Ninguém Precisa Saber - 2 temporada

25 Minhas idéias nada inteligentes


Descemos a escada de emergência com Phillip praticamente sendo arrastado conosco.

Chegamos ao estacionamento e fomos para o carro de Phillip – sorte que eu me lembrei de pegar as chaves –; liguei o carro e acelerei, por pouco não batendo em outro. Acho que nesses últimos meses eu aprendi a dirigir na marra.

– Porque você fez aquilo? – Gritou Theo lá de trás; vi pelo retrovisor que Phillip estava encolhido no canto do banco.

– Foi preciso! Eu não suportei ver aquele sorriso falso no rosto dela! Ela admitiu que era uma das servas de Annelise! Eu tinha que fazer alguma coisa! – Acelerei o máximo que eu pude e saí.

Os carros de Annelise provavelmente já estavam chegando.

– INFERNO! – Grito quando saio na porta do estacionamento e vejo os carros fechando a rua. – Preparem as armas!

– Bella entre novamente no hotel! Phillip tem mais armas no apartamento! – Como não tem como eu fazer o retorno assim tão rápido, me preparo para receber os tiros quando dou marcha ré.

Estava indo tudo muito bem, até eu bater em uma moto e trancar a roda do carro.

Phillip estava tão absorto em seus pensamentos que nem ligou que estamos destruindo a vida dele; o apartamento: transformando a sala, deixando-a ensangüentada; o carro: deixando ele cheio de marcas e praticamente sem o pára-choque traseiro; o prédio: transformando em um campo de batalha.

Descemos correndo do carro e subimos novamente a escada. Theo nem havia se dado o trabalho de tirar as armas de dentro da bolsa. E por falar em armas, me lembrei da bolsa que Ethan tinha quando pulamos do avião. Quando chegamos em minha casa, a bolsa entrou também, e provavelmente Ethan levou as armas. Mas se ele for viajar como uma pessoa qualquer, a mala dele terá que passar pelo detector de metais, que irá apitar e ele irá preso. Ou ele não foi para a Suíça, mas sim para Martim Vaz, para propor negócios á Annelise. Aquele desgraçado, filha da mãe!

Está na hora de eu dizer o que vamos fazer, ou senão acabaremos todos mortos jogados no meio do mar para tubarões.

Chegamos ao apartamento de Phillip e tratamos de bloquear todas as entradas. Comecei a dar as ordens.

– Theo, ligue para todo o seu pessoal daqui de Paris e diga para ele virem para cá armados até a raiz dos cabelos, vamos deixar a máfia da Condessa com mais furos que uma peneira. – Falo me dirigindo, obviamente, a Theo, que balança a cabeça em um sim. – E Phillip, sai desse torpor e ligue para as suas clinicas e as avise que não é para deixar qualquer coisa que acontecer aqui cair na imprensa, faça com eles neguem tudo a todo custo, afinal, não queremos acabar com a sua carreira na medicina. Ah, aproveite também e chame um helicóptero para cá. – Phillip me olhou como se fosse me fritar, mas obedeceu.

Saí em busca de armas pela casa; na minha busca achei duas bolsas: uma cheia de vários tipos de munições e a outra com vários tipos de armas. Phillip teria um problemão se revistassem a casa dele.

O sangue de Eleanor estava se espalhando pela sala/cozinha deixando um mar vermelho e escorregadio. Para facilitar as coisas, peguei um rodo e um pano e coloquei o sangue em um balde; ninguém merece ter uma criminosa morta no meio de sua sala, ainda por cima fazendo você cair no sangue dela.

Apesar de Phillip ter armas bastante úteis, não era o bastante.

Fui para a beira da janela por entre a cortina e vi varias vans estacionando na beira do prédio. E o porteiro enfurecido com aquilo tudo, batia boca com um homem do tamanho dele que estava com uma cara de ‘poucos amigos’.

Nos prédios vizinhos varias pessoas haviam saído nas janelas para observar o que estava acontecendo. Eu podia apostar que em breve aquilo estaria cercado de policiais e repórteres, o que não era lá uma boa noticia.

Coitado do senhor Pierre, o porteiro; gritava e se debatia nas mãos de um dos servos de Annelise. O que eu faço? Mato o servo ou fica parada assistindo de longe?

Para matar com precisão eu precisaria de uma sniper, só que como ela é grande demais para ser carregada; Phillip não a tinha aqui.

Abri a bolsa de armas e nela continham:

2 — Browning HP35

3 — Glock

3 — Uzi

4 — Heckler & Koch

2 — Sig P210

3 — Beretta 92F

3 – AK47

2 – Walther CP99

Já na outra bolsa tinha munições para todas essas armas e mais um pouco.

Estranhei o porquê de até agora eles não terem tomado iniciativa, então sai da janela, não queria ver o que iria acontecer com o senhor Pierre.

– Bella temos que fazer alguma coisa. – Theo veio pelo corredor. – Não tem como sairmos daqui sem sermos notados, ainda mais com todo aquele pessoal chamando a atenção lá fora.

– Fez o que eu pedi?

– Fiz, mas não me trate com um servo seu. Sou seu namorado, não empregado. Agora escute: temos que fazer alguma coisa antes que isso tudo aqui vire de cabeça para baixo e nós não conseguirmos mais controlar.

Realmente nada estava saindo como eu pensava; nada iria ser tão fácil assim. Até que eu tive uma idéia.

– Já sei! – Falo animada, mas pelo rosto de Theo, ela já sabe que eu tive uma daquelas minhas idéias muito ‘inteligentes’. – Temos que destruir Annelise de dentro para fora.

– E o que você pretende?

– Me entregar a ela.

– Ela vai te matar!

– Não, se eu disser que eu vou ser a assassina dela. Pelo menos por um tempo, caço todos os seus ‘inimigos’ e quando ela menos esperar, eu estarei lá, com a mira de uma sniper na cabeça dela. – Theo olha para mim como se dissesse ‘por favor, não faça isso!’

– Tem como eu te impedir? – ele olha para mim e depois volta a fitar o chão.

– Hmmm, não. – Sorrio e coloco a cabeça dele entre as minhas mãos. – Ei, eu vou voltar viu. Não vou te abandonar.

– O que eu faço com Phillip?

– Bate nele até ele entender que Eleanor era uma piranha que queria acabar com ele. – Rimos.

Dou um beijo nele e coloco uma faca no meu casaco.

– Volto em breve. – E saio pela porta.