Newcomer.

30 Capítulo 30 - Bereavement.


Notas iniciais
Voltei o/

Alguém disse uma vez, que mesmo que nós saibamos que um dia a vida acaba, nunca estamos preparados para perder alguém... Isso é uma grande verdade. Ela estava ali, comprovando este fato, sem saber o que fazer ou como se portar. Os pingos grossos da chuva começaram a cair em seu rosto e respingavam ao entrar em atrito com o pesado caixão de madeira. Seu vestido da cor preta entrava em contraste com sua pele pálida e seus lábios avermelhados. Aquilo não podia estar acontecendo”...

– Aria? – A mais baixa pode ouvir seu nome sendo chamado por uma voz feminina conhecida.

– Elizabeth? – Seus olhos da cor avelã, repletos de lágrimas, se encontraram com os azuis a sua frente, surpresos.

– Não sabia que você curtia os jogos de Lacrosse. – A brasileira continuou enquanto subia os degraus da arquibancada para sentar-se ao seu lado, com seus cabelos molhados, dando-lhe um sorriso acolhedor. Provavelmente deveria ter acabado de sair do treino de natação. – E que você chora ao assisti-los... – Fez uma careta divertida.

– Não, definitivamente! – Aria sorriu e apontou para o livro que estava lendo há poucos segundos. – Só estou matando o tédio enquanto espero por Mike. – Pode ver o olhar de entendimento sendo formado na face da menina de cabelos castanhos e depois desviou a atenção para o campo onde seu irmão treinava com os colegas de time.

– O que está lendo? – Elizabeth fez com que seu sorriso aparecesse, enquanto tomava o objeto das mãos da mais baixa, fazendo com que os lábios de Aria também se curvassem em simpatia. – “Seu vestido da cor preta entrava em contraste com sua pele pálida e seus lábios avermelhados”... Uau! Esse livro terminantemente é triste! – Leu a frase da página que estava marcada e logo após, a sinopse e encarou a face da outra, que enxugava as lágrimas nas mangas do casaco de lã, azulado. – Eu achava que a sua praia era algo mais voltado pro mistério...

– O amor é um mistério, Elizabeth. — Levantou-se com o cenho franzido e desamassou a saia rosada que usava.

A menina dos olhos azuis levantou-se igualmente e parecia escolher as palavras com cuidado. – ... Isso tem alguma coisa a ver com Spencer?

– O-o quê? – A mais baixa sentiu o corpo gelar. – Do que você está falando? – Perguntou, evitando olhar nos olhos da brasileira e não permitiu que a mesma a respondesse, pois como em um salto passou a acenar em direção ao campo. – Mike! – O irmão havia acabado seu treinamento. – Eu devo ir. – Sorriu nervosamente para a mais alta, que analisava as páginas do livro.

– Ah, claro. – Elizabeth estendeu o objeto para a mais baixa, enquanto passava a mão direita nos cabelos e olhava algo no celular. – Também está na minha hora.

...

– Spence! – O calor ainda se fazia presente, mesmo estando distante do local do incêndio. As lágrimas agora, saiam como nunca dos olhos avelã e o desespero em seu peito era enorme. Por diversas vezes, sua respiração falhou na tentativa em mantê-la de pé, mas a garota não era de desistir facilmente.

– Hey... – Spencer entreabriu os olhos e sorriu ao se deparar com o olhar de Aria sobre si.

– Hey. – Aria repetiu levemente. Lágrimas saiam de seus olhos e um sorriso gigante escapava de seus lábios.

– Você vem sempre aqui? – A menina disse com um pouco de complicação, mas o sorriso em sua face era ainda maior.

– Spencer, sua idiota! – Aria sussurrou e abraçou a garota que estava com a cabeça apoiada em suas pernas, mas logo quando se afastou, notou que a face da amiga estava séria. – Hanna e Emily estão bem. – Entendeu de imediato e então apontou para a direção ao seu lado.

Spencer virou-se com certa dificuldade no colo da mais baixa e logo quando percebeu que suas amigas estavam bem, conversando entre si e cobertas por mantos, ela deixou que o ar em seu peito escapasse, o ar que ela nem sabia que estava guardando, assim como uma pequena lágrima, que não passou despercebida por Aria.

– Shhhhhh... – Ela a abraçou fortemente junto de sim, e por mais que Spencer estivesse com bastante dor, não queria se desprender dos braços da outra. – Está tudo bem. Está tudo bem.

...

– Toby? ... – Hanna tentava entender. – Pensei que ele estava morto...

– Hanna!! – Emily a repreendeu, fazendo com que engasgasse com a água que bebia em um copo, na casa de Aria.

– O que? – A loira deu de ombros. – Spencer pensou isso e tenho certeza que você também. – Levantou uma sobrancelha.

Aria procurou desviar seu olhar para Spencer sem que a mesma percebesse e pode ver que ela possuía uma feição pensativa. Sem dúvida alguma, Spencer sofreu quando soube que Toby entrara para o –A Team. Aria estava lá a apoiando, e a mais baixa tinha certeza absoluta de que a amiga deve ter sofrido quando pensara que seu ex-namorado havia sido morto, no momento em que leu seu nome riscado com um “X” vermelho. Ela não pode deixar de sentir uma pontada em seu peito. Talvez Toby não fizesse parte do –A Team. Talvez ele entrara para conseguir proteger a namorada, por amor. Talvez eles voltassem... Era isso que Aria queria... Não é?! Ver sua amiga feliz... Certo?!

Sem pensar em mais nada, ela apenas estendeu a mão e colou sua palma com as costas da mão esquerda da mais alta, que estava sentada em uma poltrona de cor vinho ao seu lado. Spencer sequer desviou o olhar do azulejo a alguns centímetros abaixo de si.

– De qualquer forma, ele ajudou Aria a nos tirar da cabana. – Emily prosseguiu quando acalmou-se. – Assim como mandou mensagem para que Spencer tentasse abrir a porta mais uma vez.

– Pode repetir o que ele falou? – Hanna se dirigiu à Aria.

– Han, foi o que eu disse... Eu vi a mensagem que você me mandou... E quando estava a caminho, percebi o incêndio. – A garota engoliu em seco e desviou o olhar para Spencer. — Vocês deveriam estar em perigo, então corri o mais rápido que pude e esbarrei com ele. A única coisa que fizemos foi tentar tirar vocês de lá... Então, quando já estavam fora de perigo, ele disse: “– A está mais perto do que vocês imaginam. Emily deve tomar mais cuidado”. E logo depois foi embora. – Passou a mão levemente por toda a extensão de seu braço esquerdo, que agora portava uma faixa, devido a queimaduras. Os olhos de Spencer desceram pelo membro enfaixado da mais baixa, copiosamente. Era fácil de se notar a compaixão, o carinho, o agradecimento e o amor vigentes naquele olhar. Entretanto, um barulho alto e estridente fez com que as garotas se assustassem, fazendo com que Spencer tratasse de levar as mãos ao bolso da calça.

– Meu celular foi um pouco prejudicado no incêndio... – Explicou o ruído enquanto tentava abrir a mensagem que havia chegado no celular demasiadamente queimado, com as quinas derretidas.

– Como isto não explodiu?! – Hanna encarou o objeto assustada, mas não mais do que a portadora do aparelho após ler a mensagem.

As amigas se aproximaram para poder ver a sms devido à falta de fala de Spencer e sua feição de espanto.

– Toby quer nos encontrar... Na velha caixa d’água. – Spencer poupou as amigas que se apertavam para ler a sms.

– Agora?! Deve passar das duas da manhã, Spencer! – Hanna olhou para o visor de seu celular. – SÃO duas horas da manhã! – Deu ênfase.

– Ele sabe de algo... Ele sabe quem é –A – Spencer se levantou subitamente. — E provavelmente não pode falar por celular. – Concluiu.

...

Spencer desligou o motor de seu carro de forma abrupta, tamanho o nervosismo que sentia. Agora, o barulho que antes era preenchido pelo trabalho do motor já não se fazia mais vigente.

– Pronta? – Aria encarou a motorista, que por sua vez soltou o ar que mal sabia que guardava em seu peito.

– Estou. – Olhou para a Emily e Hanna no banco de trás, recebendo sinais de aprovação. Spencer então, foi a primeira a abrir a porta do automóvel, seguida pelas outras. O frio intenso as atingiu em cheio e no mesmo momento suas respirações se condensaram. Seus casacos não esquentavam tanto quanto pensaram.

– A caixa d’água é por aqui. – Emily apontou.

...

– Essa merda não chega nunca! – Hanna prendeu os cabelos ondulados em um cacho desajeitado enquanto subia o íngreme caminho.

– Estamos andando apenas a oito minutos... – Spencer a encarou assustada.

– Diga por você! – Hanna revirou os olhos. — A sensação que tenho é de estar dentro do filme “Senhor dos Anéis e o Retorno do Rei”. – Após a declaração, se deparou com as trocas de olhares confusos, cortados logo após, por Aria.

– Já estou vendo-a!! – Todas olharam na mesma direção em que a mais baixa apontava e de repente uma sombra cortara a luz da lua que se fazia presente no local.

– Toby? – Emily apertou os olhos e comprovou... Toby Cavanaugh se encontrava ao lado da caixa d’água de que se referia na mensagem de texto à Spencer.

A mesma notou que o ex não possuía o típico casaco preto ou o capuz sobre sua cabeça, como ela o havia visto na última vez.

– Sim, ele mesmo. – Aria respondeu enquanto continuavam a caminhada mais rapidamente... Quando perceberam que alguém se aproximava por trás do garoto de olhos azuis, sem que o mesmo pudesse notar... Mas esse alguém sim, estava encapuzado.

– TOBY! – Aria gritou para alertá-lo. Assim, as meninas passaram a correr pelo caminho e viram quando o garoto virou-se de imediato para encarar o ser encapuzado.

– VOCÊ! EU SABIA!!! COMO PODE FAZER ISSO COM ELAS?! – Foi a última coisa que ouviram sair da boca de Toby antes do grito de pavor que sucedeu-se após o mesmo ser empurrado por 10 metros de altura.

O grito das quatro meninas poderia ser ouvido por qualquer um naquela noite... Um grito de pavor que preencheu seus corações e almas. Elas correram, como nunca antes, em direção ao corpo, agora, estirado na grama. Todavia, ao chegar no local, se depararam com o encapuzado, abaixado ao lado do corpo.

– SAIA DE PERTO DELE! AGORA! – Spencer agarrou um pedaço pesado de um galho no chão, seguida pelas meninas, com olhos repletos de lágrimas e ódio.

O ser vestido de preto ergueu as mãos e andou lentamente para trás, ainda visando o chão, até desaparecer na floresta escura, mas não sem antes que Emily pudesse sentir seu perfume de morangos...

Notas finais
O que acharam?