Nirvana
16 Sparks e Tony - All you need is love... And beer of course.
Notas iniciais
Dois dias depois:
A caminhonete estava quieta demais. Tipo, quieta mesmo. Eu não parava de mexer minhas pernas e bater a unha no parapeito da janela da caminhonete de Jude ao ritmo da música All you need is love, dos Beatles.
–O que foi Louise? – Jude me cutucou.
–Nada – Respondi e abri um breve sorriso.
Na verdade, não era um simples: “nada”. Estava mais para um grande “tudo”. Ele tinha voltado para minha vida faz duas horas e agora, eu estava na caminhonete dele. E tinha acabado de ouvir a história dele ser um semideus que tem uma chave-de-fendas mágica.
Ele era a última pessoa que eu esperava ser um semideus.
Digo, ele era a última pessoa que eu queria que fosse um semideus. Ser semideus significava que você podia acabar morto a qualquer hora.
E eu sempre esperei que um dia, depois de sair do acampamento eu voltasse a morar naquela casinha no fim da rua em que eu morava quando criança. E que eu teria filhos e que ele sempre estaria no jantar de Natal e..
E meus deuses, eu estou pensando tanta bobagem que já estava sentindo o cheiro do Peru de Natal.
Esses pensamentos eram uma droga.
–All you need is love... – Jude começou a cantarolar junto ao ritmo que produzia quando batia a unha no parapeito da janela.
–All you need is love – Cantarolei junto.
–All you need is love, love – Alison e Kurt cantaram baixinho. A voz da Alison parecia fofinha
–Love is all you need – Jude acabou o refrão e me deu uma piscada.
(...)
–Jude... – Bocejei, deitando minha cabeça em meu ombro. Minhas pálpebras estavam ardendo para ficarem abertas e já eram quase meia-noite.
–Oi...? – Ele ainda estava acordado devido aos energéticos que tinha bebido. Ainda faltava muito tempo até chegarmos em Nova York.
–Podemos por favor parar? – Esfreguei minhas pálpebras e dei um gole no energético que repousava sobre o porta-copos do carro.
–Aqui? O próximo hotel é mais meia... – Ele fechou os olhos por um minuto e perdeu a direção do volante, virando a caminhonete um pouco para a outra pista. Onde um caminhão estava vindo.
–Jude! – Gritei, pegando o volante e virando a caminhonete de volta para a nossa pista.
O caminhão buzinou o que acordou todos os que estavam dormindo naquele carro.
–Jude! — Alison gritou do banco de trás.
–Certo, certo. Vamos parar, vou ligar a seta para o carro de trás — Dito isso, Jude fez exatamente o que disse, ligou a seta para a direita e virou a caminhonete, entrando em uma estradinha de terra tão irregular que era difícil qualquer um descansar.
A caminhonete do outro grupo seguia logo atrás da gente e depois de meia hora Jude parou o carro em uma clareira e todos descemos do carro.
–Vamos acampar aqui? – Zoey perguntou descendo do carro de Dilan.
–Aham. O próximo hotel é mais vinte quilômetros. Estamos no meio do nada, literalmente – Alexy estava lendo o mapa da região que pegou em um ponto de ônibus.
–Vamos ser assassinados por alguém – Zoey bufou.
–Oi? – Perguntei para a menina. Todos fitavam ela
–Caiam na real, esse é o típico cenário de filme de terror – Ela disse colocando as mãos na cintura – Ei, vamos nos embebedar e dormir em qualquer lugar. A propósito! Vamos fazer um jogo de verdade ou desafio monstro e ficarmos apenas de roupas intimas – Ela disse fazendo uma vozinha fina.
–Não vamos beber Zoey – Kurt disse apreensivo – Pera... Nós vamos?
Esse garoto era muito inocente. Meus Deuses.
–Yes baby – Tony disse sorrindo cinicamente. Em suas mãos estavam uma caixa de cervejas.
Zoey riu.
–Vamos lá.
–Santa Hera... – Kurt soltou baixinho depois de estenderem uma cerveja para ele.
Para um primeiro dia, não parecia estar tão ruim.
(...)
Depois de algumas cervejas. Algumas! Juro, foram poucas... Uma latinha? Duas? Não sei bem, devo ter perdido a conta.
Minha cabeça girava e as coisas pareciam estar mais lentas. Eu ri sem motivo. Por que estava rindo mesmo?
–Ei Ei Srta, — Jude parou na minha frente. Ele segurava uma latinha mas parecia bem. Poxa! Que injustiça, ele deve ter bebido a mesma quantidade que eu e ainda estava bem. Esse mundo é muito machista!
–Oi Sr. Fofinho – Apertei o nariz dele e ri de novo.
–Acho melhor parar com a cerveja, você não vai querer começar a vomitar aqui, não é? – Ele pegou a latinha da minha mão e jogou em um saco plástico grande que estávamos usando como lixo.
–Ei! Ela é minha... – Minha visão começou a ficar turva – Minha amiga...
–HAHAHA – Ele riu. – Sei, vem cá. Vou fazer um lugar para você descansar.
–Mas... – Minha voz saiu um pouco mais manhosa do que o normal – Eu não quero dormir Sr. Fofinho!
–Mas vai. Não quero te ver passando mal – Jude pegou minhas pernas e levantou meu corpo, me segurando. Agarrei seu pescoço e descansei minha cabeça em seu ombro enquanto ele me levava para a caçamba da caminhonete dele.
Ele me deixou sentada na caçamba e começou a procurar algo na bagagem.
–Sabe Sr. Fofinho, você tem braços muito fortes – Eu disse. Na verdade, o álcool que estava dizendo. Ele é mais forte que eu. Eu juro!
Jude riu e logo voltou com um saco de dormir e um travesseiro. Ele estendeu o saco de dormir na caçamba e pegou minha mão, me levando para lá.
Deitei no saco de dormir e ele fechou o zíper até a metade, deixando meio aberto para eu não me sentir uma sardinha.
–Sabe Sr. Fofinho, eu estou bem... Por que você ainda está aqui? – Disse enrolando uma mecha do meu cabelo.
–Quero me certificar que você vai dormir bem, só isso – Ele sorriu.
–Vamos ser amigos para sempre Jude?
–Você quer ser só minha amiga Louise? – Ele disse meio desapontado, mas sabia que estava brincando no fundo. Sabia?
–Vamos ser melhores amigos então!
Jude riu e concordou.
–Certo... Certo, agora durma Louise – Ele se aproximou de mim e me deu um beijo na testa.
Fechei os olhos, eu estava realmente cansada. O álcool acabava comigo. Não hesitei quando o sono veio e nem quando pequenas lembranças da nossa infância juntos passou pela minha cabeça... Como um caleidoscópio de memórias.
(Flashback)
– Um dia a gente vai se casar – Jude disse
– Tudo bem, mas você que vai lavar a louça – Cantarolei
– Por que eu? – Ele perguntou chateado.
– Porque lavar a louça é chato! – Bati em suas costas – Ta com você!
[P.O.V Tony Waldorf]
A ideia de ter trazido cerveja foi genial. Na verdade, eu não trouxe. Eu roubei de um posto de gasolina que passamos no caminho. Mas ninguém precisava saber disso.
A maioria das pessoas já tinha ido dormir. Eram mais de três da manha e apenas eu e Jude estávamos acordados. Pensei em ir puxar papo com ele mas qual é... Eu sou Tony Waldorf as pessoas que vem puxar papo comigo. Não ao contrário.
Sparks, Alexy e Alison dormiam felizes em uma das caçambas e o resto dos garotos na caçamba do Jude. O que não pareceu animar muito o cara.
Um barulho ecoou na mata atrás de mim, o que me fez tremer todo. Será que Zoey estava certa e tinha um assassino por aqui?
Então, fiz a coisa mais insensata que se fazem nos filmes de terror: ir em direção ao barulho.
Peguei minha espada e caminhei até ele lentamente. Um dos arbustos se mexeu, me mostrando onde a coisa estava.
–Tem alguém ai...? — a espada estava em riste para o arbusto.
Fiquei lá por um tempo, com a espada nas mãos e a adrenalina ao máximo. Esperava uma resposta mas como você deve esperar, o arbusto não tinha respondido.
–Deve ter sido a porcaria do vento — resmunguei para mim mesmo e voltei ao nosso acampamento improvisado.
Com a guarda baixada e a espada guardada, meu corpo foi reclamando até que...
–BOOO! — Zoey pulou em minhas costas e gritou no meu ouvido.
–CARALHO ZOEY — Meu corpo inteiro tinha tremido. Meu coração tinha ido a mil por hora... E não é só pelo fato de ter levado um mega susto. Mas também por ser Zoey quem me assustou.
Ela desceu das minhas costas e sorria para mim. Seu sorriso se transformou em uma risada.
–Ei Tony! — Ela deu um passo para trás e devido a lua que pairava sobre nossas cabeças, consegui ver um brilhinho prateado em sua mão direita.
Levei minhas mãos ao meu cinto, onde guardava a espada...
–Procurando por isso? — ela mostrou a espada para mim.
–Zoey, me devolve isso... — dei um passo em sua direção e ela recuou, rindo.
–Come and get it! — Ela saiu correndo mata a dentro e quando notei sua silhueta desaparecendo entre as folhas, corri atrás dela.
As folhas machucavam. Podia parecer que não, mas quando elas batiam no seu rosto podiam até arranhar. E é claro, aprendi isso por experiência própria. Zoey ainda estava correndo, porem tinha desacelerado. Quando notei que podia alcança-la, pulei em cima dela o que resultou em uma posição... bem...
–Eu sabia que você se jogava nas meninas – Zoey zombou – Mas não desse jeito, literalmente.
–Haha Hades Little Princess, agora dá minha espada
–Tenho condições.
Quem era aquela garota? Ela estava flertando comigo? Oi?
–Diga. – Eu sorri maliciosamente.
Ela se aproximou do meu rosto e me deu um beijo. Retribui. Mas tipo, aquele reflexo sabe? Quando alguém te da um beijo e você reage... Não que eu não quisesse ficar com ela. Eu queria. E muito.
A boca de Zoey tinha gosto de sorvete de chocolate, o que me fazia vontade de beijar ela mais e mais. Ela agarrou meu pescoço e me trouxe mais para perto dela. Levei minha mão para sua cintura e apertei-a com mais força. Zoey fazia movimentos suaves e parecia querer mais de mim a medida que os beijos se tornavam mais intensos.
E, por incrível que pareça eu não tinha sentido nenhum gosto de cerveja nela. Ela deve ter bebido pouco.
–A condição é – Ela se desprendeu de mim e deitou novamente no chão, espalhando o cabelo loiro na grama – Você não vai se gabar por ter me pegado e vai manter isso em segredo.
–E por que eu faria isso?
Ela se aproximou de mim e me beijou novamente. Ta ai uma boa resposta.
–Certo Hades Little Princess – Eu disse e ela riu. Sai de cima dela e me deitei do seu lado.
Levei minha mão até o bolso de onde tirei um maço de cigarros. Peguei um e acendi-o. Olhei de lado para Zoey para ver sua reação e ela me surpreendeu quando riu e pegou o cigarro da minha mão, tragando.
–O que a Srta. Santinha está fazendo?
–Srta. Santinha? Deveria ficar ofendida com esse comentário? – Zoey se sentou. Foi quando notei que ela vestia uma regata preta digamos... favorável e uma calça jeans. Senti falta das caverinhas e do Hades Little Princess mas não iria comentar isso.
–É apenas a verdade, ué – Dei os ombros, indiferente e retirei mais um cigarro do maço, acendendo ele logo em seguida.
–Você pode contar comigo para se comportar mal. – Dito isso, Zoey se aproximou de mim e tocou nossos lábios. Retribui e segurei sua cintura, deitando-a novamente.
Ficamos assim por um tempo, estava esperando um tapa vindo dela e uma frase do tipo: “Ei! Eu estou bêbada e você está abusando de mim” mas nada disso saiu. Ela apenas retribuía o beijo e ficamos ali por um tempo. Eu, a latinha de cerveja no chão, o maço de cigarros no meu bolso e uma garota que agora me tinha na palma da mão. Eu nunca tinha sentido isso por alguém.
“I've been a bad girl, don't you know?
(Don't tell me what to do)
Come get it, now or never” – Bad Girl, Avril Lavigne
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