Ninguém Precisa Saber - 2 temporada
15 Banheira
Pouco depois que Ethan sai, pego uma camisola das varias que haviam no armário – que eu achei quando estava procurando alguma coisa para me proteger, com uma faca, ou até um pedaço de madeira solta.
Vou para o banheiro e ligo a banheira de hidromassagem que está ao meu dispor, assim como tudo dentro daquele quarto.
Jogo uns sais de banho na banheira assim que a água começa a subir.
Quando a banheira enche, entro logo sentindo meus músculos relaxarem ao toque da água não tão quente – afinal, não quero me sentir em uma panela sendo cozida.
Assim que me corpo todo é coberto por água morna e espuma, encosto a cabeça na borda da banheira e começo a pensar na saudade que eu sinto de Theo.
Como vou fazer para falar com ele? Será que eles estão bem?
Sinto-me culpada por estar aproveitando tudo isso aqui enquanto eles devem estar aflitos por minha procura, já que eu fiz questão de não dizer aonde eu iria à noite que os praticamente, abandonei.
Mal percebo quando as lágrimas ameaçam se juntar com a espuma da banheira. Sinto o gosto salgado da saudade e da culpa descendo pelo meu rosto e atingindo meus lábios.
Respiro fundo e afundo na banheira. A água invadindo meus ouvidos e me deixando temporariamente surda. O fôlego acaba, mas não quero voltar à superfície, onde tudo que eu faço sempre dá completamente errado. Abro a boca embaixo d’água e logo sinto a água invadir minhas narinas – e, obviamente, a boca – e queimar tudo dentro de mim.
Tento me manter embaixo d’água, no fundo da banheira, mas a gravidade insiste em me levar para cima. A água continua a invadir minha garganta, quando do nada, mãos me puxam para cima pelos ombros e eu sinto o ar novamente tomando conta de mim novamente.
Logo vejo que quem me tirou dali foi Ethan.
Ethan me salvou.
Ele me abraça; e me jogo nele, chorando descontroladamente e repetindo para mim mesma o erro que eu sou. O erro que eu sou para o planeta. Um trem desgovernado pronto para colidir em qualquer coisa que se postar em minha frente. E quando esse trem colidir, não sobrará nem um vagão para contar a historia.
– Calma Bella... Estou aqui... Você está salva. – Ele diz calmamente ao meu ouvido, e eu ainda chorando descontroladamente.
Ethan afaga meus cabelos molhados. Eu tremo de frio em meio às lágrimas que até agora não pararam de escorrer pela minha face.
– Bella, assim vai acabar pegando uma pneumonia. – Diz ele calma e suavemente ao meu ouvido enquanto pega um roupão vermelho e felpudo que eu deixei ali do lado, para caso eu sentisse frio depois do banho, e coloca em cima de mim.
Eu visto; agora as lágrimas diminuíram e se tornaram pequenos filetes de água escorrendo pelo meu rosto; eu tremo de frio.
Ethan me ajuda a levantar do chão frio do banheiro e me leva para fora dali, em direção a parte maior do quarto.
Eu mal consigo andar, meus pés molhados escorregam no piso do banheiro e Ethan me segura firmemente. Eu me apoio nele, estou praticamente sem forças para conseguir andar.
Mesmo que eu tenha ficado apenas um ou dois minutos embaixo d’água, meus pulmões doem e eu respiro com dificuldade.
Ethan me deixa sentada em uma poltrona na beira de uma lareira – que eu havia deixado acesa antes de entrar para banho – e busca para mim uma camisola comprida, diferente daquela que eu havia pegado antes.
Ele retira o roupão e eu me sinto completamente exposta. Olho para o seu rosto, que não demonstra qualquer tipo de perversão, mas sim amabilidade. Logo me lembro de alguns minutos antes quando ele me retirou da banheira e eu estava completamente nua. Ele não se aproveitou da situação.
Ele me ajuda a colocar a camisola e meus cabelos ficam grudados em minhas costas, e ele educadamente retira e os embola em uma toalha e me leva até a cama – que eu já havia deixado pronta.
– Venha. – Eu não consigo expressar o que eu sinto em relação a tudo isso que acabou de acontecer, na verdade, não estou nem acreditando no que está acontecendo.
Ele praticamente me leva até a cama; eu me deito e ele me cobre com todos aqueles lençóis e cobertores e logo adormeço com as palavras suaves dele dizendo “Durma bem querida.”
Acordo com uma dor no peito como se tivessem cravado uma faca bem no centro. Logo me lembro da noite de ontem quando eu propositalmente me afoguei na banheira, e Ethan me salvou.
Ethan me salvou.
Até agora não consigo acreditar nisso, e ele – eu acho – nem sequer cogitou tirar proveito da situação em que eu me encontrava, no caso, nua.
Levanto-me da cama e vou até a janela, uma neblina cobre tudo e começa a chover. Nem me dou o trabalho de trocar de roupa e volto para a cama quentinha, mas não durmo. Não consigo dormir depois do que aconteceu ontem, e mais uma vez uma saraivada de perguntas invade a minha mente.
O que Ethan estava fazendo em meu quarto? Porque me salvou? Porque se importou em me tirar daquela banheira, me deixar aquecida e me botar para dormir, tudo isso tão educadamente? Porque se importou comigo? E quanto aquele olhar dele de pura compaixão?
Para tudo há uma resposta.
O mais incrível que eu achei – a menos que ele seja muito bom ator – é que ele me tratou com um carinho que eu achei que não fosse suportável para ele.
Mas para tudo a um por que.
Levanto-me da cama e vou até o banheiro; a banheira ainda está cheia e com espuma de ontem de noite. Logo me lembro novamente do modo que Ethan me olhou e sinto um aperto no peito e na consciência. O julguei extremamente mal.
Lavo o rosto e troco de roupa, escolho pôr um daqueles vestidos magníficos, um dos vários colares de diamantes e prendo o cabelo em um coque um pouco mais elaborado e coloco um sapato de salto. Eu pareço uma típica vitoriana.
Exceto pelas roupas que eu estou usando embaixo do vestido.
Nada que um leggin preta colada no corpo e uma camiseta de manga curta branca, também colada no corpo, não resolvam.
Saio para o corredor em busca de alguém que me mostre essa mansão. Seja a pessoa que for, vou tratar com a maior simpatia possível e me portar como uma devida princesa. Mesmo que o meu plano – nada mais, nada menos do que im/possível – seja matar todo mundo neste inferno e mostrar quem manda aqui.
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