New Life With Aliens
26 I will avenge you
Notas iniciais
Obrigada para quem comentou, mas a maioria ainda não comenta. Então, é bom comentarem porque se não eu vou começar a demorar pra postar. Tô avisando, ein e_e
Ah, a propósito. Vocês vão ficar muito putos com esse capítulo, eu acho xD mas devo dizer que depois tudo vai voltar a ficar bem, sim? E há sim uma possibilidade de Loki conseguir criar uma família. Nem tudo está perdido, haha.
Ah, depois do *** Loki será o narrador.
Boa leitura.
Ao dizer aquela frase que estive escondendo dele, achei que meu coração iria parar. Aqueles poucos segundos que esperei por sua reação foram horríveis. Estava sustentando aquele olhar inquieto, cheio de coisas para me dizer, que ao mesmo tempo estavam simplesmente...Em silêncio.
Depois de tudo, ainda não havia me acostumado com aqueles olhos completamente indescritíveis.
As mãos de Loki estavam em meu corpo. Enquanto uma pairava em meu ventre, a outra segurava firmemente em minha cintura. Senti-o diminuir a força com que ele apertava a minha cintura e, em seguida, decidi encará-lo.
Loki mantinha seu cenho franzido, em silêncio. Decidi, então, estimulá-lo a falar algo. Eu precisava saber o que ele estava pensando.
- Surpresa...? — Falei e não pude deixar de sorrir.
Loki continuou encarando-me por pouco tempo e, quando finalmente tirou suas mãos de mim, saiu do riacho sem dizer nem uma palavra.
- Ei! Onde você vai? — Chamei sua atenção pela primeira vez e não obtive resposta. O fiz repetidas vezes e decidi segui-lo até a floresta enquanto tentava me vestir pelo caminho.
Quando ambos chegamos ao local do nosso treino mortal, gritei chamando seu nome, mas Loki voltou a me ignorar. Permaneci inquieta, observando suas atitudes e, de repente, ele montou no cavalo em que ambos usamos para chegarmos até àquele local.
- Loki! Espere! — Tentei correr rápido o suficiente para que ele não me deixasse ali, mas foi tarde demais. Ele simplesmente cavalgou para longe e...
Abandonou-me?
***
Grávida?
Aquilo era um absurdo.
Não, não poderia estar correto.
Não poderia ser um fato verídico.
Com certeza, havia um erro.
Um grande e gravíssimo erro.
Ela não poderia estar esperando uma criança. Não agora. Estávamos passando por um momento terrível, como ela poderia sobreviver àquilo tudo estando com aquilo dentro de seu corpo?
Estava confuso, não sabia o que poderia estar crescendo dentro dela. Um gigante de gelo ou um mortal? Ele poderia ser ambos, como também poderia não o ser. Nunca havia ouvido falar de algo como aquilo, algo crescendo de uma união de um Jotun com uma midgardiana.
Eu seria punido por isso?
E nós ainda sequer concretizamos o matrimônio...
Enquanto pensava em tudo isto, cavalguei até o palácio e procurei pela única pessoa que poderia ajudar-me em uma situação como aquela (por mais que eu detestasse admitir isto).
- Thor, preciso lhe falar. — Apareci e interrompi o jantar de todos.
- O que houve, irmão? Por que carrega esta expressão amedrontadora? — Perguntou.
- Acompanhe-me.
Thor não insistiu e decidiu atender-me, pois percebeu que eu estava demonstrando nervosismo. O que, na verdade, não era normal para mim. Ambos caminhamos até meu espelho mágico e fomos para onde ninguém — Além de minha Scarllet — havia ido antes.
- Deve ser grave para trazer-me em um lugar como este. Diga-me em que posso ajudá-lo, irmão.
- Sei sobre a criança. — Minha voz soava como o pior dos invernos de Jotunheim. — Contou-me a verdade. — Referi-me à Scarllet e Thor compreendera rapidamente.
- Obrigou-a? O que fizeste?
- Contou-me de bom grado. Parecia estar...Feliz.
- Creio que gostaria de saber a sua opinião. E então? Qual o problema? — Perguntou e em seguida, sorriu despreocupadamente.
- Não brinque comigo. — Ralhei com ele. — Não disse nada, simplesmente voltei para cá. — Dei-lhe as costas e caminhei até a janela, observando uma grande parte de Asgard graças à altura em que nos encontrávamos.
- O que queres dizer? Onde ela está?
- Não sei.
Thor permaneceu em silêncio por algum tempo e logo senti sua mão puxar-me o braço, fazendo-me virar o corpo todo em sua direção. Encarou-me por poucos segundos e atacou-me com um soco forte no rosto, fazendo com que eu perdesse o equilíbrio. Voei até a parede e encostei-me na mesma, apoiando-me para não cair.
- Abandonaste sua mulher em meio à floresta? Que absurdo! Deve buscá-la agora mesmo, Loki!
- Não o farei.
- Sei que está confuso, irmão. Compreendo que deve ser de grande surpresa, assim como foi para mim. Porém, isto deve ser considerado como um presente, uma benção. O que lhe intriga, irmão?
- Sabes bem quem sou e o que sou, filho de Odin. Esta criatura não pode ser considerada como um milagre e sim como uma maldição que caiu sobre todos nós.
- Não diga absurdos. É o seu filho, e você cuidará e o amará como um verdadeiro pai deve amar. Creio que pode fazê-lo, irmão. Não fuja desta bela responsabilidade. Sua mulher precisa de você em um momento tão importante como este. — Caminhou até mim e colocou uma de suas mãos em meu ombro esquerdo. — Vá até ela. Não a faça sofrer, cuide dela e treine-a para que na hora certa, ela esteja pronta e não corra perigo. Enfrente o que tanto teme, irmão.
- Nada temo, filho de Odin. — Corrigi-o.
- E então, o que é? Se não está com medo...
- Apenas não quero ter essa responsabilidade. — Empurrei sua mão para longe de mim. — Agora, faça-me o favor de sair daqui. Como o esperado, suas palavras de nada serviram-me.
Thor nada respondeu, apenas sorriu e caminhou para o espelho novamente, deixando-me só. Embora estivesse certo de que seus lábios não haviam sido abertos, tive a impressão de ouvir algumas palavras em sua pequena e tediosa mente.
"Não engane a si mesmo, Loki."
Rangi os dentes e voltei a olhar para a janela.
Talvez eu devesse mesmo buscá-la. Afinal, ela estava demorando mais do que o esperado para retornar ao palácio...
Saí de minha sala secreta e voltei aos meus aposentos, indo em direção à beira da cama. Sentei-me e perdi-me em pensamentos confusos. Teria continuado se não tivesse sido interrompido pelo caçula, Anakin.
- Loki, rápido! Vista a armadura. — Seu tom de voz estava exaltado e eu apenas olhei-o confuso, como se pedisse que ele explicasse a situação. — Há fogo por toda parte. Ele conseguiu encontrar uma de suas passagens secretas!
Eu sabia quem era.
Levantei-me rapidamente e corri até onde eu havia deixado meu cajado, pegando-o e correndo atrás de Anakin até a sala do trono, onde notei um enorme alvoroço. Thor tentava acalmar sua midgardiana e Anakin fazia o mesmo com a que sobrara.
Odin, por sua vez, ordenou que minha mãe levasse as mulheres até os aposentos reais e as protegesse, pedindo que Anakin fosse também para proteger as três.
- Somos apenas nós, então. — Falei enquanto Thor endireitava-se e preparava-se para defender o palácio.
- Você deve dar um jeito nestas tuas passagens. Olhe o que suas travessuras causaram novamente, Loki. — Balbuciou Luke.
- Teremos muito tempo para que possam ofender-me. Deixemos para mais tarde...- Disse, sorrindo da forma que eu costumava fazer quando minhas travessuras eram descobertas pelos tolos asgardianos.
- De que está rindo, Loki? Creio que deveria estar a chorar. — Thor afirmou e eu olhei-o como se estivesse esperando por mais palavras inúteis. — Não está esquecendo de ninguém? Creio que mais cedo, abandonaste alguém na floresta.
Oh.
- De quem estão falando? — Perguntou Luke, demonstrando não compreender nada da situação.
- Preocupe-se em empunhar sua espada e matar monstros, rapaz. — Repreendi-o. — Parece que não poderei dar-lhes o prazer de minha companhia. — Comentei e olhei para meus irmãos e para os guerreiros ao lado deles. — Espero que suportem a tristeza, devo ir-me agora.
- Quanta tristeza teremos de suportar. Creio que estou prestes a chorar. — Ouvi aquela voz feminina que eu tanto detestava.
- Cuidado com a língua, bela Sif. Podes morrer pelo veneno que há nela.
- Não sou como tu, querido príncipe. — Respondeu-me secamente e eu sorri em resposta.
- Não temos tempo para seus jogos, Loki. Vá agora. — Thor interrompeu nosso pequeno diálogo e em seguida caminhou até o grande portão do palácio, empurrando ambas as portas com suas próprias mãos.
Meu rosto imediatamente tornara-se quente pelo calor dos gigantes que haviam lá fora, esperando qualquer brecha para poderem invadir o local onde estávamos.
Thor correu em direção à eles e eu aproveitei a chance para fazer o mesmo. Precisei lutar contra alguns deles para que pudesse passar para ir em direção à floresta, e foi o que fiz não muito tempo depois, sem também esforçar-me demais.
Procurei não chamar atenção de nenhum gigante, pois sabia que não teria chance contra vários deles agora que estava só. Usei a escuridão à meu favor, o que não era difícil para alguém como eu.
Curiosamente, lembrei-me das palavras de meu antigo mestre.
"Pois não há cousa em toda a criação que exista sem seu oposto. As sombras definem a luz. A dor se contrapõe ao prazer. A ausência faz com que a presença seja sentida."
- A luz também deve definir as sombras. — Surpreendi-me que aquelas palavras ainda estavam tão claras em minha mente tão perturbada, mesmo depois de tanto tempo.
Fui retirado de meus devaneios pelo som de alguma criatura chocando-se contra o chão. Caminhei em direção ao som e deparei-me com o corpo de uma mulher jogado aos meus pés.
Fui capaz de reconhecer aquelas vestes.
Ajoelhei-me ao seu lado e segurei seu delicado corpo, trazendo-a para meu colo em seguida. Fui capaz de observar sua face pálida por alguns instantes e um temor antigo tomou conta de mim, como da vez em Midgard que temia tê-la perdido para sempre.
Encostei minha testa em seu peito, esperando ouvir aquele som que desejava. O único som que poderia dar-me paz naquele e nos momentos em diante: o som dos batimentos do frágil coração midgardiano.
- Loki, é você? — Ouvi sua voz fraca e arrastada, como geralmente ouvia ao amanhecer.
- Perdoe-me.
- Está tudo bem. Eu caí e machuquei a perna, mas eu estou bem. O que é esse som? — Perguntou ela, enquanto eu a ajudava a sentar sob às folhas.
- Estamos sob ataque. Estava preocupado com você.
- E deveria mesmo. Você me abandonou na porra da floresta sabendo que eu não sei o caminho de volta. Seu idiota, e se houverem bichos venenosos aqui? E se eu fosse mordida, picada ou até comida por um deles? — Scarllet começou a dizer inúmeros absurdos como normalmente fazia e enfim pude ficar despreocupado. — Não faz essa cara de bosta, não. Tô puta com você, mas no momento tô necessitando ir lá acabar com quem quer que seja que tá invadindo nossa casa. Falaremos sobre o nosso pequeno assunto quando pudermos e se você tá pensando que vai fugir da responsabilidade, você tá muito enganado, ouviu? Você agora vai ser o rei sapo da minha vida, e se pensa que pode me ignorar ou ignorar essa criança que eu tô carregando e que vou carregar por 9 meses...Ah, eu te quebro a cara, meu filho. E tem mais, eu...
- Calada.
- Não, não. Não vai dar ataque de pelanca agora, eu preciso falar sério com você. Na hora de fazer você quer, né? Agora que precisamos arcar com as consequências, quer mudar de assunto, quer me ignorar...Quer me deixar sozinha na porra de uma floresta com criaturas assassinas e perigosas. Ah, você é realmente um homem muito corajoso! Porra, será que meu pai estava certo? Eu deveria ter casado com um príncipe William da vida. Onde é que fui me meter? Psiu! Você tá me ouvindo ou tá me ignorando de novo? Loki, eu tô falando sério com você!
Ela permaneceu em silêncio por alguns segundos e eles foram o suficiente para que eu pudesse salvar nossas vidas. Levei-a até uma rocha e deitei-me por cima de seu corpo com o intuito de fazer com que nos tornássemos invisíveis, pois eu sabia que haviam alguns gigantes pelas redondezas e eles deveriam estar procurando por nós.
- Calada. Temos que ficar escondidos e voltar para o palácio o mais rápido possível. — Sussurrei para ela enquanto tampava sua enorme boca com uma das mãos.
Os olhos azuis de Scarllet logo estavam arregalados quando ela ouviu o enorme som dos passos dos gigantes passando bem perto de onde estávamos. Apenas olhei-a e disse que ficaria tudo bem contanto que não fôssemos encontrados.
Assim que recebi a confirmação de que ela havia compreendido completamente nossa situação, levantei-me parcialmente e pude ver, através das árvores, mais alguns gigantes que iam em direção ao palácio. Olhei para o local de onde estavam vindo e então, notei um portal que ficara aberto apenas por alguns minutos.
- Não usaram nenhuma de minhas passagens secretas. Encontraram uma forma de invadir sem que Heimdall pudesse vê-los...
- Como poderiam ter descobrido isso?
- Estão usando uma técnica parecida com a que usei. O conceito é praticamente o mesmo.
- E isso quer dizer...?
- Quer dizer que eles possuem um alto conhecimento de magia semelhante à minha.
- Ih...E o que faremos?
- Eles estão sendo enviados para cá e continuarão caso alguém não destrua o portal.
- Não me diga que você está tendo a brilhante ideia de entrar nessa porra pra tentar destruir o barbudo do outro lado. Por favor, diga que não é isso.
- Você daria um ótimo general, tola. — Respondi-a com um meio sorriso e o medo tomou conta de sua expressão novamente.
- Loki, não é melhor a gente correr pra avisar os outros? Thor pode trazer o exército e assim a gente pode passar pelo portal e destruir lá. Não vamos conseguir sozinhos!
- E o que pretende fazer? Vai correr até Thor para avisá-lo e depois voltará? Você sequer será capaz de correr com esta perna machucada, talvez nem consiga chegar até meu irmão nestas condições. Os gigantes irão matá-la primeiro. Nossa única chance é ir agora que Surt não espera nossa aparição e assim poderemos impedir que envie outros gigantes para Asgard.
- Você não pode lutar com ele sozinho, e eu não sei se posso ajudar você por causa da perna...Thor com certeza é o seu parceiro ideal. Prefiro ir até ele e assegurar-me de que ele venha ajudar você.
- Talvez, com a ajuda de meu tolo irmão tudo fosse mais fácil. Porém, não estou em condições de pedir a ajuda dele. Irei sozinho, destruirei Surt sozinho e voltarei sozinho. Compreende o que digo? Você ficará aqui, escondida, e me esperará. Espero que tenha sido claro o suficiente.
- Nem fodendo! Não vou mandar você pra morte certa. Vamos voltar e pedir ao Thor! — Disse ela, levantando-se e caminhando lentamente até uma árvore para apoiar-se nela. — Vou demorar pra ir sozinha se você não me ajudar, mas eu sou capaz de fazer isso. Tô avisando, ein. — Olhei-a furioso e quando abri a boca para dizer o que tinha em mente, ela continuou. — E nem se atreva a me prender nesses troncos. Eu sei um pouco de magia e vou colocar fogo em tudo se você fizer isso!
- Você apenas complica tudo...
- Vai logo e teletransporta a gente pro palácio. Sei que pode fazer isso, então não enrola e não finge que não sabe do que eu estou falando. — Caminhou até mim e segurou uma de minhas mãos com ambas as suas, permitindo-me sentir sua suave pele contra a minha.
Fechei os olhos e dei um meio sorriso, demonstrando derrota. Não havia mesmo forma alguma de enganá-la agora que tinha meus poderes, e isso estava fazendo com que eu me arrependesse de tê-los entregado a ela.
Sem demora, fiz o que ela havia pedido — ou ordenado — e ambos aparecemos nos aposentos reais, encontrando-nos com Frigga e as midgardianas.
- Ai meu Deus, o que é isso? — Lewis gritou e virou-se em direção em que ambos estávamos. — Scarllet, que susto! — Ela franziu o cenho e logo pôs-se a sorrir, correndo em direção à Scarllet para abraçá-la. — Ainda bem que você está bem.
- Estamos bem. Precisamos falar com o Thor, urgente. Loki descobriu uma forma de acabar com isso. — Comentou ela e logo Anakin entrou no quarto, relaxando após notar que éramos apenas nós dois.
- Loki, fico feliz que tenha conseguido encontrá-la. — Disse ele.
- Sim, Anakin. Preciso que continue aqui e proteja-as enquanto vou até Thor. — Comentei e Anakin assentiu, saindo dos aposentos e voltando para onde estava antes, de prontidão em frente à porta. Virei-me para Scarllet e caminhei até ela. — Preciso que não tente nada e que fique aqui. Você é forte e pode defender as três, e está machucada. Por favor, não tente mostrar que é uma heroína de batalha e apenas fique aqui, para a sua e para a segurança de todas. Compreende o que estou dizendo?
- Sim, mas..
- Nada de mas, Scarllet. Se compreendeu, peço que obedeça a minha ordem. Não posso lutar enquanto estiver preocupado com você. Anakin não deixará que ninguém passe pela porta, mas se ele falhar...Esteja pronta. Eu virei assim que possível.
- Certo. — Aquela confirmação fez que eu bufasse aliviado. Scarllet sorriu e depositou um beijo rápido, porém suave em meus lábios. — Não se preocupe comigo, eu ficarei bem.
Encarei-a por pouco tempo e saí dos aposentos reais, caminhando para fora do palácio logo em seguida. Os gigantes ainda não haviam cruzado os portões principais, o que significava que Thor estava fazendo um belo trabalho e tudo que eu precisava fazer era encontrá-lo.
Porém, tudo o que havia ali era fogo e também muitos sons de espadas e também os sons dos urros que os gigantes faziam ao serem atacados. Avistei Thor bem distante de onde eu me encontrava e, sem hesitar novamente, lutei com os gigantes que entraram em meu caminho.
Ao chegar até Thor, toquei-lhe o ombro com minha mão direita e ele quase arrancou-a de meu corpo com seu martelo apenas por impulso. Afastei-a dele e ele sorriu ao ver quem era.
- Irmão! Você está de volta! Fico feliz que tenha vindo para a festa.
- Thor, eu descobri uma forma de vencer. Eles não usaram minhas passagens, estão usando um portal criado por uma magia semelhante à minha. Mesmo que estejamos em desvantagem, podemos ultrapassar o portal e seremos teletransportados para onde Surt está e, se assim fizermos, poderemos impedir que envie mais gigantes para Asgard, como também poderemos vencê-lo. — Expliquei e Thor voltou a sorrir.
- Do que precisa, irmão?
- Preciso que vá comigo. Ainda existem muitos gigantes aqui e se levarmos todos os guerreiros, eles destruirão o palácio. Precisamos ir e impedir que o resto venha.
- O exército ficará e lutará aqui. Irei com você, irmão, e levarei os quatro guerreiros comigo. — Terminou e caminhou até Sif, que não estava muito distante de nós naquele momento.
A mulher logo correu até os outros, dizendo que Thor requisitava a presença deles e nós, juntamente com Luke, fomos em direção ao portal. Assim que o mesmo voltou a se abrir, passamos por ele e chegamos à um grande local que lembrava o porão do palácio de Odin.
Avistamos um grande número de gigantes e todos lutamos bravamente contra eles até que sobrasse um número mínimo deles. Sif estava ferida nos braços e Thor logo pediu para que eu fosse até ela para ajudá-la.
Caminhei lentamente até seu corpo que tremia no chão, enquanto ela encostava suas mãos levemente nas terríveis queimaduras em ambos os braços.
- Deixe-me ver os ferimentos. — Falei, chamando a atenção da guerreira.
- Não preciso da tua ajuda, filho de Laufey. — Respondeu-me e olhou-me nos olhos.
Pude notar que ela estava sentindo uma tremenda dor apenas por olhá-la. Sif soava frio e rangia seus dentes de dor e de raiva por saber que eu era o único que poderia ajudá-la naquele momento. Agachei-me para ficar mais próximo dela e segurei um de seus braços, olhando atentamente para a queimadura.
- Se não deixar que eu cuide disto, não viverá por muito tempo. Sei que é totalmente contra seus princípios orgulhosos aceitar a minha ajuda, mas ambos sabemos que você necessita dela agora.
- Não toque em mim.
Olhei-a furioso, cansado de suas brincadeiras tolas. Sabia que Sif me detestava tanto quantos os outros amigos de Thor por tudo que fiz no passado, mas a hora de demonstrar aquilo era outra, do contrário, perderia sua vida apenas por orgulho.
- Então, tenha uma lenta e dolorosa morte. — Falei em tom de aviso para que ela compreende qual era a sua reação situação.
Sif olhou em volta, enquanto olhava para seus companheiros e para seu grande amor lutando contra os gigantes que sobraram. Bufou, derrotada, e ergueu seus braços em minha direção.
- O que é isto, Sif?
- Faça.
- Não consigo compreender o que desejas, milady.
- Ajude-me, Laufeyson...- Ela começou e logo deu uma pausa, limpando sua garganta em seguida. Passou a encarar-me e logo continuou. — Por favor, Loki. Preciso da tua ajuda.
Perfeito.
Sorri em completa satisfação por ter visto aquela cena constrangedora para alguém que considera a si mesma como "durona". Oh, há tempos não sentia esta sensação esplêndida.
- Não fique com esse sorrisinho maldito. Apenas ande logo com isto. — Chamou a minha atenção com aquelas palavras ferinas novamente, distraindo-me de meus devaneios.
Voltei à minha antiga posição e ajudei-a, curando seus ferimentos com magia básica. Enquanto estava de joelhos curando-a, notei que Sif olhava-me de uma forma que nunca vira antes. Parecia hipnotizada, assim como Scarllet às vezes fazia.
- O que tanto olhas? — Perguntei, curioso por sua resposta. Thor deveria estar vendo aquilo.
- Acho que posso compreender o que ela viu em você, afinal de contas.
Ergui ambas as sobrancelhas, ainda sem encará-la, tentando compreender aquilo. O que era seria aquilo naquele momento? Sif estava sentindo algo além de ódio e repulsa por mim?
Interessante.
- É mesmo? Isto é uma surpresa para mim, lady Sif. — Falei em tom de sarcasmo.
- Não me entenda mal. Ainda é o mesmo canalha que abomino, porém, creio que exista um lado bom até mesmo em alguém como tu.
- Agradeço pelo elogio, mas não o retribuo. Nada de bom vejo em você, milady, e creio que Thor pensa igualmente. — Respondi-lhe e levantei-me, passando a olhá-la de cima. — Sobreviverá, pelo menos por enquanto. Ao chegar no palácio, deve ter cuidados apropriados, pois seus ferimentos foram graves. — Menti. Ela já estava absolutamente curada, mas vê-la temendo por sua própria vida era imensamente divertido.
- Ah, como eu o odeio. — Ouvi-a resmungar e apenas bufei divertidamente.
Nunca permitiria que uma meretriz como Sif usasse sua língua ferina para dizer-me palavras carinhosas. Tudo que desejava ouvir saindo de sua boca eram palavras de escárnio, palavras cheias de ódio. Não sentia nenhum tipo de prazer ao ouvir palavras carinhosas dela, pois para mim elas soavam apenas como falsas e de palavras falsas eu já estava cansado.
Caminhei até Thor e fui seguido por Sif.
Quando ambos chegamos até ele, notamos que ele apontava seu Mjolnir em direção ao rosto de Surt, que por sua vez ainda permanecia sentado em seu trono.
- Deves vir comigo até Asgard para pagar por seus crimes contra nós. — A voz dura de Thor ecoava pelo local por ser o único som que havia por todo o ambiente.
- Quem irá me obrigar? Tu? — Surt mantinha aquele sorriso debochado em seu rosto.
- Exatamente, Vossa Majestade. O farei com imenso prazer. — Concluiu Thor.
- Pois tente, filho de Odin. Assim posso matá-lo rapidamente.
Thor posicionou-se para a batalha, mas eu caminhei e entrei em sua frente.
- Permita-me falar, Vossa Majestade. Creio que está surpreso por ver que ainda respiro, mas insisto para que aceite a proposta de meu querido irmão enquanto ainda pode. Caso contrário, tudo que poderá observar antes da própria morte é o fim de seu reino.
- É de grande infelicidade saber que ainda vives, filho de Laufey. Devo dizer que recusarei a proposta de vocês, pois tenho aliados fortes o suficiente para pisar em Asgard com facilidade.
- Não ousaria duvidar de suas palavras, Majestade. Ainda sim, devo insistir para que se entregue agora se ainda desejas viver mais um dia. — Falei, fazendo um sinal para que Thor se preparasse para destruí-lo em seguida.
Surt nada respondeu-me e ousou debochar de minhas palavras. Riu por alguns segundos antes de voltar a encarar todos nós, e assim como já imaginava, chamou alguns elfos que trabalhavam ali, assim como havia visto da outra vez em que estive ali.
Voltamos a guerrear e Surt aproveitou a chance para ir em direção àquela porta que Dobaruk havia ajudado-me a ultrapassar. Observei-o de longe, pois não era capaz de impedi-lo enquanto batalhava contra quatro elfos ao mesmo tempo.
Surt rasgou seu próprio dedo com uma adaga e depositou-a sobre a superfície da porta que não tardou a se abrir.
- Thor, ele está fugindo! — Alertei-o, mas não obtive resposta. Olhei para os lados e quando avistei Thor, ele estava muito ocupado para ir atrás de Surt.
Optei, então, por segui-lo sozinho, mas fui impedido por uma figura familiar entrando em meu caminho.
- Há quanto tempo, magricela.
- Então ainda insulta os 9 reinos com sua respiração barulhenta e medíocre, não é?
- Demorou demais pra voltar aqui. Por isso que não tem amigos. — Debochou a pequena e inútil criatura. — Asgard precisou praticamente acabar pra você voltar.
- Não diga que sentiu saudade?
Dobaruk andou até mim e, diferente do que imaginei, abraçou-me. Claro que sua cabeça estava na mesma altura que meu estômago, mas ele deveria considerar aquilo um abraço.
- Afaste-se de mim, anão. Não tenho tempo pra isso.
- Pare de frescura e vamos embora daqui. Vocês já venceram essa batalha. — Falou, chamando a atenção de todos. — Surt fugirá, não há como impedi-lo. Ele perdeu seu exército e também os elfos que trabalhavam como escravos, não ousará atacá-los outra vez.
- É por isso que devemos derrotá-lo! Para onde ele foi, irmão? — Perguntou Thor.
- Não podemos segui-lo, já estamos em uma grande desvantagem. Devemos voltar e destruir os gigantes que restaram em Asgard. — Respondi-o e comecei a caminhar para fora do palácio, indo em direção ao portal. — Não devemos demorar, o portal logo estará fechado.
Todos, então, ultrapassamos o portal e voltamos para Asgard.
Enquanto caminhávamos em direção ao palácio, passamos por inúmeros cadáveres. Havia um grande número de guerreiros asgardianos e, para a nossa sorte, um número maior ainda de gigantes mortos. Quando um gigante de fogo era morto, seu fogo se apagava.
O local que antes estava iluminado por fogo agora estava repleto por sombras.
Ao nos aproximarmos do palácio, avistamos Odin e Frigga aguardando em frente ao enorme portão.
- Fico feliz que estejam bem, meus príncipes. — Falou a Rainha, referindo-se aos seus três filhos.
- Sejam bem-vindos, meus filhos e seus honoráveis guerreiros. Venham, entrem. Precisam de descanso. — Odin mantinha sua voz firme, porém mais baixa do que de costume.
Thor e os outros seguiram-no e quando pensei em segui-los, senti Frigga apertar-me um dos braços, fazendo-me encará-la.
- Você deve vir comigo, filho. Sei que está cansado, mas precisa saber de algo.
Pensei em perguntar o que estava errado, mas sabia que ela tentaria tranquilizar-me inutilmente, então permaneci em silêncio e assenti, seguindo-a até os aposentos reais.
Ela empurrou as pesadas portas com um pouco de esforço e eu pude notar as midgardianas e Anakin dirigindo sua atenção para a origem do barulho das portas sendo abertas.
Observei o chão e havia um grande rastro de sangue que tinha início na janela e terminava na cama. Passei a encarar as midgardianas e ambas separaram-se, abrindo espaço para que eu pudesse ver quem estava deitado sobre a cama da Rainha.
Senti meu coração dar um salto, mas desta vez não foi de alegria nem de surpresa. Passei a encarar aqueles familiares olhos azuis e notei que ela deveria ter chorado muito, pois estavam imensamente vermelhos. Mantinha ambas as mãos sobre sua barriga, como se pudesse esconder seu ferimento.
Suas vestes estavam completamente ensanguentadas.
Passei a caminhar lentamente e sentei-me ao seu lado, observando-a, olhando-a de cima a baixo, terminando minha pequena jornada em seu rosto. Passei uma das mãos por sua face e acariciei-a lentamente, enquanto sentia sua pele molhada pelas lágrimas.
- O que aconteceu aqui? — Perguntei, sem deixar de encará-la e sem cessar as carícias.
- Um deles entrou pela janela e Scarllet enfrentou ele. — Comentou Darcy e eu pude notar que sua voz estava chorosa.
- E ele te feriu. — Falei e Scarllet balançou a cabeça confirmando, sem dizer nada. — Não se preocupe, você ficará bem. Eu vou cuidar de você. — Tentei tranquilizá-la, mas ela voltou a derramar lágrimas. — Não precisa chorar, não há nada de errado. Pare de chorar. — Tentei levantá-la parcialmente para puxá-la para um abraço, porém Jane segurou meus braços e impediu-me.
Passei a encarar as três mulheres à minha frente de forma confusa.
- Por que estão agindo desta forma? Não é grave.
- A criança, Loki...- Jane falou suavemente e Scarllet começou a soluçar graças ao choro.
Arregalei os olhos e passei a encarar Scarllet novamente, como se implorasse para que ela dissesse que estava tudo bem com a criança que estava carregando dentro de si.
Exatamente como eu temia, ela negou balançando a cabeça e levou ambas as mãos aos seus olhos, escondendo seu rosto.
Naquele instante, pude sentir inúmeros sentimentos que nunca pensei que sentiria ao mesmo tempo.
Vergonha; Raiva; Tristeza; Arrependimento.
Abaixei-me ainda mais e passei um dos braços pelo pescoço dela, levantando-a apenas alguns centímetros para que eu pudesse abraçá-la. Scarllet passou seus braços por meu pescoço e chorou contra a minha pele. Pude sentir as lágrimas dela encostarem e molharem também a minha pele e, de uma forma que eu nunca pensei que faria, pensei ter derramado algum líquido pelos olhos assim como ela.
- Eu sinto muito, meu filho. Tentamos fazer de tudo para salvá-lo, mas não foi possível. — Pensei ter ouvido a voz distante de Frigga, mas naquele momento eu não desejava ouvir o que ela tinha para me dizer.
Nenhuma palavra conhecida seria capaz de amenizar minha dor.
— Por favor, perdoe-me por tê-la deixado novamente. Se eu não tivesse ido, nada disto teria acontecido. — Passei a apertá-la ainda mais contra mim. — Perdoe-me, minha bela...Perdoe-me.
Ambos continuamos ali abraçados por algum tempo, enquanto eu implorava sinceramente para que ela, algum dia, me perdoasse por tê-la abandonado e por ter abandonado nosso filho.
Scarllet chorou interminavelmente até desfalecer em meus braços, derrotada pelo sono e cansaço. Levei-a até nossos aposentos e fui até a sala do trono. Quando cheguei, ouvi que Odin parabenizava o exército, Thor e os outros por suas ações e também pela vitória.
- Devemos festejar a vitória que é mais do que merecida. — Comentou e finalizou seu discurso.
Thor, assim que avistou-me, caminhou em minha direção com um sorriso no rosto. Mostrava estar imensamente feliz, pois tinha sua noiva ao seu lado, uma vitória nas costas e seus queridos guerreiros vivos e felizes, assim como ele.
Ao aproximar-se de mim um pouco mais, notou sangue em minhas vestes e logo seu sorriso desapareceu.
- Irmão...O que está havendo?
- Scarllet está ferida.
- Oh, por Odin! Ela está gravemente ferid...
- Meu filho está morto.
Thor não soube o que me responder, notei pela expressão desconcertada que ele manteve em seu rosto. Cheguei a ter vontade de rir para disfarçar como estava me sentindo, porém não tive tempo suficiente para nada. Thor puxou-me contra ele e abraçou-me.
- Eu sinto muito, irmão.
A notícia não demorou para ser passada à todos presentes, graças a enorme língua da midgardiana Lewis, que contou para Anakin e ele, por sua vez, contou para todos os outros que nos cercavam. Odin também não tardou a saber e, em poucos minutos, todos passaram a lançar-me aquele olhar que eu tanto detestava.
Olhares repletos de pena.
Não sou digno de pena, nem minha amada e muito menos meu falecido filho.
Fechei os olhos, em silêncio, enquanto tentava silenciar também minha mente que estava perdidamente barulhenta.
- Se realmente sente, ajude-me, Thor.
- Como posso ajudá-lo?
- Irei matá-lo com minhas próprias mãos. Em seguida, partirei em direção à Malekith e farei-o pagar. E se ainda não for suficiente, encontrarei o último responsável e o torturarei até a morte. Ouso pedir a sua companhia, irmão, mas compreenderei se não quiser arriscar a sua própria vida apenas por minha vingança e irei sozinho. Partirei ao amanhecer, permita-me receber sua resposta até lá. Irei me retirar agora, se me derem licença. — Referia-me a todos aqueles que estavam presentes e passei a caminhar em direção aos meus aposentos para descansar.
Não tinha fome, não tinha vontade de nada além de estar ao lado dela.
Scarllet, ao me ver, lançou-me um pequeno sorriso triste. Caminhei até ela e deitei-me ao seu lado, abraçando-a fortemente. Ambos pedimos perdão um ao outro por tudo que havíamos feito naquele pequeno período ruim pelos quais passamos e fomos vítimas.
- Irei vingá-lo. Prometo à você. — Sussurrei perto de seu ouvido enquanto acariciava seu rosto.
- A única coisa que quero é que fique comigo por algum tempo. Não me abandone outra vez. Eu preciso de você.
- Vou partir amanhã, Scarllet...
- Não, por favor. Fique comigo por alguns dias, eu imploro. Não o impedirei de fazer nada, mas não vá agora. Por favor...
Decidi não insistir novamente pois sabia que ela estava extremamente sensível. Seria obrigado a fazer o que fazia de melhor:
Mentir.
Na manhã seguinte, parti enquanto Scarllet ainda dormia, acompanhado de meus irmãos e pelos quatro guerreiros.
- Que Odin nos proteja. — Comentou Luke, provocando risos em mim.
- Odin não nos acompanhará nesta jornada. Não garanto uma viagem de volta para ninguém aqui, nem mesmo para mim. Mesmo estando cientes disto, ainda pretendem acompanhar-me?
Todos concordaram, para a minha surpresa.
- Ei, onde pensa que vai, magricela?
- Dobaruk. — Cumprimentei-o. — Iremos atrás de Surt.
- E você pensou em ir sem mim?
- Gostaria que ficasse ao lado de Scarllet. Ela ficaria imensamente feliz ao saber que está vivo.
- Suas palavras são graciosas, o que me faz duvidar de muita coisa. Você pretende ir e morrer lá, não é? E não quer que ela fique sozinha. Já entendi a sua intenção, e já vou dizendo que você não pode morrer ou eu mesmo vou te matar. Você tirou a Scarllet de mim, agora precisa viver e cuidar dela. Pensando nisso, pretendo ir com você, seja lá pra onde você esteja indo. — Falou a pequena criatura, arrancando risos sarcásticos de mim.
- E de que você me serviria?
- Posso ajudar muito mais do que você pensa, seu príncipe tolo. Vamos, estou pronto.
Todos, então, partimos em direção à minha passagem secreta que nos levaria ao reino de Surt.
Notas finais
Comentem, por favor.
Beijos e boa semana.
♥
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