Newcomer.
29 Capítulo 29 - Aria. A beautiful name.
Notas iniciais
– Han... — Spencer tentou falar, mas a loira, que andava a frente, logo tratou de bloquear a fala da amiga com a mão direita, sem mesmo olhar para trás, entretanto, isso quase a desequilibrou. Conseguiu forças apoiando-se em um dos troncos das diversas árvores espalhadas por ali.
– Shiiiiiiu! — Sussurrou enquanto colocava a outra mão sobre seus próprios lábios, dando uma rápida olhada atrás de si, sem parar de andar depois de ter retomado o equilíbrio novamente. — Estamos quase lá. — O caminho era estreito e lamacento, mas isso não impediu que Hanna, Spencer e Emily persistissem nos trinta minutos adentro da floresta. Cada "creck" emitido pelo pisar nas folhas secas naquela tarde de sábado, fazia com que o coração das três Liars batesse fortemente contra o peito. Emily vinha por último, ocupada em mandar uma sms para Aria, avisando sobre onde estavam. Estava tão distraída que acabou esbarrando em Spencer que havia parado subitamente.
– Acho que chegamos... — Spencer constatou. Os últimos raios de sol conseguiam uma brecha, entrando por entre as árvores e iluminando uma pequena cabana de madeira em uma clareira.
– Han, como descobriu isso? — A morena indagou, dando um passo à frente, parando ao lado de Spencer. — É totalmente fora da trilha...
– E o que é, exatamente, isso? — Spencer aproveitou a deixa da amiga. — É assustador.
– Esperem... — A loira foi cuidadosamente abaixada até a janela mais próxima e empoeirada, que ficava a uma distância de quinze metros. Emily a viu olhar através do pequeno vidro e fazer algum gesto chamando-as.
– Você não vai... — Emily sussurrou quando chegou ao local, também abaixada, assim como Spencer. Era possível ter a visão parcial do lado de dentro da choupana, devido a poeira na janela. Pelo visto havia somente um aposento parecido com uma saleta aparentemente abandonada.
– Eu vou... — Hanna contornou o casebre mesmo com os protestos de Spencer. Algum tempo se passou até que um barulho vindo de cima de suas cabeças fez com que Spencer não conseguisse evitar que um grito escapasse de sua garganta. Prostrou suas mãos sobre o peito que arfava descompassadamente, assim como Emily, visto que as duas caíram devido ao susto. A loira se encontrava do lado de dentro do casebre e rolou os olhos com o susto tomado pelas amigas. Spencer e Emily fizeram o mesmo percurso, rodeando a cabana e adentraram por uma porta velha — também de madeira — que já se encontrava aberta. As duas começaram a passar os olhos esquadrinhando cada canto do local. Um local pequeno, por sinal. Havia um sofá velho no meio da sala, com uma lareira apagada e um tapete. No outro canto, no encontro de duas paredes, existia uma cama de molas, sem colchão e uma porta dos fundos. Perto havia uma torneira com uma pia improvisada e do lado oposto uma portinhola que denunciava um banheiro.
– Ok. – Hanna tomou fôlego. – Tudo começou quando eu estava abrindo minha caixa de correio quando vi “vocêssabemquem” passar.
– Hanna, isso não é um filme de um menino mágico que ganhou uma cicatriz! – Emily bufou.
– Ela andava apressadamente, olhando para trás como uma doida, acho que com medo de que alguém a estivesse seguindo. – A loira continuou. — Me escondi e comecei a andar. E isso foi o que me trouxe aqui. – As meninas arregalaram seus olhares.
– Você v-viu Elizabeth aqui? – Emily engasgou desconfortavelmente olhando para o local, como se não o tivesse feito a poucos segundos atrás.
– Sim, Emily. – A loira fez uma pausa e continuou. — E só pra constar, Harry Potter é vida, ok?!
– Hanna! – Spencer a repreendeu. – Foco! – Sobre o revirar dos olhos, a garota continuou:
– Eu a vi retirando algumas malas de esportistas da Le Postiche, desse lugar. Sei disso porque eu só compro as minhas lá. – Ela deu um sorriso para as garotas, como se esperasse algum reconhecimento pela informação. Mas como as mesmas não o retribuíram, ela prosseguiu com a cara fechada. — Não parecia nada pesado, porque ela estava a pé e conseguiu levar tudo numa boa. Acho que eram umas seis malas. – Ela parou para pensar. – Sim, definitivamente seis.
– Então vamos vasculhar isso aqui. – Emily jogou uma mecha teimosa de seu cabelo para trás da orelha e andou até a cama. De repente parou, vendo que a loira não havia se mexido enquanto Spencer se encaminhava para a lareira.
– Quê? – Hanna a olhou com o cenho franzido enquanto a morena se abaixou para olhar debaixo da cama de molas. – Estou tentando ligar pra Aria, mas aqui não tem sinal.
– Dê uma olhada no banheiro. – Teve que falar um pouco mais alto, devido a sua cabeça estar escondida pelo móvel.
...
Cerca de trinta minutos se passaram com deveras reclamações de Hanna, que tinha ficado com o sanitário. Ok... Ele não era tão ruim assim. Devidamente arrumado, mas sem nenhum resquício que alguém o estivera ocupando. Embora pequeno, continha uma divisória de vidro que separava o chuveiro do restante.
– Ok! Acho que talvez nós possamos ter exagerado. – A loira saiu do banheiro e encostou na parede próxima a Spencer, que agora analisava o sofá. – As vezes pode ser só uma cabana.
– Eu não acho. – Spencer levantou do chão e sentou-se no móvel, olhando atentamente algo em sua mão. No mesmo instante, as outras garotas sentaram-se ao seu lado e ficaram tensas, parecendo congelar. O nome de Toby Cavanaugh aparecia no final de um papel que não fora completamente queimado e um “X” vermelho cruzava a folha deteriorada.
– O-o que...? – Hanna prendeu o fôlego. – Isso quer dizer que... — As garotas mal tiveram tempo de raciocinar, pois o celular de todas as três soou no exato momento, o que foi estranho, visto que não pegava sinal onde estavam. Mesmo receosas, elas leram em voz alta:
“Dizem que garotas bronzeadas são as mais bonitas. Não precisam me agradecer por esse favor. XOXO.” -A.
De repente, um grande barulho foi ouvido do lado de fora, fazendo com que seus corações saltasse, assim como seus corpos e imediatamente um cheiro forte preencheu seus sentidos.
– Gasolina?! – Emily correu para a porta, tentando abri-la em vão, mas logo soltou a maçaneta, deixando escapar um gemido alto. – Está quente!
– FOGO! – Hanna apontou para a janela ao lado da amiga, que se afastou assustada. –Não! De novo não!! – As chamas altas e ameaçadoras eram visíveis do lado de fora e em questão de milésimos toda a cabana parecia estar cercada pelo fogo e tomada de fumaça, que fazia com que as amigas tossissem descontroladamente. A loira olhou mais uma vez para seu aparelho telefônico, que ainda estava sem sinal. Uma lágrima escapou de seu rosto, quando viu que Emily e Spencer lutavam para arrombar as portas, em vão.
– NO CHÃO! – Foi tudo o que Spencer conseguiu dizer com os resquícios de ar que restavam em seu pulmão, quando as janelas explodiram e cacos de vidros voaram por todo o local. Emily e Hanna obedeceram de imediato. Talvez, abaixadas poderiam prolongar seus minutos com vida. Spencer sabia que elas não durariam muito tempo ali. Emily um pouco mais, quem sabe, por ser uma nadadora. Ela mesma também poderia aguentar além do normal, devido aos jogos exaustivos de Hóquei. Já Hanna... Ela tentou afastar o pensamento.
Fechou os olhos com força, pois a fumaça os fazia arder como pimenta e não aguentaria ver as amigas definhando, mesmo com a pouquíssima visibilidade devido a fumaça. Sabia que independente disso, todas teriam o mesmo final. Alison, se estivesse na mesma situação em que as três, iria adorar toda a atenção. Spencer podia até ver a manchete no dia seguinte: “Morte misteriosa e corpos de três jovens encontrados”. Quem sabe não sairiam em um noticiário nacional? Ou até mesmo internacional? Seriam veladas na capela de Rosewood, talvez em um dia chuvoso e sem vida – daqueles bem clichês que costuma... Costumava ler. Depois de um tempo, seus cadáveres iriam desfalecer, mas a lembrança das três nunca iria ser esquecida. Toda a cidade saberia quem foram Spencer Hastings, Emily Fields e Hanna Marin. “Isso é imortalidade, queridas”, a abelha rainha diria.
E então, restaria Aria. Mas por quanto tempo até que –A tentasse se livrar dela? Deixou que uma gota escapasse de seu olho e escondeu o rosto com as mãos. Seu coração ficou apertado ao desviar seu pensamento para o rosto da amiga, seus olhos tão significativos e cheios de vida, seus lábios avermelhados e chamativos e seu cheiro, que tiraria qualquer um do sério. Foram estes os detalhes que mais se destacaram na memória de Spencer. Aria Montgomery. Um nome tão bonito...
Então um pequeno barulho, dentre os diversos gritos de Hanna, foi ouvido. Spencer abriu os olhos e rastejou até seu celular, que vibrava a poucos metros. Quem sabe poderia ser a intervenção divina? Mas ao tomar o aparelho em mãos, viu que não possuía nada de divino. Um número aleatório piscava na tela, com uma sms. Mas não podia ser, embora ela soubesse muito bem a quem ele pertencia. Toby Cavanaugh.
“Tente mais uma vez a porta dos fundos!!”
Toby não estava morto? Foi isso que ela pensou ao ler o bilhete que encontrara na lareira de Elizabeth. E mesmo que não estivesse, por que ele as ajudaria? Ele era do A- Team! Os pensamentos voavam em sua cabeça a todo o vapor. Todavia, a tosse de Hanna, assim como a de Emily já não se faziam mais presentes e ela temia o pior. Afastou todos os pensamentos que a rondavam e com toda a força que lhe restava, conseguiu se levantar e foi em direção a porta. Seus pulmões reclamavam a cada passo cambaleante dado a esmo, já que não conseguia ver um palmo a sua frente. A porta estava ali, a poucos passos. Tinha que estar. Retirou sua blusa e a enrolou em sua mão direita. Seu nariz queimava terrivelmente quando tentava inspirar o ar e ela sentia que ali não havia mais nada para seus pulmões, a não ser fumaça. Foi quando sua mão tocou em algo sólido. A porta. Ela pode ver a maçaneta avermelhada devido ao fogo, mas mesmo assim a segurou com a mão protegida e a girou com toda a esperança.
Para seu espanto, a porta abriu normalmente. Isso não tinha acontecido a alguns minutos atrás, quando estavam desesperadas tentando sair dali. Spencer viu que o fogo naquela parte estava praticamente escasso, como se alguém tivesse tentado apagar do lado de fora. Sentiu que iria desabar quando o vento tocou sua face e seus pulmões se encheram novamente. Ficou tonta e seu corpo a forçava a desmaiar ali mesmo. Mas ela não se permitiu. Emily e Hanna dependiam dela.
Novamente entrou no local e pode ver uma viga do teto em chamas que se desprendeu e passou a queimar a cabana por dentro, perto de onde Hanna e Emily se encontravam inertes. Não iria dar tempo de salvar as duas. Uma teria que ficar para que a outra fosse salva. Spencer quis gritar, mas sabia que seria uma burrice extrema, então segurou as duas amigas pelas roupas, uma em cada mão e inutilmente tentou arrastá-las. Não iria deixar que uma delas ficasse para trás, ao menos morreria tentando salvá-las.
Quanto tempo havia se passado? A liar não saberia dizer. As chamas já tomavam conta do local e ela só havia conseguido mover as amigas por três metros, mesmo assim, estava exausta. Ajoelhou-se e passou a chorar. Não aguentava mais. Era fraca. Fraca. Fraca! Seu corpo doía, devido as queimaduras e seus pulmões novamente imploravam por ar.
Foi então que, como em uma visão, ela pode ver alguém entrando às pressas na choupana e como em câmera lenta, Aria a segurou pelos ombros e a balançou, com lágrimas no olhar. Spencer pode ver que os lábios da amiga se mexiam, como se a mesma estivesse gritando com toda a força. Mas ela não conseguia ouvir mais nada. Apenas sorria bobamente. Quem sabe não estava apenas delirando? Pelo menos ela conseguia ver o rosto delicado de Aria. Os olhos tão significativos e cheios de vida, seus lábios avermelhados e chamativos e seu cheiro, que tiraria qualquer um do sério. Aria Montgomery. Um nome tão bonito...
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