Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
22 Boa noite
Levanto-me do chão, enxugo as lágrimas, fecho a porta e saio.
Vou até o meu antigo quarto, que também está do jeito que eu deixei, exceto pela cama quente e desarrumada. Theo dormiu aqui.
Por falar nisso, desço a escada e vou ver se o que eles resolveram. Me admiro de encontrar eles tomando café na cozinha.
– Ahn, alguém pode me avisar quando foi que vocês viram melhores amigos?
– Digamos que melhores amigos já é demais Bella. – Fala Ethan.
– Realmente. Eu só pensei um pouquinho e achei que seria muito estranho se os nossos vizinhos vissem uma pessoa ser esfaqueada na casa ao lado, então convidei ele para entrar. – Theo sorri, e por incrível que pareça, Ethan também.
– Olha o dia ta estranho demais para o meu gosto, vou tomar um banho e dormir. Você vai fazer o que Ethan? – Perguntei
– Convidei ele para dormir aqui. Ele pode ficar no meu quarto e daí eu vou para o seu. – Falou Theo.
– Hm ta.
Já estava subindo a escada quando lembrei:
– E onde está Phillip?
– Em Paris. – Tudo bem, nada de anormal. – Com Eleanor. – Oi? O que está acontecendo com o mundo?
– Ahn, acho que eu não entendi direito, com Eleanor?
– Sim, é uma longa historia que com certeza ele vai querer contar para você. Eu ia ir para Paris hoje para conversarmos um pouco e pensarmos sobre como te achar, mas já que você apareceu... Que tal irmos amanhã e fazermos uma surpresa para ele? – Com certeza ele vai ficar muito surpreso quando eu aparecer com Ethan, o cara que quase o matou, na casa dele.
– Claro, ótima idéia. Ai eu também posso levar os caixões porque já que vocês todos vão se matar mesmo... – Falei.
– Bella eu vou embora. – Falou Ethan. – Já falei com Theo, eu te salvei, você me salvou, estamos quites. Amanhã de manhã vou embora. Acho que vou voltar para a Suíça e...
– Você morava na suíça? – Perguntei, descrente.
– Sim morava com a minha família. Mas daí Amarílis jogou aquele feitiço idiota em mim e eu os deixei do nada para ir para o Brasil. Devem achar que eu morri. – Percebi na voz dele que ele sentia culpa por isso; sei reconhecer a culpa nas pessoas.
– Não se culpe. Foi culpa dela. Mas que historia é essa de feitiço?
– É uma coisa que ela faz com sangue. Por exemplo, em mim ela cravou uma faca no peito, bem perto do coração, quando despertei, achava que tudo o que ela falava era sensato. Então, eu obedecia. Me lembro de dar com um taco de beisebol na sua cabeça, desculpe por isso, mas ela me mandou, e eu obedeci. Depois que você falou para ela umas palavras nada bonitas, ela cravou o taco do salto dela na sua têmpora. Te carreguei para dentro da cela e te deixei lá. Quando voltei outro dia com ela, você estava curada. Eu não sei como ela fazia isso. – Como fiquei quieta ele continuou – Mas continuando, vou voltar para a Suíça amanhã de manhã. Ficar por lá por um tempo. Esquecer que tudo isso aconteceu.
– Bem, boa sorte então. – Sorri. – Vou ir para o meu banho. – Subi as escadas e fui para o meu quarto. Peguei um pijama meu confortável e tomei um bom banho de chuveiro. Nada de banheiras.
Sai do banho e me deitei. Nada como dormir em sua cama, na sua casa.
“Lá estou eu, deitada na grama; levanto-me do chão e vejo um campo vasto e florido. Ali perto tem o que parece ser um penhasco. Vou até a beira; posso apostar que Lucas esta ali em algum lugar. – Lucas? – falo na beira do penhasco. –‘Achei que você não viria mais.’– Me viro para trás e Lucas está ali. – Lucas! – Ele sorri. – Desculpe, eu estava presa em uma ilha com uma mulher louca que insiste em ser chamada de vossa senhoria. –‘Annelise?’. – Perguntou. – Conhecia? – ‘Sim, ela é uma mafiosa perigosa. Mas nem tanto, ninguém é indestrutível.’ – Verdade. Mas passei por poucas e boas para continuar vivendo. Não conseguia falar com você lá. E nem na casa da Amarílis. Acho que vou descobrir o que ela fazia com as pessoas para que elas a obedecessem. Vou acabar com isso tudo. Soube que eu a matei? – ‘Soube sim, e obrigada. Você me vingou. Parabéns.’ – Agora vou vingar as outras pessoas Lucas. Pessoas que não tiveram escapatória como Ethan teve. – ‘Como assim?’ – Consegui livrar Ethan do feitiço assim que eu decepei Amarílis. E eu tive um sonho estranho outro dia. Vi que haviam sumido com a cabeça de Amarílis.Você sabe de alguma coisa? – ‘Nada.’ – Achei isso estranho. Mas mudando de assunto, foi bom falar com você. Senti saudades. – Falei. – ‘Sentiu saudades de um fantasma?’ – ele riu. – Sim, senti saudades de um fantasma. Mas agora tenho que ir, até a próxima. – ‘Também senti saudade sua.’ – ele sorri – ‘ Até Bella, bons sonhos’.”
Abro os olhos e vejo que Theo está dormindo ao meu lado, com o braço na volta da minha cintura.
Olho para ele dormindo; não resisto e levo minha mão aos seus cabelos. Cabelos negros feito a noite, tão suaves e finos quanto pétalas de rosas...
– Pode continuar, eu não ligo... – Ele falou com os olhos fechados e um sorriso no canto da boca.
– Não era minha intenção te acordar. – Falei, ele abriu os olhos.
– Eu estava acordado, não se preocupe. – Ele me puxou mais para seus braços e para um beijo demorado. Quando me largou, falou. – Sabe o que eu estava lembrando?
– O que?
– De quando você disse que a minha voz era rouca e irritante. – Ele riu. – Do nosso encontro no cais; na academia, na praia, no aeroporto, em Paris, na casa de Phillip, na cabana de Lucas, no carro de Phillip, em Las Vegas, na casa de Amélia, no avião, aqui. – Ele sorri e aqueles olhos escuros me fitam.
– E na maioria das vezes eu achava que você queria me matar.
– O que era tudo o que eu não queria.
– Agora eu sei, e não vou deixar você escapar de mim. Então, nem tente. – Sorrio.
– E se eu tentar? – Ele fala seriamente, o que me deixa um pouco tensa. – Relaxe, eu estou brincando. – Eu realmente caí nessa.
Ele acaricia minha face, levando a mão até os meus cabelos, me puxa pela nuca e nos beijamos.
O nosso beijo fica cada vez mais intenso; seus beijos vão para o meu pescoço; ele vem para cima de mim.
– Theo... – Ele levanta a cabeça e me olha.
– O que foi? – pergunta suavemente.
– Não... – Eu olho para o lado, constrangida pela minha falta de coragem para seguir em frente, mas é uma escolha minha, ele tem que entender.
Theo sai de cima de mim, vai para o meu lado e pega minha mão.
– Tudo bem, quando quiser. Não vou te abandonar – ele me olha com suavidade. –, e pelo o que eu sei, temos tempo o bastante. – Ele dá um sorriso malicioso.
Acomodo-me em seus braços enquanto ele murmura ao meu ouvido um “Boa Noite”.
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