Newcomer.
14 Capítulo 14 - Wishes.
Notas iniciais
– H-Hanna... — Elizabeth tentava afastar delicadamente a loira de cima de si. Mas a garota não lhe deu a menor atenção e aproveitando com a deixa da outra para adentrar sua língua delicadamente em sua boca. Os lábios de Elizabeth eram tão atrativos... Não era de se espantar que Emily era tão atraída por ela.
Emily estava ofegante e com o cenho franzido, virou-se para não olhar mais através daquela maldita janela. Lá fora fazia muito frio, o vento balançava as árvores nas calçadas e seu cabelo preso. A morena tinha a impressão de que Aria e Spencer, que estavam ao seu lado, poderiam ouvir os batimentos de seu coração. Ela tomou fôlego e sussurrou:
– Não podemos perder tempo... — Engolira um seco. — Vamos. — E seguiu até a porta dos fundos da casa vizinha com a iluminação da lua cheia em sua ajuda.
– E-estou com medo... — Sussurrou Aria, enquanto uma breve fumaça saía com suas palavras. Sentiu então, uma mão abraçando fortemente a sua cintura. Spencer. A garota a olhava diretamente nos olhos, sem dizer uma só palavra. A baixinha sentiu-se tremer com o toque. Mas talvez fosse somente o frio ou o medo. Pelo menos era o que se forçava a pensar.
– Hanna, eu... — Do lado de dentro da casa, Elizabeth ainda tentava chamar a atenção da outra.
– Elizabeth... — Só então a loira havia aberto os olhos para encarar a garota embaixo de si. A respiração das duas era forte e ambas mostravam um olhar de confusão em suas faces.
– Acho que bebemos vinho demais. — Elizabeth, mesmo completamente corada, sorriu para a outra. Que por sua vez, fez um esforço enorme para corresponder, tamanho a vergonha. A menina de cabelos castanhos afastou a outra lentamente de cima de si.
– Elizabeth, eu... Desc... — Hanna começara a falar, mas logo fora interrompida pelo dedo indicador da mão direita de Elizabeth.
– Hanna, relaxa. É isso o que acontece quando bebemos um pouco demais. — Sua voz parecia relaxada e tranquilizadora.
A loira somente assentiu. Não queria argumentar.
– Vamos fazer assim... Que tal se assistíssemos a continuação do filme? Ainda tem muita pipoca na dispensa.
...
Aria e Spencer faziam diversos sinais no limiar da escada, mas Emily parecia absorta na imagem de Elizabeth e Hanna assistindo a um filme no sofá, debaixo da coberta.
Elas estavam bem próximas uma da outra. Será que iriam se beijar novamente? O medo percorreu imediatamente os seus pensamentos, que ela fez o máximo para afastar, balançando a cabeça negativamente, como se isso fizesse com que não acontecesse.
– E-M-I-L-Y! — Spencer dizia o nome da amiga devagar, tentando chamar sua atenção.
Realmente funcionou. A morena caiu em si e subiu as escadas sem dizer mais nada para as amigas que a encaravam.
– Ótimo... Spencer, é com você... — As meninas já estavam no quarto de Elizabeth. Emily dava os comandos para as amigas que pareciam bem assustadas. Spencer logo encontrou o notebook de Elizabeth e começou a mexer no mesmo.
– Espera... Tem uma senha...
...
– Hanna, foi ótimo ter a sua companhia hoje. — Elizabeth falava com um sorriso no rosto, na soleira da porta da entrada de sua casa. — Tem certeza de que não quer ficar?
– Elizabeth... — A loira tocara levemente a mão no ombro da outra. — Depois do que aconteceu hoje, não acho que seria uma boa... Preciso colocar meus pensamentos no lugar. — E deu um meio sorriso.
Elizabeth não parecia não saber o que falar, por isso tossiu e olhou para baixo, demonstrando os primeiros sinais de vergonha.
– Han...
– Hey... Não fale nada. — Hanna colocou o os dedos nos lábios da garota, em seguida depositou um breve selinho e entrou no carro. Assim que o fez e vira Elizabeth entrar em casa, digitou uma mensagem para as amigas.
...
– Hanna acabou de sair. — Emily disse rapidamente.
– E agora?? — Aria estava a ponto de ter um filho.
– Eu vou distraí-la.
...
"Ding Dong"
Ouviu-se passos e então a porta se abrira.
– E-Emily? — Elizabeth parecia ter visto um fantasma.
– Surpresa? — Emily olhou para baixo. Não poderia encarar aqueles olhos azuis claros por muito mais tempo.
– Não. Tirando o fato de que você nunca vem me visitar. — Elizabeth abriu espaço para a morena entrar. O sarcasmo em sua voz quase não parecia querer sair.
– Isto é mentira! — Emily entrou, agradecendo por não ter que ficar mais tempo no quintal frio e se escorou na parede do hall. — Eu já vim aqui te trazer cookies.
– Porque sua mãe havia mandado. — Elizabeth respondeu, olhando-a com curiosidade. – O que a trás aqui?
Mas Emily não respondeu. Fora andando para a sala de estar e reparou nas pipocas espalhadas e nos dois copos em cima da mesa de centro.
– Esteve acompanhada, suponho. — Levantou a sobrancelha para encarar o azul imenso, mesmo sabendo que Hanna tivera ali, queria saber o que Elizabeth iria lhe falar.
– Er... Sim. — Elizabeth levou as mãos ao cabelo.
– Um novo namorado ou namorada? — Emily estava adorando fazer aquele jogo e sentou-se no sofá.
– Não. Apenas Hanna. — Elizabeth parecia um pouco nervosa, mexia bastante no cabelo. Seus olhos agora estavam com uma cor azul escuro.
– Apenas Hanna... — Emily repetiu para si mesma.
– Emily, por que está aqui? — Elizabeth repetira a pergunta, enquanto sentava ao lado da morena.
– Posso beber um copo d'água? — Emily se levantou, não respondendo novamente a menina. Mas logo vira seu erro.
– E-m-i-l-y! — Elizabeth a puxou pelo pulso e a pressionou contra a parede. — P-o-r q-u-e está aqui?
A morena sentia a respiração da garota em si. Estava muito perto. Perto demais...
– Por que eu não consigo ficar longe de você! — Ela respirava com tanta dificuldade que parecera que seus pulmões a haviam abandonado.
Como se fosse possível, Elizabeth parecia ter chegado mais perto.
Aquilo, para Emily, era contra a física. Dois corpos não podiam ocupar o mesmo lugar. Mas vai falar isto para aquela garota de cabelos castanhos.
– Não faz isto comigo. — Emily quase implorou num sussurro.
– Fazer o quê? — Elizabeth a olhava intensamente. Parecia impossível, mas Emily teve a impressão de que seus olhos estavam pretos. — Você bate na minha porta a essa hora, vestida deste jeito e realmente acha que é a vítima? — Elizabeth se afastara um pouco, fazendo com que Emily amaldiçoassem Newton e a impenetrabilidade na metafísica.
A morena olhou para baixo. Realmente tivera que tirar o casaco de frio.
Queria fazer o máximo para que Elizabeth fosse ocupada. Ela estava de shorts e uma blusa com decote em "V".
– Você não está com frio? — Elizabeth continuou.
– E-eu pensei em te ver. Mais nada. — Emily pareceu corar.
Elizabeth se afastou mais ainda e foi andando em direção à cozinha.
– Emily... Por que VOCÊ faz isto comigo? Você já deixou claro que namora e ama a Paige.
– E-eu só... Eu... — Emily foi se aproximando. — Liz, você tem que entender... Eu não consigo parar de pensar em você no momento em que acordo ao momento em que vou dormir. Até no meu sonho você está!! — Emily engoliu um seco. Estava falando a verdade e parecia estar muito frágil. Um grande arrepio pareceu percorrer a espinha de Elizabeth, com a menção do apelido que Emily a chamara e virou-se para olhá-la.
– E-eu só não sei como lidar com isto... — Emily estava perto o suficiente, seus movimentos pareciam ser feitos em câmera lenta.
Ela se encaixou perfeitamente no corpo da garota que ali estava, pressionada conta a pia da cozinha. Suas mãos foram de encontro com os cabelos castanhos e ainda lentamente puxou a garota para encostar-se em seus lábios.
Imediatamente, Elizabeth cedera. Agarrou a cintura de Emily e cedeu por completo sua boca para a outra, que agora invadia a mesma delicadamente. Mas o beijo calmo fora se transformando em um beijo desesperado. Urgente.
As mãos de Elizabeth desceram e foram parar nos glúteos da morena, que gemeu baixo com o toque. O que fez com que Elizabeth ficasse mais fogosa. Ambas já sentiam suas partes queimarem.
Elizabeth ergueu a garota com força, sem interromper o beijo e a pôs em cima do balcão.
Emily desceu os beijos pelo pescoço da outra garota, fazendo-a gemer. Era impossível que fosse "A". Mas ela não queria pensar naquilo agora.
Elizabeth passou as unhas nas costas da morena, que arqueou-se com a toque repentino e gemeu alto desta vez.
Elizabeth afastara o beijo, o que fez com que a outra contestasse. — Desse modo, você vai acordar os vizinhos... E quando digo vizinhos, me refiro aos seus pais.
Emily sorrira, mas quando a garota terminou de falar, puxou a mesma para si, fazendo com que suas respirações voltassem a ficar ofegantes em busca de um pouco de ar.
Suas mãos passaram por muitos lugares, mas infelizmente para Emily, Elizabeth parecia querer se conter, sendo um pouco casta.
Tentou então, recorrer ao que na hora lhe pareceu plausível. Com um movimento rápido passou a beijar o pescoço da outra.
– E-Emily, eu... — Mas Emily não lhe deu ouvidos e mordeu o local. Aquilo iria ficar marcado...
– Hummmm. — A brasileira se contorcia com o toque da boca de Emily na pele exposta. As duas já estavam assim a algum tempo, quando...
– E-Emily... — Elizabeth a empurrou gentilmente. — Você é muito nova pra isso...
Emily cerrou o cenho, mas logo a pequena ofensa desapareceu. Três anos de diferença não são muita coisa...
– Se formos fazer isto, eu quero que façamos direito. — Elizabeth estava com os olhos bem claros.
– E como é este seu "direito", senhorita? — Emily passara as mãos nos próprios lábios com o intuito de provocar a garota, e parecia ter funcionado, pois a outra pigarreou, parecendo desconfortável, olhando para todos os lugares, menos para a morena.
– N-Não quero ser a amante de ninguém. — Elizabeth sussurrou. E logo o silêncio fora preenchido por uma mensagem no celular da morena, que o olhou rapidamente e depois encarou a menina dos olhos azuis.
– Seja uma menina boazinha, então. — Emily havia saído do balcão e depositado um leve selinho na garota, assim como Hanna fizera. E sem mais nem menos, foi andando em direção à saída.
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