Next to Me

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Notas iniciais
Obrigada a todos os favoritos e comentários. É muito bom ver vocês interagindo.

Quando desperto, provavelmente horas mais tarde, noto o quão escuro a casa está.

Um medo corre pelo meu corpo. Desde pequena eu tinha a impressão de ver pessoas mortas e ensanguentadas no escuro.

Fico deitada por uns segundos no sofá, pensando no que fazer, e então fecho os olhos, sentindo o medo apossar-se do meu corpo, porém logo lembrando que se você fecha os olhos, é pior ainda. Torno então a abrir os olhos e, num pulo, me levanto do sofá, e no escuro mesmo, sem olhar para trás ou para os lados, começo a procurar o interruptor para acender a luz do cômodo que estou.

Desesperada para encontrar o bendito interruptor, eu acabo esbarrando em algumas coisas, o que provoca um grande barulho, e acaba por acordar Regina, pois escuto sua voz, um pouco mais baixa, chamando meu nome.

— Emma? — Chama mais uma vez, após não obter uma resposta vinda da minha parte, da primeira vez. — É você que está aí? — Pergunta um pouco mais alto.

— Hey... — Respondo um pouco envergonha. — Onde fica o interruptor da sala?

— Perto da TV. — Responde rapidamente. — Cuidado para não esbarrar no centro, e não se machucar. — Avisa-me, sorrindo, fazendo-me ficar corada.

Ainda bem que você não está me vendo agora.

Andando devagar para não bater em mais nada, coloco os braços à frente do meu corpo, para saber o que tem por perto, até sentir a TV. Passando a mão pela parede, encontro o abençoado interruptor e finalmente dou a luz àquele lugar.

“Dou a luz” foi ótimo. Sorrio com o pensamento idiota.

Agora que tudo está mais claro, vou logo para a cozinha em busca da lista de afazeres, para saber se é hora de alguma coisa.

Quando pego o bloquinho e olho os horários das coisas, observo em um relógio que tem na parede da cozinha, que é hora de um dos remédios que Regina tem que tomar.

Para minha sorte, o remédio está em cima da bancada, vem visível aos olhos. Deixo o bloco de notas em cima da mesa, e pego o frasco. Retiro uma cápsula, pego um copo com água e vou em direção ao quarto.

Quando chego à porta, que diferente da outra vez, estava aberta, dou um longo suspiro, crio coragem e finalmente entro.

Assim que estou totalmente dentro do cômodo, vejo que Regina está lendo algum livro. Ela está usando o seu habitual óculos de leitura, e está tão linda desse jeito, concentrada, lendo.

Segundos depois ela percebe minha presença. Solta o livro em cima da cama, e abre um sorriso para mim. Eu retribuo.

Regina bate ao seu lado no coxão, chamando-me para se sentar ali.

— Oi... — Murmuro. — Caminho até ela e sento ao seu lado, como foi pedido. Coloco o copo em cima da mesa de cabeceira que tem ao lado da cama e mostro-lhe o conteúdo em minha mão.

— Hm... — Faz uma careta fofa, fazendo-me rir, mas pega o comprimido da minha mão, e o engole sem água alguma. Fico boquiaberta por ela ter uma facilidade tão grande para engolir o comprimido sem uma gota de água. Se fosse eu, nesse exato momento, eu estaria tendo um ataque de vômito, provavelmente, e já estaria chorando.

Regina sorri da minha expressão e pega o copo com água, logo dando um generoso gole.

— Você não usa água? — Indago ainda surpresa.

— Costume... — Responde simplesmente, e da um sorriso. Esse sorriso, que eu me derreto toda quando vejo. A verdade é que eu sempre achei o sorriso de Regina, lindo. Desde quando a vi pela primeira vez na sala de aula. Naquela época, eu só não admitia, por não gostar dela. Agora que eu estou me apaixonando por ela, o acho mais lindo ainda.

— Como você sabia que era eu? — Pego o copo de sua mão, e coloco onde estava antes.

— Porque, fui eu quem pediu a Tinker para chamar você para cuidar de mim, enquanto ela e Robin estivessem fora. — Abro a boca surpresa e fico um pouco envergonhada. Ela percebe o meu embaraço e sorri. — Além de que, só poderia ser você... — Acrescenta.

— E se fosse um ladrão? — Indago curiosa.

— Bem, se fosse um ladrão, acredito que, com certeza, eu teria me acordado assim que ele tivesse entrado.

— Entendi.

— E também, de alguma forma, quando eu me acordei, eu senti seu cheiro. — Acrescenta, pegando-me de surpresa. Dou um sorrisinho sem graça, sentindo que minhas bochechas estão coradas.

Para sair desse momento tenso, resolvo mudar de assunto.

— Que livro você está lendo? — Aponto para o mesmo, do outro lado da cama. Regina se estica um pouco, pega-o e me entrega. Assim que vejo o nome do livro, fico surpresa. É um livro do meu escritor favorito. Será que ela também gosta tanto quanto eu, do escritor?

— Não sou fã de romance, mas gosto bastante dos livros do Nicholas, e acredito que, dentro desse tipo de leitura, ele seja o meu escritor preferido. — Murmura como se tivesse lido os meus pensamentos.

— Se eu te disser que é o meu também, você acredita? — Pergunto empolgada.

— Não só acredito como também já sabia. — Responde-me mostrando um sorriso, e pegando em minha mão.

— Como assim, você já sabia? — Indago confusa e bem curiosa. Eu não me lembro de já ter dito que gosto de ler, e muito menos que gosto dos livros do Nicholas.

— Ao longo desses anos que nos conhecemos, eu sempre vi você lendo na minha aula... Nos momentos vagos... — Explica-me. — Os livros eram sempre do Nicholas, e por isso deduzi que era seu escritor favorito. — Conclui acariciando minha mão, com movimentos de círculos.

Fico momentaneamente sem resposta. Fui pega de surpresa. Não sabia que ela prestava tanta atenção assim em mim.

Para que a situação não voltasse a ficar tensa, decidi continuar no assunto.

— Qual o seu livro favorito dele? — Indaguei extramente empolgada.

— Fico na dúvida entre ‘’O melhor de mim‘’ e ‘’O guardião‘’. — Responde. — E o seu? — Solta minha mão e logo sinto falta do contato e do maravilhoso carinho que ela fazia.

— ‘’O melhor de mim’’ sem dúvidas é o melhor, para mim. — Ela abre um sorriso e eu a acompanho.

— Ele é realmente bom. — Balanço a cabeça concordando. — Você já leu este que estou lendo? —Aponta para o livro.

— Estou na metade, ainda. — Fiz uma careta. Na verdade, fazia bastante tempo que eu não o pegava para ler, quando já deveria ter acabado e ter lido os outros. — É uma história muito boa também... — Ela assente. — Inclusive, não me aguentei e acabei lendo o final para saber se minhas suspeitas quanto a história, estavam certas. — Ela gargalha, e por breves segundos, eu fico perdida, observando aquele sorriso.

— Assim perde a graça. — Comenta, chamando-me de volta para a Terra.

De repente, vejo o copo que ela usara, em cima da mesa de cabeceira, e me lembro de que preciso da uma olhada novamente no bloquinho de notas, para saber se tem mais algo para fazer agora. Nada poderia ser feito em horário diferente. Isso poderia trazer consequências.

— Aonde você vai? — Pergunta-me segurando o meu pulso de leve, a me ver levantando-se da cama.

— Vou levar o copo para a pia e ver se preciso te dar mais alguma coisa agora. — Explico. Regina murmura um “ah, ok” e solta meu braço. — Volto logo. — Pego o objeto, e saio do quarto.

— Esse “preciso te dar mais alguma coisa” foi tão duplo sentido. — Murmuro baixinho para que Regina não escutar, e dou um sorriso, balançando a cabeça negativamente.

Quando chego ao cômodo, coloco o copo na pia, e logo o lavo. Não quero bagunçar a casa de Regina. Apesar de que, se eu bagunçasse, com certeza, eu também arrumaria.

Em seguida, pego o bloquinho de notas e observo os horários, logo encontrando o que devo fazer.

— Sério que eu terei que dar banho nela? — Indago-me, olhando para o nada. — Quer dizer... — Voltei a olhar para o papel. — Ajudar no banho? — Já estava sentindo minha pele queimar de vergonha, só de me imaginar fazendo isso.

Por que será que tem horário até para tomar o banho?

Até onde eu sei, a pessoa toma banho quando quer. Quando sente vontade. Quando está precisando, não é? Exceto quando se é criança, que tem certa hora para tomar banho.

Volto a encarar o papel em minhas mãos e percebo uma observação: “É necessário que Regina tome banho nesse horário marcado, e que ele não seja ultrapassado, foram ordens médicas”.

Está aí uma coisa que eu não sabia.

Por que tem que ter hora marcada para o banho e não pode ultrapassar?

Lembro-me de que quando a avó de Ruby também se operou, no ano passado, não lembro mais de que, mas foi algo na barriga, também teve essa ordem de “tomar banho em tal horário, e não ser ultrapassado”, mas nem eu e nem ela, nunca entendemos o motivo.

Será que tinha a ver com a temperatura da água? Porque em certo momento, a água é mais fria, ou mais quente. Isso vai do horário e até mesmo do dia. Mas no que isso influenciaria?

Talvez seja só invenção mesmo e não tenha motivo algum, pois nunca, realmente, nunca, tinha visto algo parecido. Mas enfim... São perguntas que eu só terei respostas, se um dia eu for médica.

Quem sabe eu não consiga ser, não é?

Desperto dos meus devaneios sobre o horário marcado de tomar banho, devido ao barulho de notificações do meu celular, e volto a minha atenção para o bloquinho em mãos. Arranco a folha com as instruções que devo seguir e jogo-o em cima da mesa.

Observo no relógio de parede da cozinha, que falta poucos minutos para o banho da minha criança, e decido ir para o quarto avisá-la e perguntar como o procedimento é feito.

Ao chegar em frente ao quarto, respiro fundo, criando coragem e me segurando para não corar quando der a notícia, e então entro.

— Gina, é hora do banho.

Notas finais
Agora é com vocês!