Night Rain
16 Afraid!
Notas iniciais
[Narrador]
Ao deixarem aquele ambiente traumatizante, Mark ainda continuava encarando o morto-vivo que acabou, aparentemente, morto novamente.
– Mark, temos que dar o pé daqui!! – O grito de Gaby ecoou pelo colégio inteiro, ele ficou com tanto medo a ponto de seu corpo ficar paralisado com o evento que acabou de ser presenciado. Uma parte de sua mente falava “Esse lugar é perigoso!” enquanto a sua outra metade dizia “Tenho que saber o motivo dessa merda toda!” mas ambos os lados tinham consciência de que sair daquele lugar naquela hora seria o mais importante. Com um pouco de esforço, sua paralisia foi quebrada e Mark conseguiu dar meia volta e correr pelo corredor abaixo, passando entre a porta dos banheiros e descendo em direção à saída do colégio, onde seus amigos o aguardam. Nick e Gaby pularam o muro com facilidade e Boby aguardava a chegada de Mark.
– Vem Mark, vou te ajudar. – Entrelaçando os dedos das mãos, um suporte para os pés foi feito, e Mark vinha correndo e, sem pensar no que estava fazendo direito, pulou com um de seus pés no apoio, logo em seguida pegou um impulso que o jogou para cima do muro, em um instante ele já estava do lado de fora do local. Bobs em seguida pulou também sem muito esforço, afinal, sempre que Bobs chegava atrasado no colégio, ele tinha seus jeitos de entrar sem ser pego pela portaria ou pela secretaria.
– Vamos para aonde? – Nick fez essa pergunta, todos os olharam estranho sem saber a resposta. A rua onde estavam ainda estava escura, sem nenhuma alma viva, o lugar era iluminado apenas pelos postes de luz velhos. Um deles está com defeito, fica acendendo e apagando toda hora, e isso dava mais terror à Gaby, que estava tremendo por depender da atitude dos seus amigos para ficar bem, mas ela tinha confiança total neles e sabia que ficaria bem.
– Vamos pro meu apartamento, lá tem espaço suficiente para todos nós, e também é um local seguro. – Mark disse, Bobs anda em direção a ele, encarando-o nos olhos.
– Mark, só porque você mora perto da delegacia não o faz ficar seguro, quem me garante que eles não vão largar tiro pra tudo conté lado? – Todos dão uma pequena risada, aquela descontraída foi necessária para acabar com o clima tenso que os cercava.
– Tá galera, então vamos sair logo daqui! – Gaby chama atenção de todos.
~~
A clínica de Jayce não dava tanto lucro quanto o hospital central, mas naqueles dias, o dinheiro não era o seu principal objetivo, ele realmente queria achar uma solução para deter todos os vampiros que existiam, além de descobrir os seus planos.
Numa tarde ensolarada, Luis caminhava tranquilamente pelos corredores brancos até a CTI, ao abrir as duas portas leves, ele encontrou Jayce, que estava tentando reanimar um paciente deitado na maca com o desfibrilador, dava pra ver nitidamente o esforço e a determinação que ele tinha por cada gota de suor que descia pelo seu pescoço.
– Acho que não tem jeito pra ele. – O homem estava morto já fazia algumas horas.
– O único parente que ele tinha era seu filho, mas ele morreu já faz um mês. – Luis diz. Era triste ver as pessoas morrendo, mas eles tinham que inventar algumas desculpa para seus parentes desesperados, mas dessa vez, não precisariam.
– E qual é o nome desse cara ?
– Rogério.
– E seu filho?
– Paulo. – Mesmo que seus nomes não fossem tão importantes assim, Jayce tinha a curiosidade de saber.
– Vamos esperar esse ressuscitar para fazermos as outras análises.
– Vamos também torcer né, porque até agora, só um dos treze pacientes ressuscitaram, e foi a sua esposa. – Jayce desceu o seu rosto para baixo, Luis se arrependeu de ter dito. – Me desculpe, eu não queria... – Foi interrompido.
– Tudo bem, você tem razão Luis. – Ele levanta seu rosto, e Luis não percebeu sequer uma gota de lágrima, a pura frieza dele era impressionante mas ele sabia que Jayce, no fundo, sentia a dor. – Vou arrumar a sala de emergência para esperarmos o nosso novo amigo. – Ele guarda o desfibrilador numa estante antiga feita de madeira, que estava no canto da sala. – Agora é só esperar. Vamos arrumar a sala de emergência e organizar os equipamentos para a autópsia.
~~
– Que cafofo daora! – Bobs fica admirado com o apartamento pequeno. Tinha uma cozinha americana, um banheiro e dois quartos pequenos.
– É o que podemos ter né. – Nick anda em direção à cozinha e abre a porta da geladeira. – Tem coca? – Ele revira mais um pouco até achar uma lata de guaraná.
– Porra meu guaraná! – Mark toma a lata dele, e com o polegar, a abre. – O primeiro gole pro rei por favor. – Ele bebe tudo. Todos riram.
– Eu vou pegar os colchões e colocar em um quarto só. – Gaby foi arrumar os quartos.
– E tem espaço pra todo mundo? Porque só eu ocupo o lugar de três. – Bobs levanta sua camisa, amostrando sua linda pança gordurosa.
– Qual a necessidade disso cara? – Nick se estrangula de rir, ele tinha a sensação que seus pâncreas iriam voar pela garganta. Na sala só havia um sofá velho e ao lado, a bancada de madeira que divide a sala da cozinha, e na mesma só havia um fogão com um armário pequeno. Depois da sala, há um corredor que leva pro banheiro de três metros quadrados e ao lado, tem os quartos.
– Podemos então irmos dormir ? – Mark tranca a porta da sala. – Já são uma da matina. – Ele apagou a luz da sala, um breu de escuridão presenciou o local todo. Eles caminharam até o quarto, onde Gaby deixou três colchões espalhados pelo chão e arrumou a cama do Mark, ele sempre teve o costume de acordar e não arrumar sua cama, e ao lado dela uma escrivaninha onde tinha seu computador. – Gaby, pode dormir na cama, nem ligo pra onde vou descansar. – Mesmo com as brincadeiras que acabou de fazer, ele estava cansado, Gaby sabia disso, de tudo que aconteceu essa noite era demais pro Mark. Ela planejou que conversará com ele amanhã, onde será um novo dia.
– Ah obrigada Mark... – Respondeu com uma voz tímida e suave. Bobs se jogou no colchão do canto.
– Eu irei dormir aqui mesmo, boa noite pra vocês, e não fodem alto por favor. – Todos riram.
– Eu também irei. – Nick já deitado, se ajeitava em seu lugar. O mesmo de Gaby e Mark. Todos já estavam deitados, esperando que o sono os leve para outro mundo.
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Durante a madrugada súbita, um som de tiro dominou completamente todo o bairro, tirando a tranquilidade de todos aqueles que moravam ao redor. Nick e Bobs levantam da cama assustados, com os olhos esbugalhados um olhando pro outro, ambos pensando “O que será que aconteceu??” E no quarto, eles passaram os olhos no ambiente escuro e não enxergaram nem Mark e nem Gaby no mesmo.
– Será que deu alguma merda pra eles? – Bobs levanta da cama desesperado.
– Calma, o som foi muito alto, não deve ter sido muito longe. – Nick também se levanta e corre pelo corredor, ele anda pela sala e parece normal, quando ele foi abrir a porta que leva para fora, ele percebeu que ela estava encostada, e não trancada com a chave como deveria. Ao sair do apartamento, as pessoas estavam em suas casas olhando pelas janelas o que aconteceu, e alguns policiais estavam na rua, andando pro lado pro outro procurando quem efetuou o disparo.
– NICK !!! – Bobs dá um berro. Em pânico total, Nick corre onde Bobs o chamou. Ele chegou até o outro quarto. – O-olha !! – Gaguejando, Bobs apontou com o dedo. Nick ficou paralisado no que acaba de ver. Mark e Gaby estavam jogados numa poça de sangue no chão. Mark estava com uma faca encravada no meio da sua testa e uma outra no seu coração. Gaby estava com um buraco na sua cabeça envasando sangue pelo seu rosto. Eles estavam de mãos dadas, e na mão direita de Gaby, tinha uma arma. E na mão esquerda de Mark, havia uma carta. Nick da alguns passos e retira a carta suja de sangue, ele a lê em voz alta.
– “Tudo que vai, volta!”
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