Next to Me
19 Next to me - 19
Ao abrir meus olhos, vejo-me mergulhada em uma imensa escuridão.
Sinto braços ao redor de mim, e ao olhar para baixo, apesar da falta de luz, consigo ver os curtos cabelos de Regina, espalhados em mim.
Ainda estamos do mesmo jeito que nós tínhamos ido dormir na noite anterior.
Sorrio com o fato.
Além de estar dormindo ao lado dela, abraçadas como estamos, — acho que essa é a melhor parte disso tudo, — a cama é muito confortável — sim, eu prezo bastante por um bom colchão, — e fará muito bem para a minha coluna.
Tento encontrar em cima da mesa de cabeceira, o relógio, e depois de muito forçar a vista, consigo ver que já são 7 horas da manhã, e que eu preciso me levantar. Infelizmente.
Assim como da vez em que consegui sair de seus braços sem acorda-la, na noite anterior, move-me devagar e com cuidado, logo conseguindo colocar um travesseiro no lugar em que eu estava.
Antes de eu sair do quarto, pude vê-la se aconchegar mais, no que deveria ser eu.
•§•
Mais uma vez, luto contra o fleche da minha bolsa lotada, pego uma roupa limpa e minha escova de dente, e vou ao banheiro.
Após sair do banho e escovar os dentes, sentindo-me mais renovada, — sempre que eu saio do banho, sinto-me mais viva, e eu adoro essa sensação, — guardo minhas roupas sujas na bolsa novamente, e vou direto para a cozinha, preparar o nosso café da manhã.
Decidi levar Regina novamente para o jardim, já que gostou tanto e ficou tão feliz ontem. Por isso, serei breve nas tarefas agora de manhã, para que então possamos passar mais tempo lá fora.
De acordo com a lista feita por Tinker, hoje o café da manhã será iogurte e gemas de ovo. Ou o ovo inteiro.
Resolvo fazer dos dois jeitos, e deixar por conta dela, a escolha. Corto duas maçãs e laranjas para mim, e preparo um copo de leite para acompanhar.
Depois de tudo pronto, sigo para o quarto, para acorda-la.
— Rê! — Chamo-a baixinho, acariciando seus cabelos. — Hora de acordar, dorminhoca...
— Só mais dois minutos, mamãe... — Responde manhosa e enfia a cabeça de baixo do lençol. Acho graça da sua atitude. Balanço a cabeça negativamente, ainda com um sorriso nos lábios, e sento-me na cama. Se eu pudesse, já estaria fazendo cócegas e a empurrando da cama, só para acorda-la logo.
— Meu amor, a mamãe precisa ir trabalhar. — Entro na brincadeira. Só na brincadeira mesmo, pois eu não iria querer ser mãe ou filha de Regina. Não mesmo. Não que ela seja uma pessoa ruim, e por isso seria uma má filha ou mãe, mas sim porque não é desse jeito que eu quero fazer parte da família dela, e eu não iria poder beijá-la nos lábios, como tanto quero, ou fazer qualquer coisa mais íntima, pois não sou fã de incesto.
Balanço a cabeça negativamente, espantando esses tipos de pensamentos que não são muito do meu agrado, e continuo a brincadeira: — Porém, antes de sair, eu gostaria de deixa-la bem alimentada. — Regina remexe-se na cama.
— Tudo bem. — Responde-me e começa a sorrir, ainda por debaixo do lençol. — Já estou levantando mamãe, Emma... — Tira a coberta de cima da cabeça e me encara com um sorriso sapeca no rosto. — Bom dia, Em... — Cumprimenta-me mais séria e com a voz rouca.
— Bom dia, Rê. — Dou um beijo suave em sua testa. — Vamos tomar café da manhã em um lugar diferente hoje... — Vejo sua expressão de confusão e continuo: — Lá fora, em baixo da sua macieira. — Explico-lhe e vejo-a abrindo um sorriso ainda maior e fazendo ‘’êh’’ com as mãos um pouco levantadas, causando-me risos por causa da sua comemoração.
Assim como das outras vezes em que precisei leva-la para algum lugar quando precisava, peguei-a em meus braços como se tivesse lhe abraçando, e fui em direção à sala.
Apesar de Regina ser muito pesada, com muito esforço, do qual eu tentava não demonstrar, eu conseguia me locomover com ela em meus braços, para os lugares necessários.
Dessa vez ela não ficou com as pernas levantadas para não bater com os pés no chão, mas sim, rodeou-as por minha cintura, como uma criança pequena no colo dos pais, e mais uma vez deitou a cabeça em meu pescoço, fazendo-me sentir sua respiração em minha pele, deixando-me arrepiada, desejando ficar assim por mais tempo, e ajudando minha mente a imaginar milhões de coisas que poderiam ser feitas naquela posição. Principalmente quando perto de uma parede, cama ou sofá.
Assim que cheguei à sala, acomodei-a em um dos sofás e fui atrás de sua cadeira de rodas. Passado alguns minutos e eu voltei para a sala com ela. Coloquei-a em cima e fui para o quintal. Diretamente para a Macieira. Depois, voltei correndo para a cozinha, peguei o nosso café da manhã e voltei para o jardim.
— Em, eu quero descer. — Pede-me manhosa, como uma criança de cinco anos pede um brinquedo para a mãe.
— Não sei se é uma boa ideia... O tronco da árvore não é macio como o sofá ou a cama... — Dou umas tapinhas na madeira. — Pode acabar te machucando. — Explico-a, vendo-a mudar a expressão de feliz, para triste. Não aguentando ver sua carinha triste, penso em um jeito de realizar sua vontade. — Tive uma ideia pra realizar o seu desejo. — Anuncio, conseguindo tirar sua expressão de triste, e colocando um sorriso nos lábios.
Devagar, tirei-a de cima da cadeira, coloquei-a sentada na grama, um pouco afastada do tronco, sentei-me por trás, me encostei à macieira e a puxei lentamente para trás, para se encostar-se a mim.
— Melhor agora? — Passo meus braços por sua cintura, abraçando-a e trazendo-a mais para mim.
— Sim, bem melhor agora, meu gênio. — Começa a acariciar meus braços, deita sua cabeça em meu ombro, e fecha os olhos.
Assim que vejo seu pescoço tão acessível par mim, e o cheiro do seu perfume, — que é o meu preferido, — sinto uma enorme vontade de beija-lo, porém me contenho. Não posso fazer isso. Regina estranharia minha atitude, e eu não saberia o que dizer se ela perguntasse o porquê eu ter feito isso.
— Vamos tomar o café da manhã agora? — Uso a desculpa do café só para que ela saia da posição em que está, antes que eu faça uma besteira.
Estico-me um pouco, pego o prato e o copo de iogurte, e a entrego.
Regina come em silêncio, e eu fico a observar-lhe comer. Não tinha o que falar e/ou fazer. Só em estar na presença de Regina, era o suficiente para mim. Não precisávamos trocar palavras para que o momento se tornasse bom. Resolvi não acompanha-la no café, porque assim que me acordo não tenho muita fome, ela só aflora depois de um tempo, então deixei meu prato de lado.
Enquanto minha professora saboreava seus ovos, o meu celular começou a tocar.
Era Tinker. Provavelmente para saber como as coisas estavam.
Pensando nisso, passo logo o celular para Regina conversar com ela.
Regina conversa um pouco com Tinker e depois de alguns minutos, pelo tipo da conversa, percebo que ela está falando com outra pessoa.
Posso imaginar quem seja.
Depois de alguns minutos, Regina fala o nome da pessoa, confirmando minhas suspeitas.
No segundo seguinte, após ouvir o nome de Robin, sinto a raiva e o ciúme, como se eu estivesse no direito de sentir tais coisas, correr por meu corpo.
Para espantar esses sentimentos ruins, volto a abraça-la e encosto minha cabeça na sua, como se eu estivesse carente. Talvez eu estivesse mesmo. Com a mão livre, Regina inicia um carinho gostoso em um dos meus braços. Não sei se ela percebeu algo, eu espero que não. Só sei que ficou me acariciando até terminar de falar com o marido e encerrar a ligação. O que não demorou muito. Graças a Deus.
— Em, está tudo bem? — Pergunta-me com um tom um pouco preocupado.
Droga! Acho que ela percebeu algo sim.
— Sim... — Murmuro. Ela não insiste e eu agradeço por isso.
Ficamos alguns minutos em silêncio, escutando apenas o barulho do vento nas folhas das árvores.
De repente, Regina começa a mexer no meu celular que ainda estava em suas mãos. Enquanto passava as fotos, e perguntava algo sobre uma e outra, e eu explicava, uma foto dos meus pais aparece, fazendo-a parar nela.
— Quando foi a ultima vez que você falou com eles? — Pergunta-me em um tom baixo, como se estivesse com medo de fazer aquela pergunta, ou o assunto fosse proibido.
— Uns três meses atrás. — Respondo um pouco triste. Estava sentindo muita saudade dos meus pais, e estava muito preocupada também, pois a ultima vez que tentei falar com eles, há um mês, eu não consegui, e isso me preocupou, pois não tenho notícias deles já faz bastante tempo. Não faço ideia de como estão.
Regina nada responde, apenas aperta meu braço, e continua a passar as fotos no celular, até que encontra uma nossa, que foi tirada no pátio da escola, uns meses atrás, logo depois do intervalo.
Sorrio ao lembrar-me daquele dia. Era o seu aniversário e eu queria muito, jogar farinha em sua cabeça, para comemorar.
— Você se lembra desse dia? — Pergunta-me já sorrindo. Pelo jeito, ela também lembra.
— Como eu poderia esquecer? — Indago retoricamente, pegando o celular de sua mão e observando melhor, a nossa foto. — Foi um sacrifício te pegar na saída para eu fazer a comemoração. — Relembro ainda sorrindo, enquanto olhamos para a foto.
— Você queria jogar farinha no meu cabelo. — Diz em um falso tom de indignação.
— Que por pouco eu não consegui, no final da aula... — Lembro-a.
Naquele dia, depois do intervalo eu decidi fingir que não queria mais fazer isso, e quando deu a hora de ir para casa, eu me escondi atrás de seu carro, para tentar pegá-la, e finalmente fazer o que eu queria. Todavia o Killian acabou entregando o nosso esconderijo. Ela só voltou para perto do carro depois de muito me implorar, para não suja-la. Eu com pena, acabei cedendo ao seu pedido.
Ficamos mais algum tempo relembrando alguns momentos que tivemos na escola, e outros fora também, até dar a hora do almoço. Não tocamos mais no assunto dos meus pais, e eu acabei esquecendo por um tempo, as preocupações que tinha, por não ter conseguido falar com eles.
•§•
Quando deu a hora do almoço, coloquei-a em cima da cadeira de rodas, e levei-a para a cozinha.
Enquanto eu preparava a comida, continuamos a conversar mais, sobre as coisas da escola e outros assuntos também.
Depois que terminei de cozinhar, e preparar tudo nos pratos, voltamos para o jardim, e escolhemos um lugar com sombra.
Satisfazendo sua vontade, estendi um lençol no gramado, e sentamos, — com ela entre as minhas pernas para poder ter onde se apoiar, — e eu, dessa vez, sem apoio nenhum, e começamos a almoçar, entre risos e conversas.
E apesar de ter sido um pouco dificultoso, segurar meu prato e comer, com Regina entre minhas pernas, eu consegui dar um jeito de fazer, sem precisar tira-la do seu lugar.
•§•
Depois que nós terminamos de almoçar, afastei nossos pratos e copos, deitei-me na grama e a deitei por cima de mim.
Ficamos assim até ela pegar no sono e ser acordada por meu telefone tocando. Era Ruby querendo colocar a fofoca em dia. Para brincar com ela, coloquei a ligação em viva voz e não avisei, e Ruby só percebeu depois que ouviu as risadas de Regina por conta de suas loucuras.
Conversamos um pouco com Lucas e Jones, que chegou logo depois na casa dela, e entrou na conversa, e depois de acabar com seus créditos, e também os de Killian, resolvemos entrar na casa, pois Regina precisava tomar um banho, e tomar um dos remédios.
•§•
A noite de domingo chegou rápido, e junto com ela a minha tristeza. Seria as ultimas horas em que ficaria com o meu amor, cuidando dela.
Depois de jantarmos, e ela tomar o último remédio do dia, escolhemos um filme para assistir. Na verdade, ela quem escolheu dessa vez, porque fiquei com medo de escolher algum, que tivesse o que não deveria.
Sua escolha foi “A Prova de Fogo”, que tinha por sinopse: “No trabalho o bombeiro Caleb Holt é um profissional que cumpre com todos os princípios, sendo um deles nunca deixar um companheiro para trás numa situação de perigo. Já em sua casa, ao lado da esposa Catherine, as coisas são bem diferentes. Caleb é um marido ausente e depois de sete anos de união o relacionamento está chegando ao fim. O pai de Caleb pede então que ele inicie uma experiência de 40 dias, denominada "O desafio do amor", na tentativa de salvar o casamento”.
Após ler a sinopse, uma dúvida passou pela minha mente.
Será que Regina faria o mesmo, ou ele talvez, para salvar o casamento, caso estivessem com problemas?
Eu seria uma pessoa ruim se torcesse para que a resposta fosse não?
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Após o fim do filme, depois de muito Regina chorar por causa do final, ficamos conversando um pouco até novamente pegarmos no sono, agarradinha uma a outra, como na noite anterior.
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