Nirvana

27 2 - L. Allen: Não durma


Notas iniciais
OLÁAAA! primeiramente: obrigada pelos 100 comentários! Eu sei que fiz uma "pequena" chantagem com meus friends lindos ♥ mas eles me amam, então não é problema. Obrigada friends lindos e todos que comentaram e leram a fic ♥ EM SEGUNDO LUGAR... É a segunda temporada! *O* Eu achava que ia parar de escrever, mas de novo - pelos abigus lindos, eu voltei. De agora em diante, sempre que virem o (2) é porque indica que o capítulo pertence a segunda temporada. Agora vou parar de blah blah blah e let's go para o capitulo. Espero que gostem ♥

A chuva caia com força no chão asfaltado da rua e o peso das minhas roupas encharcadas não ajudavam em nada, eu corria cada vez com mais dificuldade.

E eu precisava sair dali. E rápido.

– Corre Allen! — Simone gritava atrás de mim, seus cabelos castanhos estavam pingando e ela corria segurando uma faca de manteiga na mão.

Se ainda estivéssemos no orfanato, a Sra. Campbell iria nos dar uma bronca.

Mas não estávamos.

Virei meu corpo, entrando em um beco. Quando Simone chegou, peguei-a pelo braço, puxando-a para dentro do beco e tampando sua boca.

–Calma, sou eu — Sussurrei e ela balançou a cabeça, concordando. Soltei minha mão e ela me olhou, irritada.

–Nunca mais faça isso de novo, Allen.

–Ok, ok! — Levantei minhas mãos para o alto, em sinal de inocência.

–E o que diabos era aquilo?! — Simone sussurrou para mim, um pouco assustada. Em todos esses anos juntas, nunca tinha ouvido ela com medo.

–Era um Leão de Nemeia — Uma voz desconhecida surgiu das sombras, fazendo eu e Simone congelarmos de medo.

Das sombras, uma garota de cabelos negros trançados e olhos vibrantes azuis, nos encarava. Ela vestia uma espécie de vestido preto com alguns detalhes brilhantes que ia até o chão e de mangas longas. Eu não conseguia notar até onde o vestido ia pois ele se misturava com a sombra da noite.

E era impressão minha ou os brilhinhos se mexiam?

–Quem é você? — Simone estendeu a faca de manteiga, encarando a jovem de uma forma ameaçadora.

– Calma, eu sou uma amiga — A garota deu um passo para frente, fazendo os brilhinhos se mexerem mais — E eu já cuidei do Leão, Simone.

– Como sabe o nome dela? — Encarei ela assustada. Queria ter uma faca de manteiga.

– Eu sei o nome de todo mundo. Sei o seu também.

Engoli um seco e senti os pelos da nuca arrepiarem.

– Eu sou uma amiga, não tem problema. Vocês podem confiar em mim.

Simone encarava a garota e eu ao vestido dela. Ela era o que, uma espécie de stalker maluca?

– Ah — A garota suspirou — Já sei. É o vestido. Ele é demais, não é? — Ela estalou ou dedos e o vestido desapareceu. Em seu lugar, uma calça jeans e uma blusa vinho surgiu — Melhor, não é?

– E-eu — Ainda estava assustada com a troca de roupa repentina. Ela era o que, uma boneca? — Eu achava o vestido bonito.

– Obrigada — A jovem sorriu. Logo, a expressão dela ficou séria — Eu preciso que vocês confiem em mim.

– Por que deveríamos? — Simone perguntou — Acabamos de te conhecer, um leão estava nos perseguindo e você parece uma mágica maluca do Central Park.

– Aqui. Peguem — Ela pareceu ignorar as ofensas de Simone e jogou uma bolsa preta no chão — Aqui tem tudo o que vocês precisam para chegar em Long Island.

– E o que diabos vamos fazer em Long Island?! — Simone gritou — Você é louca!

A jovem fez um movimento com a mão e os lábios de Simone grudaram.

–Ufa, — A garota suspirou- Bem melhor. Enfim, quando chegarem lá, alguns sátiros irão guiar vocês para o acampamento meio-sangue.

Ia abrir minha boca para falar alguma coisa mas fiquei com medo de ter os lábios colados feito os de Simone, em vez disso, agarrei a mochila e balancei a cabeça, concordando com a garota.

–Você precisa confiar em mim. Todas as coisas estranhas que aconteceram na sua vida vão ser explicadas, eu juro.

Assenti com a cabeça e ela piscou para mim. Do meu lado, Simone soltou algo parecido com um palavrão. Ela estava de volta.

–Eu preciso que vocês prestem atenção agora. Durante o caminho até Long Island, não conversem com ninguém até chegarem lá. Só comprem nos lugares que eu escrevi na lista de lugares confiáveis e nesse meio tempo: não durmam. Não caiam no sono, não cochilem. Eles são mais fortes em nossos sonhos.

– Eles quem? — Perguntei analisando a garota. Uma parte de mim não queria saber a resposta.

Ela pareceu não ouvir, em vez disso, continuou falando conosco.

– Aliás, vocês já viram as estrelas hoje? Elas estão tão lindas...

Simone e eu olhamos para o céu. Ele realmente estava bonito.

– Mas como é que...? — Simone perguntou, voltando o olhar para o lugar onde a jovem estava mas esta tinha desaparecido.

Esse dia não deixa de estar estranho.

– Você confia nela? – Perguntei enquanto abria a mochila.

– Ela é mais uma louca. Vamos vender o que tem dentro dessa mochila e assim arrumamos um lugar para ficar.

Não tinha prestado atenção no que Simone estava dizendo e continuei a procurar algo dentro daquela mochila. Lá tinha de tudo: passagens de trem, roupas, dinheiro, comida, entre outras coisas.

– Alô! Terra para Allen! — Simone estalou alguns dedos na minha frente, tentando chamar a atenção.

Eu tinha puxado uma fotografia e um objeto de metal.

– O que é isso? — Ela me encarava, confusa.

– Era um broche que usava quando criança — Remexi o broche de borboleta na mão — Ele sumiu há anos, como ele veio parar aqui?

– Eu não sei... O que é isso aqui? — Simone puxou a fotografia e me mostrou. Era uma mulher loira, deitada na areia da praia e com a mão na barriga.

Puxei a foto da mão de Simone e analisei a foto. Na parte de trás havia uma escrita em uma caligrafia delicada:

2049, Califórnia

L e L.

–Eu acho que é a minha mãe — Disse por fim, ainda encarando a escrita atrás da foto.

(...)

Árvores ficavam para trás à medida que o trem passava mais rápido. Simone tinha ido buscar algo para bebermos e tinha me deixada sozinha no vagão. Não daria para imaginar que um vagão estaria tão vazio as três horas da manhã, não é? Mas era.

Havia pelo menos mais quatro viajantes indo para Long Island: uma mulher de meia idade que dormia agarrada com sua bolsa, uma garota com um visual punk sentada algumas cadeiras para frente, um intelectual sentado nos assentos do outro lado do corredor, ele tentava completar um jogo de palavras cruzadas com ferocidade. E no final do vagão, um garoto que jogava no celular, fazendo um barulho irritante.

Observei meu reflexo no vidro da janela e suspirei: o cabelo loiro embaraçado estava preso em um rabo de cavalo e as roupas ainda estavam úmidas. Estava pensando seriamente em mudar de roupa para alguma coisa que tinha na mala. Mas era melhor deixar para em casos de emergência.

– Ei — Simone chegou com dois cafés e sentou-se do meu lado. Seu cabelo castanho estava solto e caia em cascatas pelo ombro — Está tudo bem?

– Sim. É só muita coisa para processar...

–Imagino, La.. — Ela pareceu desconfortável com o último nome — Desculpas. É meio confuso ainda, Lottie.

–Eu sei — Dei um gole no meu café e peguei as fotos que tinha achado na mochila fazia poucas horas. Eram três fotos no total: uma de uma mulher loira desconhecida que eu acreditava ser minha mãe, uma foto de duas menininhas loiras brincando no mar e uma última foto minha mais velha, com aproximadamente sete anos. Eu estava sorrindo, com um dente faltando em um parque.

–Ei... – Simone começou a parecer desconfortável – Por que o trem parou?

Eu não havia reparado que o trem tinha parado, tentei me arrumar na cadeira, parecendo o mais normal possível.

–Deve estar em manutenção – Sussurrei. – Eu não sei...

–Lottie? – Simone se encolheu na cadeira e começou a deslizar a mão para dentro do bolso do casaco, onde sua faca estava.

–O que?

–O que é aquela coisa saindo das janelas de ventilação? – Simone apontou para as janelas, onde um gás branco inundava o vagão. Ela retirou do bolso do casaco um lenço e colocou-o contra o nariz, para evitar respirar aquilo.

Meu coração acelerou e fiz a mesma coisa, pegando a blusa que estava dentro da mochila e usando para cobrir meu nariz. Guardei as fotos e algumas cartas que estavam dentro da mochila no bolso da minha calça e comecei a bater no vidro do trem, pedindo socorro.

As tosses dos passageiros começaram a cessar e meu corpo ficou mais mole. Não tinha mais forças para bater na janela do trem. Meu corpo foi deslizando involuntariamente para a cadeira onde estava sentada á poucos e olhei para Simone que estava com a cabeça apoiada no ombro, com os olhos fechados.

Tentei falar algo para acorda-la mas as palavras não saiam. A medida que meu corpo ia cedendo ao efeito do gás e minha visão ficando fraca, as palavras da jovem ecoaram minha cabeça:

“Não durmam, não caiam no sono, não cochilem. Eles são mais fortes em nossos sonhos.”

E, de repente, tudo ficou escuro.

Notas finais
Don't sleep.