexy batia na porta do quarto de Kurt fazia quase vinte minutos.
–Cala a boca. Eu quero ficar sozinho – Kurt resmungava do outro lado da porta.
–Qual é o drama dessa vez? – Dilan tinha chegado com Sparks, Jude vinha atrás e não parecia nada contente com a situação.
– Não faço a menor ideia – Soltei – Quando acordei, Kurt não queria sair do quarto dele de jeito nenhum, então eu chamei Zoey para me ajudar, que não conseguiu e chamou a Alexy que...
– O.K, acho que todos entendemos. – Sparks cortou Tony – Vocês estão fazendo do jeito errado.
Ela se aproximou da porta e antes de conseguirmos raciocinar qualquer movimento seu, Sparks deu um chute na porta, derrubando-a no chão.
–Simples – Ela deu um passo para frente e entrou no quarto — Agora venham, quero entender o que está acontecendo com esse bebezão.
Encaramos a porta no chão e seguimos Sparks. Atrás de mim, Dilan comentou alguma coisa relacionada a: “Não me deixem entrar numa briga com essa menina”.
O quarto estava com as janelas fechadas e a cama desarrumada: os travesseiros estavam no chão e a coberta estava embolada na cama.
–O que diabos aconteceu por aqui? – Jude murmurou, pegando um dos travesseiros do chão e colocando-o na cama.
–Ela... Ela... – Kurt estava em um canto do quarto, agarrado a um pedaço de papel. Ele estava com grandes olheiras e seu cabelo estava bagunçado.
–Calma, Kurt – Alexy se aproximou do menino e envolveu-o em um abraço – Vai ficar tudo bem...
Ele abraçou Alexy com força e fechou os olhos vermelhos, deixando algumas lágrimas caírem.
–Gente... – Sparks olhou ao redor – Alguém tem sinal da Alison?
–E-eu... – Kurt saiu do abraço e limpou o rosto com a blusa – Eu tenho... – Dito isso, estendeu a carta para Alexy que leu-a em voz alta.
Ficamos em silêncio por um tempo. Ninguém tinha coragem de quebrar o silêncio. A carta desafiava-nos a não desviarmos o olhar dela. A respiração de todos era muito pesada, Zoey deixou algumas lágrimas caírem e apertou meu braço. Alexy sentou na cama, deixando a carta cair no chão e ficou quieta. Ela não se aguentava em pé. Acho que ninguém conseguiria ficar de pé com uma notícia dessas.
–Ela sabia o que estava fazendo – Kurt disse por fim – E essa é a pior parte... Saber que o que ela fez foi certo... Que ela fez isso por nós...
Sparks encarava a carta jogada no chão e chutou a cama, com raiva.
–Como ela pode deixar a gente assim?! – Ela gritou – Ela nem nos avisou sobre... Sobre vocês sabem o que! Poderíamos ter ajudado ela! Ela não precisava desaparecer... Ela pode estar... Vocês sabem, Arg! – Ela abraçou Jude com força e afundou a cabeça em seu peito.
–Qual é... – Nate segurava a mão de Alexy – Nunca iriamos vencer Nyx... Ela é uma deusa. E somos um grupo de semideuses. O mundo de fora era muito perigoso para Alison, o Sr.D tinha avisado ela sobre isso, mas ela o ignorou...
–Ela ignorou ele para encontrar Lottie – Kurt disse por fim – E estava com ela, cabeça de gelo.
–Desculpas cara... – Nate começou a falar mas Kurt fez um gesto de indiferença com a mão.
–Precisamos encontrar Lottie. Não podemos mais nos dar o luxo de retornar sem mais um semideus dessa missão – Kurt se levantou e encarou o grupo.
–Kurt está certo – Concordei com ele. – Temos que encontrar a Lottie e traze-la sã e salva para o acampamento. Pela Alison.
– Pela Alison – Todos repetiram. Kurt abriu um pequeno sorriso.
(...)
– Sr e Sra Allen! – Jude batia na porta da loja dos Allen’s.
– Por que não podemos arrombar?! – Sparks resmungou, batendo no vidro da loja, irritada.
–Porque seriamos presos. Dã – Dilan respondeu, meio irritado.
–E porque não vou cobrir os problemas das portas que você derruba com o charme de novo – Alexy respondeu.
O Sr. Allen veio até a porta vestindo um roupão e uma pantufa de dormir. Ele parecia irritado.
– O que diabos vocês querem as oito horas de domingo! Nem abrimos hoje... – Ele bufou, irritado.
– Acho que podemos saber onde Lottie está. – Sparks respondeu. – Então acho legal você... – Jude estendeu o braço para frente da boca da garota, impedindo-a de continuar a falar.
– Seria muito bom se o senhor nos ajudasse a encontra-la – Jude respondeu e logo fez uma careta – Ai, Você me mordeu!
– Mi, mi, mi, mi, mi... – Sparks retrucou.
– É sério isso? – O Sr. Allen nos encarou e levantou uma sobrancelha – Como podem ter encontrado ela?
–É uma longa história... Mas por favor, nos ajude. Achamos que ela pode estar correndo perigo.
O Sr. Allen encarou o chão e desviou o olhar para nosso grupo.
–Certo, entrem.
O estabelecimento tinha cheiro de café e cookies e os brinquedos pareciam intocados desde a última vez que viemos.
– O que vocês precisam saber?
– Vocês moravam em algum lugar quando a Lottie era pequena que não seja o atual? Acreditamos que ela está voltando para casa... – Alexy começou a explicar a situação, olhando os bonecos atrás do Sr.Allen.
–Na verdade não... Sempre moramos no mesmo lugar desde quando a mãe da Lottie era pequena – Ele pareceu apreensivo – Se bem que... Quando Lottie era pequena ela adorava ficar no primeiro apartamento da mãe. Ela as vezes desaparecia e ficava lá por vários dias.
–E onde é o apartamento? – Sparks perguntou, encarando o senhor com expectativas.
–É em cima de uma cafeteria, aqui no Brooklin. Eu anoto o endereço para vocês – John pegou um papel no balcão e começou a escrever o endereço. Quando acabou, entrego-o para Alexy que agradeceu.
Quando estávamos quase na porta da loja, o Sr. Allen nos chamou a atenção.
–Meninos... Eu sei que não sou pai mas... Tragam minha garotinha, por favor.
–Nós vamos – Kurt olhou para o tio de Lottie e sorriu – Você tem minha palavra.
O Sr. Allen acenou com a cabeça e nosso grupo deixou a loja.
–Acho que sei onde é essa rua, é duas quadras daqui. – Dilan analisava o endereço – Eu tomei café nessa cafeteria logo que chegamos aqui, vamos.
(...)
[P.O.V – KURT]
Não tínhamos andado nem meia hora quando chegamos na cafeteria. Era um lugar meio caído e em cima do café tinha um pequeno prédio de tijolos. Nos aproximamos da entrada do prédio e Alexy convenceu o porteiro a nos deixar entrar.
Subimos as escadas que levavam ao primeiro andar e paramos na frente da porta do apartamento 13. A minha respiração estava ofegante e meu coração batia rápido. Estávamos no final dessa missão. Da minha primeira missão. Da primeira missão da Alison. Acho que ela estaria orgulhosa de nós – onde quer que esteja.
–Quem vai...? – Zoey sussurrou e apontou para a porta.
–Ela nem pode estar aqui – Tony sussurrou de volta.
–É nossa única dica. Eu bato na porta – Estendi meu braço e dei três batidinhas na porta. Minhas pernas tremiam e eu estava ansioso para encontrar Lottie.
O mundo ficou em silêncio por um tempo e tudo o que ouvíamos era a nossa ansiedade falando mais alto. Alexy suspirou e bateu na porta novamente.
Silêncio.
–Eu sabia que estava errada – Alexy suspirou e encarou a porta.
Ficamos em silêncio por um tempo, encarando a porta. Em alguns segundos, começamos a ouvir passos do outro lado da porta, rangendo sob o chão. Ouvimos as chaves tilintarem e destrancarem a porta. A maçaneta girou e o coração de todos foi parar na boca.
A porta se abriu e uma figura loira e baixinha estava em nossa frente. Ela vestia um casacão cinza com listras pretas e uma jeans preta. Lottie abriu um sorriso.
–E ai gente, tudo bem com vocês?
O silêncio foi maior que o anterior.
–Alô! – Lottie estalou os dedos na nossa frente, chamando nossa atenção.
–Lottie... – Zoey sorriu.
–Euzinha. Aliás, quem são os marmanjos ai? – Ela apontou para Jude e Nate.
–É uma longa história... – Alexy disse.
–Adoro longas histórias. Venham, entrem! – Lottie virou em um rodopio e entrou no apartamento. Ela andou até a cozinha. – Podem se sentir em casa. Mi casa es su casa.
Trocamos alguns olhares e entramos no apartamento. Tudo estava muito bagunçado: livros jogados no chão, o sofá desarrumado e algumas caixas de pizza no chão.
–Bom... Lottie... Estávamos preocupados com você. – Dilan soltou quando a menina voltou da cozinha, ela trazia uma bandeja com alguns copos cheios de um liquido roxo.
–Ah é, por que? – Lottie deixou a bandeja no chão, no meio de todos – É suco de uva. Podem beber.
Todos pegaram um copo e deram um gole. Dei um pequeno gole, nunca gostei muito de uva. Repousei meu copo na bandeja e os outros continuaram bebendo. Não tínhamos comido nem bebido nada desde ontem à noite.
–Bom... Para começo de conversa... – Alexy se atrapalhou um pouco com as palavras, mas continuou falando – Você desapareceu.
–Ah, isso – Lottie fez um sinal de indiferente e colocou mais suco no copo das pessoas. – Não foi nada, eu estou bem. Viram?
–Sim... Mas – Dilan deu mais um gole no suco e soltou um bocejo – O que diabos é Nirvana?
Lottie sorriu e fez sinal para bebermos mais um pouco do suco. Bebi mais um pouco e comecei a sentir minha perna mais leve
Não deve ser nada, eu só estou muito cansado...
–Uma história longa a seu tempo. – Lottie sentou em perna de índio no chão e ficou nos encarando – Aliás vocês ainda não me falaram de onde os marmanjos são.
–Ah... – Sparks começou a falar, se apoiando no ombro de Jude – Esse é o Jude e aquele é o Nate, eles vieram nos ajudar a te encontrar...
Dei mais um gole no suco e Lottie encheu os copos vazios.
–Agora... O que é Nirvana, Lottie...? – Tony se deitou no sofá e disse as palavras meio enrolado, como se estivesse com sono.
–Uma hora vocês vão descobrir... – Ela se levantou e guardou o sono – Nossa... Vocês parecem tão cansados, não querem dormir um pouco?
–É uma booa – Alexy bocejou, deitando na perna de Nate – Ideia.
–Lottie... O que você estava fazendo naquele clube? – Sparks perguntou e caiu no sono, deitada no chão.
–Que clube? Eu nunca fui em clube nenhum quando estive aqui... – Ela respondeu, confusa.
Todos começaram a arrumar um lugar para descansar a cabeça e eu fiz isso também, minhas pálpebras começaram a ficar pesadas e tudo o que eu conseguia ver era Lottie cantando enquanto guardava o suco.
– My girl, my girl,where will you go, I'm going where the cold wind blows...
E tudo ficou escuro.
(...)
Acordei com o barulho de uma buzina lá na rua. O apartamento estava escuro e todos estavam dormindo. Lottie tinha nos drogado, ela deveria ter colocado algo naquele suco idiota...
–Ei, Tony – Cutuquei Tony que dormia na minha perna – Acorda, cara. Ela sumiu.
Tony resmungou algo que parecia mais como um palavrão e voltou a dormir. Tentei ir acordando cada um, mas nenhum parecia querer acordar. Eles haviam bebido mais suco do que eu.
[a autora recomenda ouvir essa música a partir deste ponto]
Me levantei e comecei a vagar pelo apartamento. Tudo parecia muito velho e abandonado, desde a estante aos retratos na parede. Em um dos retratos, uma mulher loira estava deitada na areia da praia, com a mão na sua barriga. Devia ser a mãe de Lottie.
2049, Califórnia
L e L.
Voltei o porta retrato para o lugar e voltei a fuçar a casa. A maioria dos quartos estavam com a porta emperrada. No final do corredor, uma porta estava entreaberta. Tudo naquela casa parecia muito sinistro, como se o fantasma da mãe de Lottie ainda estivesse ali.
Abri mais a porta do quarto para conseguir entrar, a porta rangeu e o interruptor não funcionava. O quarto era todo azul claro, com detalhe de algumas conchas pintadas na parede e um berço branco no centro do quarto. Nas prateleiras, várias bonecas e pelúcias de peixinhos.
Me aproximei de uma boneca e peguei-a. Era a mesma boneca que Dilan tinha pegado na loja dos tios de Lottie. Ela era de pano e tinha olhos de botões. Embaixo do pezinho da boneca estava escrito L. Allen. Isso não era possível. Porque ela teria duas bonecas iguais?
Me aproximei do berço e as iniciais L.A. estavam inscritas com uma tinta azul.
Essas iniciais apareciam em todos os lugares: nas bonecas, no berço, no clube. Se a Lottie não estava no clube aquela noite... Então quem diabos era L. A?
–Kurt? – A voz de Alexy me tirou dos meus pensamentos. Graças a Zeus que ela tinha acordado. Soltei a boneca no berço e corri para a sala.
Todos já estavam de pé e me encaravam.
–Achamos que você tinha sumido... – Sparks soltou.
–Eu estava bem aqui, o tempo todo. Lottie nos drogou.
–Ah sim, disso nós notamos – Tony disse irritado – Pior barato da minha vida.
–Cala a boca Tony – Zoey deu uma cotovelada no garroto – Kurt. Achamos algo importante, mostra para ele, Dilan.
Dilan me estendeu uma caderneta, uma das páginas estava marcada. Abri-a e me deparei com um poema e com a letra de Lottie:
“Um fantasma não pode abrir um envelope. No entanto, eu dedico este poema a você – estou guardando este mundo para você.
Corre a água do rio. Campos se enchem de dourado.
Maças mordidas. Um fantasma não consegue
abrir um envelope. Um fantasma não pode correr.
A estrada percorre sua distância eterna
Duas garotas param na ponte, para ver.
As folhas do outono não caem com violência.
A primavera dura para sempre, depois de uma tempestade.
Estou abrindo este envelope para você.
Uma flor azul. Um saco de papel contém uma vela.
Estou deixando o mundo me abrir.
Uma folha cai. Uma mancha de grafite.
Leva a uma garota de vestido vermelho.
Estou lendo as cartas que você queria que eu encontrasse.
Espero que você abra os envelopes,
Então estou abrindo o mundo dentro de mim.
Estou mandando minhas cartas para você.
O rio corre para o oceano.
O oceano soa infinito.
Somos grandes o bastante para ouvir.
Nós duas”.
–Carta de amor aos mortos.
Encontrei meu Nirvana. Com amor,
Lottie A.
Abaixo do poema, a letra de Lottie estava meio tremula em sua assinatura.
–O que isso quer dizer? – Balancei a caderneta.
–Kurt... Nós achamos que Lottie pode estar indo cometer suicídio – Jude apontou para a caderneta.
–Isso é... – Minha cabeça começou a girar. Nada mais estava fazendo sentido.
–Extremamente possível – Alexy completou. Eu conseguia sentir o tom de preocupação em sua voz.
–Alguém tem alguma ideia de onde ela pode estar? – Sparks balançou os braços, tentando chamar nossa atenção.
“O rio corre para o oceano. O oceano soa infinito.” Esse trecho do poema ficava martelando minha cabeça. Olhei pela janela e avistei a ponte do Brooklyn sob o Rio East.
–Acho que sei onde ela pode estar – Disse por fim – Eu não tenho certeza mas... Vocês vão ter que confiar em mim.
Todos assentiram e eu contei de tudo o que eu sabia.
(...)
–Você tem certeza que é aqui? – Zoey desceu do táxi e encarou a ponte. O fluxo de carros era continuo.
–Eu não sei... Eu associei a vista e ao poema e...
–Você associou à vista?! – Alexy berrou do táxi, Jude segurou ela, impedindo de avançar contra mim – Já pensou que ela pode estar morta agora?! Nem temos ideia e você chutou!
–Calma Alexy... – Nate disse para a garota, segurando os ombros dela.
–Gente! Olha ali! – Sparks apontou para uma figura a poucos metros de distância, caminhando na beirada da ponte. Ela era loira e vestia um vestido vermelho.
Corremos até ela, gritando seu nome. Os carros buzinavam para nós. Eu só tinha medo que Lottie caísse.
Quando ela nos ouviu, virou-se para nós. O vestido vermelho balançava com o vento e seu cabelo caia como uma cascata loira em seu ombro. Sua face estava extremamente relaxada, quase em paz. Estaria ela drogada?
–Lottie... Por favor, desce daí – Alexy começou a subir no parapeito, para ajudar a menina descer.
Um vento forte passou e Alexy se desequilibrou. Tudo o que eu conseguia ouvir ela o grito sufocado dela misturado com o barulho dos automóveis.
Fechei meus olhos, não queria ver Alexy cair. Ela tinha bebido mais suco do que todo mundo ali e deveria estar um pouco cansada... Ela podia ter facilmente caído.
Quando tudo pareceu mais calmo, abri os olhos com calma e suspirei: Alexy estava agarrada a um dos pilares da ponte.
Ela voltou a se equilibrar e estendeu a mão para Lottie.
–Por favor Lottie... – Algumas lágrimas caiam de seu rosto – Desce daí...
O olhar de Lottie me deixava com a consciência pesada, eu precisava trazer ela viva para o acampamento. Pela Alison.
–Achei meu nirvana — Lottie disse, sorrindo. Sua expressão era completamente calma — e agora, está na minha vez de voar.
Dito isso, a menina fechou os olhos e abriu os braços, rendendo-se à gravidade e a brisa de verão.
Por um segundo, o mundo tinha parado. Ninguém respirava e nada se mexia. Quando nós tocamos, não deu tempo de gritar.
Corremos até a beira da ponte onde vimos seu corpo despencar e seus braços finos reluzirem brilharem devido a lua. O vestido vermelho balançava e, por um segundo, jurei que ela ainda estava no ar, planando.
Não deu tempo nem de ficar chocado.
O vento já tinha levado Lottie Allen.
Fale com o autor