New Life
8 Capítulo 7 - From the heart
Notas iniciais
Damon Salvatore Narrando
Estava no meu sofá tomando uma dose de Bourbon, e para variar absorto em pensamentos, aquela morena que não me saia da cabeça estava ali, como sempre... Aquele nosso beijo, a reluta dela, eu via em seus olhos que ela queria se entregar mas percebia que no meio daquilo tinha algo que não a deixava fazer o que seu coração pedia. O fato de ela ter tratado bem a minha filha mesmo que ela tivesse a magoado, o fato de eu mesmo tê-la magoado e ainda assim sentir que ela continuava a sentir algo por mim, porque ela não se entregava? Porque era tão difícil? Ah céus, quantas vezes eu ia ter que pensar que era um idiota? O que eu tinha que fazer? Era tolo e fraco demais para dizer que a amava... Para Katherine era algo fácil mas Para Elena era algo completamente diferente e extremamente complicado, parecia que toda vez que eu iria falar aquelas três palavras, minha voz sumia ou algo tampava minha boca me impedindo de proferir as três palavras com sete letras, que ela tanto queria ouvir... Não me importava mais em ela ter sido prostituta... Fui imaturo, imbecil, preconceituoso... Precisava dela, da minha morena... Do seu cheiro, da sua pele... Da minha pequena que eu tanto amava.
Não conseguia mais tira-la de meus pensamentos e para minha infelicidade, na sexta-feira que eu iria ficar em casa que poderia curtir minha filha e distrair minha mente, Emily me pedira para ir ao cinema com Thomas... De imediato eu neguei, mas então lembrei-me de Elena pedindo-me para pegar leve e confiar em Emily então acabei cedendo e deixando minha pequenina radiante... Era apenas um filme e então uma carona de volta para casa com o motorista do menino, era apenas isso.
Para minha sorte, antes que eu começasse a me embebedar de verdade e sozinho naquele enorme apartamento, Alaric me ligou me convidando para sair, estava inaugurando um novo Jockey na cidade e como Ric era um amante sem igual de cavalos, corridas e tudo mais, não queria perder aquela inauguração por nada. No início fiquei um tanto hesitante, realmente não estava no clima de festas, mas te tanto que meu amigo insistira, acabei cedendo e então fui ao seu encontro naquela festa.
- Fala sério, Damon, se eu não tivesse te chamado para sair, você provavelmente iria passar essa noite sozinho, assistindo televisão enquanto se preocupava com Emily no cinema com o namoradinho... – Alaric gesticulou com o copo de uísque na mão, falando de forma convencida e divertida.
- Ele não é namorado dela! – respondi entredentes bebendo o restante da mesma bebida que Ric bebia – Estávamos nós dois sentados ao balcão do bar enquanto conversávamos e bebíamos, o lugar estava cheio e a maioria das pessoas já haviam chego. Por ser inauguração de algo grandioso e famoso como um Jockey daquele porte, o evento era sofisticado e ao olhar em volta, examinar os convidados, presumia ter grandes nomes por ali. As pessoas já faziam suas apostas, discutiam sobre os cavalos e corridas enquanto bebiam e apreciavam os aperitivos que eram servidos, mas eu e Alaric sequer estávamos preocupados com o prêmio ou algo relacionado aos cavalos, provavelmente meu amigo iria fazer alguma aposta, mas eu iria apenas assistir e tentar distrair minha mente de Emily.
- Ah sim, você que pensa... – Ric riu sarcasticamente me fazendo revirar os olhos – Até parece que nunca foi ao cinema com uma menina e não sabe o que acontece no escurinho daquela sala...
- Chega, Alaric, antes que eu saia daqui e entre naquela sessão e fique no meio dos dois o filme inteiro... – disse mal humorado.
- Sua cara fazer isso mesmo, mas ok, vamos mudar de assunto – ele deu de ombros rindo e dando-se por vencido.
- Mas realmente, ter aceitado seu convite está me ajudando muito a não pensar no que provavelmente está acontecendo naquela sala de cinema... – suspirei fundo e pedi mais uma dose se minha bebida – Mas me conte, como estão as coisas no hospital? Continua indo ao bordel? – sorri maliciosamente para ele, desviando totalmente de assunto.
Alaric começou a falar sobre o hospital, contou sobre suas noitadas no SoHo Dolls, mas nada demais havia acontecido com meu amigo naqueles últimos meses. Ric estava um tanto triste e muito sozinho, mesmo que estivesse visitando o bordel com frequência, estava muito carente e precisando de algo a mais, que não era apenas sexo com uma prostituta. Poderia dizer com convicção que Alaric estava precisando se apaixonar, se envolver mais intensamente com uma mulher e esse era um dos motivos que eu estava ali e aceitara seu convite para aquela festa, prestar-lhe minha companhia e amizade era tudo o que podia fazer para ao menos distrai-lo daquela solidão, que sabia que o estava incomodando.
Nós conversávamos animadamente, a música que tocava nos alegra mais ainda e enquanto riamos e bebíamos, algumas mulheres desacompanhadas se insinuavam para nós. Eu as ignorava completamente e continuava a agir como se não fosse comigo, mas Alaric insistia em aceitar e corresponder aos flertes das duas mulheres fazendo com que elas investissem ainda mais, não só em meu amigo, mas em mim também, mesmo que eu não estivesse demonstrando interesse. Tentando ignora-las e disfarçando a uma piscada que uma delas havia mandado a mim, eu viro a minha cabeça em direção a porta principal, por onde ainda chegavam convidados, e encontro um casal que pousava para a foto de entrada, fazendo meu coração simplesmente disparar e uma descarga de adrenalina percorrer meu corpo o fazendo formigar. Ao lado de um rapaz loiro, que bem conhecia e tanto detestava, estava certa morena que não pensei que fosse a reencontrar tão cedo, principalmente naquela ocasião.
- Só me faltava essa... – disse entredentes sentindo-me sufocado com o que via; Elena e Matt juntos, ele a segurando possessivamente pela cintura enquanto ela sorria e era apresentada para um grupo de amigos de seu acompanhante.
Alaric seguiu com o olhar até onde eu olhava e assim que percebeu sobre o que falava, riu baixinho balançando a cabeça negativamente. Não conseguia encontrar palavras para aquele momento e nada explicava o que estava sentindo... Era um misto de surpresa com fúria por ela estar acompanhada, uma felicidade por ela estar ali e ansiedade pelo mesmo motivo, era horrível sentir aquilo... Não conseguia desviar o olhar deles e pouco me importava em estar sendo indiscreto ou algo do tipo, minha morena estava ali e como sempre, mesmo sem saber ou querer, me hipnotizava de uma forma que nada mais me importava, de uma forma que tudo ao meu redor tivesse desaparecido e a única pessoa que estava naquele evento comigo, ela era. Mesmo que isso soasse piegas, era exatamente como estava me sentindo naquele momento...
Oh céus, ela estava incrível, como se fosse novidade... Seu corpo esguio estava coberto por um vestido longo de um obro só e completamente justo, de forma que suas gloriosas curvas ficassem em evidencia, deixando vários homens presentes naquele lugar, inclusive eu, enlouquecer com aquele coro. Pelo que conseguia ver, seus olhos estavam bem destacados em uma maquiagem forte e seus cabelos levemente ondulados e jogados para o lado de forma sensual.
- Ela está maravilhosa... – disse mecanicamente e embasbacado.
- Olha, está escorrendo uma baba no canto de sua boca, alguém tem um babador ai? – Alaric disse sério mas de forma zombeteira – Mas ela está realmente incrível...
- Como se isso fosse novidade! – revirei os olhos com um tom obvio – Eu não suporto esse cara! – disse entre dentes os acompanhando com o olhar e Matt a puxou para si, pegando usa mão e entrelaçando seus dedos nos dela. Elena sorria meigamente para ele e beija seus lábios de leve – Eu não mereço ver isso, Alaric, eu vou embora... – rosnei ainda de dentes cerrados e bufei alto.
- Qual é a sua, Damon? Você tem trinta e três anos ou dezessete?
- Alaric, se você acha que eu vou ficar aqui assistindo a mulher que eu amo se agarrar com esse loirinho, você está muito enganado.
- Justamente! – Alaric rebateu – Você vai entregar a mulher que ama de mãos beijadas para esse loirinho enquanto poderia ir até eles, conversar, chama-la para dançar e agir como um adulto e não como uma criança ou adolescente birrento?
- Você só pode estar de brincadeira! – revirei os olhos com ironia – Mas sim, vou fazer isso, não tenho psicológico para ver isso.
- Não! Você só pode estar de brincadeira, pelo amor de Deus é só Elena, vá até lá, a cumprimente, aja normalmente como se os três fossem bons amigos – eu revirei meus olhos debochando do que ele havia dito e bebi minha nova dose de uísque – Covarde!
- É, eu sou mesmo... – continuei o desafiando sem desgrudar o olhar de Matt e Elena.
Cada segundo que passava os encarando era uma gota de água que caia em meu copo prestes a transbordar. Elena ria genuinamente com Matt, abraçada em seu braço enquanto ele sussurrava algo em seu ouvido que a fazia rir revirando os olhos e bater em seu braço como se o repreendesse. Sem que eu percebesse, meus dentes estavam trincados com força enquanto eu os observava com fúria no olhar, sentia meu sangue ferver e meu coração bater com força e dolorosamente em meu peito.
- Cuidado para não dar torcicolo, mocinho, senão mamãe vai ter que fazer compressa no pescoço do filhinho dela... – Alaric afinou a voz fazendo um tom infantil para falar comigo e eu apenas o mandei para o inferno e o xinguei de alguma coisa que o fez rir.
A gota da água foi quando Matt a puxou para seus braços, envolvendo sua pequenina cintura com eles e a beijou calorosamente a fazendo passar seus braços em volta de seu pescoço para aprofundar o beijo. Todo aquele ódio e ciúmes que sentia ao vê-los entrando juntos, simplesmente triplicaram e a minha única vontade naquele momento era arrancar minha morena dos braços daquele homem e leva-la para um lugar muito longe dele. Ela era minha, apenas minha.
Meus dentes estavam cerrados com força e tinha a impressão de que iria explodir de tanta raiva.
- Vá agora falar com eles! – Alaric disse autoritário.
- Nem em sonho! – respondi relutante.
- Se você não for, eu vou e ainda digo que está aqui e que os viu mas está sem coragem de ir até eles...
- Você não ousaria...
- Não duvide de mim. Vá agora, Damon! – os dois continuavam a se beijar... Se é que aquilo pudesse ser considerado apenas um beijo... Eu tinha que parar aquilo...
Bebi o restante de meu uísque em um só gole e fui em direção a eles suspirando fundo. Minhas mãos tremiam e suavam de nervosismo, desde quando eu era tão ansioso daquele jeito? Em minha mente, pensava em algo para conversarmos, mas aquela cena de beijo simplesmente me deixara incapaz de pensar em algo. Assim que estava quase chegando, eles finalizaram o beijo e Matt a virou de costas para si, de forma que seu abdômen ficasse nas costas de minha morena e ele o abraçasse.
Como ele ousava em pegar minha mulher daquela forma?
- Damon? Hey! – Elena me cumprimentou sorrindo e só percebi que estava próximo a eles quando ouvi sua doce voz falar meu nome – Que surpresa te encontrar aqui! – ela disse colocando seus braços sobre os de Matt, se aconchegando ali.
- Boa noite, Damon, como vai? – Matt me cumprimentou educadamente e com um sorriso sutil nos lábios. Ele sequer parecia se importar com a minha presença ali e ao contrario de mim, estava até descontraído, eu queria com todas as minhas forças que aquele homem desaparecesse do mundo e o fato de ele estar abraçado a Elena daquela forma, me fazia querer aquilo com ainda mais intensidade.
- Boa noite, Matt! – o cumprimentei igualmente, mas de forma fria e breve, que infelizmente, nem foi notado.
- Não sabia que costumava a frequentar jóqueis... – Elena disse e eu direcionei minha atenção a ela.
- Na verdade não frequento, Alaric é um grande amante de tudo isso e então acabou me convidando para essa festa para que eu não ficasse sozinho em casa... – respondi a minha morena fazendo um careta de desgosto ao falar um dos motivos de eu estar ali.
- Ah sim! – ela assentiu rindo baixinho – Então Emily realmente foi ao cinema com Thomas? Como ela está? Como você permitiu isso? – perguntou em um tom falso de choque me fazendo encolher os ombros e olhar para baixo envergonhado e ainda com a feição retorcida de desgosto.
- Segui o seu pedido de pegar leve com ela... – ergui minha cabeça sorrindo honestamente para ela – Aliás, sabia que tinha dedo seu nessa história! – acusei a fazendo rir alto e dar de ombros. Ao me pedir para sair com seu amigo, Emily foi extremamente coerente e adulta com o pedido, foi honesta e disse que iria apenas os dois, mas que ela se comportaria e que seria apenas um filme e um lanche após a sessão, nada mais, apesar de ter ficado um tanto relutante em deixa-la sair, logo lembrei-me de Elena e de nossa conversa na cozinha de sua casa e acabei liberando sua saída.
- Fico feliz em saber disso, Damon, e pelo menos, ela lhe disse a verdade, não mentiu dizendo que iria com uma amiga ou com outra pessoa...
- Realmente... Posso dizer que ela ganhou uns pontinhos positivos com isso.
- Já estava na hora, não é? – ela riu balançando a cabeça negativamente como se me repreendesse e certo pânico tomou conta de mim por o assunto ter acabado
- Mas me diga uma coisa, como estão as coisas com Logan? Ele voltou a te ameaçar? Conseguiram descobrir algo sobre ele? – desviei o assunto rapidamente e os dois ficaram sérios no momento.
- Não, ele não voltou a me ameaçar e eu passei o número, que ele me mandou aquela mensagem de depois de Marquinhos ser atacado, para Matt mas até agora não conseguimos nada novo... – Elena respondeu com pêsames.
- Mas estamos atrás dele vinte quatro horas, creio que mais cedo que esperamos iremos conseguir descobrir mais alguma coisa! – Matt adicionou otimista.
- Espero mesmo! – respondi sem sequer olhar ao homem que havia acabado de falar – Se vocês precisarem de alguma coisa, eu estou aqui, queria muito poder ajudar nesse caso...
- Tudo bem, iremos te manter informado, Damon, obrigado pela ajuda e consideração! – Matt respondeu, mas mais uma vez eu não desviei o olhar da mulher, que também me encarava intensamente e sem sequer piscar, naquela química perfeita que só nós dois tínhamos... – E você vai apostar, Damon?
- Não não, mas provavelmente meu amigo vá, não gosto muito dessas coisas, e você?
- Não, dessa vez não, vou apenas aproveitar a festa, que está ótima, não é verdade? – eu e Elena continuávamos a nos olhar com aquela magnitude sem igual, e assim que ele disse “aproveitar a festa”, lembrei-me de meu amigo me dando certa ideia, e então olhei para Matt novamente.
– Posso rouba-la por alguns instantes? – perguntei destemido percebendo o choque que causara naquelas duas pessoas com minha pergunta – Se ela quiser, é claro... – sorri de forma convidativa para Elena a fazendo trocar olhares com Matt e rapidamente se soltar dele.
- Claro... – ela assentiu um tanto hesitante e eu ofereci meu braço para ela. Assim que Elena engatou seu braço ao meu, a guiei até o centro da pista de dança, onde fiz questão de ficar entre a multidão para que Matt não nos visse juntos.
- Acho que essa é a primeira vez que vamos dançar propriamente juntos... – sorri de maneira sugestiva a puxando para mim e colocando minhas mãos em sua cintura para que dançássemos juntos... Lembrei-me das inúmeras vezes que eu a convidava para dançar comigo no bordel e ela acabava dançando exclusivamente para mim em um quarto, como eu sentia falta daquilo...
- Ainda bem que estamos em circunstancias diferentes... –ela respondeu e passou os braços em meu pescoço para que dançássemos.
No momento seguinte, uma musica lenta começou e eu a aproximei mais de mim, para que nossos corpos ficassem bem próximos e nossas pernas se encaixassem para que pudéssemos dançar.
Nossos corpos se encostaram e assim que senti o calor do corpo pequenino daquela mulher me envolver, cada parte de minha pele se arrepiou e meus sentidos foram duplicados por aquele contato. Nossos olhares estavam conectados mais uma vez e nossos corpos se moviam em harmonia com o ritmo lento da música, mas sequer percebíamos isso... Naquele momento era só nós dois e tudo o que os nossos olhares transpassavam.
“I know you’ve heard these words a hundred other times before and you’ve been hurt and so your heart has choose close the door. Love broke your heart and brought you lies… Look in my eyes, you’ll see a love that it’s deep and pure, tender and strong and all for you, you can trust this love… Honest, that’s the honest truth.
From the heart I’m giving you everything, from the heart I promise you that I’ll be there, I’ll be there to love you. From the soul I’m showing you all I feel, all I feel is from the heart, from the heart…”
Se ela ao menos soubesse o quanto eu a amava, se pudesse ver em meus olhos a imensidão daquele sentimento ou então até mesmo sentir o que eu sentia, sentir tamanha felicidade de tê-la dançando comigo e tê-la em meus braços daquela forma, eu a sentia tão minha novamente, tão entregue a mim e vulnerável àquele momento... Queria poder parar tudo e ficar naquele instante para sempre, queria que houvesse uma forma de guardar aquele momento comigo sem deixar um segundo ou sensação de fora, pois sabia que assim que aquela música acabasse, ela iria correr para os braços de Matt e iria retratar aquela nossa dança como um erro, um grande arrependimento... Queria compartilhar com ela o quanto estava arrependido e o quanto a amava, queria lhe dizer que ela poderia confiar em mim novamente, que ela poderia se entregar e acreditar nesse mais honesto amor que sentia por ela...
- Você está maravilhosa, Elena, como sempre... – disse sorrindo honestamente enquanto fazia carinho em suas costas com meu polegar – Esse vestido lhe caiu perfeitamente...
- Obrigada... – ela respondeu um tanto sem jeito – Matt tem um ótimo gosto mesmo...
- Foi ele quem te deu? – perguntei tentando disfarçar o fato de aquilo ter me incomodado um bocado e para minha sorte, ela pareceu não perceber meu tom enciumado e apenas assentiu – E então você e Matt ein... – arqueei as sobrancelhas de maneira sugestiva e ela sorriu envergonhada e balançando a cabeça negativamente.
- Matt foi e está sendo um ótimo amigo nesses últimos meses, não sei o que faria sem o apoio dele...
- Amigo? – perguntei sarcasticamente – Se sua amizade inclui como beneficio um beijo como aquele que vocês deram, eu também quero ser seu amigo, Elena...
- Sim, meu amigo... Ele, Marcos e Carol ficaram ao meu lado após o aborto enquanto eu estava sozinha, então nada mais justo que lhe ceder uns benefícios a mais... – Elena disse rispidamente me olhando de forma severa e eu me odiei por ter feito tal comentário e estragado o nosso momento.
- Ok, desculpe, não quis me intrometer... – encolhi os ombros suspirando fundo e ao perceber que eu realmente tinha me arrependido, ela balançou a cabeça novamente como se me desculpasse.
“I will protect you and respect you and be all you need and when you reach for love you’ll only need to reach for me, these arms will never let you down they’re staying around. I’ll walk with you thought every storm, I’ll keep you safe, I’ll keep you warm and you’ll have no doubt you’re the one I’m living for…”
Aquela maldita culpa iria me perseguir para sempre… Eu nunca iria me perdoar por ter a feito sofrer daquela forma e por não ter estado ao seu lado quando ela perdeu nosso bebê... Eu prometi a mim mesmo, que se ela conseguisse me perdoar e voltasse para mim, eu nunca iria magoa-la de novo, nunca mais iria ser o motivo de suas lágrimas e em hipótese alguma a abandonaria, sempre que ela precisasse eu iria estar ali e iria fazê-la ter certeza de que eu a amava e que ela era a mulher de minha vida... Isso se ela um dia me perdoasse.
Eu a puxei mais para mim, colando mais nossos corpos e estreitando meus braços em sua volta, fazendo com que nossos rostos se encostassem e ela apoiasse sua testa na minha enquanto dançávamos. Eu sentia sua respiração acelerada bater em meu rosto, seu peito subir e descer rapidamente por ela estar ofegante e seu pequeno corpo estremecer com aquele nosso novo contato... Não queria me iludir, mas ela estava, não só fisicamente, mas psicologicamente entregue a mim, parecia que eu percebia sua reluta se esvair e aquele enorme escudo, aquela muralha gigante que estava em volta dela ser derrubada... Nossos narizes se roçavam e ela já havia se aproximado mais de mim, estreitando seus braços ao redor de meu pescoço, da forma que havia feito com sua cintura.
I’ll provide the love you need, just trust my touch, believe in me, I’ll never make you cry giving all I’ve got with all I got inside…
Nossos lábios se roçaram mais uma vez e nós dois estremecemos com aquilo, de imediato, espalmei minhas mãos, uma na base de suas costas e a outra bem no centro dela, e Elena entrelaçou os dedos em meus cabelos, entregando-se aquele contato... Todos os pelos de meu corpo eriçaram e meu sangue ferveu em minhas veias, mas antes que pudesse beija-la da forma que eu tanto queria, selei nossos lábios três demoradas vezes e sussurrei totalmente entregue, em seus lábios.
- Me perdoe, Elena, por favor... – ela hesitou alguns instantes, mas assentiu com a cabeça. Meu corpo estremeceu de choque por sua resposta e sem conter tamanha alegria, tomei iniciativa do beijo, tomando seus lábios para mim em um beijo intenso.
From the heart I’m giving you everything, from the heart I promise you that I’ll be there, I’ll be there to love you. From the soul I’m showing you all I feel, all I feel is from the heart, from the heart…”
Antes que nosso beijo tomasse ainda mais intensidade, Elena levou as mãos ao meu peitoral e me empurrou levemente para longe, virando o rosto, recusando-se a continuar a me beijar.
- Eu te perdoo, Damon, mas isso não vai me fazer correr para seus braços novamente... – ela disse relutante e eu me afastei para conseguir olhá-la.
- Sinceramente, Elena, eu não estou te entendendo... Você perdoou Matt depois do que ele fez, porque não pode me perdoar de verdade para seguirmos em frente?
- Porque o que Matt fez não me magoou metade do que o que você fez, eu não sofri tanto com ele recusando nosso filho do que como sofri quando você duvidou que meu bebê fosse realmente seu, Matt me pediu perdão e não voltou a cometer o mesmo erro que antes, mas você fez pior, Damon... – mais uma vez, Elena enfiou uma faca em meu peito e eu agradeci mentalmente por as luzes da festa terem se abaixado porque meus olhos encheram-se de lágrimas.
- Eu estou arrependido, Elena, por favor, me perdoe...
- Eu já perdoei, Damon, mas isso não vai me fazer voltar para os seus braços, não assim como você quer... – ela disse mais uma vez e então se soltou de mim, caminhando para onde Matt e ela estavam no inicio da festa.
Toda aquela esperança que eu tinha em conseguir Elena de volta havia ido embora, assim como ela estava indo naquele momento... Pude ver em meio a multidão, Elena voltar aos braços de Matt e ver aquilo, simplesmente fez meu chão desmoronar sob meus pés. Eu realmente havia a perdido...
Sem saber o que fazer, eu simplesmente volto para onde estava sentado e então peço mais uma dose da bebida mais forte que tinha naquele lugar... E assim faço seguidas vezes, durante a noite toda.
Elena Gilbert Narrando
Sentir seus braços em volta da minha cintura, seu cheiro másculo do perfume amadeirado que eu mais amava, sentir seu hálito quente perto de meu pescoço e seu coração batendo rápido perto do meu... Eu estava absorta em pensamentos, em devaneios... Eu poderia a qualquer momento me jogar nos braços dele e lhe dizer o quanto o amava, estava tão entregue, tão envolvida aquele momento que não iria conseguir resistir a ele... E quando ele se aproximou para me beijar e ligeiramente conseguiu, tive que me afastar e pedir calma... Damon me pedindo perdão e se comparando com Matt realmente acabou comigo... Mas eu tinha que ser forte, olhei em seus olhos e pude ver toda a sinceridade do mundo, eu conhecia aqueles olhos, eu confiava nele...
“Eu já perdoei, Damon, mas isso não vai me fazer voltar para os seus braços, não assim como você quer...” Senti que aquelas palavras caíram como um balde de água fria nele, Damon esperava que eu realmente voltasse para ele, mas aquilo não iria acontecer, pelo menos, não tão facilmente e ele sabia exatamente o que fazer para me conquistar mais uma vez, mas simplesmente não fazia...
Assim que me afastei dele, Damon voltou para o bar e pude vê-lo arrasado enquanto pedia a bebida mais forte do bar... Matt me abraçou forte e perguntou se tudo estava bem, e eu apenas assenti forçando um sorriso. Mesmo que estivesse quebrada por dentro por ter feito aquilo com o homem que eu amava, não queria que Matt me visse fraca daquele jeito e nem que se preocupasse comigo.
Damon continuava a beber e o fato de Alaric estar assistindo a corrida e ele estar no bar sozinho, sem ninguém para repreendê-lo e controla-lo com a bebida, só me deixava mais preocupada ainda. Matt tentava me acalmar, mas ver o homem que eu amava bebendo daquela forma simplesmente acabava comigo, era impossível não me preocupar e não sentir um pingo de compaixão por aquela cena. Não podia negar que eu o amava ainda e saber que ele estava bebendo por minha causa, me deixava mais que culpada. Queria dizer que não só lhe perdoava, mas que também iria voltar para ele, porém meu orgulho era maior e meu ego ainda estava ferido, precisava ainda de um tempo para conseguir curar aquela ferida e Damon precisava mostrar que sentia falta de mim e não apenas de meu corpo ou de alguns momentos que tínhamos juntos.
Tentei me distrair o máximo que consegui, tentei dançar com Matt, beber alguma coisa, mas meu olhar não desgrudava de Damon afogando suas magoas no álcool. Estava seriamente preocupada com ele e sem conseguir evitar, fui a sua direção e de forma autoritária, tirei seu copo de sua mão.
- Chega, Damon! – disse rispidamente.
- Me deixe, Elena... – sua fala era enrolada devido a sua embriaguez e ele tentou, em vão, puxar seu copo de volta para si.
- Não, eu não vou te deixar, eu me importo com você e te ver dessa forma me preocupa, vamos Damon, vamos embora...
- Eu não quero ir embora! – ele relutou e eu revirei os olhos – E você nem se importa com isso, deve estar se divertindo com meu estado, você e seu amiguinho devem estar amando me ver dessa forma...
- Pare de falar besteiras, se eu estivesse me divertindo estaria assistindo sua desgraça de longe ao invés de vir te ajudar... Onde está Alaric?
- Não sei, quem se importa? – céus, como pessoas bêbadas são chatas... Revirei meus olhos e suspirei fundo, contando mentalmente até cinco.
- Pois é, ninguém se importa e pelo visto, muito menos ele, então vamos embora, venha, vou te levar para casa... – eu cheguei ao seu lado e passei seu braço em meus ombros, o puxei para mim e ele ficou de pé, nos fazendo cambalear para trás devido ao seu peso.
- Não, eu vou embora, meu carro está ai e eu vou dirigindo para casa...
- Nem pensar! – disse imediatamente – Você não tem a mínima condição de dirigir, Damon.
- Eu estou bem... – ele relutou tentando se afastar de mim, mas acabou cambaleando e quase caindo junto comigo – Me solte, Elena, me deixe em paz, já disse que estou bem...
- Bem mal, você quer dizer. Pare de ser teimoso, Damon.
- Acho que peguei esse mal de você...
- Pode até ter sido, mas se você sabe ser teimoso eu consigo ser muito mais que você, então vamos embora agora! – eu o coloquei sentado em um sofá e fui até Matt, para lhe pedir ajuda. Sabia que ele não concordava muito com o que estava fazendo, mas no fundo, ele me entendia e sabia que não iria virar as costas para mim naquele momento... – Matt, não consigo deixa-lo assim, preciso ajuda-lo...
- Eu sei, Lena... – ele suspirou fundo assentindo e pegou minha mão – Vou pegar o carro, ok? Vamos deixa-lo na casa dele.
- Obrigada, Matt, de verdade, muito obrigada mesmo! – sorri extremamente aliviada e ele beijou meus lábios para então ir pegar o carro para nós.
Enquanto Matt se encarregou de pegar seu carro, procurei em minha volta por Alaric, mas não consegui encontra-lo em lugar nenhum, ele provavelmente estava assistindo a corrida e eu não iria procura-lo naquele imenso lugar e correr o risco de perder Damon no meio daquelas pessoas. Ele estava embriagado demais para ficar sozinho e eu temia o que ele pudesse fazer naquele estado, assim que chegássemos ao carro eu iria pegar o celular de Damon e ligaria para Alaric para explicar o que havia acontecido.
Assim que Matt chegou com o carro, eu coloquei Damon no banco traseiro e me sentei ao seu lado, deixando que ele apoiasse sua cabeça em meu ombro durante todo o caminho, ele ainda estava um tanto relutante mas parecia ter se conformado que eu iria leva-lo embora e por isso, fez questão de ficar próximo a mim e acariciando minha mão. Matt estava calmo, não parecia ter se chateado ou não estar gostando de fazer aquilo por mim e eu nunca iria conseguir agradecê-lo o suficiente pelo o que ele estava fazendo naquele momento.
Assim que chegamos em frente ao prédio de Damon, eu desci do carro e o levei até seu apartamento enquanto Matt me esperava estacionado na rua. Como o porteiro me conhecia e viu o estado de Damon, me deixou entrar facilmente subir com ele. O apartamento estava vazio e silencioso, provavelmente Emily já estivesse dormindo e por não quere que ela acordasse e visse seu pai naquela situação, fui o mais silenciosa possível. Ao chegar no quarto de Damon, fechei a porta do cômodo e o deixei deitado em sua cama enquanto pegava em seu closet um pijama confortável para que ele dormisse, mas logo desisti da ideia já que seria muito difícil conseguir vesti-lo.
- Elena, vem aqui, se deite comigo... Passe a noite ao meu lado, eu te imploro – ele disse ainda daquela forma embolada enquanto eu pegava sua roupa.
- Uhum, claro... – assenti sarcasticamente – Vou trocar sua roupa e assim que você dormir, obviamente em seus sonhos vou passar a noite com você... – revirei meus olhos e fui até ele.
- Por favor, minha morena... Não me deixe sozinho, não me abandone!
- Não vou te deixar, feche os olhos, abrace esse travesseiro e prontinho! – lhe alcancei um travesseiro e comecei a tirar aquela sua roupa incomoda.
Tirei seus sapatos, suas meias e então abri seu cinto para conseguir tirar sua calça social para deixa-lo apenas de boxer. No momento que o vi sem calças me bati mentalmente pela péssima ideia de despi-lo... Céus, aquele corpo... Tentei ao máximo não me concentrar em seu físico, mas não podia evitar em sentir um calor “horrível” se alastrar por mim com aquela visão dos Deuses. Suspirei fundo e então prossegui com meu péssimo plano masoquista; com muita dificuldade tirei seu paletó, afrouxei sua gravata bordô e então retirei sua camisa preta o deixando semi nu diante de meus olhos...
“Foco, Elena, foco!” tentava me concentrar, mas como iria ter foco quando o homem que eu amava estava apenas de boxer em minha frente? Não fazia ideia de como iria resistir aquilo, mas fechei os olhos e contei mentalmente até dez. Eu iria resistir.
Damon se aconchegou na cama e rapidamente o cobri com o lençol e então coloquei um cobertor grosso por cima dele devido o frio e por ele estar nu. “Elena, vem aqui, se deite comigo... Passe a noite ao meu lado, eu te imploro” seu convite parecia tão tentador, aquela cama onde dormíamos e passávamos noites e mais noites acordados me parecia muito mais do que convidativa, principalmente pelo fato de ela ser grande demais para apenas uma pessoa... Imaginei-me deitada com ele, seus braços em minha volta enquanto dormíamos e o calor de seu corpo nu me envolvendo, o dia seguinte em que ele me acordaria com beijos e então seguiríamos para cozinha para tomarmos café da manhã juntos, como costumávamos a fazer...
“Foco, Elena, foco!”
Suspirei fundo e antes que não resistisse àquilo, me certifiquei de que ele já estava dormindo e então sai de seu quarto o mais rápido possível, voltando para o carro de Matt. Passei em passos largos pelo saguão daquele luxuoso prédio mal me despedindo de James e entrei no carro sem falar uma palavra sequer mantendo-me em silencio durante o caminho inteiro até o apartamento de Matt. Para minha sorte, meu “amigo” respeitou e entendeu meu silencio e apenas acariciava minha mão tentando me consolar...
Assim que chegamos, eu me troquei, colocando uma camisa dele e ele colocou um pijama para que dormíssemos, mas ao invés de me deitar com ele na cama, preparei um café para mim e fiquei sentada no chão da sala, onde conseguia ver a cidade pela enorme sacada de vidro que tinha no apartamento.
“Vi também o quanto você gosta de meu pai e o quanto ele gosta de ti... Sabe, Elena, meu pai já não é mais o mesmo, não é mais aquele Damon Salvatore brincalhão e sorridente de quando você estava conosco, agora ele é mal humorado e ranzinza, bebe todas as noites em seu bar segurando um lenço seu... Ele te ama e sente muito sua falta, sabe...”
“Ele não é mais o mesmo e ontem, ele te defendeu de minha tia, nós discutimos com ela por causa de você...”
“Eu sinto tanto sua falta, preciso tanto de você, Elena...”
“Me perdoe, Elena, por favor...”
Porque eu estava pensando em tudo aquilo? Porque meu inconsciente estava me torturando daquela forma?
Tudo o que Damon havia dito para mim, os beijos que trocamos, seus toques, as demonstrações de carinho, tudo o que tinha acontecido com nós dois desde o dia que nos reencontramos no hospital, passava em minha mente formando um enorme nó em minha garganta... Sinceramente, porque aquilo estava acontecendo? Damon reapareceu em minha vida e bagunçou tudo o que demorei meses para organizar, eu estava tão bem até ele reaparecer... Tinha certeza que se aquele reencontro tivesse demorado um mês ou um pouco mais para acontecer, eu não teria me afetado tanto e Matt iria ter conseguido me ajudar a superar Damon, mas não, ele apareceu de repente e mesmo que eu me julgasse forte, não consegui resistir e lutar contra o que sentia... Era Damon e sempre seria ele...
Eu queria chorar, minhas lágrimas ameaçavam cair, mas eu tentava ao máximo evita-las... Eu não podia chorar por ele, não mais.
- Hey, Lena... – ouvi falar baixinho em meu ouvido e sentar-se atrás de mim, de forma que eu ficasse no meio de suas pernas e ele me abraçasse.
- Hey... – respondi baixinho me aconchegando em seu peitoral.
- Não vai dormir?
- Não consigo...
- Não consegue dormir e ainda está tomando café? Meu Deus, isso sim que é vicio... – ele riu fazendo-me arrepiar e encolher por sua respiração pinicar meu pescoço.
- Você sabe que café não interfere no meu sono, não mais...
- Sei sim, só estava te incomodando mesmo... – ele deu de ombros – Acho que certo médico bêbado dos olhos azuis é o motivo dessa sua insônia, não é? – assenti mordendo o lábio e revirando os olhos para controlar as lágrimas que ardiam em meus olhos.
- Eu não consigo mais, Matt... – disse baixinho e deixei que as lágrimas escorressem – Eu tento ser forte, mas o que eu sinto é muito mais forte que eu... Não consigo não me importar com ele, não consigo deixar de sentir o que eu sinto... Não aguento mais tudo isso, Matt – desabafei em meio a lagrimas e me aconcheguei melhor nele, como se pedisse seu apoio. Matt não disse nada, apenas me abraçou e me ouvir chorar, e era exatamente isso que eu queria, queria alguém para me ouvir, queria alguém que me abraçasse enquanto eu chorava por Damon e que não me dissesse o quanto eu era burra em estar sofrendo daquela forma com ele...
- Você o ama, não é?
- Muito, Matt, demais... E eu só queria que ele me amasse também.
- E se ele bater em sua porta amanha e disser que te ama? E se ele se declarasse para você e implorasse para que voltassem? O que você faria?
- Eu iria voltar para ele no mesmo instante... – respondi em meio a soluços – Mas sei que isso não vai acontecer, então prefiro nem pensar... Você fica aqui comigo? Não consigo dormir...
- Claro, anjo, fico sim... – Matt pegou do sofá uma coberta e nos cobriu para que ficássemos ali juntos enquanto eu chorava em seus braços por outro homem.
Fale com o autor