Como o previsto por Eleanor – o ser iluminado; risos – Amarílis apareceu com Ethan.

– Dormiu bem querida? – Aquele sorriso maléfico e que eu gostaria muito de quebrar com um chute, estava novamente no rosto dela.

– Otimamente.

– Você não parece muito feliz. – Ela dirigiu o olhar para Phillip, e a sua sobrancelha se curvou um pouco. – Nem o seu amiguinho médico. Parece que ele se curou rapidamente, não?

– Pessoas com bom metabolismo se curam rápido. – Falei tentando me lembrar do que eu havia aprendido na escola.

– É o que parece. – O sorriso que tinha sumido quando ela fez a pergunta voltou com tudo. Fazendo o batom vermelho dela parecer uma amostra grátis da cor ambiente do inferno.

– Onde está Theo?

– Theo? – Ela fez uma cara de arrependida. – Seu noivinho? Ele está muito bem. Pelo visto, gosta muito de uvas. – O sorriso dela aumentou, e eu fiquei com mais vontade ainda de dar um murro na cara dela e deixar ela da cor do batom, de tanto sangue que iria sair daquela cara imunda.

– O que fez com ele? – Eu estava me levantando devagar.

– Eu? Nada. – Ela fez uma pausa. – Nada que ele não quisesse. – Ela parecia ainda mais irritante que antes; eu praticamente voei até a grade, forçando meus braços para fora tentando pegar o pescoço dela. – Veja só Ethan, temos um novo bichinho de estimação. E que pelo visto, precisa ser domesticado ainda. – Tentei me controlar, mas parecia quase impossível. – Venha Ethan, vamos embora antes que esse animal feroz se liberte. – Amarílis virou as costas rindo com Ethan, que parecia um robô.

De tanta raiva que eu tinha voei até a parede e bati minha mão até começar a sair sangue. Eu queria dor. Dor física para parar a raiva emocional.

Eu precisava rir ou chorar. Isso fazia ficar leve e calma. E no momento eu não conseguia fazer uma coisa nem outra.

Eu gritei tanto que acabei acordando Phillip do sono profundo dele.

– O que você está fazendo? – Falou ele com a voz baixa; ele parecia querer recuar para longe.

– Eu... Eu... Você está bem? – Baixei minha voz que estava aos gritos.

– Estou, obrigada por perguntar traidora. — Phillip me dirigiu um olhar raivoso.

– Phillip me desculpe você precisa entender o que aconteceu. – Abaixei até onde ele estava ‘atirado’.

– Já aceitei tanta coisa Bella... Tanta coisa... Mas aceitar você quase me matar e querer continuar sendo minha amiga, simplesmente não dá.

– Phillip, escute. Só... Escute. – Dei uma pausa, para observar o rosto de Phillip fazer alguma reação e continuei. – Amarílis me hipnotizou, ou algo assim. Só sei que fez a mesma coisa que havia feito com Lucas. Por isso fiz aquilo. Tudo o que ela falava me parecia muito sensato. Mas quando ela me mandou te matar, a parte realmente sensata de mim, voltou à tona, trazendo a mim á realidade da qual eu me encontrava. Não te matei, pois percebi o erro que eu estava cometendo. O erro de perder o melhor amigo que eu já tive. O erro de deixar aquela coisa me mandar fazer qualquer coisa. Foi então que eu te soltei, você bateu com a cabeça no chão e apagou. Então Amarílis nos prendeu aqui novamente e logo depois outra pessoa apareceu. – Phillip virou o rosto para mim novamente. – O nome dela é Eleanor. Foi ela que te curou, e ela irá aparecer aqui mais tarde. A única coisa que eu sei dela, é que ela tem ‘poderes’, se é que posso chamar assim, espetaculares. Iguais aos meus e os de Amarílis.

– Você quer que eu acredite nisso? – Perguntou ele.

– Obvio Phillip! Você acha que eu estou louca ainda?

– Francamente, eu não sei mais em que acreditar.

– Acredite em mim. Não prometo não mentir para você, porque provável que ela tente me controlar novamente, mas você terá que acreditar em mim pelo menos por enquanto. Até Eleanor chegar.

Ficamos quietos o resto do tempo, e eu dormi.

“Bella acorde.”

Abri os olhos assim que a voz me chamou. Eleanor parecia muito amável para dizer “Será que você vai estar sempre dormindo toda vez que eu vier aqui?”

– Olá Eleanor. – Estava escuro, mas então do nada, uma luz iluminou o cômodo.

– Olá querida. Estão com fome? – Perguntou olhando para Phillip e para mim.

– Muito. – Falei.

– Um pouco. – Phillip ainda parecia desconfiado e desconfortável para dizer que sim.

– Ele não está confiando em mim Eleanor. Por favor, me ajude a colocar na cabeça dele que o que eu estou falando é verdade. Porque não vou agüentar nem mais um segundo com ele aqui dentro com essa cara de insatisfeito sem dar um soco no estomago dele. – Eleanor me olhou com o rosto um pouco preocupado por detrás das grades.

– Ninguém irá entrar na minha cabeça! – Phillip se manifestou.

– Não irei entrar em sua cabeça caro Phillip. Só entenda que... – Eleanor fixou os olhos nos de Phillip e eu pude perceber a energia, pode-se assim dizer, que emanava deles naquele momento. Ela estava se comunicando com ele mentalmente.

– Tudo bem. – Phillip falou uns minutos depois. – Não estou acreditando muito, mas vou confiar em você Bella. – Olhou para Eleanor. – E em você, mas não me decepcionem.

– Claro, agora Eleanor, desculpe a indiscrição, mas onde está a comida? – Falei empolgada.

– Ah está aqui. – Ela abriu uma pequena cesta de piquenique, que eu não havia percebido de onde ela havia tirado; e que em um passe de mágica, ultrapassou para o nosso lado da cela. – Aproveitem. – Falou com um sorriso. Ela ainda estava com a mesma roupa deslumbrante de antes, só com uma pequena diferença, sua pele parecia ter recuperado um pouco mais de cor.

– Como você faz isso? – Perguntou Phillip colocando um pedaço de pão apressadamente na boca.

– Não posso explicar agora.

– Porque está nos ajudando? E quem é você? – Perguntei a ela.

– Isso vai ser um choque, mas eu sou a irmã mais nova de Amarílis. – Sem querer, larguei o pedaço de bolo que eu estava comendo.

– O que?

– Isso é verdade. Só peço que não fiquem com medo. Não sou igual a ela. – Aquele ser amável, aparentava sim, estar muito irritada com a leve menção de eu ter me surpreendido por ela ser irmã de Amarílis.

– Como poderemos confiar em você sabendo que você é irmã da desgraçada que nos prendeu aqui? Vai saber se essa comida não está envenenada? – Falei.

– Não me ofenda dessa maneira Bella. Prestem atenção: Eu vou embora agora, mas irei tirar vocês daqui. – Ela estendeu a mão por dentre as grades e retirou a cesta de dentro da cela.

– Obrigada, ahn, Eleanor. – Falou Phillip antes de ela ir.

– De nada. – Ela deu um sorriso tão angelical para Phillip que eu poderia jurar que tinha visto uma faísca entre eles.

Pouco depois de Eleanor sumir e levar a luz que iluminava o cômodo e nos deixar no escuro, Phillip falou:

– De onde ela veio?

– Ahn?

– Você sabe. Eleanor. De onde ela surgiu?

– Não faço a menor idéia. Mas tem alguma coisa nela que me faz acreditar que ela quer realmente nos ajudar.

– E se ela estiver usando a hipnose com nós igual Amarílis fez com você? Afinal, ela tem uns poderes bem legais.

– Acho que nós não estaríamos cogitando isso se estivéssemos realmente hipnotizados. Quando fui hipnotizada por Amarílis, tudo que ela me falava parecia sensato, sendo que não era.

– Por isso mesmo. Talvez ela esteja de conluio com Amarílis e acaba de nos envenenar com essas comidas deliciosas.

– Para Phillip! Talvez ela esteja dizendo a verdade!

– Talvez...

– Você gostou dela não é?

– Você está bêbada ou o veneno está fazendo efeito?

– Ah Phillip, vai dormir. – Me virei para a parede e me acomodei o mais confortável possível para poder dormir.

– Boa noite, Bella.

Depois de um tempinho.

– Phillip você está acordado? – Perguntei baixinho.

– Agora estou. O que foi?

– Será que sobreviveremos?

– É serio isso?

– Serio o que?

– Que você, a garota que mata a metade do mundo para salvar quem ama, está preocupada com uma ameaçazinha de morte de uma garota ruiva extremamente bonita que está com o seu namorado no quarto dela?

– Phillip, por favor, leve a serio.

– Simplesmente não tem como levar isso a serio Bella. – Desisti de perguntar qualquer coisa, mas ele continuou depois de um tempo. – É claro que sobreviveremos. Iremos sair daqui vivos e voltaremos a viver nossas vidas normalmente. Ou na medida do possível.

– Obrigada Phillip.

– Agora durma.