Fico chocada e grito.

As pessoas a minha volta riem.

Melissa me fita com um profundo horror e chora.

– FOI VOCÊ! PORQUE FEZ ISSO? PORQUE BELLA? O QUE EU TE FIZ? – ela grita as palavras e eu choro diante da visão que vejo. Melissa completamente mutilada e chorando.

Ninguém se mexe para me tirar ou tirá-la dali.

Ela assume uma cara de profunda raiva.

O carrasco pega outra faca de serra, ou melhor, aquelas de cortar pão, e vai até ela novamente.

Vejo o medo em seus olhos quando ela vê o carrasco se aproximando, ela grita por ajuda. Eu estremeço. Ele começa a fazer cortes em seu pescoço e peito. Faz um corte profundo em sua barriga e Melissa se curva para frente; ela esta presa a cadeira. Melissa grita e chora incessantemente. O carrasco empurra Melissa e coloca sal no grande ferimento; um grito estridente escapa de sua boca.

– BELLA VOCÊ VAI PAGAR! – Ela grita para mim em meio ao choro. O carrasco vai com a faca em direção ao pescoço de Melissa, cortando bem devagar, indo e voltando com a lâmina em seu pescoço. Pouco depois o pescoço é separado e cai no chão.

As pessoas ao meu lado aplaudem. E eu as tento encarar. Mas estou horrorizada – e sim, um pouco fascinada.

Levam-me novamente para dentro, mas é tudo tão escuro e as lágrimas atrapalham tudo.

Colocam-me novamente na maca. Nem penso em me mexer. Perda de tempo.

Colocam as pulseiras de agulhas e sinto a minha pele arder; parece queimar.

Injetam as drogas – que eu acho seriamente que são drogas – e eu apago.

“– ‘Gostou do que viu não foi? Não negue. Eu vi. Melissa agora está entre nós. E digamos que ela não está nem um pouco feliz com suas escolhas. Pelo visto nem você não é? Já sei a resposta. Sua mente já está parcialmente negra de escuridão. Em breve estará entre nós. Sua eternidade será pagar pelos seus atos. Não vai demorar muito para esse aqui acabarem com você.”

Acordo quando estão me colocando novamente na cadeira de rodas. Aparte racional do meu cérebro faz com que eu tente me libertar; obviamente eles não estavam esperando por isso. Cai da cadeira e acabei dando com a cara no chão; tudo em mim doía. A única coisa que a parte racional do meu cérebro fez, foi fazer eu me atirar da cadeira. O que não adiantou muita coisa; eu não tinha forças nem sequer para me apoiar.

Agarram-me pelos braços como se eu fosse uma boneca de pano e me prenderam novamente na cadeira. Gritaram comigo em um idioma diferente; era um turbilhão de vozes elevadas falando coisas que eu não entendia; era demais para os meus ouvidos.

Assim que eu já estava firmemente presa, injetaram novamente em mim um líquido vermelho que parecia muito ser sangue, no meu pescoço. Aquilo doeu, ardeu, coçou, queimou minha pele por dentro; um formigamento invadiu meu corpo. Comecei a tremer descontroladamente. Levaram-me dali lá para fora de novo. A terceira cadeira estava de costas para mim.

Tremia involuntariamente; o carrasco voltou. A tremedeira passou; substituída por um frio que parecia que eu estava dentro de um bloco de gelo.

O carrasco pegou uma faca normal de cozinha e foi até a segunda cadeira; minha mente estava ocupada demais tentando não ficar congelada que nem se preocupou com a pessoa. Eu não pensava em mais nada.

O carrasco começou pelas pernas. Pelo o que parecia era um homem. Algo na parte racional da minha mente disse para eu prestar atenção em como me libertar dali. Tirei esse pensamento da cabeça; seria suicídio. Eu não tinha força de nem sequer levantar minha mão. Quando mais me levantar do chão, o único destino que eu teria depois de me libertar.

O carrasco fez vários cortes profundos feitos raízes de uma arvore. O desenho de sangue e crueldade estava ficando lindo. Ele pegou uma jarra elétrica que saia fumaça de cima da mesa – que estava lá novamente. – e voltou para o homem. Que gritava.

O carrasco despejou o que deveria ser água quente nos rasgos. O homem esbravejou uma serie de palavrões. O carrasco trocou a faca afiada por a faquinha de serra. Lembrei-me vagamente de Melissa gritando e sofrendo.

O carrasco foi cortando devagarzinho os dedos do homem. Puxou as falanges que restavam colocou sal na carne sangrenta e recolocou as falanges. O homem gritava e tentava se soltar da cadeira, mas a mesma era presa ao chão. O carrasco desistiu daquilo e cortou o pé inteiro com raiva e rapidamente. Foi cortando. Fez tiras. Colocou sal. Colocou água quente. Cortou mais. O homem gritava. Eu assistia com uma fascinação desumana. O carrasco pegou uma serra elétrica e foi até ele. Cortou em pequenas partes sua perna. O homem gritava cada vez que as serras chegavam perto de sua perna e arrancavam mais um pouco sua carne e seus ossos. Sangue. Dor. Sangue e dor.

Sobrou somente o tórax, os braços e a cabeça do homem. O carrasco cortou suas mãos em uma linha horizontal. Retirou as falanges e colocou sal e água quente. Parecia que estava cozinhando o homem fora da panela. Sangue descrevia a cena. Sangue e pedaços de pele, carne e ossos. Sal, água quente e facas. Um homem e uma metade de um homem. O carrasco trocou a serra elétrica por uma faca afiada. Cortou tudo o que ainda restava do braço. Primeiro retirou sua pele como um trabalho magnífico como se fosse um açougueiro. Colocou sal na carne vermelha e adicionou mais água quente. O homem gritava; não se debatia mais. Aprendeu do modo mais doloroso a não tentar fugir do inevitável.

O sangue que escorria ia direto para o chão. Um imenso córrego vermelho se espalhava pelo lugar.

O lugar.

Uma espécie de sacada que dava para o mar. Um imenso mar. Uma cena contraditória. Sangue e beleza. Ou será o sangue, não o mar, a beleza?

Minha mente me faz não desviar os olhos. O carrasco pega novamente a serra e corta da barriga para baixo, o que restava do homem. O homem grita. O carrasco retira o capuz. Meu sangue gela.

– Porque vocês fazem isso? POR QUÊ? O QUE EU FIZ PARA VOCES? – Grito com todas as forças que ainda me restam.

Phillip jaz ali. Sangue escorrendo pela boca. Não me tiram dali. O carrasco não acabou. Não consigo desviar o olhar. O carrasco pega uma faca afiada e retira toda a pele do rosto de Phillip. Lágrimas correm pelo meu rosto. Eu choro sem parar.

– Phillip! PARE! POR FAVOR! MEU DEUS! POR FAVOR! – Eu não tinha mais força de gritar nem chorar. Ele não ia parar.

Chorei baixinho.

O rosto de Phillip ficou irreconhecível. Todos a minha volta riram. Eu não queria mais ver aquilo. Fechei os olhos.