Next to Me
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Abro os meus olhos, mas logo os fechos novamente devido a claridade. Tento me mover para o lado, mas é impossível, pois, Regina está literalmente em cima de mim, fazendo-me de travesseiro. Seus cabelos estão quase entrando em minha boca, suas mãos estão me agarrando fortemente na cintura, e a cabeça está abaixo do meu queixo, no meu colo. Metade de seu corpo está sobre o meu.
Eu deveria estar reclamando da falta de ar que estou sentindo, mas está tão bom, que eu a agarro forte e tento voltar a dormir. Mas aí ela resmunga, provavelmente por causa do meu aperto, e levanta a cabeça, mas ainda de olhos fechados.
— Volta a dormir, vai.— Peço num sussurro e beijo sua testa. Meu amor resmunga algo e volta a deitar em meu peito. Talvez ela não tenha me escutado, apenas se rendeu ao sono.
Tento pegar no sono para dormir por pelo menos uns trinta minutos, mas não consigo. Meu corpo começa a dar sinais de que está cansado de ficar deitado, e que é hora de me levantar e me esticar.
Não querendo, mas tendo que fazer, beijo várias vezes os cabelos negros de minha professora, e arrasto meus dedos em um carinho, por suas costas nuas. Regina começa a se contorcer, provavelmente sentindo cócegas e levanta a cabeça novamente, mas ainda de olhos fechados. Abre um sorrisinho e me beija, e volta a deitar novamente, porém, não mais em cima de mim, mas sim, do meu lado, virando-se no colchão e ficando de barriga para cima.
Parece que hoje nós invertemos os papéis.
É uma pena que já seja segunda-feira mais uma vez, e eu tenho que ir para a escola. Não queria sair dessa cama, não queria me separar de Regina, não queria ir e dar de cara com Fiona. Eu não queria muitas coisas, mas, infelizmente, querer não é poder.
Aproveitando a posição que estamos, tendo uma ótima ideia para acorda-la, viro-me de lado e começo a beijar seu pescoço, ao mesmo tempo que minha mão esquerda começa a descer pelo seu corpo nu, e encontra sua intimidade, já começando a estimulá-la devagar. Regina não abre os olhos, mas sua respiração logo se torna irregular e seu corpo dá sinais do que está sentindo enquanto passo meu dedo médio por seus grandes lábios e ataco o seu pescoço.
Então seu quadril começou a se mover de encontro a minha mão e eu me afastei um pouco, pretendendo me posicionar melhor, para poder lhe dar mais prazer, porém seus olhos se abriram, seus castanhos me encararam em chamas e sua boca veio de encontro a minha, beijando-a com volúpia e sensualidade.
Mas o contato dura pouco, pois, seu corpo, incendiado de prazer, começa a se mover freneticamente em busca de mais contato, e ela solta a minha boca, liberando gemidos roucos, palavras desconexas e o meu nome, misturado com a respiração acelerada.
E então, segundos depois, seu corpo explode em um orgasmo intenso e avassalador.
— Bom dia, Em. — Beija-me ternamente, tentando acalmar a respiração.
— Ótimo! — Sussurro, atacando seus lábios mais uma vez e dando uma mordida.
— Acho que te amassei um pouco essa noite. — Faz uma careta, mas logo sorri. Vendo-a assim, com essa falsa ingenuidade, ainda mais depois do que acabou de acontecer, sinto vontade de apertá-la com todas as minhas forças, e depois sair mordendo-a. — Mas é que esse travesseiro é tão melhor que o meu. — Explica-se toda manhosa, e me aperta.
— Preciso admitir que eu estava me sentindo sufocada, mas estava amando ser amassada por você. — Levanto-me devagar e me sento, sendo seguida por ela, que encosta no espelho da cama. — Estava amando ser o seu travesseiro. — Concluo, puxando-a para mais um beijo um pouco mais demorado que o último. Segundos depois, encerro, relutantemente, o contato com um selinho e me levanto da cama, já pegando minhas roupas, que estavam jogadas no canto do quarto e vestindo-as.
Já conhecendo bem a casa e, principalmente a cozinha, sigo para preparar o nosso café da manhã, enquanto minha professora faz sua higiene matinal.
Preparo umas torradas com chocolate quente e, acreditando que Regina ainda está no banho, preparo tudo numa bandeja para levar até o quarto e podermos fazer o desjejum lá. Mas quando me viro, pronta para ir encontra-la, meu amor já está na cozinha, escorada na parede, observando-me com um sorrisinho.
— Eu tive vontade gritar agora. — Confessei, sentindo meu coração bater acelerado.
— Por quê? — Desencosta-se da parede, descruza os braços e vem ao meu encontro.
— Porque você chegou de fininho, sem fazer barulho, parecendo um fantasma, e eu me assustei quando te vi. Eu não te esperava aqui. — Expliquei, reorganizando nossos pratos em cima da mesa e me acomodando em um lugar. — E se não parar de sorrir vai se engasgar com essa torrada, e eu não quero sair feito louca com você passando mal, para ir até a emergência mais próxima, por conta disso. — Tentei falar séria, mas a cara fofa que ela fez ao me ouvir, me desestabilizou e eu deixei escapar um pouco do riso.
— Desculpa, mamãe. — Pediu baixinho, com falsa inocência, e eu lhe mostrei a língua. Regina gargalhou e voltou a atacar as torradas. Se eu não pegasse uma logo, iria ficar sem comer.
— Assim que eu terminar aqui terei que ir para casa.
— Por que tão cedo? — Franziu o cenho, direcionando seu olhar para o relógio de parede. — Ainda são oito da manhã. — Diz, tomando um gole do chocolate quente e fazendo uma careta em seguida, enquanto abana a própria língua. Ou tenta.
— Está quente, apressada. — Regina arqueou a sobrancelha e eu fiz o mesmo. Ficamos nos encarando por alguns segundos nos desafiando, até eu estreitar meus olhos, após ela ter feito o mesmo, e, aceitando ter perdido a batalha, ela abaixa a sua, e eu sorrir vitoriosa. — Bem, eu ainda tenho que fazer alguns deveres, que são para hoje, e também tenho que passar a minha farda, que já deve estar mais que seca, pendurada no varal.
— Hm. — Murmurou um pouco cabisbaixa.
— Mas se você quiser que eu não vá, é só não me obrigar a ir hoje. — Levantei-me da cadeira e me aproximei dela, que arqueou a sobrancelha e cruzou os braços. Tenho certeza que agora não seria eu quem ganharia esta batalha.
— Nada disso, dona Emma. — Rebateu num tom sério, sem brechas para protestos. Mas como eu não me renderia fácil, agarrei-a pela cintura e sussurrei lentamente um ‘’por favor’’ em seu ouvido e comecei a distribuir beijos em seu pescoço. — Nem adianta tentar me subornar com beijos. — Sussurrou com a voz falha e eu sorri. Ela estava se segurando para se manter séria. — Suborno é crime.
— Eu não estou te subornando. — Encarei-a séria, tentando passar verdade no que dizia, mas sua expressão me fez desistir de qualquer tentativa. Estava escrito em sua testa, que eu não iria conseguir nada. — Tudo bem, eu desisto. — Solto-me dela e levanto as mãos em rendimento.
Minha professora comemora a batalha ganha enquanto eu reviro os olhos, e nós voltamos a tomar nosso café, conversando coisas aleatórias e carinhos.
Minutos depois, após passar meia hora tentando convence-la de novo, a me deixar ficar, e toda vez, depois de ouvir suas negativas, ir até a porta, mas voltar para lhe encher de beijos e pedir de novo, eu realmente vou embora.
Parando para pensar, o fato de eu ter que pedir a permissão da minha professora para ficar em casa, parece até que eu só estou indo para um lugar do qual não gostaria, porque Regina quer que eu vá, como se a minha opinião e minha vontade não importassem, e ela mandasse em mim, ou algo do tipo, mas a verdade é que, eu só estou mesmo indo para a escola, porque sei, obviamente, que eu tenho que ir, é uma obrigação minha se eu quiser um futuro melhor, sem depender dos meus pais e do dinheiro deles, sei bem que Regina está certa em todos os motivos que me deu, para me convencer de ir, eu estou com saudade dos meus amigos, e não quero que Regina fique chateada comigo, ou que nos desentendamos por isso. Se não fosse nada disso, eu com certeza iria ficar em casa com ela, deitada naquela cama até a hora que meu corpo não aguentasse mais.
•§•
Quando cheguei em casa, tirei logo as minhas fardas do varal, escolhi uma calça jeans no meio do monte de roupa na poltrona do quarto, joguei-as em cima da cama, e passei-as rapidamente. Quando terminei, segui para o banho, e meia hora depois, eu já estava no sofá da sala, dividindo minha atenção entre a TV e o dever de gramática.
Com minha barriga reclamando de fome, preparei um arroz branco com salada, tomate e alface, e um resto de peixe assado que tinha forno, e matei quem estava me matando.
Não sei se foi por eu estar com fome, mas a comida estava deliciosa.
Após descansar um pouco, arrumei a pequena bagunça de pratos, lavando e guardando tudo, arrumei minha bolsa, e sai de casa rumo a Deering High School.
•§•
Assim que entrei na escola, como todos os dias, fui direto ao banheiro, mas, como todos os dias tem sido, parei na porta por breves segundos, antes de ir me olhar no espelho. Lá estava ela, duas pias depois da minha, como todos os dias ultimamente. É incrível como Fiona me persegue. Ela já deve ter decorado o caminho que faço antes de ir para a sala de aula. Talvez esteja na hora de eu mudar isso. É sempre uma sorte minha, ter mais alguém no banheiro e eu sair antes da pessoa. É sempre uma sorte minha, muitas coisas acontecerem quando ela se aproxima demais, está por perto, e tenta algo.
Se Regina soubesse que ela tem me ligado com frequência, e que me persegue na escola, estaria louca, talvez internada em um hospício, ou quem sabe presa em alguma penitenciaria do País, por crime hediondo contra àquela que tanto lhe fez mal no passado.
Como todas as vezes, saio às pressas do banheiro antes que eu fique sozinha com ela, e vou logo para a sala, minha fortaleza cheia de guardas, os outros alunos, para me proteger dela.
Alguns minutos depois que me acomodo na cadeira, Ruby, Killian e Ariel chegam para me fazer companhia.
Quando Fiona entra na sala, todos se calam e se ajeitam melhor na cadeira, todos eretos, e com os dois pés no chão. Era como se estivessem em um quartel General, e Fiona Foster fosse a ranzinza General do lugar, conhecida pelos piores castigos aplicados à quem desobedece.
Como tem sido de costuma, ela escreve algumas coisas no quadro, e enquanto as pessoas começam a copiar antes de começar a explicação do assunto, sua atenção, sem nenhuma discrição, é toda direcionada a mim. Nada de novo. Mas é enquanto sinto seus olhares em mim, e tento ignorá-los enquanto levanto a cabeça para olhar no quadro, que tomo uma decisão. Acabarei hoje mesmo, com essa história dela ficar me ligando, ou me seguindo na escola. Tirarei satisfações, e de hoje não pode passar.
— Ei Swan, hoje vai ter uma festa lá na casa vizinha daquela sua amiga. — Killian anuncia, chamando minha atenção, tirando-me de meus devaneios. — Até a Ariel vai. — Acrescenta em tom jocoso.
— Ei, qual o motivo do ‘’até a Ariel vai’’? — Questiona irritada, imitando a voz de Killian.
— Nada, amor. — Pisca para a ruiva enquanto sorri, e recebe uma tapa no braço. Esses dois ainda vão se pegar qualquer dia desses, e eu preciso estar presente para ver isso.
— Vamos com a gente, loira. — Ruby me chama, mas antes que eu possa responder, Fiona se aproxima de nós quatro e nos ameaça tirar da sala e terminar a conversa lá fora. Logo paramos a conversa e ficamos cada um no seu canto, prestando atenção na aula.
•§•
Quando sua aula se encerou, graças a Deus, e todos saíram, eu resolvi me arriscar e ir falar com ela.
— Será que eu poderia falar com você? — Perguntei, aproximando-me devagar, mas parando em uma distância segura. Ela levantou a cabeça, demonstrando surpresa, com certeza por me ver ali, tão perto, de vontade própria, e abriu um sorriso.
— Pode falar. — Responde com uma voz doce. É até difícil de acreditar que ela é capaz de falar assim. Deixando-me nervosa com seus movimentos, Fiona se levanta e rodeia a mesa, parando ao meu lado.
Eu estava em uma zona de perigo, mas eu precisava ir até o fim.
— É a primeira vez que estou pedindo, então vou ser bem educada. — Aviso, e ela arqueia a sobrancelha. — Eu gostaria de pedir que você parasse de me ligar, e gostaria também, que você parasse de me seguir por essa escola. — Falei de uma vez, mas não pareceu se abalar. — Eu preciso respirar, e você não está deixando. — Acrescentei já em tom irritado. Pensar e falar desse assunto me altera facilmente. — Se você acha que é assim que vai conseguir alguma coisa comigo, está completamente enganada. — Deixo claro. — Eu não conheço você. Eu não gosto de você. Você não me conhece também e com certeza não gosta de mim também. Não existe apenas eu de aluna loira, ou mulher loira, que você pode se interessar. Não existe apenas uma Emma Swan. Então trate de procurar outra para se obcecar e me deixe em paz.
— Eu posso até apagar o seu número, mas depois eu consigo de novo. — Dá de ombros, ignorando todo o resto que eu falei. Sobre o seu tom doce e calmo? Já estava me dando medo. — Então não adianta muito. — Acrescenta com deboche.
— Com quem você conseguiu? — Eu podia sentir a frustração correr por meu corpo.
— Acho que você quer saber demais. — Botou os braços para trás e se apoiou neles. Seus olhos me observavam de baixo à cima.
— Afinal, o que raios você quer comigo? Por que justo eu, com tantas por aí? — Seu sorrisinho nojento me dizia que era uma perda de tempo eu estar ali, colocando-me em risco para falar com essa mulher. — Por favor, apague o meu número e não me ligue mais. — Pedi, apontando um dedo. — E pela última vez, pare de me seguir. — E então desviei de seu corpo encostado na mesa, que estava bem próximo do meu, e direcionei meus passos até a porta, porém, antes que eu pudesse alcançar a saída que me deixaria em uma zona segura, Fiona me puxou pelo braço e me jogou na parede. Eu espero, sinceramente, que não cresça um galo em minha cabeça, porque com a força que ela bateu no concreto atrás de mim, eu poderia até ter um traumatismo craniano, quem sabe. — O que você está fazendo? Está louca, mulher? Por favor... — E então seu corpo prendeu o meu com força, e sua boca, sem permissão alguma, aprisionou a minha em um beijo grosseiro. Tentei morder sua boca, mas ela acabou por morder a minha, que rapidamente começou a sangrar e gosto de ferro se misturou. Tentei me soltar, empurrando-a, porém ela segurou minhas mãos, prendendo-as na parede. Mas eu não podia desistir. Eu estava prestes a tentar lhe chutar, quando, para minha salvação, mas também minha desgraça, a porta da sala se abriu, chamando a atenção de Fiona, que me soltou rapidamente, e uma Regina toda sorridente, apareceu nas nossas vistas. Seu sorriso de outrora já nem existia mais.
Puta que pariu!
Se Regina não veio desesperadamente até aqui para tirar essa mulher de cima de mim, apesar dela já nem estar mais, como fez da outra vez, é porque a coisa está bastante feia para o meu lado.
Mais uma vez, Regina apareceu na escola sem eu saber e me viu com essa mulher. Para piorar tudo, com a boca colada na minha. Dessa vez, até sangue tem. Se eu soubesse que ela viria por aqui hoje, eu não teria inventado de ir tirar satisfação com Fiona.
Droga! Eu estava fodida, e não era de um jeito bom.
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