Pesadelos são as coisas que eu mais tive em toda a minha vida. Mal sabia eu, que eles poderiam um dia se tornar realidade.

Passou-se dois dias desde a nossa saída do casarão de Amarílis e nada de informações sobre Theo. E eu já estava ficando agoniada sem ter nenhuma idéia de como ele estava sendo tratado lá.

Foi então, que em uma tarde chuvosa de uma segunda-feira entediante – dois dias depois –, Eleanor entra do nada em meus pensamentos e me fala: “Encontre-me agora na praia de Copacabana.”

Foi ai que eu saí correndo, troquei de roupa e me esqueci de pegar o guarda-chuva. Uma grande burrice, pois cheguei à praia mais molhada que a água.

– Demorou. – Falou Eleanor, sem nem um pingo de água, mesmo estando na chuva.

– Desculpe se eu demorei; estava ocupada demais tentando desviar dos pingos d’água. – Falei ironicamente.

– Da para ver que deu errado. Você está encharcada.

– Era ironia.

– Eu sei muito bem.

– Porque você está sendo grossa comigo?

– Para começo de conversa, você que começou com as ironias. Agora, vamos direto para a conversa de verdade, não tenho muito tempo.

– Fale. – Eu estava congelando naquela chuva incessante.

– Vamos sair daqui. Dá para ver de longe que você está congelando.

Fomos andando até Eleanor para em frente a um hotel chique e entrar; a segui.

Eleanor falou com o atendente, que parecia encantado com tamanha beleza. Mesmo eu, achei que Eleanor tinha a mesma beleza avassaladora de Amarílis. O que me deixava com certa raiva. Eleanor estava com uma calça social preta, bota de salto, uma camisa azul marinho e um blazer. Uma maquiagem incrível e o cabelo perfeitamente arrumado.

Já eu, parecia uma mendiga perto dela.

Uma calça jeans desgastada, uma sapatilha preta com alguns strass, uma camiseta branca e um casaco encharcado por cima. Meus cabelos loiros molhados mal atados em um coque meio desmanchado. Rímel escorrendo pela bochecha – outra coisa nada inteligente; passar rimel e sair para a chuva.

O atendente encantado nos levou até uma porta que havia do lado do balcão e fez uma reverencia exagerada para Eleanor, que agradeceu com um sorriso que o deixou mais no chão do que já estava.

A sala era um escritório que qualquer empresa tem.

Eleanor foi até uma prateleira de arquivos e retirou de lá duas pastas grandes que mostravam um botão, quase imperceptível no fundo da estante. Ela apertou e a estante virou, mostrando uma escada escura que descia para o subsolo.

– Venha. – Ela olhou para mim e desceu as escadas. A segui novamente.

A escada levava a uma grande sala cheia de moveis luxuosos.

– Aquela porta ali do lado leva a um banheiro com roupas secas. Se quiser se trocar, fique a vontade. Só não demore muito.

– Está bem.

O banheiro era gigante, tinha perfumes, maquiagens, roupa, sapatos, parecia até maior que a sala.

Sequei-me, troquei de roupas e voltei para a sala; Eleanor estava tomando alguma coisa que eu não sabia o que era.

– Aceita? – Perguntou.

– Não, obrigada. – Resolvi que não era uma boa hora para me embebedar. – O que você queria me falar?

– Theo. Você irá sozinha amanhã ao meio dia em ponto no casarão. Vamos tirá-lo de lá.

– Preciso levar alguma coisa.

– Não.

– Era só isso que você tinha para me falar?

– Não. Fale para Phillip sair dos meus sonhos.

– Oi? Como assim?

– Todos os dias eu sonho com ele. Faça-o parar.

– Mas ele não tem poder algum. – Falei e ela me olhou.

– Como não?

– Não tendo. Sua mente esta provocando esses sonhos.

– Não estou apaixonada por ele.

– Por acaso falei que você estava? – Dei um meio sorriso.

– Vamos embora Bella, você está me deixando irritada. – O tom em que ela falou me deixou preocupada.

– Você está bem? – Perguntei.

– Um pouco.

Saímos do hotel – e graças a Deus – já havia parado a chuva.

Eleanor repetiu o horário, se despediu e virou as costas, seguindo o seu caminho. Fiz o mesmo.

Chegando em casa, achei Phillip com uma garrafa de cachaça barata debaixo do braço, desmaiado no chão. Bêbado.

Arrastei-o – já estava virando costume – para o banheiro e o joguei embaixo do chuveiro com água fria. Ele despertou na hora.

– O que... Ahn...

– Você está louco?

– Bella? Onde você... Ahn... Estava?

– Fui dar um passeio na praia.

– Na chuva?

– Sim, água de vez enquanto faz bem. Agora me explique o porquê de você ter se embebedado com cachaça barata seu idiota?

– Melissa...

– O que tem ela?

– Está vindo para o Brasil.

– Isso não deveria ser bom?

– Sim, se ela não viesse com o noivo.

– Desde quando ela tem noivo?

– Desde ontem. Ela está vindo para ‘comemorar’.

– Nossa cara. – Eu não sabia o que dizer.

– É não diga isso, você tem um namorado, uma vida legal, animada, pode-se assim dizer. – Ele se levantou do Box, mais encharcado que eu na chuva, e foi cambaleando para o quarto dele.

E eu, fui para o meu quarto e me deitei. O dia seguinte seria longo.

“Lá estou eu novamente com o vestido branco, só que em um local diferente. Uma praia à noite. Levanto-me do chão e vou até a água; estava gelada. Virei-me para trás e um vulto apareceu mais ao longe. Na hora, fiquei assustada, mas logo depois corri até lá. O vulto se mexeu também, saiu ‘deslizando’ para uma casa de madeira que parecia ser de um cômodo só e entrou. Quando cheguei perto da porta, a mesma se abriu. Tremi. Lá dentro, escuridão total. Entrei mesmo assim. A porta se fechou atrás de mim. “Bella.” Olhei para trás. Lucas. Quase corri e o abracei, mas lembrei que era apenas um sonho. “Lucas, graças a Deus!”,“Sentiu saudades?”, “Claro, sempre.” , “Sei que você precisa da minha ajuda. O que é?”, “ O nome dela é Eleanor, conhece?”, “Não faço a mínima idéia de quem seja. Mas o que tem ela?”, interpretei isso como um mau sinal. “Eleanor é irmã de Amarílis.” , Lucas pareceu surpreso. “Amarílis tem uma irmã?”, “Você realmente não fazia a mínima idéia disso?”, “Não. Bella cuidado.”, “Cuidado com o que?”, “ Amarílis, ela é perigosa e tem poderes sobrenaturalmente estranhos.Por favor, cuide-se.” , “ Está bem, tomarei cuidado. Obrigada mesmo assim.” , “ Boa noite Bella, durma bem.”, “Boa noite Lucas.”.”