New old things

3 II. Back to the old life


Back to the old life

Hoje é segunda feira, o dia do meu inferno. Desço as escadas para tomar café e encontro Clovis. Clovis é meu irmão mais velho, cabelos castanhos, físico normal, pelo que soube namora a Reyna. Ele não parece feliz em me ver, mas abre um abraço.

– Está pronta para hoje?

– Não. – Digo calma. – Ainda estou de pijamas.

Finjo não entender o que ele quis dizer.

– Sei. Se vista logo então que eu não vou te dar carona, até você renovar sua carteira ira com a mamãe, e ela já esta quase indo.

Reviro os olhos e sem animo corro pro quarto. Olho meu guarda roupa. Vejo minhas roupas de um ano atrás ainda ali. Nada comportado ou “normal” de se vestir. Hoje queria mostrar que eu mudei. Vasculho entre as gavetas e pego uma calça rasgada, um spargatto como sapato e uma blusa cinza escrita “Dreams really to come true”. Deixo meus cachos loiros caírem em cascatas sobre as costas, pego meu material e respiro fundo. Dou uma olhada no meu reflexo.

Você consegue Annabeth.

~*

Minha mãe estaciona e eu observo os carros em voltas. Muito deles não conheço, e logo encontro o carro de Luke. Meu coração bate forte como se fosse explodir. Respiro fundo e saio.

Caminhando até a entrada, começo ouvir os murmúrios. Não encontro ninguém que eu já tive intimidade. Vejo Hazel, minha ex parceira nas aulas de literatura. Ela dá um pequeno sorrisinho e esconde a cara.

Vou até o meu armário guardando os livros que não irei usar. Conheço cada centímetro dessa escola, cada esconderijo, cada veterano daqui. A velha Annabeth ainda guarda os seus segredos, e eu finjo não saber de nada.

O sinal toca e eu escuto a voz de Katy soar nos altos falantes: “Goooooooood Morning Panters!” Ela continua com os anúncios do dia, e eu ando até a direção pegar meu horário. Bato na porta já sabendo quem vai me atender.

– Annabell Cheese. – Sr. D fala.

– Annabeth Chase e oi, diretor.

– Depois de um ano todo, hein mocinha.

– É, cade o meu horário?

– Calma ai, nem tão rápido assim. Primeiro você deve me prometer algumas coisinhas.

Reviro os olhos lembrando do que sempre era essas coisinhas.

– Não praticar Bullying. Não quebrar os aparelhos da sala de Química. Não encurtar os shorts das cheer.

– Aham.

– Não espalhar boatos sobre os calouros. – Continua. — Não acionar o alarme de incêndio...

– Eu prometo. – Digo cortando-o.

– E mais duas coisas.

– Diga.

– A primeira, não se meter em brigas. – Diz ele.

– Se elas não mexerem comigo, não mexo também.

– Ai. – Suspira. — A segunda é: Não tentar matar o seu namorado.

Paraliso com esse comentário. Raiva me sobe a cabeça e eu começo a contar números impares na mão para controla-la. Ele vai dizer mais alguma coisa quando mostra o horário, mas eu simplesmente arranco-o de suas mãos e saio em direção a minha aula. Como ele pode dizer uma coisa dessas? O corredor está completamente vazio. Já se passaram dez minutos desde o sinal.

Sala F, História.

Caminho pelos corredores sem precisar olhar as portas. Já sei de cor. Bato na sala F e abro a porta. Olho pra dentro e vejo o meu velho professor de sempre. Quíron. Ele parece surpreso por me ver e pede para que eu entre. A muitos alunos que eu já conheço na sala, entre eles Thalia, que parece ter guardado um lugar para mim. Vou tentando ignorar os olhares e os susurros ir pra carteira quando Quíron me chama.

– Espere mocinha. – Diz com sua voz de autoridade. – Venha se apresentar.

Sacanagem, né?

– Hã, acho melhor não. – Falo baixinho.

– Bobagem, venha.

Caminho até a frente da sala e a observo melhor. Uma menina ruiva digita no celular freneticamente ao lado de um menino de cabelos pretos e olhos verdes-mar, espera o menino do café? Um menino pálido me encara e Reyna. Reyna me observa com um pouco de espasmo e raiva no rosto.

– Hã, me chamo Annabeth Chase. – Digo.

Todos parecem terem vido um fantasma. O menino de olhos verdes se assusta, e os calouros comentam entre si.

– Tenho dezesseis anos. – Continuo tentando ignorar a todos. – Sou transferida de Cambridge.

Críticas e julgamentos, é o que eu ouço.

– E é a vadia que quase matou Luke Castellan e humilhou a todos. – A menina ruiva falou alto.

– Senhorita Dare! – Quíron chamou. – Cale-se ou pegará um dia de detenção.

– Eu sei. – suspiro. – Mas eu mudei.

– Duvido. – Diz um menino que não conheço.

O pálido continua a me observar.

Vou até ao lado de Thalia sentar e a olho de lado. Ela transmite confiança pelos olhos e acena com a cabeça de que tudo ficara bem.

O resto da aula continuou o mais normal possível. Ignorando todos as encaradas e os sussurros de “vadia”.

O resto das aulas foram como a primeira. Até agora não havia visto Calipso ou Luke.

Na hora do almoço, os amigos de Katy e ela sentaram-se em outra mesa, porque eu apenas pedi. Não queria que eles ficassem mal falados também. Katy foi a única me fazer companhia por ser teimosa, e eu não reclamei. Quando estava voltando para a mesa com o almoço, um vulto castanho vira a bandeja na minha roupa. Calipso.

– Ops, não vi você.

– Calipso.

– Annabeth. Quanto tempo hein? Vejo que saiu da caverna finalmente.

– E você continua nela, né.

– Como se fosse eu que fugi de todos depois de quase matar meu namorado.

– Como se fosse eu que deixou a melhor amiga na mão no momento que ela mais precisava e pegou o namorado dela depois.

As conversas pararam. Todos nos olhavam com expectativa de briga. Calipso se aproximou de mim e sussurrou no meu ouvido:

– Se eu fosse você, corria enquanto pode.

Não temi nem estremeci, eu sabia por dentro que ela estava com medo.

– E se eu fosse você – digo sussurrando em seu ouvido – não mexia com quem ta quieto.

O pátio estava tão parado que eu poderia ouvir a frigideira do outro lado.

Calipso deu apenas um sorrisinho.

– Só mexo com quem não deveria estar aqui. O pasto se encontra do outro lado da cidade, você quer um mapa pra se situar, vagabunda?

Oh, escuto.

Respiro fundo me controlando, é meu primeiro dia – penso – não vou deixar ela estragar isso.

Todos riem de mim, tiram foto e comentam sobre essa humilhação. Raiva toma conta de mim.

Calipso estava prestes a ir embora quando jogo molho de macarrão na sua blusa. Ela da um grito e me xinga.

– Sua biscate!

Dou uma risada curta, passo o dedo em sua blusa e experimento o molho.

– Sem sal que nem você. – Digo a ela.

E saio desfilando.

Notas finais
uma vez rainha sempre rainha. Comentem. 3 pro proximo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.