Nine - a Nova X-men
1 Dias quase felizes
- Controle-os, Nine. Você precisa tê-los em sua mão, para poder usá-los apenas quando você quiser, e ter controle sobre ele!
Todos os dias eu tinha aulas com minha mãe, ela estava me ensinando a controlar meus poderes. Eu já havia feito alguns estragos na Escola, mas nada de tão sério. Meu pai é quem fica furioso quando eu não consigo controlá-los. Ele diz que já tenho 16 anos e que preciso aprender.
- PAI! – Corri até os braços de meu pai. Ele é durão, mas eu o amo muito.
- Minha filha! Como estamos?
- Estou tentando, pai. Vou deixar você e a mamãe a sós.
Saí da sala do Cérebro e fui em direção ao meu quarto. Tomei um banho ótimo e sentei para ver TV. Nada de importante estava passando, então fui passear pelo Jardim. Enquanto andava, pensava o quanto eu estou confusa em relação aos meus poderes. Parece um mundo muito surreal para mim. Em pensar que meu pai e minha mãe vão ficar assim sempre, elegantes e jovens. E eu? Será que vou envelhecer? Será que um dia encontrarei alguém para viver comigo a eternidade mutante?
- O que a mocinha está fazendo sozinha no jardim? Logan já não disse que não quer você andando por aqui sozinha? – As vezes vampira era tão chata!
- Vampira! Eu... estava só refletindo. Já estava entrando.
- Você parece confusa.
- E estou. Não consigo controlar meus poderes. Basta eu estar com uma sensação estranha, e tudo começa a acontecer sem que eu queira!
- Não se preocupe, isso passa. Vamos, está frio.
Entramos na Casa, e ficamos conversando sobre altas coisas. Era tão bom ter uma amiga como Vampira. Só lamento que ela não possa me abraçar, as vezes preciso muito. Ficamos conversando ali por horas, e quando nos demos conta, já era noite. Uma noite linda! Cheia de estrelas e uma lua tão brilhante quanto as passadas. Me perdi na imagem tão perfeita, e nem percebi que já estava passando da hora de dormir, meu pai vai me fuzilar!
- Nine, o que você está fazendo acordada? Amanhã nós temos treino!
- Eu sei, mãe. Vem cá, olha só essa noite, como está linda!
- É mesmo, meu amor. Linda como você.
- Boba.
Nos abraçamos e eu fui para meu quarto. Amanhã mais um treino para regular meus poderes. Entrei no quarto e fiquei lendo um livro que ganhei de meu pai, e dormi. Perdi a hora, acordei um pouco tarde. Ainda bem que meus pais ainda estavam dormindo. Vampira me acordou e pedi alguns minutos. Quando acordei definitivamente, fui me olhar no espelho que tinha na minha porta e tomei um susto. Havia algo escrito com batom.
“Olá Nine! Como está bonita... aposto que deve ter poderes incríveis. Em breve, confirmando meu pensamento sobre você, mandarei um presente. Talvez seu pai não goste muito, mas você vai amar. Magneto”
Quem é Magneto? Pensei. Sem nem pensar em usar meus poderes, o céu se fechou, uma tempestade horrível tomou conta do céu e em segundos meus pais chegaram em meu quarto.
- Nine! O que aconteceu? Você nunca fez tempestades desse nível.
- Mãe, escreveram um bilhete na minha porta!
- Bilhete? Me deixe ler.
Papai começou a ler o bilhete, e sua raiva ia ficando mais evidente. Deveria ser algum inimigo dele. Nunca ouvi falar no nome Magneto.
- Eu mato ele! – Papai ficou nervoso, saiu do quarto chutando tudo, me assustei.
- Filha, se acalme. Nós vamos resolver isso.
- Mãe, quem é Magneto, por que me mandou isso?
- Depois conversamos sobre isso. Vampira, quero que fique 24h vigiando Nine, Magneto não pode chegar perto dela.
Depois do bendito bilhete misterioso do tal Magneto, as coisas ficaram piores. Eu já não podia mais treinar meus poderes, muito menos passear no Jardim, como fazia todos os dias. Só não estava em um presídio porque tinha Vampira a todo momento, e conversávamos sem parar.
- Você sabe quem é Magneto? – Perguntei.
- Sei. Ele é terrível, Nine. Nunca gostaria de tê-lo conhecido.
- O que ele fez com meu pai? Por que ele ficou com tanta raiva?
- Ele matou muitas pessoas, dentre elas, a Jean.
- Quem é Jean?
- Uma X-MEN que morava aqui. Seu pai a amava. Tirando que Magneto está tentando algo com você. Logan vai caçá-lo.
- Hum. Quero sair daqui, Vampira! Por favor! Alguns segundos! Preciso de ar puro!
- Seus pais me matam.
- Eu falo com eles! Você só precisa ir comigo, até eu fico com medo de ir sozinha. Vamos vamos?
- Tudo bem, fique aqui. Vou chamá-los.
Fiquei no quarto sozinha, enquanto Vampira foi chamar meus pais. Tentei fazer o sol aparecer. Nada aconteceu. Tentei novamente. Errado. Quando consegui, meus pais entraram no quarto e só faltaram chorar com a cena em sua frente.
- Logan, ela fez o sol aparecer!
- Minha nossa! Ela conseguiu!
- Ok pais, podem parar com isso um momento? Obrigada. Eu quero dar um passeio com Vampira! Por favor!
- Jamais.
- PAAAAAI! POR FAVOR! POR FAVOR POR FAVOR PAI!
Depois de uma cena completamente dramática, meu pai não resistiu.
- Tudo bem, dez minutos.
Coloquei um casaco de frio e saí para o Jardim com Vampira. Enquanto andávamos, senti um cheiro estranho.
- Você está sentindo?
- O que, Nine?
- Esse cheiro! Parece sangue!
- Sangue?! Onde?!
- Vamos nos separar, se eu encontrar algo eu grito, faça o mesmo.
- Não!
- Meus pais não estão aqui, Vampira! Tem alguma coisa estranha por aqui!
Fui andando pelo labirinto de folhas e a cada passo que eu dava, o cheiro ficava mais forte. Andei mais alguns minutos e encontrei um homem, estava completamente ferido. Uma poça de sangue havia se feito no chão, vermelho.
- Oh meu deus! — Disse a mim mesma.
- Você... você... me... me...me ajude. – O homem sangrava mais a cada palavra que tentava dizer.
- VAMPIRA!
Vampira chegou em alguns minutos e o levamos para dentro. Meus pais ficaram surpresos ao ver o homem quase morrendo. Ficaram mais furiosos ainda quando me viram, minha camisa estava cheia de sangue.
- Gambit. O que ele está fazendo aqui, e ferido?
- Não sei, não pode ficar aqui.
- Pai, como você pode dizer isso? Esse homem está morrendo. Vai mesmo deixá-lo morrer?
Papai se fechou e ficou algum tempo pensando.
- Até ele se curar.
Vibrei e o homem desconhecido foi levado para um quarto, que coincidentemente ficava ao lado do meu.
- Mãe, vocês o conhecem?
- Seu nome é Gambit. Ele é um velho amigo.
- Não quero que chegue perto dele.
A noite chegou rápido, eu jantei e fui dormir. Todos estavam dormindo, eu passei pelo quarto do tal Gambit e fiquei observando-o de longe. Pensei em entrar e tentar conversar, mas se meu pai acorda, eu estou frita.
- Ei você... o que, deus, está doendo muito.
- Não, não fale. Parece que dói mais. – Entrei no quarto e peguei alguns panos, com água.
- Obrigado por... oh. Obrigado por me... por me salvar.
- De nada. Seu rosto está bastante ferido. Deixe-me ver isso.
Sentei na beira da cama que ele estava deitado e peguei um dos panos molhados, e suavemente passei sobre sua testa, ferida. Ele fechou os olhos com aprovação e eu sorri.
- Ah! Nossa, como isso dói.
- Se acalme, com esses panos aqui vai melhorar.
- Está doendo aqui também. – Ele pegou minha mão, e levemente foi levando até seu pescoço. Não respondi, apenas fiquei observando como era bonito. Tinha olhos azuis, cor de piscina. Ficamos dez minutos se encarando, até eu quebrar o gelo.
- Ah, me desculpe. Eu... é... só estava...
- Me olhando.
- Tecnicamente sim.
Rimos juntos e passei alguns panos nos ferimentos. Mas lembrei que se alguém me pegasse no quarto dele, eu estava morta.
- Gambit... eu...
- Remy.
- Seu nome não é Gambit?
- Me chame de Remy.
- Tudo bem, Remy. Estou indo, se meus pais me pegam aqui... Boa noite.
Saí do quarto, e ele sorriu. Eu estava exausta. Mudei a roupa e fui dormir. Não demorou muito para eu acordar. Dormi e acordei pensando nele... Remy. Não que eu esteja gostando dele, nada disso. Só... ah. Não sei. Tomei banho e me arrumei, quando saí do quarto, passei em seu quarto para ver se já havia acordado e quando menos esperei...
- Procurando por mim?
Peguei um susto, ele riu.
- Sim! Bom dia!
- Bom dia...
- Como dormiu?
- Bem. Ainda me dói, mas depois que você colocou aquelas coisas, melhorei muito. Obrigado.
Meu pai apareceu bem na hora, fez um barulho de quem está incomodado, eu e Remy nos viramos, surpresos.
- Pai! Bom dia! – Abracei-o, e senti que não ficou a vontade me vendo conversar com ele.
- Bom dia, meu amor.
- Pai, não vai dizer bom dia para o R... Gambit?
- Bom dia.
- Bom dia, Logan.
- Bem, se vocês não se importarem, tenho um treino agora. Fique a vontade, e pai, seja educado. Sem stress.
[FLASHBACK DA CONVERSA DE LOGAN COM REMY]
- Não quero você conversando com a minha filha.
- O que aconteceu com você, Logan? Não se lembra de mim?
- Lembro, não sei do que você é capaz, nem porquê chegou aqui.
- Nem eu sei. Lembro de uma mulher, era loira, se chamava Mística.
- Mística? Bem no meio. Você é um pateta.
- Ei!
- Mas é.
- O que você sabe sobre ela?
- É uma das vadias do Magneto. E do que mais se lembra?
- Lembro de ser estourado mil vezes, e de me quebrarem ao meio, depois vim parar aqui. Não sei direito.
- Bom dia Gambit. Como dormiu?
- Bom dia Tempestade. Dormi muito bem, obrigado.
- Ele disse que foi pego por Mística. Magneto está preparando algo, não gosto disso.
- Se acalme, meu amor. Vamos ver isso direito. Convoquei Noturno, Anjo e Hank. Vamos resolver isso.
[FLASHBACK DA CONVERSA DE LOGAN, REMY E TEMPESTADE OFF]
Depois de meu treino, fui até a sala chamar Vampira para o almoço e me deparei com uma cena não tão excitante. Remy estava conversando com Vampira. Eu fiquei em choque. Ou melhor, com ciúmes. Propositalmente deixei cair um dos livros que havia na estante, os dois me olharam surpresos.
- Ah, que desastrada. Desculpem! Não queria atrapalhá-los.
- Não está atrapalhando nada, Nine. Vamos, o almoço está servido.
Vampira me olhou e no fundo eu já sabia de tudo. Ela não estava interessada. Remy continuou onde estava, apenas me observando. Sorri para Vampira e sentei ao lado dele.
— Desculpe, eu estava apenas...
- Me olhando?
- Tecnicamente sim. – Gargalhamos
Não deram cinco minutos e minha mãe nos chamou para o almoço.
- Eu quero falar com você. Sobre Remy.
- C-como você s-sabe?
- Eu o conheço, Nine. Não é para qualquer pessoa que ele diz seu nome verdadeiro. Vamos.
Eu fiquei bastante confusa com isso. O que ela estava querendo dizer com “Não é para qualquer pessoa que ele diz seu nome verdadeiro”? O medo começou a me consumir incrivelmente. Alguma coisa minha mãe estava insinuando, ou que Remy estava interessado em mim, ou eu estava interessada nele. Oh deus. Ela está certa. Fomos andando até a mesa e todos estavam reunidos, como nos velhos tempos.
- Deus, obrigada por mais esta refeição. Hoje, temos mais um, que está se oferecendo para servir-te. Amem
- Amem – Todos rezaram.
Os pratos foram servidos e meu pai em momento algum tirou os olhos de mim e Remy. Não podíamos nos olhar, até que meu pai parasse. Terminei de almoçar e chamei mamãe para a tal conversa que queria ter comigo, sobre ele. Andamos pelo jardim, e minha mãe continuava em silencio.
- O que foi, mãe?
- Eu conheço você. Desde que Remy chegou você anda feliz. Anda até fazendo nuvens, o que você não consegue fazer sem controlar seus poderes.
- Mãe, o que está insinuando? – Perguntei, tensa.
- Que você está gostando dele.
- Não estou gostando dele! Pelo menos agora. Deixemos as coisas fluírem ok?
- Você tem que falar com seu pai. Ele anda muito preocupado com você.
Saí andando sozinha pelo jardim, arrasada. Meus pais se metem muito na minha vida! Eu... eu posso até estar mesmo gostando de Remy, mas é o primeiro pelo qual realmente estou interessada. Acho que todos os filhos passam por isso. Cada coisa nova, cada etapa nova em que ele passa, é um inferno. Como sempre, o céu se fechou, e ficou nublado. Entrei na mansão e sentei nas escadas da entrada.
- Nossa, o sol estava tão bonito... não entendo.
- Fui eu, Remy. – Ele ficou um pouco confuso, pois pensava que eu não tinha poderes. Sorriu para si mesmo, e eu ri.
- Você é mesmo poderosa, não?
- Sou! – Eu sorri.
- Então quando você está feliz, você faz sol... quando está triste, faz...
- Isso.
- E por que está triste? – Perguntou, preocupado.
- Meus pais se preocupam demais comigo. Acho que já posso resolver minhas coisas sozinha, não posso?
Ele sorriu e sentou no meu lado.
- Isso é normal, Nine... Ops. Posso chamá-la de Nine?
- É claro. – Sorri fraco.
- Então, é muito normal. Porque você sempre foi e sempre será a criança da casa. Não fique com raiva deles, eles só fazem isso pra proteger você. Mas... o que você queria fazer que não deixam? – Fiquei nervosa. O bastante para começar a chover.
- Eu acho que...
- Nine e Remy, para dentro, Já.
- Outra hora nós conversamos sobre isso. Obrigada.
- De nada.
Nós entramos e estavam todos na sala, com uma cara não muito boa. Eu fui sentar do lado de Vampira, e Remy ficou do outro lado, apenas observando de longe.
- Bem, todos nós sabemos do bilhete malicioso que Magneto mandou para nossa Nine. Temos que agir antes que ele tente alguma coisa. – Meu pai sempre chama “Nossa Nine” como se eu fosse de todos. Sorri.
- Alguém tem alguma idéia de onde ele esteja? – Noturno
- Eu consigo rastreá-lo. – Remy respondeu, e fiquei preocupada.
- Então amanhã vamos até o bar onde Remy foi pego e tentaremos achar informações. Qualquer informação é válida, senhores. E só.
A noite havia chego, e eu estava na janela do Hall, pensando como sempre em meus poderes e mais ainda em Remy. Eu não tinha certeza de meus sentimentos em relação a ele. Era muito cedo para dizer ao certo. E eu já estava sofrendo pressão de meus pais. Todos estavam percebendo minha aproximação com ele, mas isso não quer dizer que vamos nos casar. De repente pode ser apenas amizade, ou não. Meus pais haviam saído, só estava Vampira e o resto. E ela dorme cedo.
- Então... você não quer se abrir comigo? – Ele sempre aparece...
- Oi Remy. Bem... não é bem a questão de se abrir. E eu vou falar. Acho que você tem direito de saber.
- Diga, estou aqui.
- Estou sofrendo uma pressão muito grande dos meus pais. Eles estão preocupados porque eu ando conversando com você e...
- Eles acham que você gosta de mim. Ou vice-versa, que seja.
- Sim. – Falei, envergonhada.
- Não tem como dizer, Nine. Nos conhecemos faz dois dias. E nem sou tão bonito assim! – Rimos.
- É sim. Bem... é que ah. Eu não estou bem, me sinto confusa, sabe? Não consigo chegar e dizer que não gosto de você, mas também não posso chegar e dizer que gosto, você me entende?
- Nossa, agora você me confundiu!
Rimos juntos e eu me recolhi. Tenho que tentar buscar a resposta. Gostar ou não de Remy. Ainda é cedo para dizer.
- Vampira? O que você está fazendo no meu quarto!
- Adoro ler os seus livros! O Logan tem bom gosto!
- Hum.
- Vocês conversaram, eu vi. O que foi... rolou?
- Rolou o que Vampira, enlouqueceu?
- Mas... ok. Me conte tudo!
- Eu disse a ele que estou confusa quanto aos meus sentimentos por ele e... Deus, ele nem se importou.
- Como não se importou?
- Não manifestou nada em relação a mim.
- De repente porque você não perguntou.
- Realmente não sei mais de nada.
- Espera, e você tem tido algum tipo de sintoma de amor?
- E desde quando A vampira entende disso?
- Eu não sou tão insensível quanto você pensa, ok?
- Tá. Bem... não fico nervosa quando converso com ele, não sinto ciúmes, nada do tipo.
- YAY! Então você não sente nada!
- Vai ver...
Fui beber água e quando passei na frente do quarto de Remy percebi que ele não estava lá. Franzi a testa e fui andando pela Mansão, procurando-o. Estava tudo escuro, então logicamente fiquei com um pouco de medo. Além de estar bastante preocupada com o fato de ele não estar dormindo. Passei pelo salão de jogos e vi uma luz meio avermelhada, vindo do fundo da mesa de pôquer. Acendi a luz e vi alguém de costas, segurando um bastão enorme. Não podia ser ele. De repente todas as cartas que estavam em cima da mesa começaram a voar por volta do ser que estava ali. Não tive outra escolha.
- R-r-remy? – Perguntei, apavorada.
O estranho se virou e as cartas voltaram aos seus lugares. Era ele! Não me pergunte como. Quando me viu, imediatamente tentou esconder o bastão e andou ao meu encontro. Eu recuei.
- Quem é você? O que você é?
A cada passo que Remy dava, meu medo ficava mais evidente. Eu estaria então apaixonada por um mago poderoso e quem sabe do mal?
- Pode ficar calma, Nine. Sou eu! Posso explicar tudo.
Sem fala, esperei ele chegar e fomos caminhando até a janela grande que tinha no andar de baixo. Eu, em algum momento se quer ousei parar de observá-lo. Aliás, não sei mais quem é Remy e quem é Gambit.
- Então...você também é mutante? – Perguntei, quebrando o gelo.
- Sim. Nine... me desculpe por não ter dito a você antes.
- Tudo bem, não me deve satisfações. – Tentei não me importar, mas o que eu realmente quis dizer era... “está desculpado!”
- Não devia, mas agora devo. – Disse, desviando seu olhar de mim e o focalizando em alguma outra coisa.
- Por quê? – Meu coração parecia não ter mais limites, e os céus encheram de estrelas.
- Porque eu acho que...bem. Não acho que esse seja o momento certo. Eu... eu tenho que ir, se o seu pai nos pega aqui, eu estou frito. B-boa noite.
Ele se curvou e rapidamente se levantou, andando em direção a seu quarto. Eu corri e puxei seu braço, gelado.
- Conclua! – Quase sussurrei.
Remy em um piscar de olhos me prendeu contra seu corpo, deixando nossos rostos a milímetros de distancia. Eu não sei muito o que estava sentindo, só... só queria que não fosse sonho. Sua mão foi parar em meu rosto, e por alguns minutos acariciou-o e cada vez mais seu rosto ia se aproximando do meu, e eu totalmente hipnotizada. Sem mesmo querer, meus olhos fecharam e eu senti seus lábios junto aos meus. Foi algo rápido, mas que significou a eternidade!
- Você que pediu! – Disse baixinho, beijou minha testa, e agora estava longe. Eu estava imóvel. Nada daquilo havia acontecido realmente? Ele está gostando de mim? Aquele pequeno beijo não me deixou dúvidas. Eu dei um sorriso largo e fui em direção a meu quarto. Tudo seria perfeito se meu pai não estivesse na minha frente agora.
- Posso saber para que tanta alegria? E o que está fazendo acordada a essa hora? – Não podia me ver, pois era questionário X.
- Pai, que susto! Eu-eu vim beber água. E não estou feliz, eu sou feliz. Obrigada! – Meu pai riu e eu...sorri.
- Sei. Não consegue mentir... Gambit estava aqui, o que houve?
- Hã? Remy está dormindo, pai. Pode checar. Não estou mentindo!
Ele foi andando até o quarto dele e eu rezei por segundos para ele estar bem deitado a uma hora dessas. Não demorando, papai voltou mais surpreso do que veio.
- É, ele está até roncando...eca. – E fez aquela cara de nojo básico.
- Eu não disse? Bem, pai. Estou cansada e amanhã nós vamos a caçada do homem do espelho, não é? Não quero me atrasar... – Nem me deixou concluir tudo.
- Você não vai. – Respondeu, frio.
- Hã? Claro que vou! Pai, não quero ficar aqui sem fazer nada, mesmo que não ajude em nada! Por favor!
- Veremos. Cama!
Fui andando pelos corredores da Mansão pensando no beijo que ele havia me dado. Não tem prova melhor! Quando acordei, havia um bilhete na minha cabeceira. Franzi a testa. Não tenho boas experiências com Bilhetes. “Em palavras não seria possível explicar o que eu fiz...eu apenas segui meu coração. Se isso a deixou com raiva, ou de alguma forma negativa, por favor perdoe-me. Logo estarei de volta. Ass: RL”. Sorri, como esse gesto me deixaria com raiva? Guardei o bilhete e me troquei, depois desci para tomar café.
- Bom dia querida! – Vampira estava...falando como minha mãe!
- Bom dia! Nossa, que dia lindo! Você não acha?
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