New World
6 Sonho...?
Notas iniciais
Frank olhava sua mão ensanguentada, quando ouviu uma voz chamando seu nome. A voz era familiar, mas não sabia ao certo de quem era, semicerrou os olhos para ver o que a luz fraca da rua conseguia iluminar mais a frente, delineando uma silhueta feminina. Fios dourados de um belíssimo cabelo já podiam ser visto. O pequeno ainda não sabia quem era, mas tinha a impressão de que conhecia a moça de algum lugar. A boca do rapaz não deixou de ficar boquiaberta quando finalmente a pessoa a sua frente podia ser identificada.
— D-Delilah? — Imobilizado, Frank tentava se afastar com sua mão que não estava machucada. Ainda não sabia como havia se machucado, pensou na queda. Mas tudo parecia confuso demais naquele momento.
— Olá, anão. — Riu a moça suavemente e o rapaz apenas o olhou confuso. Vestia outro vestido vermelho, mas com um casaco de pele cobrindo seus ombros. — Digo... Frank.
— O que está fazendo no bosque uma hora dessas? — Frank finalmente tinha conseguido se levantar com dificuldade. Sua mão ainda estava suja de sangue e tinha um ardor suportável.
— Fazer um lanchinho, Frank. — Falou com sua voz provocante e foi se aproximando do menor, que foi andando involuntariamente para trás tentando manter-se longe da loira, que tinha um olhar que o apavorava.
Frank não conseguia pronunciar nenhuma palavra, não podia enganar ninguém. Estava com medo de Delilah, não sabia o porquê, mas havia algo na moça que lhe transmitia pavor. Quando menos esperou, estava de frente a frente com a loira, sua respiração estava descompassada.
— Apesar de baixinho, você cheira bem. E é muito gostoso. — Finalmente deixou amostra suas presas, com os olhos fechados, segurou o pulso de Frank que tentava fechá-lo e sua língua percorreu pelo sangue que jorrava por sua mão sem cessar, o corte havia sido profundo. O pequeno não mostrava nenhuma reação ao ver as presas da mulher. Seu corpo tremia com o frio e o pavor de sentir a língua da moça percorrer por sua pele pálida e banhada pelo vermelho de seu sangue. Frank queria acreditar que aquilo era um pesadelo e quis acordar. Tudo era surreal demais para ser do mundo em que vive. Aquilo tinha que ser um pesadelo, não é realidade. “Vampiros não existem!” Frank pensava constantemente.
— Me deixa em paz. Você não existe. Isso não é real! — Delilah continuava a explorar com seus lábios, língua e dentes o sangue que ainda sujava a mão do rapaz. Com sua outra mão, empurrava o corpo de Frank com violência até o tronco de uma árvore. O que faz o pequeno gemer da dor causada pelo impacto. Frank estava ofegante e soluçava, seu rosto estava molhado pelas lágrimas que cessavam ao entrar em contato com seus lábios, deixando um sabor salgado invadi-los. — Por favor, Delilah... Não me machuca...
Frank só pode ver Delilah ser jogada em um tronco, que rosnou em seguida, podia ver um alguém segurando com a mão direita o pescoço da loira e erguendo-a pelo tronco da imensa árvore do bosque. Ouviu sussurros saindo da boca do outro alguém que estava parado ali a sua frente, mas pelo volume da voz, não conseguiu ouvir o que dizia exatamente. A luz do luar invadia o bosque, fazendo a pele do rosto do alguém que empurrou Delilah iluminar-se num tom pálido perfeito. Era um rapaz. Frank reconhecia aqueles cabelos negros e aquele corpo que parecia ser esculpido por um artista ser percebido pela blusa que definia todo o corpo deste e as calças extremamente coladas, delineando suas coxas perfeitas.
— Gerard... — Foi a última coisa que Frank disse antes de cair sobre o bosque mergulhando no inconsciente.
Uma forte luz invadia o quarto, fazendo Frank despertar. Sentia uma imensa dor de cabeça, mas sabia que tinha que levantar e ir para seu trabalho, sabia que seu chefe não gostava de atrasos. E logo lembrou-se do sonho da noite anterior.
— Que merda de sonho foi aquele... — Murmurou para si. — Era tão real.
Frank olhou para a mão. Lembrava-se de Delilah tentando ataca-lo e Gerard tentando defende-lo. Sua mão estava sem nenhum corte ou sinal de ferimento, como aparentava em seu estranho sonho.
— Delilah vampira... Pff... Mikey irá rir quando souber disso. — Riu para ele mesmo.
Não demorou para chegar ao seu trabalho. O trânsito estava calmo naquela segunda-feira, e logo foi para sua bancada, organizar a agenda, as canetas e os telefones. Frank bateu na porta de Gerard, que pediu para entrar e assim o fez. Apenas o cumprimentando e quando ia sair, o mais velho o chamou.
— Frank...
— Sim?
— Tudo bem com você? — A pergunta fez Frank erguer uma sobrancelha.
— Tudo sim, senhor.
— Apenas Gerard, por favor.
— Perdão.
— Frank, onde estão vendendo os ingressos do show do Metallica? — Sorriu suavemente, fazendo o funcionário o olhar boquiaberto, arrancando um riso silencioso de seu chefe.
— É... Acho que no shopping está vendendo.
— Quer comprar comigo no horário de almoço?
— Com você? Hoje?
— Exato.
— C-claro... Com licença. — Frank quis sair dali o mais rápido possível. Não tinha dinheiro para já comprar os ingressos e seu orgulho não o deixava pedir um adiantamento para Gerard. Não só seu orgulho, mas Frank sentia tamanha vergonha. Nunca fora tímido, mas havia algo no seu chefe que tornava a cor rubra e a falta de jeito do pequeno quase que instantâneo. Ou completamente.
Frank recebeu clientes para Gerard, como sempre o fazia. Gostava de seu emprego principalmente por ter que ficar ouvindo a voz de seu chefe no telefone. A voz rouca e nasalada, que saia numa forma suave e leve. O rapaz não sabia o porquê dessa ansiedade, nem do conforto que sentia com um curto diálogo que raramente não passava de “Gerard, tem um senhor para de tal empresa que veio visita-lo” e “Mande-o entrar, Frank. Obrigado.”.
Mas essas tão repetidas palavras eram suficientes para arrancar suspiros bobos e incompreendidos pelo próprio Frank. Até se estranha, pois sabe muito bem qual sua sexualidade. “Você gosta de mulheres, Frank, você é o predador e não a presa.” Pensava para se distrair.
Nas alternâncias de clientes que visitam Gerard, Frank vai até a sala de Mikey, já que não há nada de mais interessante para se fazer. Quando o mais velho não está ocupado, ficam batendo o tão prazeroso, para ambos, papo.
—Eu tive um sonho muito louco essa noite. — Falava o pequeno, gesticulando com as mãos.
— Hmm... Mesmo? O que sonhou? — Falou Mikey com certo receio na voz.
— Sonhei que na volta da praça para minha casa, caia no bosque à noite e cortava minha mão. Daí uma luz vinha e era Delilah, ela era vampira e queria me morder — Balançava a cabeça rindo da loucura, ficando sério logo após. — Mas seu irmão apareceu e me defendeu. — Não pode conter um sorriso tímido ao lembrar-se da cena de seu sonho.
— Ah... Sonho maluco. Só pode ser um sonho mesmo... Vampiros... — Mikey nervoso, tentou forjar um riso. E recebeu um olhar desconfiado de Frank, se aquietando logo após.
— Mikey, seu irmão me convidou para ir comprar os ingressos para o show do Metallica. Hoje no horário de almoço, no shopping, você vai?
— Até iria, Frank, mas estou atolado hoje. Não vai dar, mas peça para Gerard comprar o meu, por favor.
— Tudo bem. — Falou com certo desanimo e temor por ir ao shopping sozinho com seu chefe.
O horário de almoço havia chegado e logo Gerard foi até a bancada de Frank, que estava com as pernas em cima do balcão assobiando uma música qualquer, distraído.
— Ahn, Frank, vamos?
Frank se assustou e logo tirou as pernas de cima do balcão e arregalou os olhos, derrubou o porta-canetas, espalhando tudo pelo balcão. Sussurrou um xingamento e temia a reação de seu chefe.
— Gerard, oi! Vamos sim — Falou nervoso. — Me desculpe pela...
— Não se preocupe com isso, Frank. – Riu baixo pela falta de jeito do menor.
Permaneceram a viagem calados, Gerard não puxou papo, muito menos Frank, que se tornava extremamente tímido na frente do mais velho.
— Chegamos. — Falou terminando de estacionar o Sedan no estacionamento do local.
— É na loja de música que está vendendo.
— Imaginei que sim. — Sorriu com o canto de seus lábios.
Andaram alguns minutos pelo imenso shopping, logo avistaram a tal loja de música. Onde estava lotada de pessoas com todos os estilos. Emos, punks, metaleiros e góticos. Logo Frank avistou seu velho amigo, Brian, mais conhecido como Synyster. Reconheceu por seus musculosos braços torneados de tatuagens. Gerard mantinha um riso baixo ao ver todos os clientes e funcionários da loja. A maioria tatuados e alguns tinham piercings.
—
Syn! Cara, que saudade, quanto tempo! — Falou Frank pulando nas costas do amigo que logo riu e o abraçou brevemente.
— Nossa, mano. Você não mudou nada. Continua baixo — Falava Synyster rindo do amigo, que o fulminava com o olhar por Gerard estar ao seu lado. — Mas e ele, Frankie, quem é? Seu namorado? Olha, eu tenho muitos amigos gays e eu posso...
— SYNYSTER! — Falou Frank arregalando os olhos enquanto Gerard apenas ria da situação. Frank estava com o rosto completamente rubro de vergonha. — E-Este é Gerard, o meu chefe. — Deu ênfase a palavra chefe.
— Chefe? — Olhou para Gerard confuso.
— Sim, chefe. Te explico depois. Mas, Syn, Gerard quer comprar dois ingressos pro show do Metallica.
— Vocês vão juntos?
— Vamos... Mas os ingressos são pra ele e o irmão. — Explicou e Synyster balançou a cabeça positivamente.
— Frank, você já comprou o seu ingresso? — Perguntou Gerard.
— Ah, não... Eu estou duro —Gerard o olhou com um meio riso no canto do lábio. — Não dessa forma! Estou sem grana, mas eu compro depois ou peço dinheiro emprestado para meu amigo, sei lá.
— Nada disso. Eu compro seu ingresso e você me pagará quando puder.
— Gerard, não precisa. É muita gentileza, mas eu posso pedir para meu amigo. — Falou sorrindo timidamente para Gerard.
— Synyster, quero três ingressos, por favor. — E o rapaz tatuado trouxe os três ingressos, entregando-os a Gerard.
— 450 dólares. — Falou Synyster observando uma garota que acabara de entrar na loja.
— Aqui está — Disse após tirar as cédulas de sua carteira e a guardando logo após. — Obrigado.
Frank e Gerard almoçaram pelo shopping, conversavam pouco. Frank ainda tentava dar um gelo em seu chefe, pois lembrava-se da grosseria de dias atrás. Suas tentativas eram em vão, apenas o olhar de Gerard fazia suas pernas tremerem e começar a ficar nervoso. Não sabia ao certo o motivo disso, mas seu chefe lhe passava sensações estranhas. Além da relação chefe-funcionário; funcionário-chefe. Havia algo a mais ali. Pelo menos na parte de Frank. Após terminarem sua refeição, voltaram para o trabalho. E antes de Gerard se trancar em sua sala, o menor o chamou.
— Gerard, espera... — Ele apenas virou, estava com um olhar tristonho e ainda aflito, mas mesmo assim, seu sorriso passava ternura. Mas ele não estava sorrindo. — Obrigado. Pelos ingressos, sabe? Eu prometo que te pago assim que puder.
— Frank, tudo bem. Não tenha pressa para pagar — Gerard sorriu suavemente. — Aliás, aqui está seu ingresso. — Retirou o pequeno bilhete e entregou para Frank, que agradeceu com um sorriso bobo que fez Gerard alargar mais o seu. E virou-se em direção a sua sala.
— Gerard... — Ele virou novamente para o pequeno com o mesmo sorriso. — Obrigado. — Falou num sorriso e Gerard o retribui, logo indo para sua sala.
A semana passou num piscar de olhos. Frank contara do seu estranho sonho para Zacky e disse que aquilo poderia ser um sinal. Mas Frank debochou do amigo e disse que aquilo era impossível de se existir. Apesar da insistência de Frank em dizer que tudo era loucura, nada faria Zacky deixar de estar convicto nisso.
Final de semana. Frank e Zacky mal podiam acreditar que esse dia havia chegado. Apenas uma coisa vagava por ambas as mentes: “Metallica, Metallica, Metallica e Metallica.”
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