P.O.V. Homem Roxo

Aquela pizzaria dos problemas não fecha de jeito nenhum. Há dias venho convencendo colegas meus que trabalham em um jornal a criar manchetes falsas, mas os Ciphers sempre arrumam uma forma de convencer as pessoas que está tudo bem. Eu arrumava fotos e vídeos, mas aqueles incompetentes não conseguiam fazer dar certo.

Foi por isso que entrei em ação. Se quer que algo saia direito, faça você mesmo. Quando ataquei o Bonnie não imaginei que continuaria voltando àquele lugar e acabaria por desmontar outros robôs, mas aconteceu.

Os Ciphers vinham sempre com alguma desculpa: reparos nos robôs, apresentações diferentes a cada dia e por aí vai. Eles sempre restauravam os robôs que eu destruía. Por algum motivo, eu não conseguia apagar os seus arquivos e eles sempre se lembravam de que foram atacados pelo "Homem Roxo".

Vou explicar isso. Em meu primeiro ataque eu estava seguindo Toy Freddy, mas o perdi em uma sala que estava cheia de latas de tinta spray. Eu derrubei uma das prateleiras sem querer e várias latas de spray roxo caíram no chão e estouraram, me deixando completamente pintado. Bonnie provavelmente ouviu o barulho e entrou na sala. Ele me encarou, confuso e tentou fugir para chamar ajuda. Todos depois dele tentariam isso. E eu diria o mesmo:

Você não pode.

Eu não poderia ser avistado, é claro. Segurei o cabo de minha faca com força e parti para cima do robô.

Foi me baseando nisso que decidi que o roxo seria meu disfarce. Era perfeito. O sistema dos robôs não conseguia interpretar um humano roxo, então nenhum deles se lembraria de meu rosto.

Bonnie, Foxy, Chica, Freddy, Fredbear. Todos os robôs que ataquei. O problema é que eu não queria eles, só que me flagraram e eu simplesmente não poderia deixá-los sairem correndo para chamar alguém. Não haveria tempo o suficiente para que eu pudesse fugir.

Isso não era tudo. Os fantasmas me perseguiam. As crianças assassinadas...parece que sempre que alguma pizzaria Freddy's nova aparece, elas voltam. Acho que o negócio de um "Homem Roxo" a solta por aí não as deixava muito felizes. Eu costumava vê-las, por lá. O ruim era quando elas ME viam. Começavam a me perseguir e eu precisava fugir.

Mas eu não desistiria tão facilmente. Eu vou conseguir. Eu PRECISO conseguir. Algo se aproxima. Algo horrível. Eu sei disso. Tenho que fechar esse lugar a qualquer custo.

Mais uma noite e eu estava de volta com minha ferramenta preferida, a faca. Com ela posso fazer de tudo: desaparafusar, cortar fios, furar coisas...

A minha já estava toda manchada. Com essa coisa de "humanizar", a Belle inventou de mexer com o óleo para deixá-lo com uma cor avermelhada. Veja bem, o óleo corre pelos corpos dos robôs, como o sangue correria pelas veias dos animais, e a Cipher queria fazer até isso parecido com os humanos. O negócio ficou em um tom de vermelho vivo, sei lá como.

Por uns bons minutos fiquei observando o palco dos Toys. Estavam todos lá, conversando animadamente. Então, Toy Freddy saiu de perto de todos. Abri um sorriso psicopata e avancei na direção do robô solitário.

Claro que algo me atrapalharia. Algum robô? Nah, que me dera. Eram as almas. Elas me viram. Ah, não...

Embainhei minha faca e saí correndo o mais rápido que pude, mas tinha um probleminha: seres vivos se cansam. Meu coração estava a mil e minha respiração, acelerada, quando ouvi uma voz dizendo:

—Hey, crianças, o que está acontecendo?

Assim que notei que as crianças pararam, pulei para dentro do primeiro esconderijo que vi pela frente. Era uma ventilação. Que ironia..., pensei.

—Por que estão apontando para aquele duto?-perguntou a voz de Puppet.

As almas das crianças não estão em corpos, então não podem falar. Fui salvo por isso.

—Hey, crianças, por que não vão fazer algo diferente? Não tem nada nessa sala, amiguinhas.

Um tempo de silêncio. Será que foram embora?

—Por que estão apontando frenéticamente para aquela ventilação?-Puppet perguntou.

Argh! Tive que me arrastar pelo duto de ar e virei para a esquerda. Ouvi passos se aproximando do lado de fora. Eu não me afastei muito da saída da ventilação, então se algo se aproximasse de alguma outra direção, eu teria uma saída estratégica.

Claro, eu seria levado direto até as crianças, mas que outra opção eu teria em um caso de emergência ali dentro? Ir direto até seja lá quem é tão louco quanto eu para estar em um duto de ar?

Os passos pararam e imaginei o que estaria acontecendo lá fora.

—Não há ninguém aqui dentro-a voz de Puppet ecoou pelo duto, me fazendo estremecer.

Imaginei se ele iria embora agora. Por sorte, foi o que aconteceu.

—Venham, crianças, vamos brincar em algum outro lugar. Vou chamar o Balloon Boy, o que acham? Vai ser diverti...-conforme falava, a voz do robô ficava cada vez mais distante.

Quando não consegui ouvir mais nada, suspirei, aliviado. Cara, aquela chegou muito perto! Arrastei-me para fora daquele duto de ar claustrofóbico e corri o mais silenciosamente que pude para longe dali.

Toy Freddy foi o primeiro robô que vi. Segui o cara por algumas salas. Eu me aproximava lentamente, torcendo para conseguir prendê-lo em alguma sala que só tenha uma porta. Segui reto por um corredor, virei a direita e...

Ele sumiu.

Eu odeio esse cara.

Andei pelo enorme Salão de Festas Principal. Olhei debaixo das mesas, nas caixas espalhadas e em qualquer outro lugar que fosse possível que um robô do tamanho de Toy Freddy pudesse se esconder. O cara não estava em lugar nenhum. Como ele sumia assim?

Mas é claro que aquelas crianças apareceriam. Cara, eu não matei vocês, me deixem em paz!

De novo, eu saí correndo. Virei depois de sair da sala, entrando no corredor e procurando algum lugar para me esconder. Havia um duto de ar não muito longe do chão. Olhei para trás. Elas não tinham chegado ao corredor. Perfeito.

Pulei e segurei à entrada do duto, torcendo para não cair. Com um pouco de dificuldade, consegui entrar na ventilação. Então, por alguns segundos, fiquei tenso, imaginando se as crianças me viram.

Ao encarar o chão lá embaixo, vi as almas passarem pelo duto sem nem olhar para cima. Ufa! Esperei um tempinho para que eu pudesse me acalmar e ter certeza de que as crianças saíram do corredor. Então, saltei para fora da ventilação.

Ouvi alguém arfar atrás de mim. Mas não era um ser humano. Com o tempo, aprendi a diferenciar a respiração de uma pessoa da respiração de um robô.

Sorri. Bem, não consegui atacar Toy Freddy...de novo...mas eu ainda poderia deixar um avisinho para o povo. Desembainhei a faca e me virei para ver quem seria minha vítima.

Puppet me encarava, assustado.

Meu sorriso vacilou pelo segundo que levei para recuar um passo. Ah, não. Será que ele me reconheceu?

Talvez ele apenas estivesse assustado pelo fato de eu ser o tal Homem Roxo que atacou seus amigos. Os seus circuitos não o permitiriam me reconhecer.

Eu não sabia o que fazer. Será que eu apenas o ameaçaria a ficar de boca fechada? Será que eu conseguiria atacá-lo se eu tentasse? Abaixei a faca.

Eu não posso.

Notas finais
Então, gente, eu estava ouvindo aquela música de FNAF 3, It's Time to Die e decidi tentar fazer uma versão em português dela. Depois de uns dias de trabalho, consegui fazer e vou compartilhar o resultado com vocês. Então, só vou deixar uma coisinha clara... PLÁGIO É CRIME! Enfim, a letra ficou: Trinta anos se passaram Trinta anos pra retornar Sangue no chão e em seu olhar Depois da mordida os deixaram pra trás Trinta anos e aqui estou Para gritar, fui quem restou Nenhum sentido isso terá quando eu Te pegar com sangue a chorar Olhe para mim A morte em meus olhos pode ver Com o passar do tempo Minha energia e força vão crescer Eles não te pagam tão bem assim Refrão: Em Five Nights at Freddy's três Vou te caçar E você verá Irá queimar Quando a noite acabar É assim Em Five Nights at Freddy's três Um mundo de horror Feito por mim Seu fim está perto Sua hora chegou É tarde de mais Até você eu vou Não tem tempo pros brinquedos Porque sua alma vou pegar Aos poucos vou te encher de medos Não tem um bom jeito pra acabar Esses dutos e essas salas Na câmera vai vigiar Porque esse áudio não vai me parar Estou aqui, vadia! Sua luta acabará Estou livre Sua alma no meu lugar ficará Enquanto espera O tempo passa E aí já era Antes que note pegarei sua alma Refrão Trinta anos atrás eles eram apenas brinquedos. Apenas...colegas. Então aconteceu. O fogo em seus olhos se tornou imparável...indestrutível. Eles eram máquinas prontas para o golpe final. Mas trinta anos se passaram. Os patrões renovaram a franquia. Reconstruiram o pesadelo. Pobres idiotas Que porra fizeram? Estamos a caminho! 12 horas Você espera 1 hora Começa o show 2 horas Ando por aí 3 horas Até você vou 4 horas Agora é real 5 horas Sabe como é Será que chegará ao final? Hora de morrer Refrão O que pode usar? O poder divino O tempo vai acabar No final irá queimar (x2)