Next to Me
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Assim que cheguei ao hospital, trocaram minha roupa por um vestido verde, levaram-me para um quarto e foram atrás de um ortopedista. Quando o homem entrou na sala, poucos minutos depois, eu quase dei um grito de felicidade e o chamei de meu salvador. Minhas costas estavam incomodando demais e eu não sei por quanto tempo mais eu conseguiria aguentar calada ou mesmo acordada.
― Ei, meu nome é Jason e eu vou cuidar de você. Então, pode relaxar. ― Fala gentilmente, com um sorriso, e eu tenho vontade de gritar de raiva por ver sua tranquilidade enquanto eu estou quase morrendo de dor. Ai que inveja! ― Qual o seu nome? ― Uma enfermeira se aproxima dele com uma bandeja e ele pega um par de luvas.
― Emma...
— Olá, Emma! O que você está sentindo nesse exato momento? — A mesma enfermeira se aproxima novamente e lhe entrega uma prancheta, provavelmente com todas as informações que os paramédicos me perguntaram no caminho até aqui.
— Dor... — Respondo com dificuldade.
— Está com dificuldades para respirar? — Troca sua atenção da prancheta para mim e eu assinto. — De 0 a 10, diga um número que se encaixe com a dor que está sentindo. — Levantei os dez dedos sem pensar duas vezes e ele riu. Parabéns Sr. Jason, por achar graça das desgraças dos outros. — Eu irei fazer um exame de raio-X para detectar qualquer coisa anormal em sua coluna e peço que fique o mais quieta que puder. — Assenti e fechei os olhos, sentindo lágrimas descerem por minha bochecha. Eu não iria me mexer nem se me pagassem.
A sala fica alguns segundos em silêncio, mas logo escuto Jason chamar dois enfermeiros e em seguida os seus passos se aproximando de mim. Então sinto a maca que eu estava deitada, ser levantada e colocada em outro lugar. Logo após, sinto ser empurrada. Abro os olhos e vejo Jason andando em minha frente enquanto conversa com a mesma enfermeira que lhe passou minhas informações e as suas luvas.
Chegamos em uma sala e eu logo vejo, bem no meio, o aparelho de raio-X acompanhando de mais dois acessórios. Os rapazes fazem a minha transferência para a cama do aparelho e eu volto a fechar os olhos, sentindo a dor aumentar. Acho que esse tanto de movimentação estava piorando a minha situação. Quando é que eles iriam me dá o remédio que acabaria com todas essas dores?
― Emma? ― Escuto a voz de Jason me chamar e abraço os olhos imediatamente. ― Essa é máquina que me mostrará como está a situação dos seus ossos da coluna. ― Explica, batendo de leve no tubo de raio-X. ― Há quanto tempo você está sem comer? ― Pergunta, olhando para o relógio no pulso.
― Desde a hora do almoço, às 12:00hrs mais ou menos. ― Coincidentemente a minha barriga faz um barulho e eu só espero que ele não tenha escutado.
― Você está esse tempo todo sem comer? ― Questiona surpreso e eu assinto. ― Bem, para que haja uma melhor visualização do exame, eu vou injetar uma substância chamada contraste. Eu perguntei há quanto tempo está sem comer porque é necessário estar em jejum de no mínimo 4 horas.
― E vai doer? ― Questiono preocupadíssima. É só o que eu quero saber, afinal.
― Pode ficar tranquila que você não vai sentir nada além da dor que já está sentindo. ― Responde-me em um tom tranquilo e dessa vez eu não sinto raiva, apenas alívio por saber que não sentirei mais do que já estou.
Ótimo!
― Talvez você tenha algumas reações, como náuseas, coceiras, calorões e gosto metálico. ― Avisa, afastando-se e indo até uma porta que eu não tinha visto até então. Segundos depois, ele volta com uma pequena seringa em mãos. ― Esse é o contraste. ― Mostra-me a seringa e eu vejo a pequena e finíssima agulha em sua ponta. ― Eu vou aplica-la em sua mão. ― Avisa e eu assinto. Então fecho os olhos e logo o sinto pegar em minha mão, em seguida, sinto uma pequena picadinha. ― Pronto! ― Volto a abrir os olhos e ele está sorrindo para mim.
Jason volta para a sala e reaparece segundos depois.
― Vou dar início ao exame. Qualquer coisa que você sentir, é só sinalizar. ― Avisa e eu assinto. Ele direciona o tubo da máquina na altura da minha barriga, apaga a luz e me deixa sozinha na sala, indo para a outra. Então tudo fica escuro e uma luz ilumina a minha barriga.
O exame dura cerca de dez minutos até que a luz que iluminava minha barriga se apaga e a sala volta a ser iluminada como antes.
― O que você teve foi uma contusão muscular. ― Jason diz, entrando na sala. Não sei exatamente o que é, mas a julgar pelo nome, não parece ser algo muito ruim. Sorrio aliviada. Tudo que eu não queria ouvir eram as palavras quebrada e deslocada. ― Emma? ― Chama-me em um tom hesitante e eu sinto um arrepio percorrer o meu corpo. ― Eu gostaria de tocar na área da contusão para saber o quanto foi grave.
Sem ter como negar o seu aviso coberto de pedido, eu assinto, dando a permissão.
Ele chama os enfermeiros que me trouxeram até aqui e eles reaparecerem segundos depois, movem-me para a cama que me trouxeram e me levam de volta ao quarto. Mas dessa vez, eles não me colocam na cama de barriga para cima.
― Se a dor ficar insuportável, você me avisa e eu paro. ― Pede e eu assinto, já me preparando psicologicamente para o que viria.
Sinto o frio do ar-condicionado tocar a minha pele das costas quando ele abre a roupa hospitalar que eu estou usando e quando eu sinto o primeiro toque que dá em minha lombar, não aguento de dor e solto um grito estrangulado. Em seguida, sinto meu corpo ficar fraco, a minha visão fica turva e um repentino sono que me obriga a fechar os olhos.
•§•
Abro os olhos e enxergo Regina sentada em uma poltrona ao lado de minha cama. Olho ao redor e percebo que já não estou na mesma sala de antes. Não faço ideia de como cheguei aqui. A última lembrança que eu tenho é do tal do Jason pedindo para tocar em minhas costas e assim que faz, eu gritar feito uma louca por causa de dor e sentir minhas pálpebras pesarem como se tivesse passado a madrugada sem dormir. O que será que aconteceu depois?
— Ei, Regina. ― Tentei me levantar, mas senti dor e voltei a me deitar.
— Nada de se levantar, Swan. ― Falou autoritária, levantando-se rapidamente e vindo até mim.
― Eu não estava aqui quando eu cheguei. Você sabe me dizer o que aconteceu e quando eu vim para esse quarto?
— Você desmaiou enquanto o ortopedista examinava suas costas. Eles te encheram de medicamentos e te trouxeram para cá. — Andou até a poltrona que estava sentada quando eu acordei, mexeu em sua bolsa e voltou para perto de mim. ― Jones e Lucas estavam ligando para você. ― Mostra-me o meu celular em suas mãos e me entrega. Vejo as ligações nas notificações da tela de bloqueio e o coloco na mesinha ao lado da cama. ― Você vai ficar em observação até amanhã. ― Avisou, caminhando para a poltrona novamente e se acomodando em seu assento.
— E como farei as provas? — Regina faz um movimento com as mãos como quem diz para eu não me preocupar com isso. Ou seja, farei sozinha na coordenação. Ótimo! Por que eu tinha que ter caído justo agora?
Regina puxa um livro da bolsa e o quarto fica em silêncio. Não havia nem o barulho do ar-condicionado para quebrar um pouco a quietude. Era estranho estar em sua presença e não ter o que conversar. A última vez que isso aconteceu, nós ainda não éramos tão próximas. Foi assim que fizemos as pazes quando ela me colocou para fora da sala de aula. Eu queria tocar no assunto do que ela viu e possivelmente entendeu entre mim e Jack, mas não sabia como começar, ainda mais agora que estávamos em silêncio.
Lembro que ela não tem a obrigação de estar me fazendo companhia e resolvo usar isso para puxar conversa.
— Obrigada por ter me ajudo e por vir até aqui. — Falo baixinho, quebrando o silêncio incômodo, ao menos para mim, e consigo sua atenção e um pequeno sorriso em resposta.
— O Dr. Jason disse que você precisará de bastante repouso nos próximos dias e colocar compressa no local constantemente, além dos remédios que irá tomar. — Olha para baixo rapidamente, parecendo envergonhada, mas logo volta o olhar para mim. — Se você não tiver alguém em mente para lhe ajudar, pode me chamar. ― Oferece gentilmente e meu coração quase sai do peito.
Eu queria gritar que sim, mas não queria ter que passar os próximos dias sofrendo por tê-la tão perto de mim e não poder toca-la de forma alguma ou dizer o quanto a amo, que ela é a mulher mais linda do meu mundo, que o sorriso dela ilumina os meus dias mais tristes, o que seu abraço é mágico e me passa tranquilidade. Então o mais sensato a se fazer era, infelizmente, negar o pedido e dizer que chamarei outra pessoa para me ajudar esses dias.
— Não precisa se preocupar com isso. Não quero te atrapalhar, ainda mais nesse período de provas. Eu chamo a Ruby para me ajudar nos primeiros dias.
— Ah, certo. ― Percebo o desapontamento em sua voz e o meu coração se aperta. ― Então falarei com a diretora para que libere a Ruby mais cedo para que você não fique sozinha por muito tempo.
— Obrigada. — Sorrio e ela me acompanha. — Bem, vou avisa-la que será minha babá por alguns dias. ― Regina assente e volta a sua atenção para o livro.
Alcanço o celular em cima da mesinha ao lado e o desbloqueio. Quando a tela se acende, vejo várias ligações de Killian e Ruby, como Regina tinha me avisado, e ligações de Ariel e um número desconhecido. Ligo primeiro para Killian e Ariel para tranquiliza-los e depois para Ruby. Não iria retornar para o número desconhecido e quando eu estivesse sozinha, ligaria para o meu pai para saber notícias de minha mãe. Já passava das seis horas e tinha que ter alguma coisa.
— Ei, Ruby... Tive uma contusão muscular e precisarei de uma babá para mim e Ava e uma faxineira nos próximos dias. — Solto de uma vez assim que ela atende.
— O que? Faxineira e babá? — Pergunta alterada e eu prendo o riso. ― Eu vou receber remuneração por isso?
— Não acredito que você só ouviu essa parte. — Reclamo em um tom fingido de indignação.
— Como foi que você foi parar no chão e conseguir esse machucado, Emma? — Questiona mais calma e preocupada.
— A escada estava cheia de sabão e eu obviamente não sabia, então acabei caindo. ― Respondo ocultando o que estava fazendo lá, embora sei que irá perguntar.
— E o que você estava fazendo lá? — Bingo! Meus chutes com as ações e reações de Ruby nunca falhavam.
— Eu estava conversando com o Jack e... ― Regina tira a atenção do livro e me encara, demonstrando que está prestando atenção em tudo que digo e irei dizer. — E eu queria ir ao banheiro, então fui por ali porque achei ser mais rápido. Fui correndo por estar um pouco apertada e o resto você já sabe.
— E agora quem pagará sou que perderei meu final de semana cuidando de você. Francamente, Emma! ― Embora seu tom fosse sério, eu sabia que estava brincando.
— A ferrada da história sou eu, Ruby. Afinal, eu quem estou com dor, precisando ser cuidada e tudo mais. ― Retruco em um falso tom de indignação e escuto sua risada. — E outra, por minha causa você largará cedo, então deveria me agradecer.
Conversamos por mais algum tempo até que a avó de Ruby a chama para ajudar em algo e ela tem que desligar. Ao colocar o celular em cima da mesinha novamente, olho para Regina concentrada em seu livro novamente.
Agora, após a breve menção do nome de Jack na conversa com Ruby e o seu nítido interesse no assunto, seria um bom momento para conversar sobre o que ela viu e possivelmente entendeu.
— Sobre o que você viu entre eu e o Jack...
— Não precisa se explicar, Emma. — Interrompe-me, mas sem levantar o olhar do livro. — Você não me deve explicações...
― Mesmo que eu não tenha obrigação alguma de explicar, eu quero falar. ― Rebato em um tom sério e consigo sua atenção. ― Eu não estou tendo nada com aquele garoto que eu mal conheço e não estava acontecendo nada além de uma conversa, naquele momento.
― Eu sei, eu vi quando ele tentou te beijar e você desviou. ― Diz com tranquilidade e eu respiro aliviada por saber que ela viu bem mais do que eu imaginei e que não tirou conclusões precipitadas.
― Então por que deu a volta e saiu daquele jeito? ― Tentei me levantar mais uma vez, mesmo sabendo que sentiria dor, meu bumbum já estava dormente e eu não estava mais aguentando, e Regina soltou o livro e correu até mim, impedindo-me de continuar o processo.
― Continue deita, por favor. ― Pede, forçando-me delicadamente pelo ombro a escorregar um pouco mais e voltar a posição anterior. ― Você sabe o motivo. ― Responde à minha pergunta, olhando em meus olhos.
Minha morena mexe em um botão ao lado da cama e o móvel começa a se mexer lentamente, deixando-me mais elevada. Quando ele para, eu fico quase na sua altura.
― Eu queria poder te beijar agora. ― Toco em seu rosto e vejo sua respiração se alterar.
— Por favor, Emma. — Sussurra, unindo sua mão a minha e fechando os olhos.
― Eu queria ser mais velha, queria já ter terminado o ensino médio e poder andar livremente com você, sem preocupação de nada...
Batidas na porta e a chegada de Jason obrigam-nos a se afastar e Regina volta para o seu lugar de antes, bem distante de mim.
— Finalmente você acordou. Acho que as doses de medicamento para dor que te deram foram mais fortes que o necessário. — Dá uma risadinha e eu o acompanho forçadamente. ― Bem, acredito que a senhorita... ― Apontou para Regina. ― Já tenho dito tudo que eu iria dizer, mas eu vou reforçar as recomendações. Nos primeiros dias será necessário repouso absoluto. Preocupe-se com os pulmões. Uma respiração profunda talvez cause desconforto. Tenha muito cuidado ao se deitar e tome os anti-inflamatórios que irei indicar para a dor, no horário certo.
— Ficarei de molho até quando?
— Se seguir as recomendações, durará entre três a seis semanas. — O que? Eu iria ficar parada esse tempo todo? — Ei, calma. O repouso total só será necessário na primeira semana. ― Esclarece e eu suspiro mais aliviada. — Amanhã de manhã eu estarei aqui para checar suas costas. ― Avisa e sai do quarto, voltando a nos deixar sozinha. Olhei preocupada para Regina. Ela não podia parar sua vida e ficar aqui comigo até amanhã de manhã.
― Regina...
― Só irei embora com você, Emma, quando tiver alta. ― Fala, como se soubesse o que eu estava pensando, e eu, sabendo que seu tom deixava claro que não mudaria de ideia, sem alternativas, apenas assinto.
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