New Romantics

4 O gosto doce de um primeiro beijo


Notas iniciais
Boa leitura...

Acordo-me as 08h22min com uma bolada na cabeça. Abro meus olhos ainda com sono. Vejo que meus irmãos que chegariam à tarde decidiram chegar logo cedo. Para meu desespero.

Não vi a hora que meus pais chegaram, mas espero que tenham se divertido muito no jantar.

Sigo até o banheiro e tomo um banho rápido. Me seco e visto a cueca que havia deixado sobre a cama. Coloco uma bermuda jeans e uma camiseta verde e arrumo meu cabelo. Desço para tomar café da manhã.

A casa estava cheia. Numa manhã tinha eu, meu pai e minha mãe e na outra eram eu, meu pai, minha mãe, minha irmãzinha, meu irmão e minha irmã mais velha que mora em outra cidade com sua filha e marido.

Agora estava me sentindo como se estivéssemos dando uma festa e eu não gosto muito de festas. Muita gente, música alta e pessoas se agarrando o tempo todo.

– Achei que iam chegar só à tarde? – digo pegando um pedaço de bolo de chocolate.

– Sim, nós íamos vi à tarde, mas decidimos de última hora pegar a estrada cedo, por causa da volta das férias. – explica minha irmã servindo uma xicara de café para si mesma.

– Que bom. – digo no intervalo de uma mordida do bolo.

Meu cunhado entra na cozinha e vem em minha direção. Desarruma meu cabelo e pergunta:

– E as namoradas, cunhado?

Quase me afogo com o suco de laranja que estava descendo por minha garganta. – Não tenho namoradas, cunhado.

Senti-me com se estivesse no Natal com toda a família reunida e chega uma ti ado interior e me pergunta sobre as namoradas. Sério, isso me irrita muito, porque parece que a gente tem a obrigação de apresentar alguém para família.

Tomo o ultimo gole do suco e me levanto da mesa para ele poder se sentar em meu lugar. Sigo para a sala de estar e ligo a TV.

Logo minha sobrinha aparece na sala e pede para assistir a Peppa Pig. Quando faço não com a cabeça ela faz uma carinha de quem começar a chorar então para evitar que todos venham até a sala ver o que aconteceu, troco de canal e coloco na maldita Porquinha.

Assisto um pouco com ela que fica sentada ao meu lado concentrada na animação. Pego meu celular e saio da casa.

Sento-me na escada, fico observando os carros passarem e ouvindo as músicas que tenho em meu telefone.

A música faz uma pequena pausa que ninguém notaria, mas eu noto. Pego meu telefone e o chat do facebook tem uma nova mensagem. Abro e vejo que Ian está online, decido respondê-lo.

“Bom dia pessoinha”

– Bom dia Pequeno Príncipe.

“Por que está acordado há essa hora, num sábado?”

– Porque minha casa da pequena demais já e fui acordado com uma bolada no rosto.

“Coitadinho dele”

“Hahaha”

– Ri porque não com você né...

– Heheh

“Quer fugir?”

– Fugir?

– Pra onde?

“Para uma pracinha que tem aqui perto”

– Só me tira dessa casa de malucos.

“Me encontra na praça da bandeira daqui meia hora”

– Até daqui a pouco.

A conversa termina ali, entro em casa e pego um casaco. A noite estrelada virou uma manhã com céu cinza nublado que parecia que ia chover eternamente. Eu não me importaria se chovesse eternamente, eu amo chuva. Acho romântico.

Avisei minha mãe que ia sair, mas com tanta gente na casa ela não notaria que eu havia saído.

A rua esta deserta, ninguém sai de casa num sábado às nove da manhã.

Quando cheguei à pracinha, não havia ninguém apenas os balanços se movendo sozinhas como se tivessem assombradas. O carrossel faz o mesmo, o barulho dos ferros enferrujados assustava um pouco, mas aquele silêncio assombroso era bem mais confortável, do que as gritarias e correrias que estavam tendo em minha casa naquela manhã.

Espero por alguns instantes quando vejo Ian se aproximar. Levanto-me e caminho até ele.

– Dessa vez não tem um livro para eu derrubar. – digo.

– Que pena, agora não posso juntar nada pra você. – ele brinca também.

Caminhamos até os balanços e nos sentamos ali mesmo, com o vento movendo nossos cabelos.

– Você gosta dessa pracinha? – pergunto a ele tentando puxar assunto.

– Sim, aqui é silencioso. – ele diz olhando para mim e mexendo na areia com a ponta do tênis. – As pessoas nunca vêm aqui.

– Preciso de uma pracinha dessas pra mim. – digo brincando. – Aonde eu vou, sempre tem gente demais.

– Você nunca tinha vindo aqui? – ele pergunta mais uma vez me olhando.

– Não. – é a única palavra que sai de minha boca.

O vento começa a soprar um pouco mais forte, parece que a tempestade se aproxima.

– Por que nunca vi você por aqui? – pergunto novamente tentando puxar assunto.

– Não sei a nossa cidade nem pet ao grande assim. – ele diz. – Você já namorou?

Fico meio sem graça para responder a pergunta.

– Sim, uma vez. – digo a ele. – Mas a pessoa que eu namorava foi embora. E por incrível que pareça, era uma garota.

Ele me olha por um instante então decido perguntar.

– E você, já namorou?

– Sim, uma vez. – ele diz a mesma coisa que eu. – E as outras vezes não foram correspondidas.

– É muito ruim quando o amor não é correspondido. – digo a ele tentando dar um conforto.

– É mesmo. – ele diz. – Mas no final sempre achamos a pessoa certa que faz a gente tremer.

– Sempre. – falo olhando para ele. – Aquela pessoa que faz a gente se enrolar nas palavras, tremer sem parar, sentir um aperto no peito.

Ele me olha e por um instante não fala nada. Sinto-me encarado por seus olhos castanhos perfeitos.

– Sabe – ele começa. –Você é uma pessoa interessante.

– Sério? – pergunto dando um pequeno e imperceptível sorriso.

– Sim. – diz ele. – Você é aquela pessoa que todo mundo gostaria de tentar desvendar os segredos.

– Nem tenho tantos segredos assim. – digo tentando arrumar meu cabelo em meio ao vento.

– Mas os poucos segredos que tem devem ser muito misteriosos. – ele diz.

– Não sei se são, mas os segredos que tenho são apenas segredos de adolescentes normais. – falo para ele que muda o olhar de direção por um instante.

Levantamo-nos e começamos a caminhar pela pracinha. Ele para próximo de uma árvore e me obrigo a parar junto com ele.

O vento se acalma, então deduzo que logo a tempestade vai começar.

Ele fica me observando por um tempinho e em seguida coloca sua mão atrás das minhas costas e me puxa para junto de si me dando um beijo.

Seus lábios quentes tocam o meu.

Correspondo seu beijo transformando nossas bocas em uma só. Sua boca tem o gosto de maçã, e eu adoro maçãs.

A tempestade começa com toda a força e nós dois ficamos ali perto daquela arvore imensa, nos beijando no meio da chuva, como nos filmes de romance.

[...]

Notas finais
Espero que tenham gostado...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.