Next to Me

46 Next to me - 46


Notas iniciais
Olá mores, trago mais um capítulo de NTM para a felicidade de todos, e como sempre, gostaria de agradecer mais uma vez, pelos comentários repletos de elogios, sugestões e opiniões sobre a estória, e pelo apoio que vocês dão. É muito gratificante e importante ter esse retorno de vocês.

Após um banho rápido e um almoço saudável demais, feito por Regina, que deu um pequeno discurso de como eu tinha que me alimentar bem, coloquei minha bolsa nas costas e me dirigi para a porta, pronta para ir embora.

— Comporte-se, Swan! — Minha professora gritou da sala e eu me senti uma criança de cinco anos, quando o ônibus escolar chega e ela tem que se despedir da mãe.

Com a esperança de que iria ganhar ao menos um beijo na bochecha antes de sair, abri a porta, mas não saí. Olhei para dentro da casa e me encostei na parede, ainda do lado de dentro.

— Não mereço nem um beijo? — Gritei de volta, mas não obtive resposta.

Desapontada, mas ainda com esperanças, desencostei-me da parede, e como se estivesse em câmera lenta, atravessei o portal, pronta para ir embora. Mas antes que eu pudesse fechar a porta, senti seus braços me envolverem.

— É claro que merece. — Sussurra em meu ouvido e eu me arrepio dos pés à cabeça. — Apesar de tudo. — Acrescenta, puxando-me para dentro e beijando meu pescoço.

Sentindo-me provocada, soltei-me dela, tirei minha bolsa, fechei a porta novamente e a empurrei na parede, olhando fundo em seus olhos, apertando a sua cintura. Se eu não fosse para a escola agora, era quase certo que acabaríamos com o seu castigo.

— Apesar de tudo? — Fui retórica e ataquei com vontade e voracidade aqueles lábios quentes e macios, enquanto meu corpo prensava o seu ainda mais na parede, recebendo como resposta, gemidos baixos e gostosos, saindo de sua boca e reverberando na minha.

Quando precisamos de ar, mordi seu lábio inferior, demorando a soltá-lo, dei-lhe um selinho e a soltei de meu enquadro.

— Dá um beijo na Ava, por mim. — Pedi, com a respiração entrecortada, já abrindo a porta novamente. Coloquei a bolsa em minhas costas e, fingindo que nada tinha acabado de acontecer, atravessei o portal e caminhei para longe, indo embora, fingindo tranquilidade.

Se ela podia me provocar, eu também podia.

•§•

Antes de ir para a escola, ciente de que o meu anjinho precisava de algumas coisas, passei em um Pet Shop que tem perto de casa. Conversei com uma atendente, a única disponível no momento, e a convenci de guardar algumas coisas para mim, prometendo que, assim que eu chegasse, mais tarde, eu passaria lá para lhe pagar e pegar as coisas.

Quando cheguei à escola, tive sorte de fazer o meu rotineiro trajeto, banheiro e sala, sem me esbarrar com Fiona.

A tarde já estava começando bem.

Ao entrar na sala, dei de cara com Killian aos beijos com uma garota que eu não conhecia e que, com certeza não era da nossa turma, e Ariel e Ruby conversando animadamente e escandalosamente, no fundo da sala, o nosso lugar.

— E aí, maluca? — Ariel cumprimentou-me, toda animada. Nem parecia que tinha passado a noite na farra. Olho surpresa para ela, pela forma como falou. Não é o tipo de saudação do seu vocabulário do dia a dia. — Você estava falando assim com a gente, ontem, quando voltamos para casa. — Explica, como se tivesse lido os meus pensamentos. — Você está bem? Não achei que se recuperaria tão cedo...

— Um pouco. — Fiz uma careta, fazendo um sinal de mais ou menos.

— Você deu o maior trabalho ontem. — Ruby começa, toda dramática. — Ainda bem que a Regina foi lá para te colocar nos eixos. — Arqueio a sobrancelha e semicerro os olhos. Ela sorri amarelo. Sabia bem o que eu estava pensando. — Eu sei, faço bem pior com você. — Confessa, abaixando a cabeça e fingindo estar envergonhada. — Mas mudando de assunto, quando a gostosa Mills vai voltar? Estou com saudade das aulas dela e não aguento mais a substituta. — Em outros tempos, eu apenas repreenderia Ruby por ser tão desrespeitosa com a nossa professora, mas não ficaria tão incomodada, mas hoje, tendo um relacionamento sério com Regina, eu não queria só repreende-la por ser desrespeitosa. Eu queria brigar com a minha amiga, não fisicamente, é claro, por ela falar daquele jeito sobre a minha namorada.

Ah, o ciúme... Esse tipo de sentimento não deveria existir.

— Em duas semanas ela estará de volta. — Respondi seca, não conseguindo me conter em tentar agir normal. Todavia, para minha sorte, minha amiga não percebeu. Esse era um dos momentos que eu agradecia por ela ser desligada.

— A senhorita peitão não virá para a escola hoje. — Killian diz, animado, anunciando sua chegada na conversa. Quem raios era a “senhorita peitão”? Vendo a enorme interrogação estampada em meu rosto, Killian sorri. — Para sua informação, é a Fiona, Swan. A professora substituta. — Senti meu sangue gelar ao ouvir seu nome. Mas o nervosismo logo foi substituído por alívio, por saber que não a veria hoje.

— Eu não sabia que vocês tinham dado apelido para ela.

— Nós damos apelidos para todo mundo. Você sabe... — Killian murmura e eu assinto. Pouco tempo atrás, até o final do ano passado para ser mais exata, eu também dava apelidos para os outros, tipo a novata do primeiro ano que eu chamava de photoshop. Claro que não usávamos os apelidos em voz alta. Era algo apenas nosso, do nosso grupo de amigos. Eu, Killian, Ruby e Ariel. Não era algo certo, mas também, ninguém sabia da existência.

— Bem, eu tenho uma novidade. — Abro um enorme sorriso, arrumando-me melhor na cadeira, vendo os outros fazerem o mesmo, atentos para ouvir o que tenho a dizer. — Eu encontrei uma cachorrinha hoje de manhã. — Bato palmas de excitação. Eu estava me sentindo como uma criança que acabou de ganhar uma bicicleta do papai noel e está louca para chegar em casa e passar a tarde toda andando.

— E você ficou com ela? — Ruby pergunta e eu assento, realmente muito animada, sorrindo ainda mais. Eu estava quase me levantando da cadeira e dando pulos. Falar do meu novo anjinho realmente me animava. — E como você vai cuidar dela?

— Cuidando, ora... — Respondi o óbvio. Sem entender o motivo daquela pergunta de Lucas. — Não há problema se ela ficar sozinha por algumas horas, enquanto eu estiver aqui, se eu deixar comida e água, e retirar todos perigos do alcance dela.

— Tudo bem! — Levanta as mãos para o alto. — Mas se a assistente social souber que você está deixando um bebê sozinho em casa... — Ruby balança a cabeça negativamente, fingindo seriedade, e eu caio na gargalhada, junto com os outros, entendendo sua brincadeira.

— Ridícula! — Dou-lhe um empurrão e ela me empurra de volta, também rindo.

De repente o Sr. Gold entra na sala e nós paramos a conversa, arrumando nossas cadeiras nas filas e virando-se para frente. Ele nos avisa que largaríamos mais cedo e que substituiria a aula de gramática que teríamos, confirmando o que Jones nos falou sobre Fiona não vir hoje.

Tentando justificar que minha felicidade era apenas porque largaria cedo e não porque também não veria a substituta hoje, fiz high five com os meus amigos, repetindo várias vezes que largaríamos cedo. Até fim uma dancinha ridícula. Mas, não era apenas por isso que eu estava tão feliz. Era também, por causa de Ava. Como eu disse, eu estava me sentindo como uma criança que ganhou uma bicicleta e só pensava em voltar logo para casa para poder passar a tarde toda brincando.

Depois da aula de reposição de Gold, tivemos MM, que mais conversou do que deu assunto novo, tivemos Tinker com suas regras chatas sobre redação, que mais parecia uma segunda aula de gramática, e depois do intervalo, fomos liberados.

Antes de seguir para casa, peguei um táxi e fui ao banco no centro da cidade para tirar dinheiro. O que tinha em casa já estava no fim e eu estava precisando fazer compras no supermercado, e precisando de roupas novas, além das coisas da Ava que eu ia pegar mais tarde.

Quando cheguei ao banco, enfrentei uma pequena fila, mas logo cheguei ao caixa. Ao olhar o saldo, estranhei que o depósito do mês, que meus pais sempre fazem, de três mil e quinhentos dólares, não tinha sido feito ainda. Meus pais nunca deixaram de depositar, nem mesmo quando eles começaram a gastar mais que o normal, para expandir os negócios, que graças a Deus, deu tudo certo.

Mais uma vez, me pergunto o que é que está acontecendo. O que eles estão me escondendo.

Primeiro as ligações não atendidas e nem retornadas, e agora o dinheiro.

Alguma coisa muito ruim, eu podia sentir, está acontecendo, e eu preciso descobrir.

Percebendo que a fila atrás de mim estava ficando ainda maior e que ali não era o lugar adequado para ficar pensando no que estava acontecendo com os meus pais, apresso-me em retirar o dinheiro, uma boa quantia, enfio disfarçadamente, tudo num fundo falso que tem na minha bolsa, e encerro a operação.

Ao sair do banco, a primeira coisa que faço é ligar para vovó. Eu tenho certeza que ela sabe o que está acontecendo e ela tem que me contar.

— Vovó, por favor, me diz o que está acontecendo com os meus pais. — Supliquei pela terceira vez. Minha voz já estava chorosa. Eu não iria me aguentar por muito tempo. Meu coração batia acelerado de tão nervosa que eu estava, e o meu sangue gelava nas veias. — Eu não estou mais aguentando ficar sem saber de nada. Eu preciso saber como eles estão.

Eu sinto muito, não poder te ajudar, minha preciosa. Gostaria muito, de verdade. — Suspira pesadamente. — Esse é um assunto somente deles. — E então me confirma que realmente está acontecendo algo. — Quando estiverem prontos para falar, eles ligarão e te contarão tudo que quiser saber.

— Eu só queria saber o que está acontecendo. — Sussurrei. Não aguentando mais e nem me importando onde eu estava, comecei a chorar.

Ei, minha querida... Não chore, por favor. — E foi ai que eu chorei ainda mais. As pessoas já me olhavam preocupada, querendo saber o que estava acontecendo. — Jesus, Emma!

— Vovó, por favor... — Pedi, em prantos. Sentei em um banco e tapei o meu rosto.

Não se preocupe minha pequena. Logo, logo eles darão notícias. Por favor, acalma-se. Onde você está?

— Na rua... — Respondi com dificuldade, respirando fundo, tentando diminuir o meu desespero.

Acalma-se e vá para casa, por favor. Não deixe sua avó ainda mais preocupada. — Em meio ao caos, sua doce voz tinha o poder de me acalmar.

Vencida de que, mais uma vez, não conseguiria nada de Dona Eva, nos despedimos e encerramos a ligação. Guardo o celular na bolsa e tento me recompor. Limpo as lágrimas, respiro fundo várias vezes, repassando as palavras de vovó, tomo um pouco de água, mesmo quente, que ainda tinha em minha garrafa, e então volto a andar.

Aproveitando onde estou, acabando entrando no prédio do curso de Francês. Fazia algum tempo que eu não aparecia por lá. Precisava marcar novas aulas e dar continuidade ao aprendizado. Eu realmente gostava do idioma e queria muito aprende-lo. Só havia abandonado as aulas, por causa do acontecido entre a minha professora e o ex da minha outra professora.

Na recepção, por pura falta de sorte, dou de cara com Marian, mas faço-me de cega e sigo o meu caminho até o balcão. Converso animadamente com Anne, a atendente, e marco novos dias para as aulas, mas no segundo semestre, já que as aulas já tinham começado e seria um pouco ruim com a turma em um nível mais alto que o meu.

Ainda antes de ir para casa, como prometi a atendente mais cedo, passei no Pet Shop, e como combinado, levei alguns tipos de rações, vasilhas, coleiras, cama, perfumes, xampus e vários tipos de brinquedos para a minha Ava. Se não fosse pela atendente, eu teria levado ainda mais coisas, tamanha a empolgação que eu estava.

Quando cheguei em casa, tudo estava escuro e silencioso. Deixei as sacolas na sala e saí procurando meus amores pela casa. E foi no quarto que eu vi a cena mais linda de todas.

Regina dormindo tranquilamente, com Ava em sua barriga.

Bem devagar, morrendo de medo de fazer algum barulho e acorda-las, deitei ao lado das duas e fiquei admirando aquela cena linda por alguns minutos. Não me aguentando, beijei a cabeça muito cheirosa de Ava e dei um selinho em Regina, mas nenhuma das duas se mexeram.

Do jeito que me deitei, eu me levantei, fui até a sala pegar o meu celular na bolsa, e mesmo no escuro, eu registrei o momento.

Alguns minutos depois, Ava foi a primeira a acordar, logo indo encher Regina de lambidas, fazendo ela acordar também.

— Que horas são, Em? — Levanta-se bem devagar, espreguiçando-se e abrindo a boca. Acendo a luz e ela coloca a mão no rosto, estreitando os olhos.

— Quase sete horas. — Respondo após olhar no celular. — Larguei cedo hoje e aproveitei para tirar dinheiro e comprar as coisas da Ava, por isso demorei um pouco. — Expliquei antes mesmo que ela me perguntasse por que eu tinha demorado.

— Tirar dinheiro? — Levantou-se em um pulo, correndo atrás de Ava, que estava prestes a entrar no banheiro. Sorri com a cena. Acho que eu sorriria muito, a partir de agora. — Pensei que sua avó que trazia dinheiro.

— Não, não...

— Está mentindo, Em? — Indagou divertida, interrompendo minha explicação, deixando-me bem confusa. Primeiro, por causa da pergunta e segundo, por causa do tom.

— Não! — Rebati rapidamente, vendo-a sorrir.

O que estava acontecendo?

— É, realmente não está... — Fecha a porta do banheiro, ela estava esse tempo todo, em pé, impedindo a passagem de Ava para dentro do cômodo, e volta para a cama, para perto de mim.

— Do que você está falando, Regina? Estou muito confusa agora. Mais do que antes.

— Muito tempo casada com um professor de matemática só dá nisso... — Diz mais para si, que para mim. — É que na matemática, negação duas vezes seguida, na verdade, é mentira. Porém, se vier outro não, anula tudo e se torna verdade. — Explica, mas minha confusão não podia ser maior. Eu realmente não estava entendendo. — Essa técnica ridícula já foi usada comigo algumas vezes. — Revira os olhos. — Isso é assunto de lógica. — E então tudo se encaixou em minha mente, fazendo algum sentindo.

— Logo você esquece isso, quando for casada com uma futura médica, ou fotógrafa, ou empresária muito famosa. — Beijo seus lábios rapidamente. — Ainda estou me decidindo. — Fiz uma careta.

— Já está pensando em casamento? — Arqueia a sobrancelha e eu sinto, automaticamente, minhas bochechas esquentarem. Eu não estava pensando em casamento. Deus me livre, me casar. É uma responsabilidade muito grande. Eu não estou preparada para enfrentar. Também não sei se algum dia estarei. Casamento não é tão simples como um namoro. Há muitas coisas envolvidas e... — Eu estou brincando, Em, relaxa... — Toca em meu braço e o aperta, tirando-me dos meus devaneios, como se tivesse lido todos os meus pensamentos.

Sem motivo aparente, minha mente me faz lembrar, de repente, de uma coisa um tanto quanto constrangedora, que eu pensava sobre Regina e outros professores,

— Ok! Mudando de assunto... — Ela assente. — Preciso te confessar uns pensamentos que eu tinha logo quando te conheci.

— Não vai me dizer que você é mais uma aluna com fetiche de pegar professor.

— Não! — Respondo rapidamente, achando aquilo um absurdo. — Killian é assim. Ruby é assim. Mas eu? Eu nunca me interessei por professor algum, em época nenhuma da minha vida, e muito menos tive ou tenho, fetiche de transar, me envolver, sei lá, com qualquer um. Seja dentro, ou fora da escola.

— E como aconteceu entre nós?

— Você sabe... — Eu não queria ter que falar sobre esse assunto. Era algo confuso e que nem eu entendia muito bem. Mas seu olhar e sua sobrancelha arqueada deixava claro que ela queria que eu continuasse. Deitei na cama e decidi olhar para o teto para não ter que lhe encarar. Eu estava com vergonha. Esse tipo de conversa era quase como se declarar. Se eu soubesse, nem tinha tocado no assunto, em primeiro lugar. — Bem... Nós éramos amigas, assim como eu sou de vários professores. Mas eu nunca te olhei diferente, nunca senti nada diferente, nunca tive vontade de passar da linha professor/aluno dentro da escola e da linha da amizade fora dela. Nem com você e nem com qualquer outro. — Deixei bem claro, para depois não ser interpretada de forma errada. — Primeiro de tudo, eu nunca nem senti vontade de me envolver com alguém distante da minha idade. Meus poucos rolos foram com garotos sempre mais velhos, sim, mas com pouquíssimas diferenças. Geralmente um ano. Talvez, Neal tenha sido o mais velho de todos. — Fui sincera, torcendo para que ela não entendesse aquilo de forma errada. Eu não me importava com a sua idade. Realmente, não era um problema para mim, ela ser mais velha. Na verdade, fazia pouco tempo, eu nunca tinha pensando nisso antes, que eu tinha chegado à conclusão de que era muito melhor ter um relacionamento com alguém maduro, do que com alguém que ainda está amadurecendo ou nem começou. Há quem ache o contrário, mas essa é minha opinião. Mas claro que há seus prós e contras em um relacionamento com alguém bem mais velho e maduro, cheio de experiências, assim como também há seus prós e contras em um relacionamento com alguém mais jovem que está começando. — Além de nós duas só termos nos relacionado com homens, você era casada. — Ressalto e ela assente. — Meu interesse por você, só despertou depois daquele beijo que você me deu, no canto da boca. Até então, eu não sabia que te queria de outras formas. Talvez, eu já tivesse em meu inconsciente, o desejo por você, o interesse, não sei, e foi preciso você despertar para eu saber. No caso, o beijo. — Finalizo a explicação, não tendo certeza se fui clara ou não. — Regina, eu não sei explicar, só aconteceu... — Viro-me para lhe olhar, agora que eu tinha terminado, eu já podia, e ela está sorrindo. — O que foi?

— Nada... — Dá de ombros. Toca meu rosto delicadamente e arrasta seu dedo, subindo da minha bochecha para a testa, depois arrodeando meus olhos, meu nariz e parando em minha boca. Beijo a ponta delicadamente e ela sorri mais uma vez.

— Bem, você ainda quer saber o que eu queria contar? — Ela balança a cabeça de modo afirmativo, me olhando atentamente, curiosa. — Bem, logo quando você entrou na escola e tinha aquele costuma de falar de um jeito todo formal, não só eu, devo ressaltar — Trato logo de esclarecer. — Eu sempre ficava imaginando... — Fiz uma pausa, rindo do que eu falaria. Ou eu riria daquilo tudo, ou ficaria morrendo de vergonha. Óbvio que preferi a primeira opção. Pigarreio, na tentativa de voltar a ficar séria. — Eu ficava imaginando você durante o sexo, falando daquele mesmo jeito enquanto gemia. — Para minha surpresa, não fui eu quem corou de vergonha, mas sim, ela. Sua reação teria sido por causa do que eu falei ou por que realmente acontecia? Puta merda! — Mas como eu disse, além de não ser só eu, não era apenas com você. — Acrescentei, tentando amenizar o momento de vergonha, por incrível que pareça, só dela. Parece que ficar rindo realmente serviu para mim. — Sempre que víamos um professor e o jeito dele, imaginávamos essas coisas. Até com a diretora. — Eu gargalhei e minha morena arregalou os olhos. Ela já não parecia mais com vergonha. — Coisas de aluno, você sabe... — Dou de ombros.

— Que eu prefiro não saber. — Deixa claro, muito séria, e eu gargalho novamente.

— Ok, mudando de assunto novamente. — Ela assente apressada, quase que desesperada. Balanço a cabeça negativamente, soltando um riso. — As coisas que eu comprei para a Ava estão lá na sala. Você quer ver?

— Eu já ia sugerir isso mesmo. — Levanta-se e eu a acompanho, já seguindo para fora do quarto, com Ava nos seguindo.

— Espero ter acertado nas escolhas... — Sussurro, juntando as mãos e olhando para cima, torcendo para que, não só Regina goste, mas principalmente a Ava, goste. É para ela que as coisas são e é muito importante que ela simpatize.

Notas finais
Até o próximo, mores! ;)