Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
8 Será verdade?
Pesadelos são as coisas que eu mais tive em toda a minha vida. Mal sabia eu, que eles poderiam um dia se tornar realidade.
Passou-se dois dias desde a nossa saída do casarão de Amarílis e nada de informações sobre Theo. E eu já estava ficando agoniada sem ter nenhuma idéia de como ele estava sendo tratado lá.
Foi então, que em uma tarde chuvosa de uma segunda-feira entediante – dois dias depois –, Eleanor entra do nada em meus pensamentos e me fala: “Encontre-me agora na praia de Copacabana.”
Foi ai que eu saí correndo, troquei de roupa e me esqueci de pegar o guarda-chuva. Uma grande burrice, pois cheguei à praia mais molhada que a água.
– Demorou. – Falou Eleanor, sem nem um pingo de água, mesmo estando na chuva.
– Desculpe se eu demorei; estava ocupada demais tentando desviar dos pingos d’água. – Falei ironicamente.
– Da para ver que deu errado. Você está encharcada.
– Era ironia.
– Eu sei muito bem.
– Porque você está sendo grossa comigo?
– Para começo de conversa, você que começou com as ironias. Agora, vamos direto para a conversa de verdade, não tenho muito tempo.
– Fale. – Eu estava congelando naquela chuva incessante.
– Vamos sair daqui. Dá para ver de longe que você está congelando.
Fomos andando até Eleanor para em frente a um hotel chique e entrar; a segui.
Eleanor falou com o atendente, que parecia encantado com tamanha beleza. Mesmo eu, achei que Eleanor tinha a mesma beleza avassaladora de Amarílis. O que me deixava com certa raiva. Eleanor estava com uma calça social preta, bota de salto, uma camisa azul marinho e um blazer. Uma maquiagem incrível e o cabelo perfeitamente arrumado.
Já eu, parecia uma mendiga perto dela.
Uma calça jeans desgastada, uma sapatilha preta com alguns strass, uma camiseta branca e um casaco encharcado por cima. Meus cabelos loiros molhados mal atados em um coque meio desmanchado. Rímel escorrendo pela bochecha – outra coisa nada inteligente; passar rimel e sair para a chuva.
O atendente encantado nos levou até uma porta que havia do lado do balcão e fez uma reverencia exagerada para Eleanor, que agradeceu com um sorriso que o deixou mais no chão do que já estava.
A sala era um escritório que qualquer empresa tem.
Eleanor foi até uma prateleira de arquivos e retirou de lá duas pastas grandes que mostravam um botão, quase imperceptível no fundo da estante. Ela apertou e a estante virou, mostrando uma escada escura que descia para o subsolo.
– Venha. – Ela olhou para mim e desceu as escadas. A segui novamente.
A escada levava a uma grande sala cheia de moveis luxuosos.
– Aquela porta ali do lado leva a um banheiro com roupas secas. Se quiser se trocar, fique a vontade. Só não demore muito.
– Está bem.
O banheiro era gigante, tinha perfumes, maquiagens, roupa, sapatos, parecia até maior que a sala.
Sequei-me, troquei de roupas e voltei para a sala; Eleanor estava tomando alguma coisa que eu não sabia o que era.
– Aceita? – Perguntou.
– Não, obrigada. – Resolvi que não era uma boa hora para me embebedar. – O que você queria me falar?
– Theo. Você irá sozinha amanhã ao meio dia em ponto no casarão. Vamos tirá-lo de lá.
– Preciso levar alguma coisa.
– Não.
– Era só isso que você tinha para me falar?
– Não. Fale para Phillip sair dos meus sonhos.
– Oi? Como assim?
– Todos os dias eu sonho com ele. Faça-o parar.
– Mas ele não tem poder algum. – Falei e ela me olhou.
– Como não?
– Não tendo. Sua mente esta provocando esses sonhos.
– Não estou apaixonada por ele.
– Por acaso falei que você estava? – Dei um meio sorriso.
– Vamos embora Bella, você está me deixando irritada. – O tom em que ela falou me deixou preocupada.
– Você está bem? – Perguntei.
– Um pouco.
Saímos do hotel – e graças a Deus – já havia parado a chuva.
Eleanor repetiu o horário, se despediu e virou as costas, seguindo o seu caminho. Fiz o mesmo.
Chegando em casa, achei Phillip com uma garrafa de cachaça barata debaixo do braço, desmaiado no chão. Bêbado.
Arrastei-o – já estava virando costume – para o banheiro e o joguei embaixo do chuveiro com água fria. Ele despertou na hora.
– O que... Ahn...
– Você está louco?
– Bella? Onde você... Ahn... Estava?
– Fui dar um passeio na praia.
– Na chuva?
– Sim, água de vez enquanto faz bem. Agora me explique o porquê de você ter se embebedado com cachaça barata seu idiota?
– Melissa...
– O que tem ela?
– Está vindo para o Brasil.
– Isso não deveria ser bom?
– Sim, se ela não viesse com o noivo.
– Desde quando ela tem noivo?
– Desde ontem. Ela está vindo para ‘comemorar’.
– Nossa cara. – Eu não sabia o que dizer.
– É não diga isso, você tem um namorado, uma vida legal, animada, pode-se assim dizer. – Ele se levantou do Box, mais encharcado que eu na chuva, e foi cambaleando para o quarto dele.
E eu, fui para o meu quarto e me deitei. O dia seguinte seria longo.
“Lá estou eu novamente com o vestido branco, só que em um local diferente. Uma praia à noite. Levanto-me do chão e vou até a água; estava gelada. Virei-me para trás e um vulto apareceu mais ao longe. Na hora, fiquei assustada, mas logo depois corri até lá. O vulto se mexeu também, saiu ‘deslizando’ para uma casa de madeira que parecia ser de um cômodo só e entrou. Quando cheguei perto da porta, a mesma se abriu. Tremi. Lá dentro, escuridão total. Entrei mesmo assim. A porta se fechou atrás de mim. “Bella.” Olhei para trás. Lucas. Quase corri e o abracei, mas lembrei que era apenas um sonho. “Lucas, graças a Deus!”,“Sentiu saudades?”, “Claro, sempre.” , “Sei que você precisa da minha ajuda. O que é?”, “ O nome dela é Eleanor, conhece?”, “Não faço a mínima idéia de quem seja. Mas o que tem ela?”, interpretei isso como um mau sinal. “Eleanor é irmã de Amarílis.” , Lucas pareceu surpreso. “Amarílis tem uma irmã?”, “Você realmente não fazia a mínima idéia disso?”, “Não. Bella cuidado.”, “Cuidado com o que?”, “ Amarílis, ela é perigosa e tem poderes sobrenaturalmente estranhos.Por favor, cuide-se.” , “ Está bem, tomarei cuidado. Obrigada mesmo assim.” , “ Boa noite Bella, durma bem.”, “Boa noite Lucas.”.”
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