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2 I Will Put You Back Together
P.O.V. Ford
Bem, tínhamos basicamente nada para fazer. Os robôs não matam, tudo estava tranquilo...
Eu estava lendo um livro que falava sobre os estabelecimentos com atrações robóticas que já existiram na região.
Primeiro de tudo tivemos o Fredbear's Family Diner e o Freddy Fazbear's Pizza. Eram duas companhias "irmãs" por assim dizer, ambas com animatrônicos baseados na série Fredbear & Friends.
A Fredbear's fechou após uma série de falhas das spring locks de uma fantasia de Spring Bonnie. As roupas foram transferidas para o Freddy's, onde ficariam guardadas em segurança. Todos inclusive foram alertados de que as fantasias não deveriam ser usadas pelas pessoas em hipótese alguma. Tudo ia bem até que o lugar explodiu, por alguma razão ainda desconhecida.
Um tempo depois a Golden's Bakery abriu. Parecia ser a primeira localidade com robôs que iria longe, mas o dono adoeceu e precisou vender a franquia para pagar seu tratamento.
Anos depois foi aberta a Human! Freddy 'n' Friends's Pizzeria. Não pertencia à franquia Fazbear, mas os robôs humanizados eram baseados nos animatrônicos de lá. Tudo ia bem até que uma série de roubos e assassinatos começaram a abalar os ânimos dos donos. Então, depois de uma festa de aniversário, o lugar fechou. A notícia do que o fez fechar não se espalhou, mas eu sabia muito bem o que acontecera.
Um tempo depois construíram a Fazbear's Fright, baseada nos rumores que cercavam os estabelecimentos Fazbear. O lugar nunca chegou a abrir, pois pegou fogo. Eu achei melhor assim. Trabalhei lá e os pesadelos e alucinações que começaram a me perseguir me fizeram perceber que aquela gente estava mexendo com algo que não deveria.
Foi a vez da primeira Teddy's Cakes abrir. Devido a um problema de um robô tentar matar uma criança, o lugar fechou. Anos depois, o filho do dono abriu uma nova Teddy's, que não durou tanto. Ela fechou após perder os clientes para outro estabelecimento.
É aí que o The New and Improved Human! Freddy 'n' Friends's Pizzeria entra. Os Ciphers abriram esse lugar com uma versão mais "cute" dos robôs humanizados da antiga localidade. Eles também usariam os antigos em uma ala de terror, onde também colocariam dois animatrônicos que encontraram. Além disso, encontraram alguns robôs da Teddy's Cakes e decidiram usá-los aqui.
Eu fui cúmplice de uma ideia da Annie. Deixei ela chamar Henry Frey, o cara da manutenção na Golden's, para ajudar ela a mudar o visual. Fiquei meio preocupado disso causar problemas, afinal ainda era meu PRIMEIRO dia, mas os donos do lugar são tranquilos.
—O Henry já foi?-Arthur perguntou.
—Saiu há uns dez minutos-respondi.
—Tem certeza que isso não vai causar problemas?
—Absoluta.
—Certo. O que você acha de...
De repente, alguém entrou na sala pelo teto. Era a Mangle.
—Oi gente!-ela falou, pendurada de cabeça para baixo.
Os outros toys também vieram, assim como a maioria dos olds (o Bonnie não apareceu).
Eles estavan conversando, eu sabia disso, mas eu não prestava atenção.
Eu estava em uma sala pequena. Duas portas fechadas à minha esquerda e direita graças à uma galinha e um coelho. Em minhas mãos, um tablet mostrava que a Pirate Cove estava vazia. Uma risada cruel ecoava perigosamente perto. Eu precisava encontrar o dono da mesma nas câmeras. Mas eu cometi o erro de clicar na 2B. Ele estava na minha sala. Aquele som perturbador me fez gritar em agonia. A última coisa que vi foi o rosto daquele urso dourado, que me assombrou por tantos anos, me encarando com os buracos negros sem vida que eram seus olhos.
Só me dei conta de que aquilo era um pesadelo quando abri os olhos e percebi que Arthur me abraçava. Por alguns segundos, fiquei perdido, sem saber o que era real e o que não era.
Mas me lembrei que anos atrás, uns dias depois da morte de Vincent, ainda buscavam materiais da pizzaria. Pediram a Scott que olhasse tudo durante a noite, para ter certeza que ninguém entraria no lugar e roubaria nada. Em uma noite, ele desapareceu e nunca mais foi encontrado.
Claro, ninguém conectou isso com os robôs. Acontece que eu sempre tive um sexto sentido para essas coisas, como quando, um dia antes do que houve Vincent, sonhei que ele fora morto depois de ativar sem querer as spring locks de um animatrônico Spring Bonnie.
Por uns seis dias, tive pesadelos nos quais eu trabalhava em uma Freddy Fazbear's Pizza que nunca existiu, onde havia um grupo animatrônicos que pareciam ter algo morto dentro deles e um Foxy "fora de funcionamento". Toda noite eu recebia uma ligação daquela voz que eu conhecia tão bem e toda noite eu acordava ainda vendo a imagem do urso dourado que me atacara.
Até que, por volta da quarta noite, a ligação foi interrompida pelo "grito" daquele animatrônico que sempre me assustava, e eu soube que fora esse o final que Scott tomara.
Com tudo isso em mente, tentei manter a calma. Será que começaria tudo de novo? Os pesadelos e medos que tentei deixar no passado voltariam a me assombrar? Os robôs me olhavam, parecendo não entender o que estava acontecendo.
Abracei Arthur com força. Eu precisava disso. Precisava de alguém que me desse a certeza que eu estava no mundo real e não em um pesadelo que acabaria mal. Percebi que eu estava tremendo. Por que eu tive esse pesadelo? Não pode ser um bom sinal...pode?
Ouvimos passos no corredor. Pensamos ser o Bonnie, mas quando Arthur usou a lanterna...
Ah, não. De novo não. Era uma Spring Bonnie. Ao lado dela estava Fredbear. Não eram humanizados. Eram animatrônicos.
Por que não me deixam em paz? Por que me perseguem? Será que é isso o que meu pesadelo significava? Eu vou ser morto pelos dois animatrônicos que me assombraram minha vida toda?
Spring Bonnie entrou na sala como um foguete. Os robôs começaram a correr para todos os lados, desesperados. Arthur pegou a lanterna desajeitada e desesperadamente, caindo da cadeira. Ele danou a piscar a luz na cara do bicho, mas não adiantou.
Spring Bonnie veio em minha direção e agarrou meu braço. Todos observavam, paralizados. O animatrônico deu um passo em minha direção.
—NÃO!-Arthur gritou.
É isso. É o fim.
Mas o que aconteceu em seguida foi...estranho.
Spring Bonnie me abraçou.
Eu fiquei tipo...WTF?
—Finalmente consegui chegar até você-falou Spring Bonnie, com uma voz robótica.
—Hã...você...fala?-questionei.
—Arrumaram minha caixa de som.
—E...por que está me abraçando?
—Não posso estar em uma fantasia de animatrônico que meu filho não me reconhece?
Eu gelei. Spring Bonnie acabou de me chamar de...FILHO?
—V...Vincent?-perguntei.
—Quantas pessoas que te adotaram e morreram dentro de uma fantasia de Spring Bonnie você conhece?-a voz do robô soou zombeteira.
É, era ele.
Senti lágrimas brotarem em meus olhos e me controlei para não as deixar cair. Abracei o animatrônico, quase sem acreditar no que estava acontecendo. Se eu estiver sonhando, não me acordem. Ficamos abraçados pelo que pareceram séculos.
—Awww, momento de família, que fofo-falou outra voz robótica.
Nos separamos e vi o Fredbear. Será que...
—Você seria quem estou pensando?-perguntei.
—Quem mais aguentaria o Vincent por tantos anos?-Fredbear emitiu um som que parecia uma risada.
—É, é o Scott-Vincent falou.
Sorri e o abracei também. Scott era quase como um segundo pai, mesmo não estando comigo o tempo todo. Ele era como...um padrinho. Eu também senti muito a falta dele.
—Hã...eu acho que estou com uns parafusos a menos-Arthur falou.
—Você TEM uns parafusos a menos-eu ri.
—Que engraçado, Ford-ironizou.
—Espere aí...esse é aquele garoto que você era afim?-Vincent perguntou-O tal do Arthur?
—Pai!-corei violentamente.
—Você gostava de mim desde aquela época?-Arthur sorriu maliciosamente-Bom saber.
—A surpresa não acaba aqui!-alguém gritou, pulando nas costas de Vincent.
—Que que ta acontecendo?-ele perguntou.
—Não sabe quem sou eu?
—Hã...você está nas minhas costas.
—Ah, certo, desculpe.
Ele voltou para o chão. Era o Puppet. Ele olhou para mim e sorriu.
—Você lembra da promessa do Fredbear? Naquele dia?
—Prometeu que "nos colocaria de volta juntos".
—E o que acha de dar um abraço no seu irmãozinho?-o robô sorriu.
Arregalei os olhos.
—K...Kenny?!
—Surpresa!-ele riu.
—Não pode ser...
—Mas é.
—Ok, se estiverem me pregando uma peça, é bom parar. Isso é muito foda para depois alguém vir falar que é mentira.
—Não é peça. É verdade!-Kenny me abraçou.
Os dois animatrônicos se juntaram à nós e logo estávamos em um abraço em grupo.
Vincent, Scott, Kenny e eu ficamos o resto da noite conversando. Caramba, fiquei tantos anos sem ver aqueles três que eu nem sabia o que pensar. Eu não sabia se falava, se os abraçava, se perguntava como estava a "vida" deles, ou sei lá.
Mas eu não me importava com a confusão na qual minha mente estava.
O que importava era que estávamos juntos de novo.
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