Nina & Ryan: uma missão na mente

1 Capítulo 1 - Ataque no Beco


O que você faria se nascesse com habilidades especiais? E tivesse que esconder isto para os mundanos não descobrirem? Muito difícil, acredite. Venho de uma família que possui habilidades — poderes-, quase sempre iguais, uma vez ou outra, um nasce com uma habilidade rara. A habilidade de controlar as dimensões. Para alguns é algo nocivo. Para outros é altamente perigoso. Mas não sou eu que tenho que ficar em uma vigilância quase vinte e quatro horas do dia quando está fora de casa. E sim meu irmão.

Nós somos gêmeos, diferentes em aparência e habilidade. Meu irmão Ryan, tem a habilidade de manipular a energia das diferentes dimensões que permeiam os diferentes universos para criar portais e, com um elevado grau, até criar dimensões inteiras. Mas Ryan nunca conseguiu controlar, portanto, carrega um bracelete de chumbo em seu pulso, discreta, para não chamar tanta atenção para os mundanos.

Eu, possuo o que os mundanos chamam em suas histórias de quadrinhos de Eletrocinese. Sou capaz de criar correntes elétricas através de meu próprio corpo, criar um campo de força com minha eletricidade, embora não seja muito recomendado, e a capacidade de absorver a eletricidade e usá-la ao meu favor para me fortalecer, atacar ou me defender – algo que nunca me foi necessário. Até agora.

Estávamos saindo do colégio Newton South e para chegarmos mais cedo em casa, decidimos cortar caminho, e praticamente do nada, estávamos sendo atacados no beco. Afinal, por que sempre um beco? Em histórias de quadrinhos ou séries, na maioria das vezes não dava muito certo, ocorria assassinatos e ou espancamentos. Mas achávamos que era só ficção. Agora sabemos que pode realmente acontecer. Mas quem nos atacava não eram simples mundanos. Era como nós. Com poderes. Era dois caras, ambos vestiam preto, um gigante cheio de músculos com nariz com formato de batata e o outro usava um sobretudo de couro, estilo Matrix, ambos possuíam cicatrizes de cortes no rosto. O nariz de batata, olhou para mim e olhou para meu irmão e permaneceu olhando sem piscar para ele, e logo, meu irmão gritava e se contorcia de dor.

Eu fiquei olhando para meu irmão ofegante, o mundo praticamente parou. Eu só escutava e sentia a batida de meu coração, a pulsação em minhas veias. Não conseguia me mexer. Eu não acreditava que aquilo estava realmente acontecendo. Nunca havíamos sidos descobertos, nunca havíamos sidos atacados. Eu jurava que eles estavam ali para nos matar, mas atacaram apenas no meu irmão. O outro cara se aproximou de mim e me segurou pelos braços e me arrastava pelo chão, e então percebi uma van preta, o medo tomou conta de mim, não sabia o que ia acontecer. E então algo ruim e bom aconteceu ao mesmo tempo. Eu perdi o autocontrole. Faíscas elétricas abraçavam meu corpo, cada vez mais e mais, e por fim, uma bola de energia elétrica saiu de meu corpo, e explodiu. Os dois e a van foram lançados longe no prédio que ficava na frente do beco.

Levantei exausta, aquilo nunca tinha acontecido, não só digo em sermos atacados, mas sim, de ocorrer isto, comigo. Procurei Ryan por todos os lados e o encontrei lançado na lixeira azul que estava no lado esquerdo do beco. Ele estava inconsciente.

-Ryan! – Eu o chacoalhava e gritava seu nome. – Vamos acorde! Precisamos sair daqui!

Ryan não acordava. Não havia outra saída. Eu tinha que fazer algo para nos tirar daquele beco. Eu ia me arrepender muito depois, mas era necessário. O bracelete de Ryan não podia ser retirado por ele mesmo, somente outra pessoa com o mesmo sangue. Retirei o seu bracelete e o enfiei em meu bolso e toquei em Ryan. Creio eu que nós desaparecemos.

Logo tudo desapareceu.

Estava com meu irmão em meus braços, com a mão agarrada em seu pulso. Estava em uma sala branca sem portas e sem janelas. Ora, Ryan, para onde você nos levou? Pensei. Procurei saber que horas eram, mas meu relógio estava parado em uma hora da tarde. Como eu ainda estava de mochila, fui em busca de meu celular no compartilhamento secreto da bolsa, pelo menos isto, os mundanos sabem como esconder, enfiei minha mão e retirei do bolso meu celular. Fora de área, dizia. Ótimo. Poderíamos estar em qualquer lugar, em qualquer dimensão ou até mesmo dentro da mente de meu irmão. Um certo terror me tocou nessa última parte. Eu não estava psicologicamente preparada para saber o que ocorria na mente de meu irmão. Peguei a mochila e coloquei em baixo de sua cabeça. Me encostei em uma parede, e olhei para os outros três lados brancos, aguardando ele finalmente acordar.

Depois de um longo tempo, Ryan começou a se mover, mas assim que tomou sua consciência de volta, começou a ficar com uma expressão de espanto, como se ele já tivesse vindo aqui e sofrido muito, como se vesse seus piores medos logo de cara. Corri em sua direção e o abracei. Como era bom sentir seu abraço retribuindo o meu, ver a cor de seus olhos novamente.

- Você está bem? – Perguntei a ele.

-Estou. – Ele disse automaticamente como se estivesse programado a falar aquilo como se fosse um robô. – Nina... – ele me olhou profundamente em meus olhos, com a mesma expressão de três minutos atrás. – O que você fez?

-Estávamos sendo atacados por dois caras de preto, algo aconteceu... – fiz como se não lembrasse desta parte para ele, por que se caso conseguirmos sair desse lugar, ele com certeza iria contar para nossa mãe, e ele não seria o único a usar um bracelete de chumbo até conseguir ter controle de suas emoções. — E fui até você, que estava caído no beco, agi sem pensar e tirei seu bracelete, e viemos parar aqui.

-Nina... – Ele me encarou novamente com aquela expressão. – Você não tem noção do que fez.

-E o que eu fiz?

-Sabe por que a mamãe me deu este bracelete? – Ele se ajeitou no chão com as pernas intercaladas uma na outra, assim como eu.

-Lógico que eu sei, ela me contou o porquê. – Eu disse dando um leve sorriso e franzindo as sobrancelhas. – Ela te deu por que você não consegue ter o controle de seu poder.

-Isso foi o que ela te contou? – Ryan deu uma pequena risada, e sua risada fez um pequeno eco naquela sala branca.- Ela me deu por que toda vez que eu fechava os olhos para dormir, eu vinha parar aqui, e encarava meus piores medos.

-Então... não estamos mais no beco e sim em sua mente? – Eu perguntei.

-Não.

-Como assim não? – Perguntei novamente, e a sensação de perigo se alarmava em minha cabeça, como um martelo batendo em um prego.

-Estamos no beco, mas por você tocar em mim logo em seguida de tirar meu bracelete, você entrou junto comigo em minha mente.

-Mas aqueles caras iam nos pegar... – finalmente descobri o que era aquele alarme de perigo que batia em minha cabeça. Estamos simplesmente em apuros. – Quer dizer então que o que eu fiz, foi para nada, e os caras do beco pode estar com os nossos corpos inconscientes em uma van?

-Parece coisa de televisão, mas é bem possível. – Ele me olhou sem expressão. – Você não para nada, você tentou, mas agora precisamos passar por isso sem morrer.

-O que quer dizer com isso? – Aquela sensação só aumentava e aumentava, era como se não houvesse um limite, como se aquela sensação tivesse níveis infinitos que martelava em minha cabeça. Ryan me encarava. – Fala. Logo.

-Se morrermos aqui, estaremos mortos. – Ele suspirou. — E se...

-Meu Deus! Tem mais?! – Exclamei, e surgiu o eco de minha voz naquela sala branca, que estava ficando cada vez mais fria.

-E se nos matarem, nós também iremos morrer.

-Ah legal, supernormal para uma segunda-feira sem graça. – Eu levantei e estiquei a mão para Ryan, ajudando-o a se levantar. – E se você colocar o bracelete?

-Quem dera fosse tão fácil.

-Vem cá... – eu olhei para ele, ele estava ao mesmo tempo calmo e nervoso. Como isso? Ele poderia enganar uma pessoa fácil, estando com expressão calma, mas sempre esquecia da mão, que tremia de nervoso. Eu só tinha uma saída para isso tudo. Meu infalível sarcasmo sem graça. – Isso veio com um manual de instruções? – Ele me encarou de volta, com um olhar de “você é idiota? ” – Não? ... é, foi o que eu pensei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.