Nirvana
9 Alexy - Sonhos
Notas iniciais
Um dia depois:
Já tinha acordado faz tempo. Na verdade, nem tinha dormido direito. As meninas do chalé não paravam de falar sobre a pegadinha e de como Tony Waldorf era lindo.
Tipo, sério. O que elas viam nesse garoto? Ele era um puto.
Lá pelas cinco e meia, a maioria das meninas já tinham dormido e calado as bocas. Virei para o lado da parede e fechei os olhos, torcendo para que tenha um sonho que não tivesse haver com... aquilo.
(...)
–Ahh pai! Nao precisa de livro para você me contar essa... — ela disse numa voz manhosa, enfiando-se dentro das cobertas esperando a história começar
–Certo, certo — ele riu enquanto ajeitava as cobertas da filha. — Era uma vez... Em um reino distante um rei e uma rainha. A rainha, era a mais bela de todas as mulheres no mundo. Tão bela, que quando se olhava em seus olhos, eles tinham as cores do arco-íris. Um dia, o rei e a rainha foram abençoados com um presente: uma filha. No dia de seu batizado, todas as pessoas do reino se juntaram para ver seu nascimento, todos foram convidados para ver a princesa e dar-lhe suas benções... Bom, nem todos.
Uma imagem de uma pequena Alexy se escondeu debaixo das cobertas, temendo a parte seguinte da história. Eu conseguia assistir tudo, estava ali, como em terceira pessoa. Sentei no pé da cama, ao lado de meu pai (ou de sua figura) e segurei sua mão. Ele não sentiu, era apenas um sonho.
Vi pela primeira vez, naquela memória que ele tinha parado um pouco antes de continuar a história. E só agora, depois de anos, eu sabia o porquê.
O pai abriu a boca para continuar a história mas som nenhum saiu dela. Em vez disso, uma névoa azul saia de sua boca, ocupando o quarto lentamente. Saltei da cama e levei a mão até o cinto, ou onde ele devia estar.
Eu estava de pijama.
E isso era um sonho, não era?
–30 dias para a maldição acontecer. – Uma voz calma ecoou pelo local. Ela era calma mas ao mesmo tempo sombria. – Seus dias estão contados, Alexandra.
(...)
Sentei na cama instantaneamente, minha respiração estava pesada e minhas costas estavam molhadas. Olhei para o calendário colado na parede, forçando meus olhos a entenderem o dia riscado com um X. Dia 13 de Agosto.
Faltavam exatamente 30 dias para meu aniversário de 16 anos.
Pulei da cama e corri até o banheiro. Tranquei a porta e tirei minhas roupas rapidamente e liguei o chuveiro na água quente, sentei no chão do box e fiquei ali por um tempo, observando a fumaça tomar conta das paredes do box a medida que a água caia com mais intensidade.
Um raio de sol atravessou a janela do banheiro – provavelmente um dos primeiros, e uma pomba branca pousou no peitoral da janela. Ela me encarava e em seu bico, havia um ramo de flor.
Eu sorri. Talvez minha mãe pudesse me ajudar.
(...)
Algumas horas depois do incidente no banheiro, eu já estava pronta: já estava com a camisa do acampamento, uma calça jeans azul claro e minha adaga no meu cinto (talvez devesse dormir com ela).
Kim e Lucy estavam do meu lado enquanto caminhávamos em direção ao refeitório enquanto elas comentavam sobre os garotos que tinham ficado ontem à noite.
–O Sebastian tem muita pegada – Lucy se gabava, abanando o rosto com a mão. Todas rimos.
–Sei, sei, ele pode até ter pegada mas sabe que é muito gostoso. – Olhamos para Kim que estava encarando a mesa dos filhos de Zeus. – D-i-l-a-n.
Revirei os olhos, ele era outro cara que todas as meninas babavam.
–Ele não é tudo isso. – Desviei o olhar para a mesa de Poseidon, onde Lottie devia estar comendo suas bolachas azuis, mas não estava. A mesa estava depressivamente vazia: sem bolachas azuis, sem Lottie Allen.
Talvez ela tenha se atrasado. Ou ainda esteja dormindo.
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