New Life
18 Capítulo 17 - Family Issues
Notas iniciais
Damon Salvatore Narrando
– Escute, Elena, eu amo você e mesmo que minha mãe, mesmo que Annabelle, seja contra nosso relacionamento, nada vai nos impedir de ficarmos juntos... Eu amo você, entendeu bem? – disse enfatizando que a amava e acariciei seu rosto com delicadeza antes de encostar nossas testas.
– Eu amo você também... – ela respondeu ainda de olhos fechados.
– Podemos entrar? – ela acenou a cabeça positivamente e eu entrelacei nossos dedos para que entrássemos de mãos dadas no restaurante.
A mão de Elena suava contra a minha e eu sentia sua respiração acelerada de tanto nervosismo, não queria que ela ficasse daquele jeito, não queria ter de submetê-la a uma situação desconfortável como aquela mas conhecer minha mãe era algo inevitável e iria acontecer mais cedo ou mais tarde então eu preferi que esse encontro acontecesse apenas comigo e Emily do que no jantar que estava programando fazer. Eu entendia completamente o lado de Elena em ter tanto receio em conhecer minha mãe e confesso que não estava muito diferente dela.
Ao levar em consideração o quanto minha mãe era apaixonada por Katherine e que ela descobrira sobre o passado de Elena da pior forma, não conseguia evitar em pensar no pior, as vezes eu sentia que Dona Pearl já havia se acostumado com o meu estado civil de viúvo e por isso achava que ela fosse sentir certa dificuldade em se acostumar com uma nova nora, principalmente quando se tratava de uma nora ex prostituta. Pouco me importava o que os outros pensavam sobre Elena, não me preocupava se não iriam aprovar nosso relacionamento ou achavam certo uma ex prostituta e um médico namorarem, mas o que realmente me atentava era como Elena iria lidar com tudo isso; para ela era muito importante ser aceita e acabava comigo a ideia de minha própria família criticar e julgar a mulher que eu amo insuficiente para mim.
Eu tinha consciência de que Elena havia sido prostituta e o seu passado realmente não me importava mais, aquilo era pagina virada e superada em nossas vidas, não me importava mais o que a sociedade iria achar de nós dois, eu a amava e apenas isso bastava, mas o quanto Elena iria sofrer se fosse rejeitada era o meu maior medo e eu faria de tudo para evitar esse transtorno.
Estávamos quase chegando a recepção do restaurante e eu tinha a impressão de que Elena fosse soltar de minha mão e sair correndo daquele lugar de tão nervosa que ela aparentava, durante o pequeno percurso no estacionamento tentei passar confiança para ela mas ela sequer parecia perceber e em um gesto de proteção e carinho, passei o braço pela sua cintura, trazendo seu corpo para mim.
– Boa noite, a reserva está no nome de quem? – a hostess, vestida formalmente com um terninho preto e uma saia lápis cinza, nos recebeu cordialmente e só então Elena se deu conta de que estava a poucos passos de conhecer sua sogra.
– Damon Salvatore – respondi e ela procurou meu nome em uma lista emoldurada em uma prancheta de couro preto.
– Por aqui, por favor! – a moça respondeu ao identificar nossa mesa e fez sinal para que o seguíssemos.
Assim como havia pedido a mesa estava em um lado reservado do restaurante, um tanto distante do no centro do salão de onde vinha a musica ao vivo para que pudéssemos conversar, e mais próximo da enorme parede de vidro na extremidade do restaurante, que dava uma bela vista da noite estrelada e de um jardim com um rio, obviamente artificial, que deixava o local ainda mais refinado. Em nossa mesa havia exatamente quatro lugares bem dispostos e espaçados, abrigando em seu centro um enfeite simples de flores e alguns cristais que combinavam com a decoração geral do restaurante, e sentadas uma do lado da outra estavam minha mãe e minha filha, esperando por mim e Elena.
– Fiquem a vontade e se precisarem de alguma coisa, meu nome é Susana, serei responsável em atendê-los nessa noite.
– Obrigado... – respondi educadamente.
As duas conversavam animadamente enquanto minha mãe segurava o adendo que dera ao colar de Emily de aniversario, e assim que viram nós nos aproximar, colocaram-se em pé para nos receber. Ao meu lado Elena suspirou fundo e ao chegarmos a mesa, minha mãe e Emily sorriram para nós duas.
– Filho, como é bom ver você! – mamãe disse sorrindo abertamente para mim e então me puxou para os seus braços em um abraço apertado.
– É ótimo ver a senhora também, mamãe! – respondi correspondendo ao seu abraço na mesma intensidade.
– Olhe só, você está ótimo meu filho até parece que rejuvenesceu uns dez anos! – ela sorriu e segurou meu rosto com suas mãos para estudar minha fisionomia.
– Credo mãe, até parece que faz anos que não nos vemos... – a repreendi revirando meus olhos de brincadeiras.
– Anos eu não digo, mas que faz meses que não nos vemos isso é verdade! – ela se defendeu e depositou um beijo demorado em minha bochecha.
– Mãe, essa é Elena, minha namorada que tanto falo e provavelmente a responsável pelo meu milagroso rejuvenescimento – sorri carinhosamente para a mulher ao meu lado e a puxei pela cintura para mais perto de nós, Elena estava extremamente corada e podia perceber o hesito em seus olhos.
– Ah, olá querida, é bom finalmente te conhecer! – minha mãe direcionou o olhar para Elena e sorriu educadamente para ela.
– É um prazer conhecer a Senhora! – Elena respondeu da mesma forma educada e elas se cumprimentaram com um breve beijo na bochecha.
– Meu filho e minha neta realmente tinham razão, você é muito bonita, Elena! – Dona Pearl a elogiou sorrindo cordialmente a ela fazendo um rubor vivido tingir suas bochechas.
– Muito obrigada... – ela respondeu timidamente e mexeu em seus cabelos soltos e jogados para o lado em um gesto que evidenciava aquilo.
– Legal agora vamos sentar e fazer nossos pedidos porque eu estou com fome, o que acham? – Emily interferiu um tanto inquieta.
– Vamos, pestinha... – assenti rindo e fizemos o que Emily havia sugerido.
– Você sabe de Annabelle, filho? – mamãe perguntou ao nos acomodarmos a mesa.
– Ela não pôde vir porque precisou ficar até mais tarde na empresa devido ao projeto, mas disse que sairá com Emms nessa sexta-feira para recompensa-la – respondi piscando para minha filha.
– Ah sim, ela está muito empenhada para conseguir ser promovida, não é? – disse inocentemente sem sequer ter conhecimento sobre o que sua filha fazia para conseguir um espaço melhor no trabalho.
– Oh sim muito mesmo, você nem imagina o quanto! – exclamei com sarcasmo, que para o meu grande alívio passara despercebido por minha mãe.
– Na verdade posso imaginar, ela faltar o aniversario da sobrinha é um sinal de que está muito determinada... Mas enfim, pensei que fosse esperar até Emily fazer dezesseis anos para lhe dar a aliança de Katherine – ela comentou e pegou delicadamente a aliança de ouro que Emily usava como pingente em seu colar.
Antes de falecer, no dia em que descobrira sobre o seu problema no coração, Katherine me fizera prometer que se algo ruim acontecesse, ela não queria ser enterrada de aliança e me pedira para que eu desse o anel a nossa filha, no início achei aquilo uma grande besteira e exagero, já que acreditava fielmente de que nada iria lhe acontecer, mas infelizmente quando aconteceu, guardei aquela aliança até que julgasse ser adequado de dar a Emily.
– Eu também mas preferi dar agora, ela já é madura o suficiente para isso e acho que é importante ela ter uma lembrança como essa da mãe... – expliquei dando de ombros.
– Realmente... – minha mãe concordou – E acredito que essa seja uma das formas de deixar nossa adorada Katherine sempre entre nós, principalmente porque essa aliança é um sinal do amor de vocês... – ela adicionou e senti ao meu lado, Elena mexer-se desconfortavelmente na cadeira parecendo um tanto incomodada com o assunto. Suspirei fundo amaldiçoando mentalmente minha mãe por ela ter tocado naquele assunto em frente a Elena e rapidamente tratei de trocar o foco do assunto.
– E o que tem nesse envelope? – perguntei ao olhar para minha filha e ver que sobre a mesa, ao seu lado um tanto escondido, havia um envelope que obviamente não era do restaurante.
– O presente que a vovó me deu... – Emily respondeu dando de ombros.
– Oh, por favor, não me diga que isso é um cartão de crédito! – revirei os olhos e disse em um tom de brincadeira que fizera Emily mostrar a língua para mim.
– É dinheiro, ok? Não se preocupe... – ela se defendeu.
– Ah que bom, fico mais tranquilo por não precisar começar a procurar um apartamento maior para abrigar as coisas que essa daí iria comprar com um cartão de credito nas mãos... – disse rindo aliviado – Aliás, falando em dinheiro e mudando totalmente de assunto, não sei se vocês sabem mas Elena recebeu uma enorme herança de sua avó materna, mãe – passei meu braço em volta dos ombros de Elena, achando uma maneira de fazer minha mãe e ela interagirem um pouco.
– É mesmo, Elena? E você já sabe o que vai fazer com o dinheiro? – minha mãe perguntou interessada.
– Estive até pensando nisso durante essa semana, tenho planos de pagar minha faculdade e pretendo investir em alguma coisa, provavelmente abrirei algum comércio ou então uma academia de dança e ginastica, tenho um amigo que é personal trainer e queria aproveitar disso de alguma forma – Elena respondeu parecendo um tanto empolgada com os planos e eu sorri para incentiva-la a continuar a falar.
– E você pretende fazer medicina também?
– Não, na verdade quero fazer design de moda, é algo que almejo desde criança quando brincava de vestir minhas bonecas e desenhava roupas para elas... – ela sorriu docemente com a lembrança tornando-se impossível não sorrir de volta.
– Elena tem muito talento, vó, quem me ajudou a comprar essa roupa que estou usando foi ela... Tenho certezas que ela será uma ótima profissional! – Emily sorriu para Elena de forma encorajadora recebendo em resposta uma piscadela de agradecimento.
– Que ótimo, Elena, te desejo sorte com tudo isso... Creio que esse futuro empreendimento tenha sido pensado no bem estar das crianças também, não é?
– Crianças? – Elena perguntou desentendida e um tanto assustada.
– Sim as de vocês! Imagino que planejam ter filhos, não é mesmo? Afinal, você é nova Elena... – Dona Pearl sorriu fazendo aquele incomodo voltar a habitar Elena e mostrar-se presente em mim também – Eu sei que você sofreu um aborto recentemente, Elena, e sei o que deve estar sofrendo, mas meu conselho é que não demore para engravidar novamente...
– Mãe... – tentei a reprimir para mudarmos de assunto mas Elena me interviu.
– Quero muito tentar engravidar novamente, mas tenho receio de perder um bebê pela terceira vez – ela explicou com calma e suspirou fundo antes de prosseguir – E como eu tenho planos de fazer faculdade, acho que seria melhor deixar para engravidar após eu me formar e que estiver estabilizada.
– Muito prudente isso, mas me perdoe a pergunta, você disse algo sobre perder um terceiro bebê... Já esteve grávida antes?
– Sim, isso foi antes de conhecer Damon mas infelizmente acabei sofrendo outro aborto... – Elena respondeu tentando esconder o tom tristonho de sua voz.
– Sinto muito, Elena...
– Tudo bem – Lena respondeu forçando um sorriso.
– Hm, Elena, tem como você me acompanhar até o banheiro, por favor? – Emily perguntou antes que a avó pudesse fazer mais alguma pergunta, me fazendo agradece-la mentalmente por ter tido essa ideia e me perguntando se ela havia percebido a inquietação de Elena.
– Claro! – ela respondeu parecendo não pensar duas vezes.
As duas se levantaram seguindo em direção ao toilette e assim que assumiram uma distancia segura de nossa mesa, eu encarei minha mãe um tanto angustiado.
– Mãe, será que tem como a senhora pelo menos tentar ser um pouco mais gentil com Elena? Ou pelo menos se esforçar para gostar dela, por favor, é importante para mim...
– Mas eu estou sendo, filho, e realmente gostei dela! – minha mãe se defendeu me deixando extremamente aliviado – Só estou tentando conhece-la melhor...
– Tem como a senhora tentar deixa-la confortável? Não pergunte sobre a vida dela nesse primeiro momento, Elena tem uma história muito difícil e vem tentando superar isso aos poucos. Ela estava muito nervosa para te conhecer, com medo de que não fosse aceita-la e não fosse nos apoiar pelo fato de ela ter sido prostituta , então é importante que você mostre que simpatizou com ela e que aprova nós dois... – eu pedi em uma quase súplica e em resposta, minha mãe pegou em minha mão que estava sobre a mesa e sorriu carinhosamente para mim.
– Por mais que eu ame Katherine tenho que admitir que nem ela fazia tão bem a você como Elena está fazendo... Você a ama muito, não é mesmo filho?
– Demais mãe, a senhora não faz ideia... Elena me mudou, me fez uma pessoa melhor, me ajudou a descobrir um Damon que eu nem sabia que existia e foi como se trouxesse cor para minha vida em luto, entende? Eu devo muito a ela e queria retribuir todos os benefícios que ela me trouxe...
– Você sabe que sempre terá meu apoio, independente do que ela tenha sido... Elena faz bem para você, faz bem para Emily e é isso que importa, filho – ela sorriu mais uma vez apertando seus dedos em minha mão, como se me tranquilizasse.
– Obrigado mãe! – sorri abertamente me sentindo muito mais aliviado e então trouxe a mão dela até meu rosto, depositando um beijo demorado nas costas de sua mão.
– Olha lá, elas estão vindo... – mamãe avisou e eu me endireitei a mesa para receber as duas mulheres que vinham em nossa direção – Estive pensando, o que vocês acham de sairmos nós três em um final de semana para passarmos um dia juntas? – sugeriu sorrindo de uma forma simpática para a neta e a nora.
– Eu acho uma ótima ideia, vó! – Emily assentiu instantaneamente e Elena olhou para mim com certa duvida, mordendo o lábio inferior com receio – Hm, Elena, minha avó estava me dizendo que precisa refazer seu closet, seria uma ótima ideia irmos as compras e você ajuda-la com isso, o que acha?
– Nossa mas isso seria perfeito! – respondeu minha mãe com um entusiasmo evidente – Sempre quis ter uma consultora de moda! E então, você aceita, Elena?
– É claro que sim, vai ser ótimo! – minha morena respondeu ainda hesitante mas relativamente mais aliviada com o progresso de minha mãe.
– Hm e tem outra coisa, a Elena trabalha em uma loja de decoração, vó, acho bom a senhora aproveitar que ela tem um ótimo gosto e que vai trabalhar lá por pouquíssimo tempo para redecorar sua sala e aquele quarto que separou para mim... – sugeriu com descaso e deu de ombros.
– Emily! – chamei sua atenção incrédulo – Você não acha que está muito folgada?
– Boa ideia, querida! – respondeu a avó, bajulando a neta e ignorando o que eu havia dito – Amanhã eu ligo para vocês para combinarmos melhor tudo isso!
– Isso, ótimo, agora podemos fazer os pedidos? Eu sou a aniversariante, não posso passar fome e sinto que posso desmaiar de fome a qualquer instante!
– Ok exagero em pessoa, vamos fazer os pedidos então! – assenti rindo e dei o sinal de que já iriamos fazer os pedidos.
Para o meu grande alivio, o jantar decorreu normalmente e de uma forma bem descontraída, minha mãe estava mais receptiva com Elena tentando deixa-la confortável e não fazendo perguntas tão pessoais a ela, porém, não fora o suficiente para conseguir deixar Lena mais a vontade. Ela ainda parecia incomodada e receosa, formulando melhor suas respostas e pensando antes de responder, mas toda vez que eu sussurrava em seu ouvido perguntando se estava tudo bem ela apenas acenava a cabeça positivamente e forçava um sorriso, repassei mentalmente a noite inteira os assuntos que conversamos tentando encontrar algo que tivesse a deixado daquele modo mas não consegui identificar nada demais e realmente esperava que fosse apenas timidez com tudo aquilo.
Após comermos sobremesa, conversarmos mais um pouco e combinarmos quando eu finalmente iria fazer o jantar em minha casa, decidimos ir embora por já estar tarde e enquanto Emily se despedia da avó aproveitei para averiguar se realmente estava tudo bem com Elena.
– Meu anjo, está tudo bem mesmo? Achei que estava um tanto distante e incomodada... – perguntei baixo para que só ela me ouvisse e a puxei para meus braços, para protegê-la do vento frio da noite.
– Está sim! – ela assentiu aninhando-se aos meus braços.
– Fale para mim o que aconteceu, por favor...
– Juro que não aconteceu nada. Acho que estava com vergonha e receio de ela não ter gostado de mim, na verdade ainda estou com esse receio mas é só isso mesmo – respondeu dando de ombros.
– Não fique assim, tenho certeza que ela gostou de você! – tentei acalenta-la fazendo carinho em seus cabelos e encostei sua cabeça em meu peitoral enquanto esperávamos Emily terminar de falar com a minha mãe.
– Pai, vovó quer se despedir de vocês – Emily veio correndo em nossa direção encolhida em sua jaqueta e entrou no carro rapidamente para nos esperar.
– Boa noite, filho! – mamãe sorriu para mim e me deu um abraço apertado de despedida para só então encarar Elena, que estava encolhida ao meu lado e de braços cruzados – Boa noite querida, foi um prazer conhece-la.
– Boa noite, Dona Pearl – respondeu Elena sorrindo para a sogra e acabou sendo surpreendida quando minha mãe a puxou para seus braços da mesma forma que havia feito comigo.
– Obrigada por cuidar do meu filho, Elena, e saiba que eu já considero você da família! – assim que minha mãe falou aquilo pude ver a postura de Elena relaxar e ela soltar um suspiro evidente de alivio – Falarei com Damon para combinarmos de sair ainda essa semana, ok?
– Claro! – ela assentiu sorridente e mesmo que estivesse escuro, pude ver de relance seus olhos cheios de lágrimas.
– Boa noite, querida, foi ótimo conhecê-la! – mamãe sorriu para Elena e elas se despediram com mais um abraço.
– Está tudo bem, meu anjo? – perguntei sussurrando em seu ouvido a tirando daquele transe que ela havia entrado quando minha mãe seguira em direção ao seu carro.
– Tudo, tudo ótimo! – respondeu Elena com um suspiro alto e virou-se de frente para mim, sorrindo de uma forma encantadora.
...
Elena Gilbert Narrando
Eu definitivamente estava vivendo um sonho... Como era possível que minha vida pudesse ter mudado tanto em tão pouco tempo? Aquele passado obscuro e cheio de tristezas, apesar de estar guardado em minhas memórias e no meu consciente, eu o sentia distante, como se todas aquelas lágrimas derramadas antes de dormir pelas palavras rudes e atitudes de Damon tivessem acontecido há anos, há muito tempo. A mudança evidente de Damon e o progresso em nossa relação me surpreendiam, tinha mudado do oito para o oitenta, da água para o vinho, e a mudança não era apenas por ele me dizer frequentemente que me amava...
Estávamos muito mais amigos do que antes e toda aquela luxúria e urgência que sentíamos pelo outro tinha diminuído relativamente, ao invés de passarmos noites e mais noites rolando entre lençóis e utilizarmos todo o tempo que tínhamos juntos para fazer sexo, preferíamos assistir filme ou qualquer besteira que passava na televisão ou então apenas ficar deitados em sua cama abraçados e conversando sobre diversos assuntos. Obviamente ainda nos desejávamos intensamente e tínhamos uma vida sexual muito ativa, mas como nos conhecíamos mais e estávamos mais próximos e confiantes, consequentemente tínhamos mais assunto para conversar.
Eu realmente estava amando aquela “nova vida” e estava aproveitando cada momento dela e me esforçando ao máximo para que o passado não voltasse a se repetir. Emily estava cada vez mais próxima de mim e assim como havia feito com ela, consegui conquistar a confiança de Pearl, que havia sido relativamente mais fácil de como fora com Emily. Diferente de como imaginava que seria, minha sogra era o oposto de todas as minhas especulações e me surpreendia o quanto tínhamos nos dado bem. Desde o dia em que nos conhecemos naquela mesma semana nos encontramos no mínimo três vezes, sendo-se que uma delas fora em um dia em que eu estava de folga e ela fora passar o dia comigo na casa de Damon já que Jenna estava de férias.
Naquela tarde tivemos a oportunidade de conversar melhor e como já me sentia mais a vontade com ela, consegui responder algumas de suas perguntas sobre mim assim como ela conseguiu se abrir comigo também. Pearl me contou a historia de seu abordo quando falei para ela sobre meus bebês, me falou também sobre a morte de seu marido e como se sentiu quando lhe contei sobre meus pais e também me contou algumas coisas sobre Damon, de quando ele era criança, de sua adolescência e de coisas que ele gostava, após eu ter narrado tudo o que acontecera entre Damon e eu. Mesmo que ainda não tivéssemos convivido muito consegui perceber que Pearl era muito sozinha e parecia muito carente também, então obviamente iria aproveitar dessa sua fraqueza para me aproximar cada vez mais dela.
As coisas estavam lentamente se acertando e o único obstáculo até então em meu caminho era Annabelle, tinha consciência de que não seria fácil conquistar aquela Salvatore mas ainda tinha esperanças de que ela fosse ceder... Na verdade, ela tinha que ceder alguma hora.
Finalmente o tão esperado jantar havia chegado, Damon estava extremamente ansioso para aquela reunião e eu não fazia ideia do motivo de tanta inquietação, ele até havia contratado um comitê para servir na noite e recepcionar os poucos convidados para garantir de que tudo desse certo – um grande exagero em minha opinião mas revolvi não me intrometer e deixa-lo fazer o que quisesse naquela noite, Damon estava tão animado e feliz que eu me proibia de tirar aquilo dele. Pelo que eu havia percebido os Salvatores adoravam fazer grandes eventos por pequenos motivos e com a empolgação e entusiasmo de Damon e Emily era impossível não ficar da mesma forma então quando menos percebi, já havia entrado no clima deles.
Na sexta-feira, Damon tirou o dia de folga e junto com Jenna, que mesmo estando de férias e sendo convidada para o jantar daquela noite se disponibilizou a ajudar Damon já que meu moreno não fazia ideia de onde ficavam as coisas em sua própria casa, recepcionaram equipe e arrumaram os preparativos para o jantar. Para o grande alivio dos dois a lista de convidados não era tão extensa, contávamos com a presença de parte da família de Damon, sua mãe Stefan e Jenna – já que Annabelle não havia sido convidada, Marcos, Mike, Caroline e Klaus já estavam confirmados na lista e como adendo, por ser amigo especial de Damon, Alaric também iria, então seria algo pequeno, apesar de me parecer grandioso demais, e sem duvida alguma especial.
– Você não vai me dizer se tem alguma ocasião especial por trás desse jantar? – me aproximei silenciosamente de Damon, que estava encostado ao seu balcão de bebidas enquanto esperava os convidados chegarem, e abracei sua cintura pelas costas aproveitando para fazer minha pergunta sussurrando em seu ouvido.
– Não tem nada demais, anjo, Stefan está vindo nos visitar e disse que tem um comunicado importante para dar então decidi fazer algo especial... – ele explicou dando de ombros e virou-se de frente para mim sustentando um sorriso gentil em seu rosto – E além do mais, nossas famílias tem que se conhecer, não concorda?
– Hm, você tem razão mas tem certeza de que não vai convidar Annabelle? Mesmo que de última hora...
– Tenho, Lena, até pensei em chama-la já que nosso irmão estará aqui mas da ultima vez em que fui falar com ela em seu trabalho, para convida-la para essa noite por sinal, a encontrei saindo da empresa no carro de Bart, o que significa que ela ainda não parou de sair com ele... Eu fui bem claro quando disse que não queria que ela convivesse com a minha filha até que se redimisse.
– Você sabe que ela ficará uma fera quando descobrir que não foi convidada, não é?
– Tomara que ela fique... – ele riu com descaso e deu de ombros – Sei que o que estou fazendo pode parecer frio para você mas eu amo minha irmã e por isso não posso deixa-la cometer tal erro, preciso fazer alguma coisa, Elena, não quero que Annabelle se perca desse jeito... Meu pai deve estar extremamente decepcionado comigo por eu ter deixado isso acontecer e preciso tomar uma atitude cabível nesse momento.
– Hey, não estou te julgando por isso até acho que está certo mas não é meu papel opinar nos assuntos de família – acariciei delicadamente seu rosto e subi com minhas mãos para os seus cabelos para deixar seus fios ainda mais bagunçados do que já estavam – Seu pai deve estar muito orgulhoso de você e não foi sua culpa isso tudo ter acontecido, a única culpada na história é ela.... Não pensei nisso agora, ok?
– Tem razão... – ele suspirou fundo forçando um sorriso e inclinou-se em minha direção mas quando estávamos prestes a dar inicio a um beijo, soou a campainha do elevador que avisava que alguém havia chego no apartamento fazendo nos separar e ir receber quem havia chego.
– Olá família! – exclamou uma voz masculina conhecida porém não me recordava com clareza de quem se tratava. Ao chegarmos ao pequeno hall de entrada ao lado da sala de estar, encontramos dois dos convidados de Damon; Pearl e Stefan, que nos receberam com enormes sorrisos – Olá casal! – ele riu um tanto empolgado ao me ver abraçada a Damon e aproximou-se do irmão para cumprimenta-lo – E ai quando é o casamento?
– Logo depois do seu... – Damon riu balançando negativamente a cabeça e abraçou Stefan em um cumprimento bem masculino.
– Bom saber por que preciso adiantar a passagem e vocês os preparativos para a festa... – Stefan respondeu rindo e Damon o encarou com uma expressão confusa – Eu estou noivo, vou me casar no inicio do ano que vem!
– O que? – Damon perguntou abismado.
– É isso mesmo, vou me casar! – Stefan riu orgulhosamente e deu soco de brincadeira no ombro do irmão.
– Espera, mãe você já viu quem é essa pessoa com quem ele vai casar? Já verificou se ela tem seios e de preferencia um útero? Ou então se é um ser humano e não mais um cachorro para enfiar naquela casa...
– Nossa como você é engraçado, estou rindo muito de você! – Stefan revirou os olhos e contorceu sua face em uma careta de deboche – Para a sua informação o nome dela é Megan, é morena de olhos claros e é o sonho de todos os homens!
– Menos o meu! – Damon riu presunçosamente e me puxou para mais perto de si, depositando um beijo em minhas têmporas – Mas cadê o seu sonho de consumo? Você não a trouxe?
– Não... Ela tem uma vida muito parecida com a sua sabe então é meio complicado viajar principalmente quando é tão de repente assim...
– Ah ela é médica? – perguntou Damon interessado.
– Sim, neurologista! – Stefan sorriu orgulhoso e então virou-se para mim – Cunhadinha!
– Como vai, Stefan? – sorri educadamente o cumprimentando e ele fez questão de me puxar para um abraço apertado – Eu te disse que esse cabeça dura não iria desistir de você, tudo bem que não estamos no casamento de vocês mas tenho certeza de que em breve será... – ele comentou em um tom baixo o suficiente para que somente eu ouvisse e riu presunçosamente.
– Tio Stefan, vovó! – Emily gritou do corredor animadamente ao ouvir as vozes de seus familiares.
Assim que os dois foram recepcionados e devidamente servidos pela equipe que Damon contratara, seguimos para sala de estar e ficamos conversando até que o restante dos convidados chegassem. Com todos presentes, os apresentamos devidamente e eles ficaram conversando até a hora do jantar ser servido; Klaus, Damon e Stefan rapidamente se entenderam e em seguida Mike, surpreendentemente, e Alaric também se juntaram para conversar com os dois, Caroline conseguiu se enturmar com Pearl e enquanto as duas e Emily conversavam e babavam em Claire, eu e Marcos conversávamos e bebíamos encostados ao balcão do bar de Damon.
– Fico imaginando se eu estivesse no seu lugar agora... Toda essa situação não está te incomodando? Stefan estar aqui e vocês já terem ido para cama... – Marcos perguntou curioso.
– Para ser sincera é estranho sim, mas estou tentando não pensar nisso. Damon não está se incomodado então é isso que importa, não posso deixar isso me afetar, Marcos.
– E como ele reagiu ao te ver?
– Surpreendentemente bem, ele me abraçou e agiu normalmente... Tenho certeza que aquela noite não significou nada para ele e aposto que Stefan estava tão bêbado que nem se lembra do que aconteceu direito – dei de ombros e bebi o ultimo gole de meu uísque.
– Eu duvido muito mas tudo bem – Marquinhos riu balançando a cabeça e imitou meu gesto – Aliás, me conte uma coisa que eu estou me contorcendo aqui, Lenina... – ele pediu em um tom manhoso fazendo aquele olhar pidonho que eu bem conhecia.
– Ai... – franzi o cenho confusa, já esperando alguma de suas inconvenientes – O que foi, Marcos?
– Mas antes tem que me prometer que vai responder, senão eu não pergunto!
– Já falei o quanto me assusta quando você me propõem essas coisas? – revirei os olhos e cruzei os braços o olhando séria – Não vou prometer!
– Então eu não vou perguntar! – fazendo uma cara de desgosto e revirando os olhos, Marquinhos cruzou os braços como eu com o intuito de parecer sério.
– Tudo bem então, vai ficar curioso! – disse presunçosamente o fazendo me fuzilar com os olhos.
– Biscate... – grunhiu entre dentes e então aproximou-se de mim – Você já percebeu o que a calça que seu homem está vestindo faz?
– Veste ele! – disse com um tom obvio.
– Olha bem... Nas partes da frente e nas de trás também! – assim como ele havia me aconselhado, direcionei meu olhar em direção a Damon, que estava em pé e de braços cruzados enquanto conversava distraidamente com os outros rapazes, e encarei discretamente suas pernas e as partes que Marcos havia enfatizado.
A calça que Damon usava era preta e um tanto justa se fosse comparada com as outras que ele costumava a usar, então por isso, além de deixar suas coxas torneadas um pouco mais evidenciadas, deixava também aquelas partes em especial mais destacadas.
– Fala para mim... É grande mesmo ou é só impressão? – ele perguntou falando extremamente baixinho fazendo meu rosto parecer queimar de tanta vergonha.
– Marcos Delago! – o repreendi extremamente envergonhada e um tanto nervosa – Isso é pergunta que se faça?
– Ué, você queria saber e eu disse... – deu de ombros com descaso – Mas, por favor, fale para mim, é grande ou não é?
– Marcos, eu me recuso a te responder isso! – cerrei meu maxilar tentando me mostrar nervosa para conter o riso.
– Ah se ficou brava então é porque é pequeno... – provocou conseguindo me deixar ainda mais corada e irritada.
– Você tem certeza de que eu ainda estaria com ele se fosse pequeno? – perguntei irritada e respondi sem sequer pensar, o fazendo rir quase em descontrole.
– Oh então quer dizer que é grande! O quão grande? – Marcos perguntou ofegante de tanto rir.
– Impressão minha ou você está tarando o meu homem? Porque está tão interessado em saber se é grande ou não! Estou de olho em você, Marcos! – semicerrei meus olhos o olhando desconfiada e querendo acabar com aquele assunto constrangedor, deixei meu corpo para trás e fui em direção ao local onde Caroline, Emily e Pearl conversavam.
– Olha só, estávamos falando de você agora, Elena! – minha sogra sorriu para mim ao me ver chegar.
– É mesmo? Estavam falando coisas boas ou ruins? – perguntei interessada.
– Estávamos falando que já passou da hora de você e meu pai fazerem um irmãozinho para mim... – Emily explicou dando de ombros e sorriu para mim.
– Sobre isso mesmo! – confirmou sua avó – Já tem prazo para quando vão aumentar a família?
– Isso vai demorar, vai demorar bastante... – respondi um tanto sem graça e me agachei em frente a Emily, que segurava Claire em seu colo, para falar com minha sobrinha e tentar desviar o assunto – Oh princesa da tia, você está sendo o centro das atenções hoje, não é mesmo, boneca? Você não vai querer vir nem um pouquinho no colo dessa tia babona? – e estendi os braços como se a convidasse para vir para o meu colo e fiz um beicinho manhoso a fazendo sorrir abertamente para mim – Oh meu Deus, mas assim você derrete o meu coração, sabia? – passei o dedo delicadamente no nariz de Claire e Emily me entregou a bebê para que eu pudesse pega-la.
– Mas e você, Caroline, como está se sente faltando uma semana para o seu casamento? – perguntou Pearl.
– Oh meu Deus, falta só uma semana? – Carol perguntou em desespero se fingindo de desentendida – Eu estou tentando me controlar, uma pena não poder tomar nenhum tipo de calmante por causa da amamentação porque se fosse ao contrario, eu estaria completamente dopada nesse momento!
– Sei qual é a sensação! Mas fique calma, tudo vai dar certo, querida, o nervosismos é inevitável mas quando chegar a hora apenas curta seu momento porque ele é único!
O restante da noite ocorreu bem e sem grandes acontecimentos, todos pareciam estar se divertindo, o jantar estava realmente ótimo e tinha que confessar que Damon, apesar de ainda estar nervoso e impaciente, era um ótimo anfitrião. Após jantarmos e assim que a sobremesa fora servida, todos voltaram para sala de estar para conversar enquanto apreciavam os mais caros vinhos e uísques que meu moreno fizera questão de abrir para aquela ocasião.
Mais uma vez os convidados se reunirão em grupos para conversar e enquanto eu e Pearl conversávamos, Damon fazia companhia para Jenna e Alaric, que estavam extremamente próximos para quem havia acabado de se conhecer, os três cochichavam alguma coisa e já se passava das onze da noite quando observei Damon se preparar para falar alguma coisa, porém aquele barulho conhecido da campainha do elevador, que anunciava que alguém havia chego ao apartamento, soou interrompendo os planos de Damon.
– Me perdoem o atraso, espero que não tenha perdido o jantar... – a voz um tanto quanto irritante de alguém indesejada naquele momento, falou em um tom debochado e que bem conhecia, nos fez olhar em direção ao lugar de onde a voz era emitida. Encostada a lacuna que dividia a sala de estar da sala de jantar, estava Annabelle nos encarando com um olhar gélido.
– Tia Anna, que bom que veio! – Emily disse animada ao ver a tia e instantaneamente olhei para Damon, que parecia ainda mais confuso do que eu naquele momento.
– Annabelle o que faz aqui? – perguntou Damon seriamente.
– Ué Damon, vim ver vocês, é claro! – ela respondeu de forma como aquilo parecesse obvio.
– Pensei que estivesse trabalhando hoje – Emily comentou.
– Eu? Trabalhando? – riu debochada – O seu pai não te contou que ele não me convidou para essa reuniãozinha em família? – Annabelle cruzou os braços e olhou para seu irmão de forma desafiadora fazendo a sala ficar em um silencio absoluto e constrangedor.
Porque algo me dizia que aquilo não iria acabar bem?
– Hm... Elena, nós já vamos ok? Claire está um pouco chatinha porque já passou da hora de ela dormir – Caroline e Klaus levantaram-se de onde estavam sentados percebendo a atmosfera tensa ao redor – Amanhã nos falamos, pode ser?!
– Claro! – assenti compreensiva sem querer estender muito aquilo e joguei um beijo no ar para ela para me despedir.
– Nós vamos também, Leninha, já está um pouco tarde... – Marquinhos e Mike também se levantaram e seguiram o caminho até o elevador junto com Caroline e assim que meus amigos se retiraram e que estavam apenas as pessoas da família no apartamento, Dona Pearl se manifestou.
– Como assim ele não te convidou, Anna?
– Não me convidando, mãe, simplesmente ignorou minha existência e sabe por quê? – virou a cabeça em minha direção e me fuzilou com o olhar – Por causa dessa vadia desqualificada!
– O que? – perguntei rindo incrédula – Do que você está falando?
– Quer mesmo que eu diga, querida?
– Oh sim, realmente eu quero que você diga! – respondi debochada.
– Ela, mamãe, colocou Damon contra mim, fez a cabeça do meu próprio irmão e falou absurdos sobre mim! – defendeu-se com devoção.
Seus argumentos fizeram meu sangue parecer ferver em minhas veias e tive que tirar forças de outra dimensão para não partir para cima daquela vadia que usava um par de louboutin. Como ela conseguia ser tão cínica?
– Como assim, Annabelle? O que ela falou sobre você de tão grave assim? – perguntou Pearl intrigada.
– Isso é um absurdo, é calunia! Eu não f... – protestei me exaltando mas antes que pudesse continuar a me defender, Damon interferiu.
– Elena não fez nada disso, Annebelle, ela fez o certo em me contar sobre você! Se não fosse por ela eu nunca iria saber o quanto você consegue ser... vadia!
– Damon, não fale assim de sua irmã! – repreendeu Pearl.
– Quem é você para me chamar de vadia quando uma dorme ao seu lado e você sequer se importa?!
– Cala a boca, Annabelle, cala a boca! Não ouse em falar assim de Elena nunca mais! – Damon me defendeu erguendo o tom de voz e praticamente gritando com a irmã.
– Será que da para algum de vocês poderia me contar o que está acontecendo? – pediu minha sogra.
– Você vai contar ou quer que eu conte, Annabelle? – Damon desafiou a irmã a fazendo perder a compostura.
– Contar o que? – ela perguntou fingindo desentendimento fazendo Damon rir.
– Tudo bem, eu conto... Eu conto que você está indo para cama com o seu chefe só para ser promovida!
– Você o que, Annabelle? – Pearl perguntou incrédula e de relance, pude ver Emily encolhendo-se atrás de mim, parecendo tão abismada quanto a avó.
– É isso mesmo que você ouviu mãe, Annabelle está indo para cama com Bart para que ele escolha o projeto dela e a promova na empresa! Sua querida filhinha está chantageando, manipulando o chefe com sexo! – explicou Damon em um tom frio e áspero, fuzilando a irmã com o olhar – Elena foi se encontrar com Annabelle para que elas começassem a se entender e a encontrou aos beijos com Bart em sua sala, Annabelle, por sua vez, implorou para que ela não me contasse nada mas diferente de minha irmãzinha, Elena não consegue mentir para mim e mesmo se sentindo culpada, me contou o que sabia! No dia seguinte fui entender melhor essa história e Annabelle apenas me confirmou o que eu já sabia...
– Eu não consigo acreditar no que estou ouvindo... – sussurrou Pearl decepcionada – E eu estava orgulhosa por você filha, estava animada para que conseguisse tal promoção mas agora sinto como se tivesse sido atingida por um balde de água gelada. Que decepção, Annabelle!
– É tudo culpa sua! – Annabelle gritou vindo em minha direção – Se você não tivesse aberto a boca para contar a Damon, nada disso estaria acontecendo! Sua vadia, vagabunda! Eu odeio você, desejo que nada dê certo em sua vida e espero que volte a se prostituir!
– Chega Annabelle! — Damon a repreendeu mais uma vez mas acabou sendo ignorado e ao invés de recuar, Annabelle aproximou-se de mim.
– Quer saber o que eu acho? Eu acho que meu irmão está usando você, está usando seu corpinho para sexo e para prazer próprio! Você acha mesmo que um homem como Damon vai querer uma mulher como você? Prostituta e desqualificada! Ilusão sua achar que ele realmente te ama, eu aposto que vocês dois não duram mais do que cinco meses juntos... Damon vai cansar de você e não vai demorar a encontrar uma mulher que realmente o interesse!
Annabelle me insultava como se ninguém estivesse presente, o ódio e a raiva que estava sentindo por mim era algo alarmante e preocupante ao mesmo tempo, o que eu tinha feito para que me odiasse daquela forma? Sinceramente ela não estava bem e muitas vezes achava que o que Annabelle precisava era de atenção, ela precisava ser vista, notada pelas pessoas mesmo que fosse de uma maneira negativa... Será que ela não percebia que aquilo tudo tinha passado dos limites? Que não se tratava mais apenas de um preconceito e frescura?
Suas palavras ecoavam em minha mente fazendo uma fúria incontrolável crescer em mim e sem conseguir me conter e sem ao menos me importar com nosso publico, eu junto toda a força que eu tinha e acerto minha mão em seu rosto, em um tapa forte e ardido que deixara sua face vermelha.
– Vadia! – sibilou entredentes e de imediato levou a mão ao seu rosto.
– Fala mais alto que eu não escutei! – disse me exaltando e aproveitando seu recuo, fui para cima dela, mas infelizmente não consegui atingi-la por Damon entrar antes em minha frente.
– Elena, calma... – Damon pediu – Não perca a cabeça...
– Calma? Como você quer que eu mantenha calma quando ela me insulta dessa forma? Ela é uma hipócrita e consegue ser mais vadia que eu, mesmo tendo dinheiro e uma profissão ela ainda foi para cama com o chefe para querer mais! Gananciosa, hipócrita! Não admito que fale assim de mim!
– Ah não admite? Você não admite mas essa é a sua realidade, Elena! – Annabelle riu sarcasticamente – Eu é que não admito você falando dessa forma na frente da minha família!
– Chega, Annabelle! Chega! Vá embora agora! Você já causou transtorno demais – Damon virou-se para irmã e ordenou exalado – Quando você vai entender que a Elena é a mulher que eu amo e vai aprender a respeita-la?
– Você está me mandando embora, Damon?
– Estou! Vá embora, por favor! – assentiu suspirando fundo, tentando se controlar.
– E não é só ele que está te mandando ir embora, sou eu também – Pearl intrometeu-se e segurou o braço da filha com lagrimas nos olhos – Vamos embora, Annabelle, precisamos conversar...
– Como é bom estar em casa... — Stefan riu sem graça, falando sarcasticamente e levantou-se de onde estava sentando para seguir mãe, deixando para trás seu copo vazio que antes servia uma dose de uísque.
– Você não vai ficar, Stefan? – perguntou Damon.
– Não, melhor não... Acho que você tem algumas explicações para dar – apontou com a cabeça para Emily, que estava encolhida no sofá e parecendo em um estado de transe – E nossa mãe está precisando de mim nesse momento, amanhã nos falamos, boa noite irmão... – os dois se despediram rapidamente com um acenar de cabeças e assim que todos já haviam ido embora e que naquele apartamento estava somente eu, Damon e Emily, a garotinha suspirou fundo e olhou para nós dois.
– Será que tem como vocês me contarem o que está acontecendo? – ela perguntou angustiada.
– Lena, tem como você leva-la para o quarto? Preciso falar uma coisa com Stefan...
– Não, eu não quero ir para o quarto, eu quero saber o que está acontecendo! – Emily protestou.
– Filha, eu vou te contar, ok? Só espere uns minutos e vá para o quarto com Elena.
– Venha, Emms... – cheguei sutilmente ao lado dela e segurei seu punho com delicadeza a incentivando com o olhar.
Ainda um tanto hesitante ela acabou cedendo e eu a guiei até seu quarto com o braço em volta de seus ombros a acolhendo com cuidado, ao chegarmos ao cômodo coloquei-a sentada em sua cama e liguei o abajur de cabeceira, iluminando apenas uma parte do quarto, e então me sentei em sua frente.
– Elena, é verdade que a minha tia fez isso? Eu não consigo acreditar e muito menos entender...
– Emily, eu não acho que eu seja a melhor pessoa para falar sobre isso com você, espere seu pai chegar que ele vai saber o que te dizer... – acariciei delicadamente o torso de sua mão – Mas independente do que ela tenha feito, Emms, lembre-se de que pessoas erram e muitas vezes fazem escolhas erradas mas nem assim passam a ser pessoas ruins...
– Eu não entendo Elena, depois de tudo o que minha tia fez para você, depois de todos os desaforos que ela falou, como consegue ainda defende-la?
– Porque se eu tentasse fazer sua cabeça contra ela, apenas confirmaria que eu sou tudo aquilo que ela disse... E não é justo eu tentar te deixar contra ela, eu sei que você a ama e está decepcionada com o que ela fez mas isso não vai durar para sempre, Emms. Eu, por exemplo, fiz todas as escolhas erradas, levava uma vida totalmente imoral e nunca fui um exemplo de pessoa para ninguém, mas eu mudei e isso não impede que sua tia também se arrependa e isso não impediu que você e seu pai gostassem de mim...
Emily me escutava em silêncio e de cabeça baixa, provavelmente absorvendo o que eu falava, ela estava confusa e extremamente assustada com o que tinha acontecido, afinal não era sempre que ela escutava tantos desaforos, xingamentos e presenciava uma situação como aquela então não era para menos que suas lágrimas escorressem pela sua face e molhassem o jeans de sua calça.
– Elena, me da um abraço? – Emily perguntou timidamente.
– É claro, meu anjo! – assenti passando meus braços ao redor dela e a puxei para um abraço apertado e demorado para em seguida deitar sua cabeça em minhas pernas enquanto acariciava seus cabelos.
– Está tudo bem por aqui? – Damon deu três leves batidas na porta entreaberta do quarto da filha e perguntou baixinho ao nos ver daquele modo.
– Está sim... – assenti forçando um sorriso e Emily sentou-se em sua cama para que eu levantasse – Lembre-se do que eu disse, ok? – acariciei sua mão delicadamente e ela assentiu em silencio antes que eu me levantasse e saísse do seu quarto – Vou estar te esperando no quarto... – disse baixinho a Damon e então segui para o seu quarto para deixar os dois conversando a sós.
Assim que me vi sozinha no quarto de Damon e que toda a adrenalina do momento tinha abaixado, senti como se um balde de água fria tivesse atingido meu corpo e mesmo contra minha vontade, o que acontecera há alguns minutos começou a se passar pela minha mente como se tivesse rebobinado meus pensamentos e pressionado play no momento em que Annabelle entrara por aquele apartamento. Não fazia ideia de quanto tempo aquela conversa duraria mas pela seriedade do assunto julgava que seria algo demorado e só de pensar que Damon iria demorar para vir me distrair, um certo desespero tomava conta de mim... Não queria pensar sobre o que havia acontecido, não queria que aquilo me atingisse...
Mas parecia inevitável pensar naquilo e impossível manter tal pensamentos longe de minha mente...
“Sua vadia, vagabunda! Eu odeio você, desejo que nada dê certo em sua vida e espero que volte a se prostituir!”
“Quer saber o que eu acho? Eu acho que meu irmão está usando você, está usando seu corpinho para sexo e para prazer próprio! Você acha mesmo que um homem como Damon vai querer uma mulher como você? Prostituta e desqualificada! Ilusão sua achar que ele realmente te ama, eu aposto que vocês dois não duram mais do que cinco meses juntos... Damon vai cansar de você e não vai demorar a encontrar uma mulher que realmente o interesse!”
Trinta por cento de mim era determinação e confiança, aquele meu lado me impedia de aprofundar meus pensamentos sobre o que havia acontecido e me mantinha forte perante aquilo mas os setenta por cento restantes eram o oposto, me enchendo de receios, incertezas e inseguranças...
Tentei ao máximo de distrair enquanto me arrumava para dormir mas assim que já estava pronta e deitada na cama de Damon a sua espera, não consegui mais ter forças para lutar contra aquilo.
“Quer saber o que eu acho? Eu acho que meu irmão está usando você, está usando seu corpinho para sexo e para prazer próprio!”
Não, Damon não era assim, pelo menos não mais... Nossa relação havia mudado, estávamos mais maduros e tinha certeza que não era apenas sexo. Damon não era ela, ele não usava ninguém e muito menos para algo como sexo!
“Você acha mesmo que um homem como Damon vai querer uma mulher como você? Prostituta e desqualificada! Ilusão sua achar que ele realmente te ama, eu aposto que vocês dois não duram mais do que cinco meses juntos... Damon vai cansar de você e não vai demorar a encontrar uma mulher que realmente o interesse!”
Por mais excruciante que fosse ter de admitir aquilo, Annabelle tinha razão e eu não podia contraria-la quando eu mesma tinha consciência desse fato; Damon não merecia alguém como eu e consequentemente eu não merecia alguém como ele; eu não era boa o suficiente para ele e o achava demais para mim, me preocupava o fato de que Damon pudesse enjoar de mim ou pior ainda, encontrar alguém mais interessante que eu.
Sem que eu percebesse, as lágrimas já escorriam pelo meu rosto e soluços angustiados cortavam meu peito... Por mais que Damon já tivesse confessado que me amasse, porque aquilo parecia tão remoto da realidade em que eu me encontrava? Sabia que era estupidez sofrer por aquilo mas quando percebi meu rosto já estava banhado a lágrimas e Damon já havia voltado da conversa com Emily, não me deixando tempo nem de conseguir me acalmar e apagar os vestígios de choro.
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