New Life

12 Capítulo 11 - Learn to love again


Notas iniciais
heeeey pessoal, finalmente cheguei!Gente, me desculpem pela demora mas está realmente complicado escrever durante a semana, eu estou estudando o dia inteiro e quando me sobra tempo, o que eu mais quero fazer é dormir, mas sempre que consigo estou com meu caderninho escrevendo para vocês. Quero agradecer a laristen e a Ana augusta pelas recomendações lindas, muito obrigada amores, de verdade, e desculpem a qualidade e tamanho do capítulo, ele nao ficou muito bom mas ficou enorme, acho que me empolguei um pouco kkkkkk Enfim, boa leitura

“Obrigada por ter voltado para ele...”

O sorriso sincero e as doces palavras de Emily ainda pendiam em minha mente... “Obrigada por ter voltado para ele...”.

Era tão inconveniente, mas ao mesmo tempo tão gratificante ouvir algo como aquilo, era como se ele dependesse de mim da mesma forma que eu dependia dele, era saber que realmente me amava e precisava de mim... Nem conseguia lembrar-me ao certo quantas vezes quis que ele me amasse e quanto tempo esperei ansiosa para que isso acontecesse, aquilo nem tinha mais importância para mim, nem era mais relevante, a única coisa que me importava era que agora ele me amava e que eu podia finalmente dividir com ele meus sentimentos que por tanto tempo reprimi e escondi.

Depender... Quanta ironia... Sempre me julguei tão independente que apenas pensar que eu dependia daquele homem, que dormia tranquilamente em minha frente, era tão contraditório que chegava a soar inadequado aos meus ouvidos, mas a realidade estava ali e não me deixava mentir. Eu precisava de Damon, precisava dele para me manter equilibrada, precisava dele para me sentir em paz, era como se ele me completasse, como se ele fosse o ajusta, a parte que suprimia o enorme buraco que minha vida tinha se tornado naqueles sete anos.

Damon dormia tranquilamente há algumas horas já e eu apenas contemplava seu sono, lendo cautelosamente seus traços e sua feição serena enquanto lembrava-me de tudo o que ele havia me dito há dois dias formando um sorriso deslumbrado e involuntário em meus lábios com a lembrança. “Porque eu te amo, Elena, eu te amo...” Nunca pensei que ouvir um “ eu te amo” fosse tão significativo e importante como havia sido. As palavras, a forma que ele havia me dito, tudo estava guardado perfeitamente em minha mente e eu insistia em ficar relembrando aquilo como se meus pensamentos tivessem emperrados no “replay”. Sabia que iria me lembrar para sempre do que ele havia me dito.

Sem conseguir evitar, eu me aproximo mais de Damon e levo minha mão aos seus cabelos, onde penteio seus fios entre dedos, os tirando de sua testa e então sigo para sua nuca, fazendo um carinho com as pontas dos dedos e com o auxilio da unha na região. Cheguei ainda mais perto dele e enquanto o acariciava, me debrucei sobre se corpo de modo que conseguisse começar a traçar beijos pelo seu rosto, seguir a sua mandíbula e continuar em seu pescoço, até chegar a sua orelha.

- Boa tarde, Doutor... – sussurrei em seu ouvido puxando seu lóbulo entredentes. Damon gemeu baixinho e se virou na cama, levando meu corpo junto consigo de forma que eu pairasse sobre ele.

- Se tem melhor maneira de ser acordado, eu realmente desconheço – ele sorriu sonolento e eu beijei seus lábios, sorrindo igualmente entre beijos.

- Daqui a pouco dormimos mais que a cama... – disse contra seus lábios e me apoiei na cama com uma mão, jogando meus cabelos para o lado para que conseguisse olha-lo – Dormiu bem Está mais descansado? – perguntei acariciando com ternura seu rosto, percebendo que suas olheiras não estavam mais tão fundas e sua aparência estava mais animada.

- Muito! – ele assentiu sorrindo e entrelaçou seus dedos em meus cabelos, me puxando para si enquanto que com a outra mão acariciou meu rosto com as costas do indicador, me fazendo fechar os olhos em deleite e inclinar a cabeça como um gato que recebia carinho atrás da orelha, e conforme me abaixava, ia de encontro aos seus lábios.

- Está inteiro para mim hoje? – perguntei maliciosamente, roçando nossos narizes.

- Sempre estou inteiro para você, meu anjo...

Seus dedos se mantinham firmes em meus cabelos próximos a nuca e isso apenas facilitou e intensificou o contato de nossas bocas para iniciarmos um beijo apaixonado, de forma que ele me deixasse próxima e imobilizada para si. Sua língua invadiu minha boca com urgência, me assustando um pouco com aquele ritmo, mas rapidamente o correspondi sem querer ficar para trás.

Eu continuava me apoiando com uma mão no colchão enquanto que com a outra, desci para o seu peitoral e a mantive espalmada em seu peito nu, sentindo seu corpo estremecer com meu toque. Meu moreno continuava a ditar o ritmo ávido do beijo e enquanto sugava meu lábio inferior com força, desceu com a mão pelo meu braço apoiado em seu peitoral, arrepiando-me por inteiro, seguiu para minhas costas parcialmente expostas pela leve camisola de seda que usava até chegar a minha cintura e a apertar, de forma que friccionasse nossos corpos, com vontade. Damon continuou com os toques, seguindo de meu quadril a minhas nádegas para então adentrar por debaixo de minha camisola.

- Damon... – ofeguei baixinho tentando me afastar dele – Espero que esteja lembrado de que sua filha está em casa e possivelmente acordada... – disse ofegante devido aos beijos que ele deixava em meu pescoço. Um gemido de reluta e de desgosto vibrou em suas cordas vocais o fazendo tirar a mão de meu corpo contragosto.

- Acho que preciso de um banho frio... Te ter ao meu lado durante a noite interfere até meus sonhos, sabia disso?

- Bom saber disso, quem sabe depois você não me conta o que sonhou... – sorri maliciosa para ele e então voltei para o colchão – Mas antes do banho... Eu acho que preciso te contar algo que estive pensando antes de dormir... – não seria necessário banho frio pois sabia que o que estava prestes a dizer a Damon iria rapidamente tirar qualquer vestígio de excitação de seu corpo, principalmente porque o assunto em questão era Matt...

- E sobre o que seria isso?

- Sobre Matt... – disse sutilmente, o fazendo bufar alto e revirar os olhos – Eu preciso contar a ele sobre nós dois, preciso pelo menos avisar que não vou mais para Londres com ele...

- Eu acho desnecessário... – ele defendeu com descaso – Ele não precisa saber de primeira mão que voltamos, afinal, só peguei de volta o que era meu e que ele tinha roubado...

- Damon, por favor, eu preciso contar a ele, eu o devo uma explicação!

- Então eu vou junto...

- Não! – respondi imediatamente – Sem chances!

- E porque não Você está me escondendo alguma coisa? – Damon perguntou desconfiado e eu apenas revirei os olhos sorrindo.

- Amor, não é isso, claro que não! Mas não vem ao caso você me acompanhar, não há necessidade nisso, é só um almoço entre amigos e nada mais – disse com descaso tentando acalma-lo.

- Elena, é claro que há necessidade, eu não confio nesse cara, ele pode tentar fazer sua cabeça contra mim e eu não quero isso, por favor, tem como, sei lá, você comunicar isso por telefone? Mensagem de texto? Ou melhor, nem comunicar?

- Não, Damon, eu devo muito a Matt e você sabe disso. Ele é meu amigo , um amigo muito especial e seria mais do que errado não dizer a ele que eu não vou mais para Londres por telefone. Me entenda, amor, por favor...

- Não, Elena, eu não entendo! – ele disse bravo, ajeitando-se na cama – Poxa, eu queria que você me entendesse...

- Damon, você está sendo egoísta, confie em mim, é um almoço inocente – eu cheguei perto dele pegando sua mão e olhei dentro de seus olhos, tentando acabar um pouco com aquela reluta, mas ele estava sério e decidido a não ceder – Eu vou tomar banho enquanto você pensa... – suspirei fundo me dando por vencida e levantei da cama, pra seguir para o banheiro.

Mas será possível que nós já estávamos brigando Era incrível a facilidade que tínhamos de nos desentender e a frequência com que isso acontecia. Damon era teimoso demais, orgulhoso demais e talvez, por essa ser uma dentre poucas semelhanças que dividíamos que as brigas eram tão frequentes, se Damon era teimoso, eu conseguia ser duas vezes mais que ele. Não queria que aquela nossa nova chance se resumisse a brigas e sexo, como da primeira vez, mas pela forma que havia começado, era exatamente isso que iria acontecer.

Oh céus, por quê? Estava tão cansada de brigas e desentendimentos, queria que ao menos uma vez entrássemos em um consenso em alguma coisa para evitar brigas mais sérias... Eu e Damon erámos tão diferente um do outro que parecia que “consenso” era algo inexistente em nossa relação, era como se ele nunca fosse aceitar algo que eu dissesse ou fizesse e como se eu sempre fosse discordar de alguma opinião sua. Porque tinha que ser tão difícil?

Mesmo que soubesse que ele tinha razão em não querer que eu mantivesse muito contato com Matt, minha consciência não me deixava fazer o que ele queria que eu fizesse, Matt não merecia isso e eu não era ingrata o suficiente a ponto de dar tal noticia a meu amigo por telefone.

Pensando em inúmeras maneiras de resolver aquilo pacificamente, eu tomei um banho lento, deixando que a água quente escorresse pelo meu corpo enquanto tentava me acalmar para retomar o assunto em questão com Damon, e assim que tive certeza de que estava mais calma, repensei tudo o que iria falar a ele para tentar convencê-lo e me enrolei na toalha de banho para ir para o quarto.

Ao sair do banheiro e entrar no closet de Damon, pude ouvi-lo conversando com alguém, logo pensei que fosse Emily, mas como não era obtida resposta, conclui que ele falava ao telefone.

- Oh sim, me lembro sim.... E como ele está? – Damon perguntou interessado e eu mantive a distancia do quarto – Não me diga?! Você é uma ótima médica, Andie! ­ — disse com um tom orgulhoso me fazendo trincar os dentes.

Quem era Andie E quem era ela para ter tal intimidade e admiração do meu homem? Um sentimento desconhecido borbulhou em meu peito e de dentes trincados e olhos semicerrados, continuei no closet apenas ouvindo a conversa de Damon ao telefone, pouco me importando se aquilo era falta de educação ou não

Hm... Não sei, por quê? – Damon esperou que a tal Andie respondesse e então soltou um gemido alto de desgosto – Ah não acredito que eu fiz isso! Meu Deus, você é demais, de verdade, muito obrigado! Eu sai com muita pressa do hospital na sexta-feira e nem me dei conta disso, por incrível que pareça. Andie, de verdade, você é um anjo, muito obrigado! – meus dentes simplesmente rangeram devido a força aplicada neles, eu estava tão atenta naquela conversa que nem notei que trincava meus dentes com tanta agressividade – Tudo bem, então amanhã de manhã nos vemos e obrigado mais uma vez! Adeus Andie, bom domingo para você também! – Damon desligou o telefone e eu sai disfarçadamente do closet.

Sem falar com ele ainda, eu coloco minhas roupas íntimas e quando estava prestes a começar a me vestir, para que pudesse conversar devidamente com ele, senti sua presença muito próxima a mim.

- Lena, podemos conversar? – ele perguntou calmamente e eu me virei, séria.

- Quem é Andie, Damon? – perguntei emburrada, sem conseguir me controlar.

- Você ouviu minha conversa no telefone? – perguntou de forma divertida, tentando se manter sério e eu apenas franzi o cenho assentindo – Andie é uma colega de trabalho, ela é pediatra, mas está interessada em especializar-se em onco pediatria e eu estou a ajudando com isso – ele me respondeu calmo e dando de ombros.

- Não me pareceu só uma colega de trabalho – cruzei os braços, mantendo uma postura séria – Principalmente pela forma que você a elogiou...

- Ah, é que eu esqueci no hospital minha pequena bolsa com meu estetoscópio, esfigmo e mais alguns aparelhos e ela guardou para mim – Damon continuou com aquele tom sereno, mas eu não me convencia, meu maxilar ainda estava tensionado e uma carranca mal humorada enfeitava minha testa – Hey, o que houve? – ele chegou perto de mim e segurou meu rosto com delicadeza com as duas mãos.

- Não sei, Damon... – encolhi meus ombros – Só achei vocês íntimos demais... – não sabia o porquê daquilo mas além de raiva, sentia uma enorme insegurança em relação a Andie... Ela era médica, tinha os mesmos interesses, o mesmo intelecto que Damon, trabalhava com ele e era evidente que tinha a admiração de meu moreno, era impossível não me sentir ameaçada com aquilo.

- Nós trabalhamos juntos, é normal essa relação, mas ela é apenas uma colega de trabalho e nada mais... – Damon tentava me acalmar fazendo carinho em meu rosto e falando suavemente – Que carinha é essa?

- Insegurança, talvez... – assumi encolhendo os ombros – Ciúmes... Obviamente você tem muito mais assunto com Andie e ela é muito mais interessante que eu... Tenho medo, só isso, assim você tem em relação a Matt.

- Hey ei, não quero mais ouvir isso vindo de você, ok? Não tem cabimento você dizer algo assim, para mim não há nada mais interessante que tentar desvendar o que seus olhos me dizem ou tentar entender o que passa por essa sua cabeça, e ninguém, nunca vai mudar isso.

- Me responde uma coisa? – perguntei hesitante e ele assentiu – Vocês chegaram a ter um contato mais íntimo? Devo me preocupar com isso?

- É claro que não, minha relação com Andie é apenas profissional e sempre será – ele sorriu rindo baixinho e então me puxou para si pela cintura – Agora você me responde uma coisa? – assenti olhando em seus olhos – Você e Matt transaram? – mesmo que já esperasse tal pergunta, suspirei fundo semi cerrando os olhos.

- A cada dia que passa eu odeio mais esse cara! – Damon disse entredentes – Definitivamente eu não te quero perto dele! – concluiu em uma convicção severa.

- Damon! – o repreendi – É injusto isso, você vai se encontrar amanhã com essa tal de Andie! – defendi, me sentindo uma criança birrenta devido ao tom de voz que utilizara.

- Sim, no trabalho para ela me dar meus matérias de trabalho e não para almoçar enquanto eu tento explicar a ela o motivo de não irmos embora juntos para Londres no maior espirito aventureiro que existe! – Damon respondeu sério e ficou me encarando daquele modo por alguns segundos até que suas feições sérias se desfizessem, o fazendo suspirar fundo e derrotado – Para, para tudo, está tudo errado! – balançou a cabeça negativamente e voltou a me olhar – Não começamos certo, olhe só para nós, estamos brigando no segundo dia que estamos juntos! – Damon riu com desgosto e então me guiou para cama, onde me sentou em suas pernas, me fazendo olha-lo – Eu te amo, pequena, não quero mais discutir, Por favor, me entenda, não quero te perder...

- Você não vai me perder, nunca! – era impossível me manter estruturada com aquelas palavras. Com uma simples frase eu vi toda a raiva e reluta desaparecerem e meu coração pareceu querer explodir com suas palavras – Eu sou sua, Damon, sempre fui, entenda isso. Eu te amo demais e nada e nem ninguém no mundo é capaz de mudar isso, nem mesmo você!

- Olha, começamos muito errado! Temos que mudar nosso diálogo, pequena, não quero discutir contigo.

- Nem eu... – concordei olhando em seus olhos.

- Ótimo, então vamos começar de novo... Vamos passar um dia juntos, sem falar de nada que nos aborreça, vamos tentar nos entender, falar a língua um do outro para retomarmos a esse assunto, o que acha?

- Acho perfeito! – esbocei um sorriso fraco e encostei nossas testas – Sem assunto “A” ou “M”... Só eu, você...

- E Emily... – Damon adicionou rindo baixinho enquanto colocava uma mecha de meu cabeço para trás de minha orelha.

- Só eu, você e Emily... – assenti rindo – O que acha de você tomar banho e enquanto isso eu converso com Emily e vejo se ela quer fazer alguma coisa em especial hoje?

- Claro! Encontro vocês na sala... – Damon concordou e eu tomei impulso para me colocar de pé, mas ele me puxou novamente para si fazendo com que eu caísse em seu colo – Pensei que já tivesse te dito algumas vezes para nunca sair sem se despedir... – ele sussurrou a milímetros de meus lábios e instantaneamente um sorriso se formou em meus lábios com aquela frase tipicamente sua. Damon, mais uma vez, entrelaçou seus dedos em meus cabelos e tomou e meus lábios para si com ternura, dando início a um beijo calmo e preguiçoso em que não tínhamos intenção nenhuma de intensificar aquilo.

- Já posso ir? – disse com um sorriso malandro em meus lábios, me separando dele apenas o suficiente para que conseguisse falar.

- Agora pode – Damon sorriu e selou nossos lábios uma ultima vez para que eu levantasse.

Após ter me vestido e assim que Damon entrou no banho, eu segui para a sala onde Emily estava sentada no sofá lendo um livro, que parecia realmente estar prendendo sua atenção.

- Bom dia! – disse chegando perto dela e, sem que fosse minha intenção, acabei assustando a garotinha que estava entretida com o livro.

- Que susto, Elena! – ela riu baixinho levando a mão ao peito.

- Perdão, não queria te assustar... – me sentei ao seu lado no sofá e ela fechou o livro com o marca páginas, para falar comigo.

- Sem problemas, eu estava tão concentrada no livro que nem te ouvi chegar...

- Pois é, eu percebi, deveria ter me anunciado. O livro é bom?

- Sim, é ótimo, um pouco trise mas é excelente! – ela assentiu me mostrando a capa azul e preta do exemplar que lia.

- Que bom! Mas então, eu e seu pai estávamos conversando e queremos saber o que você quer fazer essa tarde...

- Posso escolher o que quiser? – perguntou animada e eu assenti – Bom, o que acha de irmos almoçar, digo, tomar um café da tarde no shopping? Podemos fazer compras também... – ela sorriu animada e me lançou um olhar cúmplice ao falar sobre compras, me fazendo rir alto.

- Tudo bem, você é quem manda... Então, Damon está tomando banho e quando ele terminar nós saímos, ok?

- Ok, eu vou me arrumar! – ela sorriu animada e levando o livro consigo, foi para seu quarto se arrumar.

...

- Meu Deus, vocês duas juntas no shopping é um perigo! – Damon disse assustado após pegar a sétima sacola de roupas que Emily havia comprado. Eu realmente não fazia ideia de quantas horas estávamos naquele shopping ou em quantas lojas diferentes eu já havia entrado junto com Emily, mas meus pés e meu estomago vazio afirmavam que foram mais do que meu físico sustentado por um par de sapatilhas e abastecido por um café bebido suportavam. Aquela garotinha tinha um espirito consumidor e uma energia para compras que eu nunca tinha visto em uma pessoa daquela idade e por vários momentos fiquei imaginando o que aconteceria se acrescentássemos Caroline a nossa dupla de compras...

- Minhas roupas estão horríveis, pai, e nem foram tantas assim – Emily se defendeu revirando os olhos.

- Eu acho que vou marcar uma consulta com urgência no psiquiatra para você, Dona Emily! – Damon franziu o cenho olhando para as sacolas de compras da filha que ele segurava – Podemos comer agora Senhorita Pierce? – ele fingiu fazer reverencia a filha, mudando o tom de voz para algo mais aveludado e sério, como se realmente estivesse falando com alguém de grande porte.

- Podemos, Senhor Salvatore! – Emily assentiu seguindo a mesma cena teatral que o pai, mas forçando uma voz com um tom superior e refinado, me fazendo sorrir deslumbrada com aquele momento pai-filha, que raramente eu presenciava. Que Damon e Emily tinham um laço muito forte, eu sempre soube e também sempre imaginei, mas ver aquela relação, presenciar um momento tão descontraído deles me fazia ver que eles se davam melhor do que eu esperava e apenas aumentava minhas certezas de que Damon era um ótimo pai.

- Olha pai, é a tia Anna saindo daquela loja, não é? – Emily perguntou animada e rapidamente me tirou de meus devaneios com apenas duas palavras; “tia Anna”.

- É ela mesma... – Damon assentiu e quando percebi, estávamos chegando cada vez mais perto da mulher que vinha de cabeça baixa em nossa direção e arrumava algo no pulso.

- Hey tia! – Emily exclamou animadamente a tia e eu apenas revirei os olhos mentalmente por ter encontrado com minha adorada cunhada de novo. Olhei em desespero para Damon, mas ele sequer percebeu e mentalmente, me xinguei por ter ajudado Emily com tantas compras quando precisava desesperadamente me agarrar a mão de Damon, ocupada com as sacolas da filha.

- Emms, hey! – Annabelle sorriu igualmente animada para a sobrinha e a abraçou forte – Elena, Damon... – ela nos cumprimentou cordialmente com um aceno de cabeça e eu me limitei as palavras, apenas esboçando um sorriso forçado em meus lábios.

- Não esperava te encontrar, o que faz por aqui? – Emms perguntou curiosa.

- Eu vim ajustar a pulseira do meu relógio que estava caindo, lembra-se? E aproveitei para comprar mais algumas coisas, mas já estou indo embora...

- Bom, nós estávamos indo comer alguma coisa, quer nos acompanhar? – Emily perguntou para tia e olhou para seu pai, que deu de ombros tentando lançar um olhar acolhedor para mim. Eu não conseguia acreditar que Emily havia feito aquilo e implorava mentalmente para que ela recusasse o convite.

- Senão for incomodar, eu iria adorar...

- Claro que não... – Damon respondeu disfarçando sua tensão e piscou um olho para mim – Vai ser ótimo, se junte a nós, Annabelle.

- Tudo bem... Então, aonde vamos? – Annabelle sorriu e eu desmoronei internamente. Algo me dizia que eu precisava começar a me preparar psicologicamente para o que estava por vir e encarar a irmã de Damon, sorrindo para a sobrinha e ignorando completamente minha presença, só me fazia ter mais certeza de que tinha que ter um autocontrole absurdo para evitar desavenças.

- O que acha de irmos naquele café da esquina? É bem aconchegante e tem torta alemã... – Damon sugeriu sorrindo sugestivamente para mim, mas nem aquele seu comentário interno fora capaz de aliviar a tensão que eu sentia.

- Ótimo e perfeito, mas vamos logo que eu estou faminta! – Emily assentiu com pressa, sorrindo para nós.

Durante o curto trajeto até o café que Damon havia dado sugestão, eu fui em silencio, caminhando ao lado de meu moreno e agarrada ao seu braço, que já estava livre por termos deixado as compras de Emily no carro. Eu tentava me convencer de que aquela era apenas Annabelle e não um monstro de sete cabeças, mas meu subconsciente insistia em ter relacionado a imagem dos dois, parecia que eu “temia”, receava, mais aquela mulher, que conversava animadamente com Emily e possuía apenas uma aparência inofensiva, mais do que uma criança em relação ao escuro da noite ou o seu armário no quarto. Era ridículo me sentir daquela forma em relação a ela, mas sabia que não iria resistir a uma provocação sequer vindo dela, eu tinha criado repugnância de Annabelle e o mínimo que fosse de convivência com ela me fazia ficar no limite.

Ao chegarmos ao café, Emily se sentou ao lado da tia me deixando ficar junto de seu pai, para meu grande alivio, e assim que fizemos os pedidos, o assunto da mesa começou fazendo Damon passar o braço pelas minhas costas, me puxando para perto de si de modo que conseguisse me apoiar em seu peitoral e ficar bem próximo a ele, provavelmente sua intenção era tentar me reconfortar, mas seu gesto deixara Annabelle visivelmente intrigada.

- Ah, antes que eu me esqueça... – ela balançou a cabeça negativamente como se afastasse algum pensamento de sua mente e então tomou foco para começar a falar – Emms, você esqueceu um par de brincos e suas pulseiras lá em casa... – pegou sua bolsa no colo e enquanto Annabelle procurava os acessórios esquecidos de Emily, pude perceber um par de olhos azuis esverdeados crescerem para cima da bolsa da tia.

- Tia, que bolsa maravilhosa! – Emily elogiou pausadamente e com discrição, avaliei a bolsa que ela se referia. Em um couro vermelho vívido com zíper e um broxe com a marca da bolsa em dourado, fiquei me perguntando como não havia percebido uma maxi-bolsa como aquela enquanto estávamos no shopping.

- Ah, obrigada... – Annabelle respondeu sem jeito, entregando os pertences a sobrinha.

- Espera ai, é lançamento da Prada! Tia, isso aqui deve ter custado uma fortuna, como conseguiu? Ou melhor, quem te deu? Porque sei que não foi Jeremy...

- Ahm, não Emms, claro que não – mais uma vez, sem jeito e gaguejando, Annabelle respondeu, sentindo-se incomodada com o assunto – Você deve ter confundido, ela não foi tão cara assim... – analisando melhor a bolsa, pude ver que Emily realmente tinha razão; era um lançamento da Prada, lembrava-me vagamente de ter visto em uma das revistas de moda que eu assinava para ler enquanto estava desocupada na loja.

- Eu tenho certeza, tia, e Elena está aqui para não me deixar mentir...

- Emily tem razão! – assenti presunçosa, tentando conter um sorriso satisfeito ao ver Annabelle praticamente me fuzilando com o olhar.

- Desde quando você gasta tanto dinheiro em bolsas ou algo do tipo, Annabelle? – Damon perguntou debochado mas ao mesmo tempo com seriedade para cima da irmã mais nova.

- Eu disse que não foi tão cara! – a pergunta de Damon fizera enrijecer ainda mais sua postura e responder rispidamente, com um tom de como se desse um fim no assunto – É só uma bolsa, meu Deus...

- Ok ok, tudo bem, desculpe! – Damon encolheu os ombros e ergueu as mãos como se estivesse se rendendo – Mas o que aconteceu com Jeremy?

- Nós terminamos e foi definitivo dessa vez.

- Nossa, mas por quê? O que aconteceu dessa vez? – Damon perguntou curioso e sem que ela percebesse, me interessei pelo assunto também.

- Nós estávamos brigando demais e não iria dar certo mesmo – Annabelle deu de ombros, parecendo indiferente com o término. Provavelmente Jeremy continuava a frequentar SoHo Dolls ou não aguentou a futilidade da própria namorada... – Mas tudo bem, estou sabendo lidar com isso e foi bem mais fácil do que da primeira vez.

- Não me diga que está afogando as mágoas em compras, Anna – Damon a olhou desconfiado a fazendo revirar os olhos.

- Eu já falei que é só uma bolsa e nem foi tão cara assim!

- Nossa, Annabelle, foi só uma brincadeira! Cadê seu senso de humor?

- Brincadeira sem graça e desnecessária, Damon! – Annabelle rebateu, fazendo seu irmão revirar os olhos, entediado.

Cortando aquele clima tenso que havia se formado na mesa, nossos pedidos chegaram e eu agradeci mentalmente pela velocidade em que foram atendidos, pelo menos eu teria algo para me distrair enquanto os três conversavam.

- Você está muito estressada – Damon comentou bebericando seu chá gelado – Como está o trabalho?

- Está ótimo! Melhor é impossível! – o rosto da mulher iluminou-se ao responder a pergunta do irmão e todo aquele mal humor fora esquecido, sendo substituído por um sorriso animado – Meu projeto está concorrendo para a construção de um condomínio de casas ecológicas! – disse com excitação.

- Wow mas isso é ótimo! Conte-me mais... – Damon exclamou animado, a incentivando a aprofundar o assunto.

- É assim, eu e mais quatro pessoas fomos selecionadas para fazer um projeto de pelo menos uma casa e da estrutura de um condomínio de luxo, mas um condomínio de luxo onde as casas, além de serem sofisticadas e de alto padrão, tem que ser ecológica ou não seja não maléfica ao meio ambiente, como por exemplo, energia solar, alguma forma de reaproveitamento de água e por ai vai, e o meu projeto está entre os três melhores para serem escolhidos para a construção. Se eu ganhar, além de receber muito dinheiro e conseguir começar a criar nome e fama na cidade, eu ganho um cargo de grande influência na empresa.

- Isso é demais, Anna, parabéns maninha! – Damon respondeu ainda mais animado mostrando-se realmente orgulhoso da irmã.

- Tomara que você consiga, tia – Emily adicionou igualmente animada.

- Obrigada gente, espero conseguir mesmo – Annabelle agradeceu meigamente e após pegar um pedaço de seu cheesecake e tomar um gole de seu suco, virou sua atenção para Emily – Mas então, o que estava fazendo de bom no shopping?

- Compras! – Emily respondeu com um sorriso malandro – Tia, você tem que ver as roupas que Elena me ajudou a comprar, são incríveis! – ela adicionou deslumbrada, sorrindo para mim em agradecimento – Na verdade as roupas de Elena são lindas!

- Oh sim, realmente devem ser, devem ter um estilo bem alternativo, levando em consideração seu passado... – Annabelle respondeu lançando um olhar gélido para mim e sorriu sarcasticamente.

- Hm... – dei um gole em meu café e então a olhei da mesma forma, mas fiz questão de deixar explicito meu tom irônico e desafiador enquanto a olhava – De fato elas são, mas tenho certeza que você iria adorar, se precisar de minha ajuda para dar uma levantada em seu guarda roupa, é só me avisar, afinal, você precisa conseguir levantar pelo menos seu visual, se é que me entende... – pisquei maliciosamente ao falar sobre “dar uma levantada” a fazendo ficar séria mais uma vez e voltar a me fuzilar com o olhar.

- Eu concordo! – Damon se intrometeu no assunto, quase me fazendo engasgar com um pedaço da torta que comia – Você está precisando mesmo refazer seu guarda-roupa, Anna, principalmente agora com esse possível cargo na empresa, e além do mais, você e Elena precisam socializar – Damon enfocou severamente a ultima parte e passou o braço em minha volta, como se estivesse me acalentando.

- Eu concordo com o papai – Emily comentou – Vocês duas realmente precisam socializar.

- É claro que sim, nossa, podemos ir aquele bar que você dizia que trabalhava, lembra-se? Ah não, espera, aquilo não era um bar! – Annabelle disse mantendo seu tom sarcástico tentando me atingir, mas a única coisa que conseguira fazer fora arrancar uma gargalhada alta e debochada de mim.

- Wow que ótima ideia! Vamos mesmo até onde eu trabalhava, tenho certeza que você vai adorar e que vai aprender muito também – sorri para ela ainda com malícia e beberiquei meu café – Oh não, mas talvez não seja tão boa ideia assim porque as chances de você encontrar Jeremy por lá são grandes – disse com um tom presunçoso fazendo Damon rir baixinho ao meu lado.

- Nossa quanta consideração a sua... – riu ironicamente – É incrível como você tem resposta para tudo! – Annabelle revirou os olhos, inconformada, me fazendo dar de ombros presunçosamente – Mas eu vou embora – ela se levantou rapidamente da mesa ajeitando sua fatídica bolsa no ombro e olhando diretamente para mim e para a mão de Damon que acariciava meu braço, continuou a falar – Amanhã você está de plantão, não está, Damon?

- Estou sim...

- Então eu passo na sua casa para te pegar, Emms...

- Não precisa, tia, eu e Elena já combinamos que vamos assistir filme amanhã e ela vai ficar comigo – Emily recusou educadamente e eu apenas dirigi minha tenção a minha torta, sentindo o olhar de Annabelle queimar sobre mim.

- Tudo bem então... – ela respondeu por fim, parecendo nada satisfeita com os planos de sua sobrinha e não sabendo lidar em ter sido trocada – Então, divirtam-se – ainda de cabeça baixa, concentrada em meu prato, ouvi Annabelle se despedir com um beijo de Emily e com um breve “adeus” de Damon para então ir embora a passos firmes.

- Você já pode respirar... – a voz aveludada de meu homem sussurrou em meu ouvido e só então percebi que prendia a respiração de forma que minha postura estivesse tensa na cadeira.

- Tem como você me levar para casa? – perguntei baixinho para ele, soltando um suspiro fundo.

- Claro... – ele assentiu compreensivamente acariciando meu rosto com cuidado e depositando um beijo em minha testa – Deixamos Emily em casa primeiro e então eu te levo, pode ser?

- Uhum... – assenti forçando um sorriso e Damon levou o ultimo pedaço da torta que comia torta a minha boca.

Assim que terminamos de comer, Damon deixou Emily em casa e então seguiu para o apartamento de Marcos para atender o meu pedido. Durante todo o caminho eu fui em silencio, olhando pela janela e apenas pensando no grande arrependimento que estava começando a aflorar em mim... Eu não deveria ter afrontado Annabelle daquela forma, não deveria ter dito aquelas coisas a ela principalmente na presença de Emily e algo me dizia que Damon havia deixado a filha antes em casa porque queria falar algo sério, relacionado a minha pequena cena com sua irmã. Ótimo, era tudo isso que eu precisava, brigar com Damon por Annabelle de novo, ouvir dele que eu não deveria ter sido tão baixa com sua irmã na frente de sua filha de doze anos... Eu realmente não aprendia mesmo.

- Está tão pensativa... – Damon disse pegando minha mão e entrelaçando nossos dedos. Eu olhei para ele e encarei suas feições por alguns segundos, tentando encontrar qualquer traço de seriedade, algo que mostrasse que ele estava bravo ou que eu estava encrencada, mas ao invés disso encontrei apenas serenidade e um pouco de compreensão – Lena, me desculpe por Anna, não sei nem o que te falar para te consolar...

- Não, não se preocupe com isso, eu é que peço perdão, não deveria ter agido daquela forma, não deveria ter dito aquelas coisas principalmente na frente de Emily, mas ela me tira do sério, não consegui me controlar!

- Tudo bem, Emily precisa ver que sua tia não é tão boazinha como ela pensa e você precisava se defender...

- Você não ficou bravo por eu ter dito aquelas coisas a ela?

- Para ser sincero, eu adorei o jeito com que se defendeu... – Damon riu baixinho e beijou as costas de minha mão – Nos vemos na terça-feira?

- Com certeza! – sorri me aproximando dele – E avise Emily que assim que sair do trabalho eu vou para sua casa, ok? – Damon assentiu e levou a mão ao meu rosto enquanto lentamente se aproximava de mim.

- Suas despedidas me fazem não querer ir embora, sabia disso? – já sabendo o que ele queria fazer, eu levo minha mão a sua nuca e entrelaço meus dedos em seus cabelos.

- Isso é bom, quem sabe eu consiga te convencer aos poucos de que não precisamos nos despedir? – Damon sorriu sugestivamente roçando nossos lábios para me provocar e sem responder, eu capturo seu lábio inferior entre meus dentes o fazendo gemer baixinho e então iniciar o beijo que tanto ansiávamos.

Ao contrario do que parecia, nosso beijo começou calmo mas nem o fato de estarmos estacionado na rua, em frente prédio onde morava, nos impediu de intensificarmos aquilo até que a necessidade fizesse Damon me puxar para seu banco, de modo que eu sentasse em seu colo e que dividíssemos o mesmo banco.

- Preciso ir... – disse ofegante tentando nos separar após perceber a direção que aquilo estava tomando.

- Não, não precisa não! – Damon segurou minha cintura para que eu não me afastasse e começou a beijar meu pescoço.

- Sim, preciso sim, amanhã nós dois trabalhamos e outra, estamos em uma rua movimentada... – eu tentava me afastar dele, mas suas mãos se mantinham firmes em minha cintura e sua boca faminta em meu pescoço – Damon... – ele foi parando aos poucos, diminuindo os beijos e me deixando mais “livre” em seu colo até se afastar totalmente de mim e ficar me olhando ternamente enquanto acariciava meu rosto.

- Nada que eu fizer vai te fazer mudar de ideia sobre o almoço com Matt amanha, não é?

- Porque te incomoda tanto que eu vá almoçar com Matt amanha?

- Porque eu acho que ele gosta de ti não só como amiga...

- Sem chances de isso ser verdade, eu sei que Matt não gosta de mim dessa forma – respondi rindo de seu argumento.

- Mas é claro que tem chances de isso ser verdade, Elena, eu sou homem, sei o que passa na cabeça dele. Perceba pelo jeito que ele te trata, pela forma que se importa contigo e bem ou mal, vocês tem uma história juntos, sem falar que vocês transaram... – lentamente eu sai de seu colo voltando a me sentar ao banco do passageiro e suspirei fundo para falar o que tinha em mente.

- Eu sinceramente não concordo com seu ponto de vista, Damon, e além do mais, qual é a diferença se ele tiver ou não sentimentos por mim? Eu amo você, você! – disse o olhando séria e fazendo questão de enfocar que era ele quem eu amava – É com você que eu vou ficar e não com ele, por isso que eu quero me encontrar com Matt, entenda isso – eu peguei sua mão e a levei até meu rosto, de forma que as costas dela me acariciasse delicadamente – Eu sou sua, Damon, quantas vezes preciso te dizer isso?

- Tudo bem... – ele soltou um suspiro fundo e eu me aproximei dele para beijar seus lábios pela ultima vez.

- Me desculpe por isso, ok? – Damon assentiu em silencio – Boa noite...

- Boa noite, meu anjo... – ele me respondeu um tanto distante e eu depositei um beijo castro e demorado em seus lábios antes de descer do carro.

...

Na manhã seguinte, após acordar terrivelmente atrasada por ter ficado até muito tarde conversando com Marcos, a primeira coisa que fiz ao chegar a loja fora mandar uma mensagem a Matt para marcarmos o tal almoço, o quanto antes fizesse aquilo, mais cedo me livraria daquela árdua tarefa. Rapidamente meu amigo me respondeu parecendo animado com meus planos e após escolhermos onde iriamos comer, as horas pareceram ter voado até meu intervalo, não me deixando tempo nem para programar o que iria contar a ele.

O restaurante não era longe, apenas três quadras de meu trabalho, e ao chegar ao lugar marcado, Matt já me esperava sentado a uma mesa. Ele parecia animado e vê-lo tão descontraído me fizera quase desistir de contar a ele a notícia que tinha que dar, não fazia ideia de como ele iria reagir aquilo e o fato de ele ser tão imprevisível apenas me deixava mais hesitante... Nós começamos a conversar normalmente, fizemos nossos pedidos e eu apenas adiava o início do assunto, mas assim que nosso almoço chegara, eu tomei folego e coragem e coragem e comecei a falar.

–Matt, precisamos conversar... É sobre a nossa viagem para Londres... – comecei sutilmente.

–Ah sim, que bom que tocou no assunto, eu estive comentando com um amigo e ele está vendendo uma casa excelente, próxima ao centro da cidade, ótima localidade... Tenho certeza que você vai adorar! –Matt sorriu satisfeito e eu apenas abaixei a cabeça desviando o olhar dele. Ele estava tão animado com essa viagem que talvez dar aquela notícia seria mais difícil do que eu esperava.

–Matt, eu não vou mais... – disse de uma vez só, evitando, mais uma vez, para encara-lo.

–Como assim não vai mais? Porque Elena? – ele perguntou exaltado e eu me encolhi mentalmente, não estando preparada para aquele tipo de reação– Você estava tão certa que iriamos...

–Eu sei Matt, mas é que eu e Damon nos acertamos...

–Oi?! Se acertaram? Como assim? Quando?

–Foi na sexta-feira, Caroline contou a ele que nós estávamos indo embora e ele me procurou para pedir perdão e acabou se declarando para mim... – respondi ainda daquela forma hesitante e temendo sua reação, que estava claro de que não seria muito compreensiva.

–Oh sim e você acreditou no que ele disse... – Matt comentou com sarcasmo e eu o olhei assustada, realmente não esperando por aquilo.

–Desculpe? – disse com tom de indignação– E porque não acreditaria?

–Elena, não passou nem por um segundo pela sua cabeça que ele esteja mentindo ou falando só o que você quer escutar? Digo, que ele esteja te usando de novo?

–Não, não passou pela minha cabeça nem por um segundo, ele foi sincero ao dizer aquilo e eu confio nele, Matt...

–Elena, quais são as garantias de que dessa vez realmente vai dar certo? – perguntou em um tom desafiador me fazendo cruzar os braços o olhando furiosa. Eu não queria discutir mas Matt parecia estar com outras intenções e pelo rumo que a conversa tomava, sabia exatamente em que resultaria aquilo.

–E quais são as garantias de que não vai dar certo? Você por acaso é um adivinha? Um profeta que sabe as más intenções de Damon e de nosso futuro como casal?– perguntei de forma desafiadora ainda de braços cruzados e maxilar tensionado. Matt estava igualmente sério e me olhava um tanto ressentido, parecendo estar magoado comigo, desanimado com a situação.

Antes que ele pudesse responder, nossos pedidos chegaram, atrapalhando a sua conclusão de pensamento, mas assim que o garçom se distanciou, beberiquei o meu suco e continuei o assunto.

–Então Matt, qual o seu argumento? Quais as garantias de que dará errado?

–Não sei, talvez porque ele já tenha feito isso antes, ou você não se lembra? Depois de ter te julgado por ter ido para a cama com o irmão dele, ele voltou com o rabo entre as pernas, disse exatamente o que você queria ouvir e na mesma hora você voltou para ele, nossa isso não está te parecendo familiar? Tenho a impressão de estar tendo um deja vu... – ele continuava com seu tom sarcástico e misturado com isso, podia perceber a amargura em sua voz– Sério mesmo que você o perdoou, Elena?

–Sim, Matt eu o perdoei e qual o problema nisso?

–O problema Elena, é que você confia fácil demais, você perdoa fácil demais! Olhe tudo que Damon fez para ti.

–Ah eu o confio fácil demais? Que eu me lembre, você também você errou feio comigo, ou você não se lembra de que recusou o nosso filho, falou barbaridades para mim e ainda me abandonou grávida? E adivinhe só? Apesar de tudo que aconteceu, de tudo que me fez, eu o perdoei sem nenhum ressentimento – disse controlando meu tom de voz– Mas se eu perdoo fácil demais, tudo bem, vamos colocar as cartas na mesa. Posso te dizer tudo o que pensei quando me deixou, quando foi me procurar... Se eu perdoo fácil demais então vamos voltar para quase dois anos atrás e você vai ver quem perdoa fácil demais, eu posso ser bem rancorosa e fazer todo aquele ódio voltar á tona em poucos minutos, Matt, você que escolhe...

–Você disse que tinha me perdoado por isso, Elena, esse é um assunto totalmente fora de cogitação e sem fundamento para o momento. Aqui a situação é totalmente diferente– ele defendeu de cenho franzido, mostrando-se realmente incomodado com meus argumentos, mas pouco me importei em ter sido indelicada e tocado em nossa ferida.

–E porque é diferente? É tudo sobre o meu perdão, não é? Sem fundamentos é essa briga que estamos tendo, pensei que como meu amigo fosse me apoiar e ficar feliz por mim, ao invés de tentar acabar com a minha felicidade – eu disse de uma vez um tanto que magoada e decepcionada com as atitudes de Matt– Eu amo o Damon, Matt, e você sabe disso, eu já havia dito que no momento em que ele me dissesse que me amava, ele me teria de volta para ele. Sim, eu posso perdoar fácil demais, mas a sensação de ouvir da boca da pessoa que se ama que o amor que sente é reciproco é incrível, indescritível. E além do mais, só agora eu vejo o quanto foi ridículo eu querer ir embora, minha vida está aqui... Marcos, Caroline e Claire estão aqui... Eles são tudo o que eu tenho. Não consigo me imaginar longe deles... Eu realmente queria que você me entendesse, Matt– disse com tom de pêsame e ele respirou fundo.

–Também queria que me entendesse, Elena... Quando você estava mal por causa dele, fui eu quem estava ao seu lado, fui eu quem acalmei seus choros, pesadelos durante a noite e tudo que a grande decepção que ele fez você sofrer trouxe, fui eu quem juntei seus cacos, Elena... – ele se defendeu sutilmente me olhando nos olhos– Da primeira vez fora a mesma coisa, a segunda também, e a terceira? Eu vou ser seu estepe de novo? Sua segunda opção?

–Matt, não pense assim... –mais uma vez abaixei minha cabeça para desviar meu olhar. Não tinha forças para olhá-lo enquanto ele me encarava daquela forma, doía em mim saber que ele achava que eu o tratava como segunda opção quando na verdade não era isso– Eu sinto muito, Matt, não queria que você achasse que eu te vejo como uma segunda opção, eu juro que não é isso... Se eu recorri a ti quando não estava bem era porque eu me sentia bem, porque me sentia á vontade contigo, e você me fazia esquecer meus problemas. Eu realmente sinto muito Matt, queria que me entendesse, queria que ficasse feliz por mim da mesma forma que eu ficaria por ti se a situação fosse inversa. Você é meu amigo e eu gosto muito de você... – eu peguei sua mão e a acariciei tentando reconforta-lo e em resposta ele segurou a minha com mais força e carinho.

–Tudo bem, Elena, eu entendo... Já estou acostumado em ser deixado em segundo plano... Meus pais fazem isso, a mulher que eu amava fez isso e você está fazendo agora, mas não se preocupe, eu vou ficar bem, e espero que você também fique bem... – ele respondeu com um suspiro fundo e magoado, endireitando-se na cadeira – Mas eu preciso ir, tenho algumas coisas sérias para resolver pela tarde... Espero que não se importe em terminar de comer sozinha...

–Não, pode ir... Sem problemas– balancei a cabeça compreendendo e sabendo que ele não tinha nada para resolver mas que havia arrumado uma desculpa para não ficar comigo. Eu entendia seu lado, após seu desabafo eu entendia o motivo dele ser como era e queria poder consola-lo, dar a ele o apoio que precisava e retribuir o bem que ele me fizera, mas ele sequer me deu chances.

–Adeus Elena! – Matt pegou a carta com o número da mesa, antes que eu pudesse antes que eu pudesse intervi-lo e sorriu se despedindo friamente de mim. Eu estava me sentindo um monstro naquele momento, uma aproveitadora insensível que brincava com o sentimento dos outros.

–Matt, espera...– o chamei alto, mas ele já tinha saído do meu campo de visão.

Meu olhar estava fixo na cadeira do homem que estava há poucos minutos sentando em minha frente. Eu tentava pensar em algo para consola-lo, algo que pudesse ajudar, mas nada me parecia suficiente para isso. Matt estava realmente magoado e eu me sentia horrível por sido a responsável de magoa-lo. Se houvesse uma forma de fazê-lo me perdoar...

Suspirei fundo encarando meu parto intacto enquanto um nó se formava em minha garganta ao ecoar em minha mente a conversa que tivera com Damon sobre Matt, em que ele defendia a ideia que meu amigo tinha mais que sentimentos fraternais por mim... Será que realmente existia a possibilidade de Matt gostar de mim? Engoli seco aquela possibilidade, sentindo-me mais que incomodada em cogitar algo daquele nível e rapidamente peguei meu celular em minha bolsa.

“Acho que tinha razão sobre Matt, me desculpe por duvidar de você, não quero mais brigar, amor... Eu te amo... Sua Elena” Digitei rapidamente aquela mensagem de texto e encaminhei a Damon. Eu estava em certo tipo de negação, Matt não podia gostar de mim e tinha esperanças que aquela possibilidade fosse inválida. Ele era meu amigo, apenas meu amigo, um amigo que eu costumava a fazer sexo mas ainda assim eu continuava querendo apenas a sua amizade e nada mais... Era o Damon que eu amava e não queria que Matt sofresse por isso, não queria faze-lo sofrer mais ao que estava fazendo.

Esperei agoniada pela resposta de Damon, mas logo guardei o celular de volta na bolsa sabendo que ele não iria me responder. Tentei ao máximo engolir aquela situação junto com meu almoço, porém nada passava pela minha garganta, estava atordoada demais para conseguir comer e infelizmente ou felizmente, meu horário de descanso estava chegando ao fim, me obrigando a voltar ao trabalho.

Para o meu grande alivio, a loja estava movimentada naquela tarde e como me mantive ocupada o restante do dia, não tive tempo de voltar a pensar em meu catastrófico almoço com Matt. Não queria mais cogitar de jeito nenhum aquela hipótese, era demais para mim, Matthew não podia gostar de mim. Mesmo que não tivesse motivo, eu me sentia culpada pelo que estava acontecendo, não só por ter o magoado com a desistência de Londres mas também por ter dado fundamentos para que ele passasse a se interessar por mim de outra forma, afinal, fora eu quem o procurou e eu permiti que tivéssemos um contato mais íntimo. Queria tirar essa historia a limpo com ele, mas ao mesmo tempo em que queria saber os seus reais sentimentos por mim, não queria me mostrar preocupada de forma que erguesse suas esperanças, além de não querer mais discutir com Damon, principalmente sobre Matt.

Damon... Argh eu devia um pedido de desculpas a meu Doutor, além de estar me sentindo culpada pelo que fizera a Matt, me sentia ainda pior por ter começado uma briga totalmente desnecessária com Damon, ele realmente tinha ficado magoado com minhas atitudes infantis e eu sequer me importara com isso. Sabia que era preciso mais que uma mensagem de texto com um pedido chulo de perdão para que conseguisse me sentir melhor. Provavelmente iria pedir ajuda para Emily para arrumar alguma coisa para ele para que conseguisse pedir perdão devidamente, iria aproveitar que passaríamos aquela noite juntas e iria utilizar de nossa amizade para entender um pouco mais sobre seu pai, mas assim que cheguei ao apartamento de Damon, encontrei a garotinha dos longos cabelos loiro queimado, deitada em sua cama debaixo de cobertas.

- Hey Emily, está tudo bem? – perguntei me aproximando dela e como resposta, ela apenas balançou a cabeça negativamente – O que houve?

- Não sei... – ela respondeu um tanto manhosa e com a voz fraca – Eu estou com dor no corpo e muito frio, passei o dia inteiro assim e nem consegui treinar direito, quando cheguei Jenna já tinha ido embora então nem sei o que tenho... – eu realmente não tinha sorte, será que Emily não podia escolher um dia melhor, de preferencia que seu pai médico estivesse em casa, para ficar doente? Encarei a garotinha preocupada e logo levei minha mão a sua testa, para verificar sua temperatura.

- Wow, você está fervendo em febre, Emms... Diga-me uma coisa, sabe onde tem termômetro?

- No closet de meu pai em um gaveteiro pequeno de canto...

- Ok, espere um segundo que eu já venho ok? – ela assentiu e eu sai de seu quarto, seguindo até o closet de Damon que era onde ela havia me orientado. Rapidamente encontrei uma caixa com remédios, uma farmacinha prática, e com o termômetro em mãos, fui medir a temperatura dela.

Não fazia ideia do que fazer para uma menina de doze anos doente, não sabia que remédios ela podia tomar ou se era alérgica a algum medicamento, nunca tinha cuidado de uma pessoa, que não fosse adulta, doente antes e certo desespero tomou conta de mim, principalmente após ver que ela estava com trinta e nove graus de febre.

- Você está com alguma dor especifica, Emms?

- Não, só de cabeça mesmo...

- A garganta não dói? – ela negou – Ok, vou ligar para o seu pai para perguntar que remédio posso te dar e já venho ok?

- Uhum...

Rapidamente sai do quarto de Emily e fui até minha bolsa em busca de meu celular, saquei o aparelho e rezei mentalmente para que Damon me atendesse.

­- Hey Lena, está tudo bem? – Damon atendeu após algumas chamadas me fazendo suspirar aliviada por ouvir sua voz.

- Está tudo bem sim, mas Emily está com trinta e nove graus de febre... Ela me disse que passou o dia assim e que nem conseguiu treinar direito, quando cheguei Jenna já havia ido embora então não sei o que fazer ou que remédio posso dar, me desculpe ter ligado assim...

- E ela está com alguma dor? Está sentindo mais alguma coisa?

­- Não, só dor no corpo e de cabeça...

- Uma gripe forte, provavelmente... Faça o seguinte então, dentro do armário do banheiro dela tem uma caixa branca com vermelho, ali dentro tem um antitérmico que ela pode tomar, você pode dar um a ela agora e outro daqui oito horas, se a febre não baixar ela pode tomar um banho morno e se ainda não melhorar ou acontecer alguma coisa, pegue um táxi e a traga até aqui, ok?

- Ok! Só um antitérmico mesmo?

- Por enquanto sim, ela tem que tomar bastante líquido e se manter nutrida ok? Se ela não quiser comer, diga a ela que foram ordens de seu médico particular... – ele riu baixinho e prosseguiu – Desculpe-me por não ter respondido sua mensagem, hoje está corrido por aqui.

- Tudo bem, eu entendo. Está tudo bem contigo?

- Está sim, só queria estar ai com vocês...

- Fique tranquilo, ok? Está tudo bem por aqui, se alguma coisa acontecer eu vou até o hospital... Desculpe-me por ter te ligado, não queria te preocupar mas não sabia direito o que fazer.

- Sem problemas, Lena, fez bem em ter me ligado. Mantenha-me informado se ela não melhorar, ok?

- Claro claro, vou te deixar trabalhar então... Boa noite, Doutor, bom trabalho.

- Boa noite, meu anjo, qualquer coisa me ligue! – ele me respondeu carinhosamente e então desligou o telefone.

Sem demorar mais, eu peguei um copo e mais uma garrafinha cheia com água na fui para o quarto de Emily, encontrei o único antitérmico da pequena farmácia que Damon havia me dito e então entreguei a menina.

- Emily, seu pai me disse que você precisa se manter hidratada e alimentada, então trouxe para ti essa garrafinha e pensei em fazer uma sopa bem leve para nós duas jantarmos, o que acha? – perguntei a ela enquanto lhe dava o comprimido para febre.

- Pode ser... – ela assentiu voltando a se aconchegar em sua cama – Desculpe por estar te dando trabalho, não estava em meus planos ficar doente...

- Sem problemas, Emms, não está dando trabalho nenhum... – sorri ternamente para ela e afastei uma mecha de seu cabelo que atrapalha seu olho – Você precisa de alguma coisa?

- Não, obrigada...

- Então vou para a cozinha e daqui a pouco venho ver se você está bem, qualquer coisa me chama, ok?

- Obrigada, Lena – Emily sorriu levemente para mim e então eu me retirei do quarto, seguindo para a cozinha onde iria preparar algo leve para que ela comesse.

Eu realmente estava preocupada com Emily, era inexplicável o vínculo que tinha formado com aquela garotinha em tão pouco tempo e com tanta facilidade, chegava até a ser engraçado me lembrar de quando ela era grande contra em minha relação com Damon. Eu sentia algo muito forte quando ela abria aquele sorriso encantador que conseguia me agradecer em silencio e vê-la debilitada daquele jeito tinha conseguido amolecer meu coração. Acho que o amor que sentia pelo pai dela era tão forte que eu sentia obrigação de estar por perto dela, de me preocupar com ela, porque afinal, se eu quisesse ter Damon para mim eu teria que obrigatoriamente ter uma boa relação com sua filha. Fui até a geladeira e peguei os ingredientes para fazer uma sopa leve, peguei batata, cenoura e mais algumas coisas que tinha na despensa e retornei ao balcão da cozinha. Eu estava acostumada com isso, quando as meninas ficavam doentes no bordel, o que acontecia com frequência, era eu quem sempre fazia essa sopa que aprendi com a minha mãe uma vez que fiquei doente... Ah céus eu sentia tanta falta da minha mãe e entendia o que Emily passava, por isso sempre pensei sermos iguais e precisarmos no fundo uma da outra, eu não estava ali para tomar o lugar de Katherine na vida dela, mas sim para ser a pessoa que ela buscasse apoio já que sua figura materna não estava mais ao seu lado, queria ser a pessoa que ela confiasse e gostasse, a pessoa que eu não tive quando minha mãe se fora...

Assim que peguei tudo fui até o balcão e comecei a picar os ingredientes de modo que eu fizesse a sopa mais saborosa que eu conhecia e enquanto ela ficava pronta, fui ver como estava minha enferma. A febre, infelizmente, ainda não tinha cedido ou sequer abaixado, então como Damon me orientara, a incentivei a tomar banho, mas como ela estava muito fraca tive que ajuda-la e ficar com ela no banheiro enquanto tomava.

- Elena, você fica aqui comigo? – ela perguntou timidamente ao terminar de colocar seu pijama pesado – Podemos ficar assistindo televisão aqui no meu quarto, mas não gosto de ficar sozinha quando estou doente...

- É claro que fico, só vou ver como está a nossa janta e já venho ok? Quer comer aqui ou sentada a mesa?

- Aqui...

- Tudo bem, cinco minutos e eu estou de volta...

Fui fazer o que havia dito e assim que voltei, Emily me esperava deitada na cama, sorri mentalmente com aquilo e fiquei pensando por alguns instantes que teria que fazer um “programa” como aquele um dia com meus filhos, se é que um dia o destino me permitiria receber tal dádiva... Assim que me aproximei, por costume estava com a camisa do Damon, me deitei ao lado dela e Emily sorriu.

-Acho legal você usar a camisa dele... Fica tão bonita! – sorri e me aconcheguei ao lado dela.

Emily zapeou o canal até parar um filme de patricinhas bem antigo, que a fez dar um gritinho fraco dizendo que amava o filme, por vontade dela assistimos aquele mesmo, eu até gostei daquele filme que eu nunca havia visto, e o tempo todo ela estava deitada próxima de mim e eu a abracei fazendo carinho em seus cabelos lisos e sedosos.

-Lena, é bom ter você aqui... Nunca achei que você me faria tanta falta e que um dia chegaria a falar isso para você!

-Ei eu gosto muito de estar aqui e por incrível que pareça você me fez falta também, mesmo me odiando – disse rindo baixinho.

-Eu nunca te odiei, só tinha medo que você roubasse o lugar da minha mãe e tinha certo ciúmes de meu pai, para ser bem sincera, minha tia me manipulava na maior parte do tempo então era um ódio meio induzido, entende? Mas agora eu sei que não é isso que você quer, e de verdade, me sinto feliz quando você age como mãe, me sinto bem perto de ti, e tenho certeza que será a melhor mãe que existe – ela sorriu fraco.

-Se um dia eu for...

-Você vai ser... – ela fechou os olhos e me abraçou de modo que eu emaranhasse minhas mãos em seus cabelos e ficasse pensando naquilo... Ah céus estava tudo tão bom e eu tinha tanto medo quando isso acontecia... Da ultima vez em que me senti daquele jeito que estava me sentindo, algo nada bom acontecera e sabia que se algo ruim acontecesse, eu definitivamente não teria forças para aguentar.

Assim que senti a respiração forte daquela mocinha, me afastei devagar sem que ela notasse que eu havia saído, a cobri e então dei um leve beijo na sua testa...

- Durma bem e qualquer coisa me chame... – disse baixinho e ela assentiu mesmo inconsciente.

Sai do quarto e fechei a porta, caminhei até o de Damon e entrei louca para me jogar na cama e dormir profundamente. Já deitada na cama peguei meu celular e fiquei encarando por longos minutos o plano de fundo do qual era uma foto minha e de Damon abraçados, as palavras de Emily dizendo que eu ia ser mãe ficaram em minha cabeça e eu desejava tanto isso que estar com ela e me sentir uma era tão bom, que apenas aumentava minha vontade de ter um filho... Ainda com as palavras de Emily em minha mente, continuei olhando para a foto e sorri para o meu doutor pela ultima vez, me aconcheguei na cama lotada de travesseiros e me cobrindo, fechei os olhos e logo senti o cansaço cair em mim e o sono me atingir de uma vez só...

O barulho insuportável de meu despertador me avisava que já era sete da manha e ainda de olhos fechados, tateei aquele pequeno objeto que emitia um barulho insuportável com o intuito de desliga-lo. Virei-me lentamente naquela enorme cama reunindo forças para me levantar e enquanto contava mentalmente até dez, para abrir meus olhos, tateei o colchão ao meu lado em busca do travesseiro de Damon, mas no meio do caminho, bati minha mão em algo que não estava lá quando fora dormir. Rapidamente abro meus olhos e encontro ao meu lado uma caixa de trufas de chocolate enfeitada e sob ela um bilhete em post it amarelo, que mesmo que estivesse sonolenta conseguia identificar a caligrafia. Sentei-me na cama e sorrindo com aquilo, peguei a caixa com o chocolate e o bilhete.

“Obrigado por ter cuidado de minha filha e me desculpe por ter sido um besta ciumento... Eu te amo, seu Doutor.”

Aquilo realmente era um sonho... Acordar com uma caixa de chocolate com um bilhete como aquele do homem que amava era o sonho de qualquer mulher e eu realmente não conseguia acreditar que estava vivendo aquilo. Aquele era o mesmo Damon que eu conheci?

Com meu presente na mão, levantei-me sorridente da cama e o coloquei dentro de minha bolsa os chocolates, para que não esquecesse e então fui me arrumar para trabalhar. Tomei um banho rápido, não me dando ao luxo de demorar mais que quinze minutos debaixo daquela água quente e reconfortante, já estando ciente de que se fizesse isso, iria passar o resto do dia sonolenta e como aquela não era minha intensão, me limitei a uma ducha rápida. Arrumei-me lentamente, demorando a encontrar uma roupa e a me vestir, como sempre, coloquei meus acessórios de praxe, fiz uma maquiagem leve e quando sai do quarto, já pronta, para seguir para a sala, com a intenção de chegar a cozinha para fazer meu dejejum, encontro meu homem deitado no enorme sofá, dormindo pesado, praticamente desmaiado.

Damon dormia desajeitadamente e encolhido no canto do sofá, provavelmente com frio, mas ele parecia tão exausto que aquilo sequer parecia um problema. Sem aguentar ver aquela cena, eu me aproximo dele e me sento ao seu lado, no espaço que sobrava por ele estar dormindo encolhido, e então começo a beija-lo, como havia feito no dia anterior para acorda-lo.

- Eu definitivamente posso me acostumar a ser acordado assim... – Damon virou-se devagar no sofá e sorriu sonolentamente para mim, tendo certa dificuldade em manter seus olhos abertos – Bom dia, meu anjo.

- Bom dia... – sorri para ele – Eu amei as trufas, obrigada...

- Que bom que gostou! – Damon levou a mão até meu rosto e acariciou minha bochecha com delicadeza – Fui literalmente o primeiro cliente do dia na loja de chocolates, cheguei junto com os funcionários que estavam abrindo a loja... – ele riu baixinho tentando manter-se acordado.

- Não precisava ter se preocupado, você fica ainda mais lindo com ciúmes de mim, sabia?

- Bom saber disso!

- Porque não se deitou comigo quando chegou? – eu levei minha mão aos seus cabelos e os penteei com os dedos para cima aproveitando para lhe fazer carinho.

- Não queria te acordar... – deu de ombros – Fui ver como Emily estava, deixei o chocolate ao seu lado e então vim para o sofá.

- Não iria me importar se você me acordasse... Como está Emily? Eu ia vê-la antes de sair para o trabalho...

- Ela está com febre ainda e eu tive que lhe dar um remédio mais forte, mas acho que agora vai ficar tudo bem. Como ela passou a noite?

- A febre demorou a baixar e só depois que ela tomou banho que cedeu um pouco, de madrugada voltou a subir mas era porque já estava na hora do remédio e depois que ela tomou o medicamento a temperatura se estabilizou um pouco.

- Ela não reclamou de nenhuma dor diferente? – ele perguntou e eu neguei – Deve ser apenas uma gripe mesmo, mas obrigada por cuidar dela, meu anjo, fico mais tranquilo em saber que posso contar com você...

- Não precisa agradecer por isso, Damon. Eu e Emily estamos criando uma amizade muito forte e eu nunca iria deixa-la doente daquela forma... Agora, vá se deitar na cama, Damon, você mal consegue manter-se de olhos abertos...

- Vou sim, mas antes – ele respirou fundo tomando forças para se sentar e então fez um gesto, me chamando para sentar em seu colo sendo rapidamente atendido – Quer sair para jantar comigo amanha a noite? Como um primeiro encontro... Eu ainda acho que começamos errado, vamos concertar isso, o que acha?

- Eu acho perfeito! – assenti sorrindo.

- Ótimo! Te pego as oito...

- Estarei te esperando as oito então – me aproximei dele beijando seus lábios suavemente – Me desculpe por ser tão teimosa e termos brigado por Matt, deveria ter te dado ouvidos...

- Tudo bem, só espero que não voltemos a discutir por futilidades – ele disse compreensivo.

- Eu também, juro que não iremos mais brigar por Matt ou Andie, ok? Ou por qualquer outro homem ou mulher... Não quero mais brigar, quero que realmente dê certo dessa vez, Damon.

- E eu vou fazer de tudo para dar, mas dessa vez vou fazer de verdade, eu juro! – ele disse sério olhando em meus olhos e eu sorri deslumbrada com suas palavras.

- Então somos dois! – encostei nossas testas e ele me abraçou mais intensamente – Agora vá dormir, você precisa descansar.

-Sim senhora! – ele riu e eu me levantei de seu colo para que ele levantasse do sofá – Eu adoro como você sempre cuidou de mim, sabia? – Damon me puxou novamente para si, se abraçando fortemente em meu corpo, acolhendo-me em seus braços daquela forma que apenas ele fazia.

- E eu estou adorando conhecer esse seu lado carinhoso e romântico, sabia? – ainda abraçada nele, eu ergo meu rosto em seu peitoral para olha-lo.

- Bom saber disso também... – Damon sorriu abertamente e inclinou-se para beijar meus lábios.

- Durma bem, meu amor... – sussurrei contra seus lábios, sorrindo em meio ao beijo.

- Bom trabalho, meu anjo.

Notas finais
Bom gente, delena tá bem meloso ne mas é porque é o recomeço deles então... Em segundo lugar, esse capitulo foi meio importante mas nao vou dizer o porque, vamos ver se vcs descobrem o foco principal dele... Se vcs ainda nao perceberam, a fic já está bem pertinho de acabar então estamos nas retas finais e é isso ai, espero que tenham gostado, continuem comentando e recomendando, beijos amo vcs.