Nicole
1 Nicole
Notas iniciais
Nicole.
Acho que poderia pedir licença para falar algo, já que não fui lá uma pessoa muito boa nesta miserável vida.
Bom, eu não gosto de praticar esportes, nem de carne – apesar de comer ás vezes-, nem de que maltratem seres vivos –sejam animais ou pessoas-, nem de receber ordens, nem de pessoas rudes, nem racismo ou preconceito com a preferência sexual de alguém. Há mais coisas: não gosto de livros com páginas enrugadas pela umidade, de pessoas que acham que são melhores que as outras... Também não gosto de toquem em mim, muito menos que peguem em meu cabelo.
E se eu gosto de alguma coisa? Claro que eu gosto.
Esta pergunta é difícil de responder.
Gosto de doces coloridos e industrializados (*), de gatos pretos, cachorros de porte pequeno, de filmes de terror, de serras-elétricas, tacos de beisebol, de scarpins e ... Bom, não interessa. Isso você descobrirá depois.
Procuro deixar minha mente vazia enquanto faço algum trabalho individual que valerá nota para o segundo trimestre. Matemática.
Eu devo ter algum tipo de problema nesta matéria, pois não é preguiça. Muito diferente. Eu não consigo me concentrar.
Posso falar?
Ok.
Eu tenho tanta raiva das pessoas á minha volta. Elas não entendem, elas são todas iguais.
As garotas, por exemplo: O que elas fazem? Nada. Exatamente nada. Elas só pensam em garotos e no que vão fazer para seduzir aquele aluno novo “gatinho”. Poupe-me destas baboseiras.
Na verdade... Eu não curto “meninos”. Sou... Lésbica. Como dizer? Acho que é isso.
Sim... Ok, tudo bem. Mas tem algo corroendo meu cérebro genial: Frank Iero.(**)
Aquele garoto das calças de um buraco enorme no joelho direito. Do tênis vermelho.
Eu não estou atraída por ele. Não. Digo... Ele é um menino.
Terminei de fazer o trabalho e olhei no relógio.
“Maravilha, são quase meia noite e eu nem estou de pijama. O que eu estava fazendo até agora?” – pensei.
Fui ao banheiro e peguei meu ‘quase’ pijama. Ok, as pessoas geralmente pegam o pijama dentro do quarto... Mas o meu, ironicamente, foi parar no banheiro.
Ele apenas se resumia em um shortinho verde musgo e uma blusa preta larga e com a ponta cortada por mim mesma.
Deitei na minha cama enorme – que fiz minha pobre mãe comprar, coitada- e pus-me a olhar a janela. Não vi nada de interreçante ou que me chamasse atenção então desliguei o abajur e dormi.
–
Sete da manhã. Ótimo.
Estava bêbada de sono e é claro que, para manter o hábito, fui tropeçando nos próprios pés até a porta do maldito banheiro.
Olhei-me no espelho. Estava horrível. Deve ser por isso que não me dou bem com ninguém, essa minha cara de zumbi mal morrida deve assustar.
Vesti uma camiseta vermelha, uma jaqueta preta, uma calça qualquer e um tênis.
Meu cabelo? Esqueci.
Desci as escadas sem muito ânimo. Segunda-feira não é lá uma coisa muito feliz.
– Bom dia, filha.
–Só se for pra senhora.
–Aconteceu algo?
–Não... Esse é o grande problema. Nunca acontece nada.
Dito isto, saí. Não queria explicar nada para minha mãe.
Você já prestou atenção que as mães ás vezes se preocupam com coisas inexistentes?
Fui andando pela calçada e olhando a minha volta. Não havia nada.
Não sei como existe alguém tão chato, entediado, rabugento e nervoso como eu. Deve ser por isso que eu precise de drogas de vez em quando. Não importa.
“Oh, o portal do inferno já está aberto.” – pensava enquanto rumava para dentro de minha sala de aula.
Ou pretendia fazer isto, quando senti algo me puxando delicadamente pela manga de minha jaqueta.
–Oi Nicole – disse a pessoa mais agradável da escola.
–Bom dia... Mikey.
–Como foi o final de semana? – disse novamente o perfeito quase nerd com um óculos perfeito.
–Regular. E o seu?
–Regular. – que criatura mais perfeita é esta na minha frente? – Vamos pra sala, guardei um lugar pra você. Junto de mim, é claro.
–Ótimo... Qual nossa primeira aula? – eu o perguntei, já andando.
–Matemática. Fez o trabalho?
–Fiz... Com bastante custo, mas eu fiz. – dei um riso sem graça e ele sorriu pra mim.
Eu não bajulo o Mikey, mas ele é incrível. Um amigo pra todas as horas. Um ser humano perfeito.
Finalmente entramos na sala. Hoje estava meio diferente... Quase não havia ninguém ali.
Mas havia algo, alguém...
Sentado na mesa logo á frente da minha.
Aquele garoto das calças de um buraco enorme no joelho direito. Do tênis vermelho.
Estava bonito hoje. Parecia ter dormido bem, pois não tinha olheiras e seu cabelo estava bem penteado. Ao contrário de mim, que parecia um demônio.
Ele olhava pra mim, e eu pra ele. Estava sozinho, como sempre.
–Oi Nicole. – ele permanecia sério e eu também.
–Oi Frank. – respondi, firme.
Sentei-me no lugar do canto, de frente para Frank, que ainda me olhava.
Mikey parecia se divertir com a cena.
O professor chegou, depois de uns 5 minutos de atraso.
Deitei-me sobre a mesa, pois não tinha ânimo e muito menos paciência para ouvir o professor falar. Aliás, Frank estava na minha frente, com certeza o professor não iria me ver.
Apaguei.
–
–Nick... Nicole!
–Uh, oi? Quem morreu?
–Você que parecia estar mortinha da Silva. – disse Mikey, abusando do meu sono profundo.
–Desculpa, Mikey.
–Vamos, temos aula de Inglês agora.
–É, o professor mandou todos irem para a biblioteca pegar um livro, pois ele teria assuntos a tratar e não poderia dar aula. Você não ouviu, claro. Estava dormindo. – disse Frank, que só agora percebi que estava ali.
–Ah, Frank! Oi! – sorri pra ele. – O que faz aqui ainda?
–Esperando você acordar, agora vamos.
Finalmente chegamos á amada biblioteca. Imensa e bonita.
Peguei um livro sobre Telepatia, Frank sobre algum assunto denominado “Horror” na capa e Mikey sobre Culinária (***)
Sentamos numa mesa qualquer e fiquei curiosa pelo fato de Frank começar a conversar conosco tão de repente.
“O que aconteceu para você e Frank ficarem tão próximos assim, de uma hora para a outra? Nicole” – estava escrito no pequeno papel dobrado que coloquei sobre o colo da criatura de óculos ao meu lado. Este que lia atentamente o livro.
“Na aula de Matemática teve trabalho em trio, você dormiu e o Frank estava sobrando. Fiz com ele, oras. Mikey” – dizia o mesmo papel que Mikey colocou sobre meu colo.
–Ótimo. Vou ao banheiro. – disse, sem dar muita atenção pros dois.
Saí e olhei para trás. Frank vinha logo atrás, olhando pra mim.
Não fui ao banheiro. Fui para a sala, e percebi que Frank ainda me seguia.
Sentei no meu lugar e ele no lugar de Mikey. Olhava-me de forma inexpressiva, do mesmo jeito que eu retribuía.
–Por que me seguiu?
–Por que não foi ao banheiro? – disse se aproximando de onde eu estava.
–Não respondeu minha pergunta.
–Você também não respondeu a minha.
–Não queria ir ao banheiro.
–E por que? – parou na minha frente.
–Por que... Eu não sei. – eu disse o olhando. Ele realmente estava bonito hoje. E eu sou muito idiota.
–Nós nunca conversamos muito.
–Não mesmo – sorri de canto.
–Então... – fez uma pausa e sorriu do mesmo jeito que eu – vai fazer algo hoje á tarde?
–Não.
–Agora você vai fazer. Vou te buscar ás 3.
–Uau, Frank. Você é rápido.
–E você é lésbica, uma pena. – debochou.
–Há-há. Nem vem com gracinha. – reclamei e ri, e ele me seguiu.
–Desculpa, Nickizinha...
–Nickizinha? Gostei.
–De mim ou do apelido? – sorriu ele.
–Hãn... Acho que dos dois.
–Eu também gosto de você. Só não gosto do fato de você ser lésbica. – disse se aproximando mais de mim. Aproximou-se muito.
–Ou, ou, ou! O que é isso? – eu o empurrei e ele se recompôs.
–Te explico ás 3, hoje. Eu vou te buscar. Espere-me.
–Tudo bem, Frankie.
–Que gracinha, me chamou de Frankie! Linda a cena. – riu sozinho. – Parece que até gosta de homens, querida.
–Parece até que você gosta de mulheres, lésbicas ainda por cima da situação.
–Por que diz isso? – olhou-me preocupado.
–Você gosta do Way mais velho. Gerard é o nome, se não me engano.
–Eu gosto dele sim, e muito. Mas ele é um idiota quebra-coração. Pega e joga no lixo.
–Sei disto. – nossos sorrisos desfizeram.
Quando ele iria abrir a boca pra dizer algo, o sinal bate. Ótimo, aula de física.
–Ai, que saco! Que cruz enorme esta que eu carrego! – ele reclamou, eu ri.
Ele também riu.
–E a propósito, Nickizinha...
–O que foi?
–Você ficou linda com essas olheiras.
–Não enche, caralho.
–Tudo bem, nervosinha.
Mikey já havia chegado, aliás, todos já haviam chegado.
Nos sentamos e Mikey sussurrou:
–O que vocês dois aprontaram aqui?
–Nada, ué. Ele foi bem gentil, me chamou pra sair e eu apenas aceitei o convite do galanteador de All Star.
–Pensei que fosse lésbica.
–Eu sou. Mas ele é legal.
–Isso te deixa confusa?
–Não. – me olhou desconfiado. – Porra, Mikey! Vamos prestar atenção na aula! Eu tenho que começar a estudar Física, não quero reprovar por causa desta merda! – disse impaciente e agressiva.
–Tudo bem, vamos. Calma, depois eu quero saber por que esta nervosa. Você nunca foi assim.
–Okay, Mikey. Desculpa, eu estou confusa.
–Por que?
–Vai almoçar lá em casa hoje, eu te conto.
–Não vai se encontrar com Frank?
–Não no almoço. Ele vai vir na minha casa 3h.
E quando o intervalo chegou, comemos como desesperados e voltamos pra sala.
–
–Finalmente o inferno dispensa seus escravos! – zombava Mikey.
–Calma, Miks! – ri dele. – AH! Onde está seu irmão? Não o vi hoje.
–Ele marcou com o Ray de fingirem uma suposta gripe. Aliás, devem estar se divertindo horrores, aproveitando que as pobres mães trabalham pra sustentar aqueles vagabundos.
–Nossa, Miks! Impossível não rir de você! – eu disse, rindo novamente do seu drama.
–E é impossível eu não ter morrido! Estou morrendo de fome!
Ri novamente, então fomos falando coisas inúteis até chegarmos a minha casa.
–Tem pizza no micro-ondas. Faz pra mim? – sorri, ele revirou os olhos e cortou dois pedaços enormes.
–Então, está confusa sobre...? – disse ele se encostando na mesa, onde eu sentava em uma das cadeiras.
–Em relação ao Frank.
–Continue. Serei seu Psiquiatra hoje.
–Obrigada – fiquei sem graça – Mas pois então. Ontem eu me peguei pensando nele.
–Gosta dele?
–Acho que não.
–Só acha.
A pizza ficou pronta e novamente nós comemos que nem uns cachorros magros.
–Então, Nicks. Não sei. Vê o que dá hoje ás 3, e amanhã me fala. Ou me liga, meu celular é atendimento 24 h.
–Okay...
Ele se levantou.
–Onde vai?
–Desculpa, Nicks! Tenho que ir! Tenho que ir lá expulsar o Ray! –riu.
–Vai lá, Miks. Te ligo.
–Aproveite o momento.
Dito isto, saiu.
Lavei nossos pratos e fui pro meu quarto, estava frio hoje.
Coloquei um vestido roxo e a mesma jaqueta, mesmo tênis.
Desta vez, eu me lembrei de pentear os cabelos, o que não fez muita diferença. As olheiras continuaram do jeito que estavam.
Desci e fui para a sala novamente, casa deserta. Moro com a minha mãe, e ela trabalha o dia inteiro. Ainda bem.
Não que eu não goste dela... Mas minha vida é bem fácil.
Deitei desengonçada no sofá e, sem querer, dormi.
–
Acordei de repente, com alguém na porta.
Corri até lá e abri a maldita.
–Te acordei, Nickizinha? – disse Frank, sorrindo e mostrando todos os dentes.
–Não... Claro que não. Digo, foi só um cochilozinho de nada. He He.
–Hum... Deixe-me arrumar seu cabelo.
Ele começou a mexer em alguns fios e sorriu de novo. E então começou a fazer carinho na minha cabeça, mas logo parou.
–Onde vamos? Precisamos conversar, Nickizinha.
Notas finais
**: É como eu expliquei, ela é lésbica, mas se sente atraída pelo Frank
***: O Mikey cozinha e gosta de cozinhar.
Por favor: Se você leu, me mande um review.
E não não sou boa com o Português. Obrigada *-*
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