Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
29 Serio?
Abri os olhos e a dor logo ressurgiu. Uma claridade enorme me atingiu e eu achei que havia morrido.
Logo percebi que era o sol.
E que eu ainda estava na mansão.
Preciso sair daqui.
Apoiei-me com o meu braço bom no chão e fui me rastejando até a parede, para poder me levantar. Consegui me levantar e também descobri que eu conseguia andar, mesmo com uma bala alojada – novamente – na minha perna.
Fui até a enfermaria. Nem me lembrava de ter matado tantas pessoas; havia corpos para todo o lado. Fui até um armário e peguei morfina e seringas.
O meu ombro doía; o meu pulso estava provavelmente quebrado; a minha coxa doía; e a minha barriga doía.
Bem o tiro não exatamente na barriga, foi mais perto do osso do quadril.
Peguei gases, água oxigenada e limpei um pouco os ferimentos. Também achei uma tipóia que iria me ajudar muito.
Depois que terminei, tratei de pegar alguns remédios que poderiam me ajudar e fui tentar subir a escada.
Subir uma escada toda cheia de balas alojadas em varias partes do seu corpo não é nada fácil.
Cheguei à sala de armas e tratei de pegar mais umas, para caso eu precisasse.
Subi mais outra escada e fui para o helicóptero. E para uma pessoa que nunca havia pilotado um helicóptero antes, não me sai mal. Pelo menos ainda estou viva.
Cheguei novamente ao heliporto particular da falecida Annelise. Desço e caminho, caminho, caminho, até chegar à maldita rodovia. Na qual eu irei, andar, andar e andar debaixo deste sol fritante para chegar a São Francisco. Isso se uma alma de puro e bom coração não me der uma carona.
Acontece que não apareceu uma alma pura e de bom coração para me dar uma carona. Caminhei até chegar a São Francisco, e tive que caminhar mais ainda para chegar ao condomínio.
Meus pés doíam; parecia que eu havia feito escalda-pés em lava.
Minha perna eu nem sentia mais, não sei como ainda conseguia me equilibrar.
Quando cheguei ao condomínio o porteiro me ajudou a ir até a minha casa.
Nunca vou me cansar de dizer que a melhor visão que eu poderia ter era de ver a minha casa.
Teria corrido, mas minha perna estava com uma bala alojada na coxa.
Cheguei ao cercadinho da casa e disse para o porteiro que poderia voltar para o seu posto.
A porta estava fechada, apertei a campainha; Theo demorou uns dois minutos para atender.
Abriu a porta e logo o aroma de café invadiu meu nariz. Theo estava com um roupão preto e o cabelo bagunçado. Aquela visão estava completa.
– Voltei! – Dizendo isso, abri um sorriso; só não corri para seus braços por que... Ah vocês já sabem.
– Já? – Eu olhei pasma para ele. – Estou brincando. – Ele abriu um sorriso de orelha a orelha e veio até mim.
– Cuidado!
– Por quê? O que houve? – Theo parou e me observou dos pés á cabeça. – Temos que ir para o hospital. Agora.
Theo me pegou no colo – o que me deixou com mais dor ainda, seja no ombro quanto na perna – e me levou para dentro e me colocou no sofá.
– Espere aqui, vou chamar um taxi. – Ele fechou a porta e subiu as escadas.
Era obvio que eu não ficaria ali sentada esperando; fui até a cozinha e peguei uma xícara de café.
– Bella! Eu disse para esperar! – Escutamos uma buzina. – O taxi chegou, vamos.
Theo havia mudado de roupa tão rapidamente que eu até me surpreendi. Carregou-me e colocou dentro do taxi. Fomos para o hospital.
Chegando lá, por um milagre, estava com poucas pessoas. E quando viram o meu estado, vieram enfermeiros de tudo quando é lado e me colocaram numa maca. Nem entendi o que estava acontecendo, mas me doparam e eu logo fui perdendo o foco da minha visão. Apaguei.
– Bella... Bella meu amor acorde. – A voz de Theo desperta um sorriso em mim.
– Meu amor? Vou ter que me acostumar com isso ainda. – Escuto sua risada. – Quanto tempo eu dormi? –Assim que eu abro os olhos vejo os de Theo bem acima dos meus.
– Um dia inteiro. Está com fome?
– Agora que você me lembrou, muita.
– Ultimamente a única coisa que tem te abastecido é soro, mas você já tem alta. Podemos ir para casa, quando chegarmos vou fazer um prato especial para você.
– Hmmm, estou curiosa. O que vai ser?
– Surpresa! – Ele me beija. A saudade que eu estava sentindo daquele beijo era tão dolorida que eu demorei um pouco mais a me afastar.
Pouco depois nos separamos me levantei e troquei de roupa. Minha perna ainda doía, mas não muito. Meu pulso estava engessado; o ombro, enfaixado e a barriga, com umas gases.
– Vamos? – Theo entrou e perguntou me estendendo o braço.
– Claro.
Saímos do hospital e pegamos mais um taxi de volta.
Para andar ainda doía, especialmente o quadril. Então, Theo me pegou no colo e me carregou até a nossa casa. Para agradecer, fiquei dando vários beijos em seu rosto.
Ao chegarmos em casa, ele me largou e abriu a porta, entramos e ele me acomodou no sofá, ligou a TV em um canal qualquer e disse que me prepararia o tal ‘prato especial.’
– O que você esta fazendo? Não sinto cheiro de nada.
– Seu olfato só pode estar contaminado com o cheiro de café. O meu prato é o melhor.
– Serio?
– Diga você. – Ele me traz em uma badeja fechada o tal prato.
Pego o prato no colo e abro a bandeja e vejo uma caixinha preta. Meu coração para.
– Theo... Isto é o que eu estou pensando?
– Será que o que você está pensando corresponde com o que está na caixinha? – Ele sorri se ajoelhando no chão para ficar da minha altura e pega a caixinha nas mãos.
– Aimeudeus...
Theo abre a caixinha e o que tem dentro é... Outra caixinha.
– Ah é serio isso? – Pergunto, meu coração batendo mais forte que uma escola de samba no sambódromo.
– Abra. – O sorriso dele cada vez aumenta mais, seus olhos escuros brilham.
Peguei a caixinha e vi que as minhas mãos estavam destruídas, unhas quebradas, dedos machucados e... Elas tremiam.
Abro a caixinha devagar e lá dentro tem um anelzinho pequeno, com pequenos e delicados cristais.
– Meu deus... – Falo, hipnotizada e praticamente, sem ter o que falar.
– Bella, quer ter uma vida extremamente animada, cheia de adrenalina, amor, provável irritabilidade, com inúmeras ameaças de morte e se casar comigo? – Ele pega a caixinha das minhas mãos tremulas antes que ela caia.
– Eu... Eu...
– Sim? – Ele ri.
– Será que digo sim? Será que você merece ter tanta felicidade na sua vida? Hmm, acho que você merece sofrer eternamente tendo a mim como sua eterna companheira. – Começo a rir e sinto que vou chorar. Na minha cabeça começa a tocar Photograph, do Ed Sheeran.
Pulo em seus braços e começamos a rir. Theo me levanta e gira comigo no meio da sala; esqueço minhas dores. Esqueço de tudo. Estou completa.
Serio isso? Desde quando virei sentimentaloide?
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