Blaine Anderson era um jovem menino de 15 anos. Ele vivia com seu irmão mais velho desde quando seus pais faleceram em um acidente de carro quando voltavam para casa depois de um jantar. Na época do acidente, Blaine tinha apenas 4 anos e seu irmão, Cooper, 16.
No início, o menor era tratado muito bem por Cooper, e o mesmo era como um herói aos olhos do caçula. Mas tudo mudou quando Blaine completou seus 10 anos, depois de revelar ao seu irmão que ele achava estar apaixonado pelo seu melhor amigo. Cooper até tentou aceitar seu irmão menor, mas quando começou a receber trotes de pessoas anônimas dizendo coisas maldosas sobre ele e Blaine, o Anderson mais velho não soube lidar com aquela situação e acabou descontando sua raiva no mais novo achando ser tudo culpa dele.
No colégio não era diferente, Blaine era tratado tão pior quanto em casa. Seus "colegas" de classe viviam o atormentando com piadinhas, apelidos maldosos e até o jogavam contra o armário ou o jogavam na lixeira atrás da escola. A diretora Sue, a quem ele recorria, sempre dizia que não poderia fazer nada para ajudá-lo se ele não tivesse provas, e como ele era o único aluno que tinha um pouco de coragem em procurá-la, apenas ele era muito pouco.
O único amigo que Blaine tinha, era o qual ele era apaixonado, e quando o Anderson confessou isso ao garoto, ele simplesmente o xingou e eles nunca mais se viram.

Em meio a tanta tristeza, a única alegria que ele tinha era um pequeno rouxinol que todas as tarde aparecia para cantar no parapeito de sua janela. Depois de cantar, o pássaro se calava enquanto Blaine “conversava” com ele.

- Pequeno pássaro, você é o único que parece me entender e me ouvir... Eu amo seu canto e sua companhia, mas às vezes eu queria tanto que você fosse uma pessoa para conversar comigo.

Blaine passou a ponta de seu dedo carinhosamente no topo da minúscula cabeça do animalzinho.

- Quem sabe eu poderia te dar um nome, o que acha? – o pássaro cantou em resposta – Parece que gostou da ideia! Então deixe-me pensar...

Enquanto Blaine tentava pensar em um nome perfeito para o seu pequeno amiguinho, ele voou até uma folha de papel e pousou sobre ela chamado atenção do menino.

- Você quer que eu pegue isso? – mais um canto de resposta – Oh, eu tive uma ideia, pode ser estúpida, mas não custa nada tentar!

Blaine puxou uma cadeira e se sentou, no papel ele escreveu todas as letras do alfabeto.

- Eu posso estar ficando louco, por achar que pousando nesse papel você pediu pra escolher o próprio nome, mas eu tive essa ideia aqui. Eu escrevi as letras nesse papel e você pode bicar em cada letra até formar seu nome, o que acha?

O pássaro ficou algum tempo encarando o papel a sua frente, inclinando a cabeça de um lado para o outro como se estivesse confuso.

- A quem eu estou querendo enganar? Eu estou pedindo pra um pássaro escolher o próprio nome, devo estar perdendo a minha sanidade mental!

De repente, o rouxinol bicou uma letra. Blaine se assustou e achou ter sido apenas uma coincidência, isso até o pássaro bicar outra letra diferente. Aí sim, Anderson tratou de escrever cada letra bicada num outro pedaço do papel.
A primeira letra foi “K”, a segunda “U”, depois o pássaro ficou mais algum tempo encarando o alfabeto.

- Você terminou? Quer que eu te chame de... “Ku”? Rouxinóis são japoneses ou algo assim?

Então o pássaro bicou outra letra. “R”. O moreno anotou enquanto o pássaro bicou mais uma e se afastou do papel cantando. Ele parecia finalmente ter terminado.

- Kurt? Kurt! Gostei desse nome! Então seu nome agora será Kurt! Prazer, Kurt!

O pássaro cantou um pouco mais forte dessa vez e voou pela janela a fora.

- Tchau Kurt, até amanhã...

O menino ficou encarando sua janela por algum tempo, até ouvir sua barriga reclamar de fome.

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Durante a noite, Blaine teve um sonho. Que seu amigo pássaro se tornava humano e o abraçava. Na verdade esse era um sonho constante e seu maior desejo desde que o pássaro começou a visitá-lo.
Mas dessa vez, o moreno acordou assustado no meio do sonho com algo espetando seu braço. Ele olhou onde estava sendo espetado e viu seu amigo pássaro pousado o observando no parapeito da janela.

- Hey amiguinho, ou melhor, Kurt, o que faz aqui essa hora da noite? Pensei que pássaros dormiam essa hora como os humanos...

Diferente de quando Kurt vinha visitá-lo de tarde, dessa vez o pássaro não emitiu nenhum som em resposta ao menino.

- Está tudo bem?

Kurt com sua pequena cabeça pareceu apontar pra fora da janela, como se estivesse convidando Blaine para rua.

- Você quer que eu saia? Mas está muito tarde, são três da manhã!

De repente, Blaine e Kurt ouviram um barulho de um carro estacionando. O moreno se debruçou na janela pra conferir quem era e viu seu irmão saindo cambaleando do carro com uma garrafa na mão. Cooper estava claramente bêbado.
O mais novo dos Anderson voltou a se sentar na cama como antes e Kurt mais uma vez insistiu em tentar levar o menino pra fora.

- Eu não posso amiguinho, é perigoso! E daqui até lá embaixo é muito alto...

Blaine deu uma risada fraca e passou a ponta do dedo indicador no topo da cabeçinha do pássaro. Então quando o moreno estava pronto pra se despedir de seu amigo, Cooper abriu a porta do seu quarto com violência assustando o garoto.

- Cooper?! O que...

- Seu viadinho de merda, você merece uma surra!

- Cooper não, você está bêbado!

O irmão mais velho cambaleava em direção a cama do mais novo com os punhos cerrados quando Kurt sobrevoou pelo quarto cantando alto e tentando bicar o rosto de Cooper para impedi-lo.

- Kurt, não! Ele vai te machucar!

O pássaro pareceu não dar ouvidos e continuou bicando o rosto de Cooper, desviando das mãos do mesmo que tentava, sem sucesso, atingi-lo. Até que então, Kurt conseguiu acertar um olho do Anderson que gritou de dor.
Enquanto Cooper xingava, Kurt cantou o mais alto que pôde pra chamar a atenção de Blaine e o mesmo correu seguindo o rouxinol porta afora.
Kurt voou e Blaine correu até chegarem no telhado da casa, onde o moreno costumava passar suas tardes e algumas madrugadas pensando antes de conhecer o rouxinol.

- Kurt, você de algum jeito me salvou de uma bela surra... – Blaine disse ofegante depois de sentar sobre as telhas – Obrigado! Juro que se você fosse um humano, eu te abraçaria...

Blaine riu um pouco, pois lembrou se do seu sonho.

- Sabe Kurt, eu sempre sonho que...

De repente, um clarão apareceu ao lado do moreno o interrompendo, era do rouxinol que irradiava a luz. O clarão foi perdendo a forma de um pássaro e foi ficado maior, tomando outra forma. A forma de uma pessoa. Logo em seguida, a luz se apagou revelando um menino castanho.

- Você dizia...?

- O que?!

Kurt, o rouxinol, se transformou em um menino pálido com cabelos castanhos e olhos azuis. Sua voz parecia ser ainda um canto de um pássaro. Blaine ficou estático, sem saber o que dizer ou fazer.

- Blaine, você está pálido! Está tudo bem? Droga eu sabia que ainda não era hora. Mas você estava falando tanto que queria que eu fosse humano e eu pensei que...

Kurt foi interrompido pelos braços do moreno em volta de si. Num primeiro o castanho se assustou, mas logo correspondeu ao abraço.

- Kurt, você é o meu rouxinol? Mas como? Droga, eu estou sonhando de novo! Eu nem devo ter acordado, ainda estou dormindo...

- Blaine? Você está acordado. – Anderson o soltou e agora encarava o pássaro, agora menino, assustado – Deixe-me explicar, eu sou quase um anjo, não literalmente, mas fui designado pra te fazer companhia, te ajudar a passar pelos momentos difíceis que você estava passando.

- Isso tudo é realmente muito confuso, mas você tem sido a única alegria na minha vida. Eu ficava ansioso para chegar em casa e ouvir seu canto! Te ouvir cantando me dava paz, tranquilidade, até um pouco de sanidade quando eu precisava e as vezes você até me fazia dormir quando eu estava nervoso.

- Esse era o meu papel... – Kurt ofereceu um sorriso simpático a Blaine que ficou com suas bochechas coradas.

- Espere, era? Você não vai embora, vai? Por favor!

- Oh não, acalme-se! Eu vou ficar aqui com você, agora minha missão é te proteger também.

- E você vai se tornar pássaro outra vez?

- Não, vou ficar com essa forma, minha verdadeira forma. Mas não se preocupe, eu ainda sei cantar se você precisar!

- Eu posso te abraçar outra vez?

- Quantas vezes quiser!

Blaine abraçou Kurt mais uma vez. O abraço de seu novo velho amigo era ainda mais reconfortante que seu canto.
Agora o moreno sabia que tinha um amigo, alguém para protegê-lo, uma espécie de herói. Alguém em quem poderia confiar e desabafar quando estivesse sobrecarregado ou triste.

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Kurt cumpre sua tarefa e acompanha Blaine em qualquer lugar que ele vá, até mesmo quando ele saiu de casa e foi morar com sua tia numa cidade vizinha.
Com a convivência, Kurt acabou se apaixonando pelo moreno e todas as noites, o castanho cantava para ele dormir.

Kurt seria pra sempre o seu rouxinol.

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