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11 Ai que saudade do meu ex


Notas iniciais
Esse título era uma música? Pq enquanto escrevia só ouvia na minha mente um mulher gritando "Aí que saudade do meu ex" e uma batida começando. Rsrsrsrs Boa leitura!

O ruim da TPM, além de um milhão de outras coisas, é que desenterramos coisas de meses, anos e até décadas atrás.

No caso de hoje, mais precisamente agora, estava lembrando do meu ex. De todas as merdas que fiz no relacionamento e nos bons momentos. É aquele velho ditado, depois que acaba lembramos mais dos bons momentos do que os ruins, mas precisamos lembrar que se acabou, foi por ter muitos momentos ruins.

No nosso relacionamento tivemos dois grandes problemas, pelo menos eu lembro de dois, e nas foram por "culpa minha". Nao coloquei as aspas por me achar inocente, porque sei muito bem que não fui, mas errada e uma palavra muito forte. Apenas nossa relação não era a certa de um para a outra.

O ano era 2015, ele era o melhor amigo distante que já tive ou pensei em ter. Nós conhecíamos a um ano e começamos a namorar. Online. De início achava que era só zueira estilo a piada do "Meu Web Namorado". Mas quando fizemos um mês eu abri minha conta do Skoob — sim, aquela rede social de marcar os livros que já lemos — e lá tinha um textinho falando sobre ter sido aquele o site por onde tudo começou, o quanto esperava que nos víssemos de novo pessoalmente, que nunca tinha tido uma pessoa que pudesse ser aberto do jeito q era comigo, que fazia os dias dele mais felizes e que viessem mais e mais meses pela frente.

Depois do choque inicial de que o namoro não era só zoeira, me senti muito nova de felicidade. Ele era meu primeiro namorado e aos 15 anos ninguém além tinha falado as coisas que ele falou para mim. Depoimentos das amigas no meu aniversário eram diferentes, as coisas que meus pais me falavam não tinham nem comparação. Eu estava apaixonada por ele, e aquele textinho foi o tombo final.

Os desentendimentos começaram em outubro. Estávamos juntos a quase oito meses e ele queria assumir o namoro no Facebook, conhecer minha família e que eu conhecesse a dele. Eu não queria.

Eu tenho muitos problemas. Alguns já ficaram óbvios aqui, então agora vem mais um.

Todos tem seus princípios. E os meus, para a maioria das pessoas são estranhos, principalmente na idade que tinha. Sou totalmente contra ter um relacionamento antes de terminar meus estudos. Mas isso é sobre MINHA pessoa. Acho fofo casais adolescentes, não tenho nenhum problema com pessoas estudando e namorando. Mas sou contra eu fazer isso. Vi durante toda minha infância diversos casais terminando e afundando na tristeza perdendo um ano inteiro de estudos, quando não mais quando se envolviam em um relacionamento que acabava mal. Então adotei esse princípio para mim. Era mais como uma regra, na verdade. Porém tinha outras coisas envolvidas também, mas esse era o principal motivo que dizia a mim.

Ele no início aceitava, mas estávamos juntos a quase um ano. Eu iria para o terceiro ano e ele para a faculdade. Um relacionamento puramente a distância não iria funcionar para sempre. Ele queria mais contato físico e não vou negar que também não era o que queria. Morávamos em estados diferentes, mas nada que nos impedisse de nós vermos uma vez por mês.

Mas eu não podia deixar minha família saber, nem meus amigos! E tudo aquilo que eu pregava? Iria ser jogado fora? Deixaria aquelas pessoas que falavam "Ah, mas um dia tu vai conhecer uma pessoa que vai mudar tuas ideias..." ganhar e rir na minha cara. Era e ainda sou muito orgulhosa.

Eu ia levando convencendo um pouco ele a não falar nada ainda, mudando de assunto no outro dia, na outra semana mal entrava por causa de semana de Seminário, ou provas, trabalhos... Qualquer desculpa era válida para evitar a conversa.

Então eu fiz a segunda bobagem, referente a vida de universitário. Era janeiro e falei que não queria ficar prendendo ele num relacionamento porque queria que ele aproveitasse tudo da vida da faculdade — pelo menos do que eu ouvia falar -, até porque, eu dizia, que quando eu entrasse ia querer a mesma coisa.

Não tinha como eu ter falado coisa pior na hora errada. Brigamos por umas duas semanas. E voltou toda a conversa de assumir nosso relacionamento. Que ele não queria outras pessoas e sim eu.

Num dia que discutimos por telefone, quando estava a caminho da casa de uma amiga, foi a primeira vez que as palavras eu te amo foram ditas por nós, mas a conversa não terminou bem e não cheguei a casa da minha amiga aquele dia.

Vendo agora como as coisas foram nem sei como furamos tanto tempo.

Em fevereiro teve mais um encontro nosso. O último. Meus pais combinaram com alguns tios de alugar um apê e ficar uns dias. Avisei numa mensagem de texto a caminho de que ficaria uns dias sem internet e o porquê e ele disse que tentaria ir para a casa de uns tios que ficava próxima a cidade que eu iria.

Quando atravessamos o estado para ir um dia em outra praia da tal cidade, nos encontramos. Aproveitei que meu pai estava cuidando outras duas pessoas e minha mae conversando, para dar uma fugida. Fiz isso algumas vezes. Foi divertido aquele "o que é proibido é mais gostoso" bom coisa de adolescente. Várias desculpas dei para dar um saída da praia aquele dia só para ficar com ele.

Ele me apresentou ao irmão e alguns amigos que tinha feito ali pela praia. O irmão eu já trocava algumas mensagens de vez em quando, mas pessoalmente ainda não.

Quando nos despedimos a última vez combinamos de nos encontrar na cidade em que estava hospedada a noite pq teria alguns shows na praia — foi bem no carnaval de 2016.

Meus pais me proibiram de ir com meus primos — que também estavam proibidos de irem sozinhos — e eles não quiseram me levar porque estavam muito cansados.

Escrevi uma mensagem avisando que não poderia ir, mas meus créditos tinham acabado e nunca pude enviar.

Depois dessa viagem continuamos namorando por mais um mês aproximadamente.

Mais brigas até que elas pararam, ele excluiu sua conta do Skoob, na época não tinha mais WhatsApp e nem espaço para o Telegram. No Facebook ele me bloqueou. Até o meio de 2017 ele intercalação entre me deixar bloqueada e me desbloquear — sim, eu stalkeava ele.

Conversei com o irmão dele até julho de 2016.

Em junho foi o último contato com ele. Tínhamos combinado de trocar livros no dias dos namorados. Por mais que estivéssemos terminado e ele me bloqueando, um livro chegou um recado dentro e eu enviei um pra ele pedindo desculpas por ter cedido e que meu orgulho era mais forte que o que eu sentia por ele. E eu sentia muito por ele.

Eu enviei A estrada da noite do Joe Hill por ele ter dito que queria começar a ler livros de terror.

Ele me mandou o livro Veneno da Sarah Pinborough com um bilhete escrito "Achei a sua cara." Devorei o livro em um dia e até hoje eu não sei se ele quis dizer minha cara por causa do nome ou pela personagem da rainha má.

Só sei que nos últimos tempos estou deixando várias pessoas, que consideravam muito, irem. E não estou triste com isso, aceitei que faz parte, não vou insistir contato com quem não se importa o suficiente para fazer o mesmo e que só chama por conveniência. Não se trata de rancor, é mais aceitação e resguarda.

O rancor que eu estou sentindo e do meu orgulho, é de mim, do que não lutei para ser diferente, que não foi falta de oportunidade.

Eu não quero ser assim para sempre. Eu quero ser melhor. Eu quero ser feliz pela pessoa que me tornar. Ter orgulho de mim, não orgulho em mim.

Não quero perder mais pessoas que se importam comigo o suficiente para insistir.