New Life

15 Capítulo 14 - Better than revange


Notas iniciais
hey hey pessoal, finalmente atualização aqui! Então gente, eu percebi que os comentarios diminuiram bastante de uns tempos para cá e eu realmente queria saber o motivo ): mas enfim, quero agradecer a Ray e a Amanda pelas recomendações novas, muito obrigada meninas amei demais s2 e quero agradecer também, de novo, a Amanda por nao ter esquecido de Soho Dolls s2. Enfim gente, tenho uma noticia (ruim ou boa, nao sei, depende do referencial rs) nas notas finais e é isso ai, boa leitura espero que gostem.

- Sabe, Annabelle, estou aqui tentando entender a cena que acabei de presenciar mas até agora ela não faz sentido para mim… Digo, até faz mas continuo sem entender – após longos segundos encarando aquela mulher diante de mim, eu quebrei o silêncio que se formava entre nós e ri com certo deboche dela – O que será que uma mulher como você está querendo com um homem como Bart? Seu chefe e ainda casado... – com os braços cruzados, eu comecei a andar pela sua sala sustentando um tom ameaçador para falar com ela enquanto pensava em milhares de formas de fazer com ela o que ela havia feito comigo há alguns meses...

- Isso não é da sua conta! – Annabelle respondeu na defensiva e arqueou uma sobrancelha como se tentasse mostrar superioridade.

- De fato não é da minha conta... – pensei por alguns segundos e dei de ombros, mas logo uma risada irônica escapou de mim, acabando com toda minha falsa modéstia – O que eu estou falando?! É claro que é da minha conta, desde o momento em que você se intrometeu em minha vida e em um assunto meu que também não era da sua conta, automaticamente me deu liberdade para que eu fizesse o mesmo com você! – retruquei com aspereza e imitei sua expressão facial, arqueando minha sobrancelha e a lançando um olhar ainda mais ameaçador – E quando eu digo “fazer a mesma coisa” me refiro inclusive a contar sobre o que vi aqui para certo alguém...

- Não, Elena, por favor, não conte para Damon o que você viu aqui, eu te imploro! – Annabelle desmoronou visivelmente e ao ouvir minhas intenções, entrou em desespero... Céus porque vê-la naquelas condições estava sendo tão divertido?

- E porque não posso contar a ele? – perguntei inocentemente e antes que ela respondesse, conclui meu pensamento – Afinal, não mandamos no coração, não é?! A culpa não é sal de ter se apaixonado por seu chefe casado e muito mais velho, Damon tem que te entender e te apoiar, Annabelle... – continuei com meu tom inocente e me fingi compreensiva para que ela me contasse a verdade por trás daquilo tudo.

- Eu não estou apaixonada por Bart, francamente! – ela revirou os olhos entediada e disse com descaso – Eu o seduzi e estou indo para a cama com ele porque quero que o meu projeto seja escolhido e ele é o responsável por isso – Annabelle respondeu com um tom óbvio fazendo toda aquela minha falsa inocência e compreensão transformarem-se em choque fazendo minha boca desmoronar de tanta incredulidade. Lentamente minha mente me lembrou de quando minha cunhada contou a Damon e Emily sobre os projetos de casas ecológicas e sobre a grande promoção e benefício que a escolha de seu trabalho traria a ela e de repente tudo se encaixou...

- Wow! – disse abismada e rindo baixinho – Deixe-me ver se entendi... Você está indo para cama com um velho, ou melhor, com seu chefe, porque quer que ele escolha o seu projeto? É impressão minha ou você está fazendo como se fosse uma troca de benefícios? Usando o Bart e deixando ser usada... Ou melhor, trocando sexo por dinheiro? – um sorriso desafiador desgrenhou em meu rosto a fazendo me fuzilar com o olhar pelo que eu havia dito.

- É, é isso mesmo ok? Está satisfeita?! – ela assumiu impaciente e bateu com força em sua mesa – Vai me julgar agora?

- Quer dizer então que a queridíssima Annabelle está utilizando métodos sujos e baixos para que, de certa forma, consiga dinheiro? O mundo realmente dá voltas...

- Cala a boca, Elena, pare de hipocrisia e de agir como se não costumasse a fazer pior! – ela se defendeu revirando os olhos e eu apenas a encarei com um sorriso presunçoso.

- Pior? Sinceramente, não vejo o porquê de ser pior ou que se difere do que eu fazia. Admita, Annabelle, você está fazendo sexo por dinheiro, admita que é mais fácil.

- Eu não sou uma prostituta, eu não sou igual a você! – ela gritou exaltada e mais uma vez bateu na mesa.

- Ah não?! – perguntei com ironia, mantendo o tom suave e desafiador em minha voz – Então me diga o que nos difere... Eu fazia sexo diretamente por dinheiro e você faz para conseguir um cargo, para conseguir uma promoção no trabalho que obviamente lhe trará dinheiro, ou seja... – disse em conclusão – Nada te difere de quem eu era, Annabelle.

- Como ousa me comparar com você, sua cretina? Eu não sou como você e nunca vou ser, sua vida de puta não tem nada que se assemelhe a minha. Eu não sou vadia como você, eu não transo com vários homens e não faço nada do que você fazia! – ela se defendeu exaltada me fazendo gargalhar alto – Eu não sou como você!

- É verdade... Você não é como eu... – assumi me fingindo compreensiva novamente e então sorri para ela – Você é ainda pior e sabe por quê? Porque você é rica, Annabelle, você tem tudo... Casa, família, profissão, trabalho... E está fazendo isso por ganancia, porque quer status, porque quer crescer na empresa. Confesso e assumo que não sou um exemplo de pessoa, reconheço que fui uma vadia que fazia sexo dinheiro, mas eu não tinha nada, Annabelle. Eu não tinha nem um terço do que você tem e a prostituição foi a única forma de sobreviver que eu tinha... – pouco me importava se estava soando arrogante demais ou fria demais, tinha plena consciência de que estava ali para tentar me entender com Annabelle e não para criar mais desavenças mas não conseguia controlar aquele sentimento de vingança que tomara conta de meu peito.

Era como se minhas tristezas e raivas, como se tudo o que ela me fizera sofrer estivesse renascendo dentro de mim me estimulando a falar tudo aquilo a ela, possuindo o único desejo de lhe causar o mesmo que ela havia me causado.

Sem saber o que responder, Annabelle desvia o olhar do meu e fica por um longo tempo em silêncio, como se pensasse em tudo o que eu havia lhe dito. Ela estava séria demais e eu percebia que ela não tinha coragem de olhar para mim.

- Por favor, Elena, não conte nada a Damon... Ele não pode saber disso, nem ele, nem minha mãe e nem mais ninguém...

- E porque eu não iria contar a ele? Você foi correndo tirar satisfações com Damon quando descobriu que eu era prostituta... E além do mais, ele já está muito desconfiado de você, principalmente pela bolsa, mesmo se eu não contar vai ser questão de tempo até ele descobrir...

- Argh, eu sei... – ela pestanejou e revirou os olhos como se amaldiçoasse internamente – Foi Bart quem me deu a bolsa e foi impossível recusar um presente tão caro e lindo... – disse um tanto manhosa – Mas Elena, eu imploro para que não conte para Damon sobre isso, falta pouco para que a escolha dos projetos seja feita e eu prometo que assim que meu projeto for escolhido eu paro com isso... – Annabelle suplicava baixinho e eu estava adorando o fato de perceber o quanto ela estava se sentindo humilhada e envergonhada por estar fazendo tal pedido.

- Mas quais são as garantias de que seu projeto será escolhido?

- É claro que vai, Bart está comendo na minha mão... – revirou os olhos com descaso e voltou a me olhar de forma suplicante – Elena, por favor, me perdoe pelo que eu te fiz mas eu imploro para não contar para ninguém... Por favor, Elena, por Damon, por Emily, eu te imploro... – aquele tom de súplica e aquele falso carisma estavam me tirando do sério.

Era incrível como eu conseguia perceber uma mascara em sua face para esconder todo o ódio que sabia que aquela mulher sentia por mim e enquanto eu pensava e programava uma forma perfeita de me vingar de minha tão adorada cunhada, ela continuava a fazer seu discurso com os motivos que eu deveria guardar seu segredo.

- Ok, Annabelle, ok, está bem! – disse me dando por vencida, já farta de escutar sua voz irritante suplicando em vão para mim.

- Jura mesmo? Posso confiar? – assenti revirando os olhos – Oh céus, Elena, muito obrigada, de verdade, muito obrigada mesmo! – ela tagarelou aliviada, praticamente beijando meus pés me fazendo bufar alto e revirar os olhos mais uma vez – Então, o que quer fazer? O que acha de irmos a um café ou um restaurante para jantarmos e conversarmos melhor?

- Não... Não quero, só diga a Damon que nós fomos jantar juntas e que nos divertimos muito e conseguimos nos entender, ok? Não aguento ficar aqui um minuto a mais... – suspirei fundo e dei as costas, saindo daquela sala e batendo a porta com força, antes que Annabelle me impedisse.

Sai o mais depressa possível daquele edifício e assim que me vi livre de tudo aquilo, parei na calçada e enquanto esperava o semáforo para pedestres ficar verde, pensei em ligar para Damon para que ele viesse me buscar e para que eu pudesse contar a ele o que havia visto, mas aqueles longos minutos de espera me fizeram repensar meus planos rapidamente... Algo me dizia que Damon precisava saber daquilo e minha única vontade naquele momento era de ser fofoqueira o suficiente para fazer aquilo que não deveria.

Atravessei a rua desviando das pessoas que se aglomeravam na faixa de pedestres com pressa de chegar ao outro lado para que pudesse sacar meu celular de dentro de minha bolsa, mas no momento em que coloquei os pés na calçada, mais uma vez repensei sobre o que estava prestes a fazer. Definitivamente aquele assunto era mais delicado do que eu imaginava e deveria ser pensado com cautela antes que eu tomasse alguma decisão precipitada.

Era como se eu estivesse em um desenho animado onde o personagem principal, no caso eu, se encontrava em um conflito interior e tentava decidir o que era o melhor e o certo a se fazer... Em meus ombros estavam os prós e os contras de eu contar ou não para Damon; do lado esquerdo estava o anjinho, o lado do bem que me mostrava o que eu ganharia se não contasse a Damon sobre Annabelle, me evidenciando, junto com o rosto dele e o de Emily, a promessa que havia feito a ela de que não iria dizer uma palavra ao seu irmão sobre o assunto e indicava que uma briga séria iria acontecer entre mim e ele caso eu contasse já que as possibilidades de ele acreditar eram mínimas.

Mas do lado direito estava o diabinho, que contradizia tudo o que aquele anjo dizia fazendo um sorriso malicioso aparecer em meu rosto, me revelava a imagem de uma Annabelle completamente humilhada por uma vingança mais do que bem merecida por tudo o que havia me feito passar e insistia em evidenciar a decepção de Damon ao saber o que sua tão adorada irmã fizera para ganhar uma promoção no trabalho enquanto eu me vangloriava e sorria presunçosamente por ter lhe pago com a mesma moeda.

Não, não, isso não era certo... Porque o mal tinha que ser tão atraente?

Durante todo o longo caminho até minha casa, aquela questão de certo e errado, justo e moral continuava a me incomodar, e mesmo após ter tomado banho e usado o tempo debaixo do chuveiro para pensar mais um pouco, consegui ter a capacidade de sair ainda mais confusa.

Se eu ao menos tivesse alguém para conversar... Marquinhos ainda estava na academia dando sua ultima aula e Caroline, mesmo que estivesse “disponível” não iria conseguir me dar a atenção que estava precisando naquele momento já que a pequena Claire e seu marido exigiam e precisavam muito mais de minha amiga que eu, então, após ter me vestido com um pijama pesado e confortável, preparei uma térmica de café para, ironicamente, tentar me acalmar um pouco...

- Boa noite, Leninha – antes que pudesse me sentar ao sofá para ligar a televisão, meu amigo chegou em casa, me cumprimentando animadamente.

- Hey, Marquinhos! – disse forçando um sorriso tentando esconder minha inquietação – Me esqueci completamente de que hoje você ficava até mais tarde na academia, deveria ter preparado algo para você comer... Deve estar faminto, não é?

- Sem problemas, Lenina, depois da ultima aula eu passei no salão e aproveitei para tirar as sobrancelhas porque meu Deus aquelas duas coisas estavam parecendo duas taturanas na minha cara, me sinto até mais humano de sobrancelha feita... – ele disse com um tom aliviado mas ao mesmo tempo exagerado que me fizera rir por sua vaidade extremamente feminina.

- Que exagero, Marcos! – o reprimi ainda rindo – Eu nem notei suas “taturanas” E olha que eu sou mulher e ainda moro com você...

- Meu anjo, é ai que está; depois que você e Damon se acertaram, você anda dispersa demais, sonhando acordada e suspirando pelos cantos, e além disso, quase não estamos nos encontrando direito para você conseguir perceber algo em mim... – Marcos cruzou os braços e conforme falava, o seu tom de voz diminuía como se ele estivesse magoado com algo – E outra coisa, seria indelicado de sua parte falar para uma pessoa tão adorável como eu que minhas sobrancelhas estão horríveis! – ele revirou os olhos me fazendo rir alto e deixar minha caneca com café sobre o balcão da cozinha, para correr até ele e abraça-lo com força.

- Oh meu Deus, é impressão minha ou eu tenho alguém extremamente carente e ciumento por aqui? – forçando uma voz infantil, eu o abracei com mais força e baguncei seus cabelos, sabendo que ele não gostava quando eu fazia isso – Conte para mim o que você quer que eu faça e o que tenho que fazer para suprimir essa falta terrível que fiz...

- Em primeiro lugar pare de bagunçar meus cabelos, você sabe que eu detesto quando faz isso! Segundo, me deixe ir tomar banho e terceiro, faça alguma coisa para comermos porque eu estou morrendo de fome – Marcos disse em um tom exigente e se desvencilhando de meus braços.

- Ah então é assim? Tudo bem, vou me lembrar desse seu tratamento quando estiver com Damon, seu folgado – cruzei os braços fingindo estar magoada .

- Cara de pau, você me perguntou o que deveria fazer e agora fica brava com o que eu respondi? É muito cretina mesmo – revirou os olhos e seguiu para o banheiro – Mas tudo bem, senão quiser fazer eu não ligo, me deixe morrer de fome mesmo...

- Oh pecado, eu sou uma amiga muito má mesmo, vou deixar meu amigo morrer de fome... Sou tão má que acho que vou fazer panquecas com queijo para ele porque é o que ele mais gosta de comer...

- Panquecas com queijo? – ele gritou do banheiro um tanto desconfiado e eu assenti – Vou tomar banho e depois continuamos a discutir... – Marquinhos falou pela ultima vez antes de fechar a porta do banheiro e eu segui para a cozinha para começar a preparar a janta.

Enquanto separava os ingredientes e preparava a massa, senti meu celular vibrar no bolso traseiro da minha calça de moletom e ao pegar o aparelho, li uma foto minha e de Damon na tela.

- Boa noite, Senhor Sumido! – atendi a ligação e apoiei o celular contra meu ombro e minha orelha.

- Boa noite, meu anjo! – sua voz aveludada me respondeu docemente fazendo um sorriso deslumbrado aparecer em meu rosto – Annabelle me ligou há alguns minutos e me contou que vocês se encontraram hoje e que saíram para conversar... Ela me parecia bem animada e só pelo tom de voz, presumi que deu tudo certo... – uma onda de adrenalina percorreu meu copo fazendo meu sangue parecer gelar em minhas veias... Porcaria, sabia que não iria conseguir disfarçar e que facilmente ele iria perceber que havia algo de errado. Maldita Annabelle! ­– Alô, Lena?

- Ah, oi! Desculpe, me distrai aqui com o jantar... – pigarreei forçando uma voz clara e tentando afastar aquele tom hesitante – Sim sim, eu e Annabelle fomos a um café e ficamos conversando por um bom tempo... Por incrível que pareça, nós conseguimos nos entender e nos demos muito bem... – forcei o tom mais convincente e animado que consegui, franzindo o cenho e me sentindo a pior pessoa do universo por estar mentindo daquela forma para ele .

- Que ótimo ouvir isso, Lena, você não faz ideia o quanto fiquei feliz por saber disso – mesmo não estando em sua frente, eu podia perceber e imaginar o sorriso lindo que aparecia em seu rosto e isso apenas contribuiu para que minha culpa por estar o enganando aumentasse... Porque tinha que ser tão difícil mentir para ele? – Mas me diga, como você está?

- Estou bem, mas com saudades de você...

- Eu também, meu anjo, mas já tratei de cuidar disso... Quinta-feira vou estar te sequestrando e só terá sua liberdade na terça-feira...

- Oh meu Deus, eu estou perdida! – exclamei em um falso pavor o fazendo rir do outro lado da linha – Devo me preocupar com esses em que serei mantida em cárcere privado? – perguntei em um tom malicioso.

- Deve! Principalmente porque tenho planos de me aproveitar de cada centímetro de minha refém... – ele assumiu aquele mesmo tom malicioso me fazendo rir alto e um pouco mais aliviada e descontraída.

- Ótimo então, amanhã arrumarei minhas coisas e me prepararei para o meu sequestro... – ri baixinho – Amanhã você está de plantão, não está?

- Estou sim e até adiantaria o seu sequestro para amanhã mas Annabelle, por algum milagre divino, desmarcou seu compromisso para ficar Emily — Annabelle, Annabelle, sempre Annabelle... Meu Deus essa mulher era um transtorno, até quando eu iria reagir com repulsa ao ouvir o nome dela? – Lena, você está ai?

- Sim, desculpe, estou aqui sim! Que bom que Annabelle vai ficar com Emily, ela sente falta da tia... – disse com um suspiro fundo.

- Está tudo bem mesmo, meu anjo? – ele perguntou desconfiado.

- Está sim, eu só estou fazendo um mimo para Marcos que acabou de chegar com fome do trabalho.

- Ah sim, então vou te deixar terminar o mimo dele mas vou cobrar sua atenção nesses cinco dias que te sequestrarei...

- Pode deixar que não será preciso cobrar, Doutor...

- Ótimo! – ele disse rindo satisfeito – Boa noite, meu anjo.

- Boa noite, Damon... – suspirei fundo e fiquei em silêncio por alguns segundos – Damon?

- Sim?!

- Eu amo você, ok?

- Eu também te amo, meu anjo...

- Boa noite, meu amor, durma bem! – disse por fim e então desliguei a ligação, voltando a prestar atenção no que fazia antes de Damon me ligar.

Oh céus, até quando eu iria conseguir guardar esse segredo? Ou melhor, será que iria conseguir guardar tal segredo? Estava me sentindo o pior ser humano do mundo por estar escondendo tal coisa de Damon, nunca havia mentido para ele ou omitido algo dele e o fato de ter o prometido há alguns meses que seria sincera e que ele poderia confiar em mim, apenas piorava que eu estava sentido...

Mas apesar de tudo, algo me dizia que se contasse a Damon a verdade sobre Annabelle, iriamos acabar brigando muito sério mas sabia também que seria ainda pior se continuasse escondendo aquilo dele... Eu só queria paz, era pedir demais? Queria pelo menos um momento de minha vida experimentar da sensação de ter paz por um longo período de tempo, mas toda vez que achava ter encontrado sossego, algo de ruim ou que comprometia meu futuro, acontecia... Até quando Annabelle seria um empecilho para minha felicidade?

- “Cause we like to party hey hey! We like to party hey hey” – vindo da sala, ouvi Marquinhos animado e cantando alto, mas nem aquilo fora o suficiente para me tirar de meus devaneios – Beyoncé sua diva, musa, Deusa! – ele gritou alto no final da musica e logo em seguida outra começou, fazendo com que meu amigo seguisse fielmente a letra de “Diva” – Ah meu Deus essa mulher é um máximo, fala sério! Elena, temos que ir em algum show dela, temos! – Marquinhos falou comigo mas sem que fosse minha intenção, acabei o ignorando e continuei a preparar as tais panquecas – Elena, estou falando com você... Elena, sua biscate, me escute! – ele exclamou exaltando-se um pouco e rapidamente atraiu minha atenção.

- Ah, oi, desculpe Marcos, estava um tanto dispersa...

- É eu percebi, estava aqui fazendo um cover da Diva Beyoncé e você pouco se importou, fiquei magoado...

- Desculpe, Marquinhos, me desculpe mesmo mas é que eu estava aqui... estava aqui pensando só... – dei de ombros e disfarcei com um sorriso forçado no rosto.

- Ih, não gostei desse tom vago, pode tratar de começar a me contar o que aconteceu... – ao perceber que havia algo de errado, ele rapidamente desligou a música e se aproximou de mim, parecendo preocupado e interessado com o que eu tinha para lhe contar.

- Marquinhos, o que você faria se soubesse um segredo cabuloso de alguém e que não pudesse conta-lo para ninguém, mas esse alguém, há alguns meses, contou para uma pessoa muito importante um segredo seu e praticamente destruiu sua vida por isso? – perguntei agoniada e o encarei em desespero.

- Espere ai, dê nome aos bois porque eu não sou o Sherlock Holmes de Nova Iorque e muito menos sou bom em lógica, então facilite meu entendimento... – Marcos encostou-se ao balcão da cozinha e enquanto preparava as massas de panqueca, tratei de contar a ele tudo o que havia acontecido, deixando bem claro meus prós e contras e enfatizando o que Annabelle havia feito comigo e o que estava fazendo agora.

Após vários minutos contando os mínimos detalhes de minha situação enquanto arrumávamos a mesa para jantarmos e enquanto eu terminava as panquecas, Marcos se sentou em minha frente a mesa e me encarou um tanto sério.

- Bom, Lena, primeiramente, eu não consigo entender como você ainda cogita em esconder algo assim de Damon, sei que não é tão sério assim mas no seu caso é seríssimo. Fico orgulhoso em saber que apesar de todo o ódio que carrega por essa mulher, você ainda tem consciência de que não se deve fazer a mesma coisa com ela, mas nesse caso em especial, acho burrice não usar esse segredo ao seu favor.

- Marcos... – o reprimi choramingando.

- Você me perguntou o que eu faria e eu estou respondendo, e me deixe terminar... Eu não acredito que Damon duvidaria de você, principalmente porque ele sabe que a irmã não é flor que se cheire e outra, a relação de vocês evoluiu bastante e creio que isso não seria o suficiente para abalar a relação... Lena, é a lei do mais forte, do mais esperto... Você precisa mostrar para essa insignificante quem realmente é , porque senão mostrar atitude ela vai ser pisar em você. Mostre para ela que você sabe ser perigosa também e que não é fraca ou ingênua que se deixa abalar.

Eu sabia que Marcos tinha razão e pelo menos 80% de mim tinha vontade de contar toda a verdade para Damon, mas os 20% restante estavam igualmente divididos entre a falta de coragem para fazer o que mais tinha vontade e os prós de guardar o segredo.

- Sei que rancor e vingança não levam a nada e que ficamos cegos quando estamos apaixonados, mas você tem certeza mesmo de que vai esconder algo assim de Damon? – balancei a cabeça negativamente e ele sorriu – Lena, o que você tem vontade de fazer? O que realmente quer fazer...

- Eu quero contar para Damon, mas...

- Sem mas, você vai contar para ele! – ele disse convicto.

- Marcos... – gemi manhosamente mais uma vez.

- Elena, se você não contar, eu conto e olha que eu não estou brincando! Não vou deixar você perder a oportunidade perfeita de se vingar daquela vadia quando vi tudo o que ela lhe causou – Marcos disse severamente e eu me dei por vencida – Você vai contar a ele, Elena?

- Vou... – assenti baixinho e ele pegou minha mão, a levando até o rosto para depositar um beijo nas costas dela – Mas, por favor, vamos mudar de assunto? Eu não aguento mais pensar nisso...

- Claro, meu anjo, sobre o que quer falar?

- Gostou das panquecas? – perguntei sorrindo.

- Sim, é incrível que tudo o que você faça fique ótimo, não sei como Meredith não te obrigava a cozinhar todos os dias naquele bordel... – ele disse em um tom pensativo que me fizera rir.

- Na verdade, ainda bem que ela não me obrigava a cozinhar porque senão eu corria o risco de ser presa por “sem querer” derramar veneno no prato de Bonnie ou de Logan...

- Convenhamos que isso seria muito legal, mas não o fato de você ser presa, é claro, acho que você já se ferrou demais na vida para acabar atrás das grades! – Marcos disse com certo descaso que me fizera rir ainda mais alto e jogar meu guardanapo embolado nele.

- Mas me diga, como está Mike? Faz tanto tempo que eu não o vejo...

- Ele está bem, eu acho... – meu amigo respondeu com um suspiro fundo e rodeou os olhos parecendo um tanto magoado.

- Ohoh, me conte sobre isso – proferi um tanto instigada e preocupada com o tom vago que ele utilizara. Marcos nunca falava daquela forma quando se referia a Mike e vê-lo tão cabisbaixo apenas aumentavam minhas certezas de que algo havia acontecido.

- Nós discutimos hoje de manhã porque ele me convidou para passar um final de semana na casa do lago de sua família para comemorar o aniversário de casamento de seus pais mas eu não quis ir... – ele deu de ombros querendo mostrar descaso e que não estava tão mexido com aquela história, mas como eu conhecia Marcos melhor do que ninguém, sabia que havia algo a mais naquilo.

- E porque não quis ir?

- Porque eu não me sinto muito bem na casa dos pais dele, mesmo que adore meus sogros e que eles sejam ótimas pessoas, não consigo ficar a vontade lá... Tenho a impressão de que atrapalho, de que sou um empecilho, sabe? Eu sinto como se sempre quando eu e Mike vamos para lá, a família deles tenta se encaixar e se acostumar com a nossa presença ao invés de ser ao contrario, entende?

- Hmm, não exatamente... – franzi o cenho confusa e fiquei em silêncio por alguns segundos, pensando no que ele havia me dito – Você quer dizer que sente que os pais de Mike tem um certo tipo de preconceito com vocês dois?

- Sim...

- Mas eles já fizeram alguma coisa que deixasse a entender isso ou é apenas impressão sua?

- Eu sinto... É estranho explicar, eu sinto como se a mãe de Mike nos olhasse da mesma forma que a minha mãe me encarava... – Marquinhos respondeu sério franzindo o cenho para provavelmente controlar algumas lágrimas que insistiam em querer escorrer quando ele tocava nesse assunto – É como se minha mãe estivesse ali, como se minha mãe estivesse que lidar com o fato de eu estar levando meu namorado para o aniversário de casamento dela e de meu pai.

Rapidamente eu entendi o que ele queria dizer... O problema não era com a família de Mike mas sim com ele, aquela era um assunto mal resolvido de meu amigo e família sempre seria sinônimo de magoas para Marcos, ele ainda tinha um enorme trauma por ter sido expulso de casa e deserdado da família e eu acreditava que para ele, todo mundo era assim. Para ser sincera até entendia esse receio mas sabia que a família de Mike não era assim. Ao ver que meu amigo estava prestes a começar a chorar, eu me levanto de minha cadeira e vou me sentar ao seu lado para que pudesse lhe dar mais apoio.

- Sabe Marcos, não estou te tirando a razão ou algo do tipo mas eu me lembro de quando Mike me contou quando ele se assumiu para a família e que ele teve total apoio, que sua mãe o aceitou de braços abertos e que a relação dele com o pai ou com as irmãs não mudou em nada... Eu acho que você tem receio entende? Receio de que as pessoas te julguem pelo que você gosta e pela sua opção sexual, como sua família fez, mas você mesmo acabou de me dizer que a família dele nunca te tratou de tal maneira...

- Será que isso é coisa de minha cabeça?

- Eu acho que sim, Marquinhos... – eu peguei sua mão e a acariciei delicadamente.

- Sabe, eu não tenho vergonha de ser assim, não tenho mesmo, mas as vezes fico pensando o que levou a minha família a me recusar desse jeito, se eu ao menos tivesse culpa de ser homossexual... Às vezes parece que não mas eu sinto muita falta da minha família, queria apresentar Mike para meus pais queria que eles vissem como ele é uma ótima pessoa e como ele me faz feliz mas sei que isso nunca vai acontecer... – me doía tanto ver meu amigo daquele jeito, raramente Marcos ficava para baixo ou se ficava nunca demonstrava, ele queria se mostrar forte e superado mas eu sabia que dentro daquela muralha, dentro daquela ostra havia uma pérola muito frágil e assim como todas as pérolas, extremamente valiosa e rara... Era exatamente assim que eu via Marcos, como algo extremamente raro e valioso que eu tinha sido privilegiada em ter em minha vida.

- Sabe Marcos, eu sei que não é a mesma coisa mas eu vejo que Mike é uma ótima pessoa e como ele te faz feliz e para mim isso é muito importante porque o que eu mais quero é te ver feliz... Sei que isso não faz diferença para você já que eu sou apenas sua amiga, mas queria que soubesse o que eu acho, você é extremamente importante para mim, Marcos, de verdade e é extremamente doloroso te ver tão triste por causa disso. Pouco me importa sua opção sexual, com quantas pessoas dorme ou seja o que for, você é uma pessoa incrível e nunca duvide disso ou deixe que digam ao contrario... – de relance pude perceber algumas lágrimas escorrerem dos olhos de Marcos e sem conseguir me conter, faço o que ele sempre faz comigo; o abraço extremamente forte e encosto sua cabeça em meu peito para acariciar seus cabelos – Não chore...

- Sabe, essa semana fez exatamente oito anos que aconteceu tudo isso e é sempre assim todos os anos, mesmo que eu tento ser forte sempre acontece a mesma coisa... – ele suspirou fundo e eu o abracei com mais força – Confesso que eu meio que surtei quando você disse que iria embora, sei que teria Caroline aqui comigo e que soa egoísmo dizer que não queria que você fosse para Londres mas eu me vi meio perdido sabe? Admito que sou egoísta mas seria diferente sem você aqui, eu quero você e Caroline sempre ao meu lado porque vocês duas são as únicas coisas que eu tenho e são as únicas que me entendem e que estiveram comigo desde o início...

- E eu me culpo até hoje por ter cogitado em ir embora e deixar você e Caroline para trás... Nunca vou me perdoar por isso.

- Esquece isso, o que importa é que você está aqui e que aqui vai ficar, não é? – Marcos endireitou-se na cadeira e sorriu secando suas lágrimas.

- Só saio se vocês forem comigo... – sorri o acalmando e fiz o que ele havia feito comigo; depositado um beijo nas costas de sua mão.

- O que acha de assistirmos a um filme para nos distrair um pouco? – sugeriu forçando um sorriso.

- Ótima ideia!

...

Como combinado, na quinta-feira, fora sequestrada após meu expediente na loja por Damon e Emily que passaram por lá para me pegar, eu estava tão acostumada com eles em minha vida que não saberia como seria agora se eles não estivessem por perto ou o que faria se eu os perdesse... Sempre sonhei com uma família, a cada cliente que entrava eu me imaginava em uma casa com meu marido, um filho, e agora isso estava se tornando cada vez mais real e era até assustador o quanto as coisas estavam dando certo.

Após me pegarem na loja, fomos até uma pizzaria onde jantamos juntos e então seguimos para o apartamento de Damon, mas infelizmente nem tudo estava tão tranquilo e perfeito como parecia... Eu estava convicta de que iria contar a Damon sobre Annabelle e aquilo estava me deixando cada vez mais inquieta e ansiosa, sim, eu iria contar e seria naquela noite. Por algumas vezes Damon me perguntou o que havia de errado comigo mas eu respondia que estava com uma dor de cabeça muito forte mas que já passava, e para meu grande alívio ele pareceu acreditar e não me questionou mais sobre como estava, mas assim que chegamos ao seu apartamento, não consegui mais esconder ou adiar o que estive tão agoniada para fazer.

- Hey, anjo, está um pouco melhor? – Damon sorriu carinhosamente para mim ao desligar seu celular e se ajeitou na cama para que eu me sentasse ao seu lado.

- Estou um pouco sim... – assenti forçando um sorriso para esconder meu nervosismo e me ajeitei ao seu lado na cama.

- Que bom, fiquei um pouco preocupado... – Damon me puxou para si me encostando ao seu peito e com as pontas dos dedos começou a acariciar meu braço – Adivinha com quem estava falando no telefone... – dei de ombros respondendo que não sabia e ele continuou – Com minha mãe... Sua sogra... E ela quer te conhecer.

- Sua mãe? – perguntei surpresa, Damon não costumava falar de sua mãe e mesmo que soubesse que ela estava viva, pouco me lembrava de sua existência – Você nunca me falou dela...

- É, pois é, não costumamos manter muito contato mesmo, ela mora em uma chácara um tanto distante com suas irmãs e por isso não nos vemos com tanta frequência é meio que cada um na sua mas nossa relação é boa, nos damos super bem mas não somos grudados, entende? — assenti hesitante. Não estava gostando dessa história de sogra principalmente porque isso aumentaria a lista de pessoas de quem deveria guardar o segredo de Annabelle – Estive pensando em fazermos um jantar e chamarmos minha mãe, Annabel e seus amigos, o que acha? Podemos aproveitar na semana que Stefan vai estar ai e aproveitar também que você e minha irmã estão se dando bem... – maldição, maldição!

Eu não poderia mais mentir que estava me dando bem com Annabelle quando na verdade eu ainda não suportava aquela garota e só de pensar que teria que ter um jantar pacífico com ela e fingindo ser sua amiga, um desespero tomava conta de meu corpo porque sabia que não saberia fingir.

- Damon... – o interrompi um tanto hesitante – Eu preciso te contar uma coisa muito séria...

- O que foi, Lena?

- Eu só peço que você seja compreensivo ou não, não sei... Sei que vamos brigar quando eu te contar isso e que provavelmente a briga será tão seria que vamos voltar a estaca zero mas é que eu não consigo esconder as coisas de você Damon e você precisa muito saber disso, lembro que uma vez prometi ser sincera contigo e me lembro também que você disse que confiava em mim então... – soltei um suspiro alto para retomar meu fôlego e tentei organizar as palavras em minha mente – Você confia em mim, Damon?

- É claro que confio, amor, me conte o que aconteceu...

- É sobre Annabelle... — eu suspirei fundo mais uma vez e tomei coragem para contar a ele o que sabia.

Notas finais
Eu estive fazendo o planejamento dos proximos capítulos da fic e percebi que temos mais seis capítulos apenas para o fim da história, nao sei vocês mas vou sentir muita falta dela ): ... Enfim, nao saiam sem comentar ok? E se puderem recomendar eu ficaria muitissimo feliz haha beijos amores s2