New Life
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Se gostarem, comentem. Se não gostarem, comentem também.
Aberta para críticas.
Boa Leitura!
(O capítulo é bem grande)
Gotas caindo sobre o teto. O barulho familiar fez com que eu acordasse, mas sem abrir os olhos. Apertei com força o edredom e tentei dormir novamente. Não consegui. Levantei irritada e olhei no despertador. 05h20min da manhã.
– Só pode ser brincadeira. – prendi meus cabelos em um coque e saí em direção à cozinha. A casa estava silenciosa. Claro que estava silenciosa! Todos só acordariam às 06h00min. Eu também, se não fosse pela maldita chuva.
Enchi um copo com água e bebi apenas um gole, sentindo a água gelada queimar minha garganta. Voltei caminhando lentamente para o meu quarto e me joguei na cama. Fechei os olhos e lembrei-me da noite anterior. Eu era uma idiota.
Estava voltando para casa sozinha depois de sair com Julie e Meredith para a festa de aniversário de Joseph. As duas não queriam sair da festa. Eu também não queria, mas eu estava tão chateada que não consegui ficar mais.
Enquanto caminhava, meu celular começou a tocar. Olhei na tela e vi que era Andrew. Respirei fundo e deixei tocar mais algumas vezes.
– Oi Andrew. – falei com uma voz pesada.
– Oi Andrew? Nossa você está mesmo chateada, não é?
– O que você acha? Você me deixou sozinha naquela festa idiota e foi sei lá pra onde com seus amiguinhos sem-lei. Ah, que nada, Andrew. Eu estou super bem! – a festa não era idiota, mas eu precisava fazer um pouco de drama.
– Qual é, Amy? Você sabe que eu precisava ir.
– Claro que precisava. Você dá mais bola pra essa sua banda estúpida do que pra sua namorada.
– É isso que você acha da minha banda? – havia ressentimento na voz dele.
Respirei fundo.
– Olha, me desculpa, eu não quis dizer isso. – comecei a gaguejar. – Eu... Eu só queria que você... Ficasse mais um pouco comigo... – falei quase choramingando.
– Eu sei que eu não tenho sido um namorado exemplar, mas você tem que entender que essa “banda estúpida” é o meu sonho. Você tem os seus sonhos e eu tenho os meus. Que tal respeitar? – ele falou agressivamente.
– A gente não devia estar tendo essa conversa por telefone. Se você tivesse um pingo de consideração...
– Eu não tenho consideração? – ele riu. – Era só o que me faltava. Você tem idéia de quantos compromissos eu já faltei pra ficar com você?!
– Então eu sou um peso. Um obstáculo na sua busca pelos seus sonhos. Okay. Se for assim que você quer, tudo bem. Busque sozinho pelos seus sonhos. – afastei o celular do ouvido, mas ainda pude ouvi-lo gritar:
– Amanda!
Cobri o rosto com o edredom e respirei fundo. Porque diabos eu tinha feito aquilo? Ele tinha razão. Ele sempre fazia tudo por mim. Agora eu estava totalmente arrependida de ter dito tudo que eu disse.
Bip!Bip!
O despertador tocou. Notei que a chuva havia parado. Levantei de uma vez e comecei a me preparar para a aula. Logo já estava pronta e começando a descer as escadas.
– Amanda? – olhei para trás e minha mãe estava de pé com o seu cabelo castanho bagunçado. – Já vai saindo tão cedo?
– É, mãe. Eu preciso resolver algumas coisas. – comecei a descer as escadas antes que ela começasse o interrogatório. Era tarde demais.
– Você não vai com o Andrew hoje? – falou enquanto me acompanhava nas escadas.
– Não, mãe. O Andrew... – olhei pela vidraça da porta e vi que Andrew estava lá fora com a mão apoiada na porta. – Está lá fora me esperando. – comecei a tremer prevendo toda a confusão que estava por vir.
– Você não vai comer nada? – minha mãe perguntou.
– Eu compro um café no caminho. Tchau, mãe. – abri a porta e encontrei o olhar cansado de Andrew. – Oi.
– Oi.
– Desculpa! – falamos juntos e depois sorrimos.
– Eu sei que fui um idiota te deixando sozinha naquela festa...
– E eu fui uma idiota falando mal sobre a sua banda e só me importando comigo mesma.
Ele sorriu e eu quase me derreti. Andrew tinha os cabelos castanhos a arrepiados de uma forma que eu adorava. Seus olhos verdes contrastavam com a pele branca o que o deixava mais lindo ainda. Eu era muito sortuda por tê-lo como namorado e ainda assim, de vez em quando, eu estragava tudo.
– Então... Está tudo bem com a gente? – ele segurou minhas mãos.
Assenti com a cabeça dei-lhe um selinho leve.
–*-*-
Entramos na escola de mãos dadas e eu me sentia leve outra vez. Eu gostava muito dele e, eu sabia que ele gostava de mim. E tudo estava certo entre nós.
– Te vejo mais tarde. – Andrew beijou meu rosto e sumiu no corredor lotado. Ele fazia o Terceiro ano do Ensino Médio e eu fazia o Segundo. Nossa diferença de idade também era de um ano. Eu tinha 16 e ele tinha 17.
Quando o perdi de vista virei em direção à minha sala e fui surpreendida por Meredith.
– Amanda, você é louca! Você perdeu a melhor parte da festa. O gato do Matt veio conversar comigo e me disse que eu era muito bonita. Claro que eu fiquei louca e nervosa. Até derrubei um copo. Aí ele pediu pra ficar comigo, mas eu não sabia se ficava porque o Simon estava olhando pra mim e ele também é muito gato, então eu...
– Mel! – gritei enquanto ela se assustava e parava de uma vez. – Respira... Eu não estou entendendo nada. – ela respirou fundo e arrumou o cabelo loiro.
– Okay. Vou começar do começo. Eu estava...
– Meninas! – Julie se aproximava. – Adivinhem quem tem um par pro baile de máscaras... – ela balançou o cabelo preto, esnobe.
– O quê?! Você tem par pro baile?! – Meredith gritou indignada. – Como assim, ela tem um par pro baile? – perguntou em minha direção.
– Quem te convidou pro baile? – perguntei.
– O garoto loiro, alto e lindo do Terceiro ano. – ela sorriu.
– O Simon te convidou pro baile?! Como assim? Ele estava me olhando ontem! Como ele pode ter te convidado?
As duas começaram a discutir e eu saí de fininho em direção à sala. Elas sempre brigavam por causa de garotos. O problema é que eles geralmente nem sabiam quem eram elas.
Eu não as julgava. Eu sabia como era ruim não ter namorado. Ainda mais no meu caso. Garota estranha de outra cidade que não conhece ninguém. Típico.
Sentei em uma cadeira qualquer na sala e comecei a lembrar do dia em que eu conheci Andrew.
Lá estava eu sozinha em uma das mesas, comendo alguma coisa, que não lembro muito bem. Meus cabelos, como sempre, presos em um coque. De repente um garoto muito lindo chegou de uma vez e sentou ao meu lado.
– Você é nova por aqui, não é? – perguntou depois de dar uma mordida em seu sanduíche.
– Sou. Tá muito na cara assim? – perguntei meio desajeitada.
– É. Está escrito na sua testa. Por que não fez amigas ainda? Devia entrar pro grupo das patricinhas. –ele fez um gesto de cabeça e apontou para um grupo de garotas que pareciam estar usando roupas iguais.
– Argh. Não. Tudo menos isso. – fiz cara de nojo enquanto olhava para as garotas.
– Ou... Você pode ser amiga dos caras descolados.
– Ah, entendi. Você é um dos caras descolados... Acho que esses caras são meio exibidos.
Ele sorriu e deu mais uma mordida em seu lanche. Ficamos em silêncio por um tempo. Chegou a ser desconfortável.
– Meu nome é Amanda.
– Amanda... Gostei do seu nome. Combina com você. O meu é Andrew.
– E você ainda diz que é descolado? – comecei a rir.
– Ah, ela é atrevida. Me desculpe, senhorita, mas não era eu que estava lanchando sozinho.
– Será que não? Por que veio comer aqui comigo, senhor popular?
– Por causa do seu cabelo. – ele disse como se aquilo fizesse todo o sentido.
– Meu cabelo? O que tem meu cabelo? – passei a mão pelo coque para verificar se estava tudo em ordem.
– É bonito. – ele disse e olhou diretamente para mim. Tenho certeza que nesse momento devo ter ficado da cor do meu cabelo. – Esse ruivo é natural ou você pintou?
– É natural. Ah, e obrigada.
E assim ficamos amigos, até o dia em que ele me beijou de surpresa no corredor da escola.
– A Primeira fase do Modernismo teve início em 1922, com a realização da Semana de Arte Moderna... – nesse momento percebi que a professora já estava em sala. Peguei meu caderno e comecei a anotar.
– Amy! – um sussurro. Olhei para trás e Julie jogou um papel sobre mim. Disfarçadamente o peguei e comecei a ler.
“Senhorita Amy, vc não disse que havia brigado com o Andrew? Que ceninha de mãozinhas dadas foi aquela? Eu e a Mel queremos saber de tudo. E para de ser chata!”
Respondi.
“Está tudo bem entre nós. =) Chata? Eu? Estou quieta aqui no meu canto. E vamos parar com esses bilhetinhos antes que a senhora Simpson veja. Xoxo.”
-*-*-*
Na hora da saída eu estava acabada. Queria logo ir para casa e dormir a tarde inteira. Saí quase correndo da sala para que as meninas não tivessem tempo de me parar para mais um papo sobre o baile. Eu estava prestes a sair, quando ele gritou meu nome.
– Amy! Espera. – olhei para trás só para confirmar e sorri. Andrew vinha correndo em minha direção e o movimento dos seus cabelos me deixou quase babando. – Por que tá saindo tão rápido?
– Estou cansada. – sorri e ele passou um braço pelo meu ombro e saímos andando.
– Eu tenho uma proposta pra te fazer... – apenas olhei pra ele, já adivinhando o que vinha pela frente. – Você vai ser meu par no baile.
– Mas eu...
– Não venha com desculpa de não ter roupa, porque eu sei que você tem. – beijou minha boca. – Você é meu par e pronto. Tchau. – ele saiu correndo antes que eu pudesse falar alguma coisa. Ele não sabia de nada. Até parece que eu ia usar um vestido qualquer para esse baile onde todo mundo vai estar vestido de gala.
Todos estavam falando naquele baile, mas eu estava com uma sensação ruim. Algo me dizia que eu não deveria ir. Ah, que bobagem! Era um baile na escola. Nada de ruim acontece... Não é?
-*-*-*-
– Mãe, você sabe que eu não tenho nenhum vestido à altura desse baile! – choraminguei.
– E o vestido que você usou no casamento da sua tia Elza? – ela perguntou enquanto pegava sua bolsa.
– Mãe, isso foi há três anos. Aquele vestido não me serve mais já faz muito tempo. – acompanhei-a enquanto ela descia as escadas. – Mãe?
– Eu não quero saber disso Amanda. Fale com o seu pai. Ele está lá na cozinha, almoçando. Estou atrasada. – ela pegou suas chaves e saiu.
Fiquei parada olhando para a porta. Eu sabia que se pedisse ao meu pai, ele me daria, mas eu não gostava de pedir para ele. Ele nem se importava com o que eu faria com o dinheiro. Eu podia me drogar, podia comprar uma arma, fugir do país... Ele nem ligava. Só queria saber de trabalho e mais trabalho.
– Andrew, será que você merece tudo isso mesmo? – bufei, revirei os olhos e fui em direção à cozinha.
– Acho melhor você dar mais uma revisada na papelada. Tem alguma coisa errada com esses números que você está me dando... – meu pai falava ao celular enquanto comia. Fiz sinal de que queria conversar, mas ele ignorou. Fiz sinal novamente. – Amanda, eu estou ocupado. – falou enquanto cobria o celular com uma das mãos.
– Pai, eu preciso de um vestido para a...
– Não, é essa porcentagem... Ela não está coerente. – ele me ignorou e eu fiz cara de chateada. – Josh, só um minuto. — cobriu o celular mais uma vez. – O que foi dessa vez?
– Amanhã vai ter um baile na escola e o Andrew me convidou. Mas eu não tenho um vestido para usar. Será que você poderia...
– Pega na minha carteira. Está na mesa de centro. Agora me dá licença que eu estou ocupado. – ele voltou a falar sobre números e protocolos.
– Eu sou sua filha, pai. Sou mais importante do que esses números... – falei baixinho enquanto saía da cozinha. Ele não ouviu nada.
Peguei dinheiro suficiente e marquei de encontrar com Julie e Meredith no shopping. Não conseguia parar de pensar no meu pai. Ele nunca tinha tempo para nada e minha mãe vivia saindo de casa com as amigas para evitar ficar no mesmo ambiente que ele. Eu a entendia. Quem é que agüenta ficar ao lado de uma pessoa que não lhe dá a mínima atenção?
Chegando ao shopping, já encontrei as duas tagarelando sobre alguma roupa que tinham visto.
Andamos por muitas lojas e eu demorei quase uma eternidade para escolher o vestido. Eu queria que fosse perfeito, apesar de achar que o baile fosse completamente brega. Não se faziam mais bailes hoje em dia, mas de acordo com a professora, fazia parte da tradição. Tradição ou não, era brega. E como se não bastasse toda a cafonice dos vestidos e das máscaras, ainda tinha a tal da eleição do rei e da rainha do baile. Total perda de tempo.
O vestido azul que eu havia escolhido era lindo. Na parte de cima, era de um azul escuro e a cor se desfazia em cascatas, até que no final formava um azul clarinho. Além disso, era adornado com brilho, o que dava o toque final. Pronto. Tudo estava pronto para o baile.
No dia seguinte não fui para a aula. Ninguém foi. Estava deitada em minha cama, ouvindo música, quando senti um frio repentino. Olhei pela janela e o sol brilhava forte lá fora.
– Eu não estou doente. – falei comigo mesma. Peguei o cobertor e coloquei sobre mim, mas o frio não passou. Levantei e fechei a janela, mas parecia estar aumentando cada vez mais. Abri a janela novamente e olhei para o jardim lá em baixo. Para a minha surpresa, havia um garoto lá, olhando para a minha janela. Rapidamente, escondi o rosto. – Que diabos...? – olhei novamente e o garoto não estava mais lá.
Achei tudo aquilo muito estranho. Fechei mais uma vez a janela e deitei novamente na cama.
–*-*-*
Havia chegado a hora do baile. Eu estava em pé na porta de casa, esperando por Andrew. Ele estava um pouco atrasado, mas resolvi dar um desconto, afinal, a banda dele tocaria ao final do baile.
O ar estava pesado e frio e eu mal conseguia ficar com os joelhos parados. O fato é que sempre quando eu sentia muito frio, meus joelhos tremiam descontroladamente. Naquela noite eu não sabia se era apenas frio. Tinha algo a mais que eu não sabia explicar. Pensei no garoto que eu tinha visto... Ou achado que tinha visto. Eu realmente precisava de umas férias.
Uma buzina me tirou dos meus pensamentos. Olhei para frente e vi que era Andrew. Caminhei rapidamente em meio ao vento, aumentando ainda mais a tremedeira. Entrei no carro de uma vez e fechei a porta.
– Liga o aquecedor, pelo amor de Deus. – falei soprando as mãos.
– Boa noite pra você também. – ele me olhou ressentido. Sorri me desculpando e ele ligou o aquecedor. Aos poucos fui sentindo minhas pernas se estabilizaram. – Você está linda!
– Obrigada. Você também não está ruim. – olhei para ele e sorri. Nos beijamos e ele acelerou.
Já no local do baile, vi que havia um aglomerado de pessoas na frente. Todo mundo estava vestido adequadamente. Cheguei a me perguntar se meu vestido estava bom o suficiente.
Andrew saiu do carro e abriu a porta para que eu saísse. Nesse momento percebi o quanto ele estava lindo. Seu cabelo estava arrumado com gel de uma maneira muito fofa. Ele usava terno e gravata. Não parecia nada com o Andrew da banda de rock da escola.
– Ok. Tenho que assumir. Você está muito gato. – segurei sua gravata e puxei para perto de mim.
– Eu sei que sou irresistível. – ele sorriu e seus olhos verdes brilharam. – Estou feliz por estar com você aqui, Amy.
– E eu estou muito feliz por estar aqui com você, Andy.
– Andy? Que diabo de nome é esse?
– Ah, é o apelido carinhoso que eu criei pra você.
– Mas é nome de mulher!
– Não é nome de mulher. Para de ser bobo. Vamos logo. – segurei em sua mão e saímos andando.
Chegando lá dentro, notei que estava tudo perfeito. A decoração era em dourado e branco. Cascatas de tecidos caíam pelas paredes e um tapete vermelho se estendia em nossa frente.
– Amy, eu tenho que me encontrar com os caras pra saber se está tudo pronto. Vamos ter que tocar uma música para o rei e a rainha dançarem.
– Eu já disse o quanto essa festa é brega? — sorri.
– Você vai ficar bem sozinha? – ele perguntou segurando uma ponta enrolada do meu cabelo.
– Vou sim. Pode ir. Vou tentar encontrar as garotas. – beijei-o rapidamente e saímos em direções opostas.
Eu não sabia por onde começar a procurar por aquelas malucas. Dei uma volta pelo salão, falei com algumas pessoas, mas nada de Julie e muito menos de Meredith. Fiquei parada por um instante no centro do salão e olhei mais uma vez em volta. Passei o olhar pelo casal grudento à minha direita, logo em seguida a garota bêbada puxando a amiga e... Ele. Era ele! O cara que eu havia visto no jardim. Seu cabelo era preto e uma franja caía sobre um de seus olhos. Ele estava vestido como todos os outros. Terno e gravata e um sorriso brilhante no rosto. Eu nunca o havia visto na escola. Deveria ser convidado de alguém. Enquanto eu pensava olhando para ele, senti seus olhos em mim. Rapidamente virei o rosto e passei a mão no cabelo. Levantei o olhar novamente e ele estava lá olhando para mim. Encarei-o segura de mim e ele começou a andar para longe de mim.
Nesse momento minhas pernas começaram a se mover involuntariamente atrás dele. Eu esbarrava em todos, mas só conseguia segui-lo. Ele olhava diversas vezes para trás e sorria em minha direção. Caminhei mais rápido. Estava quase o alcançando quando uma voz conhecida me fez parar.
– Amanda! – olhei para trás e vi que era Meredith. Virei o rosto para procurar pelo garoto, mas ele já havia se perdido no meio da multidão. – OMG, você está linda! – voltei à realidade e sacudi a cabeça.
– Obrigada. – forcei um sorriso, mas continuei olhando para os lados.
– Você não vai dizer que eu estou linda também? – olhei para o seu vestido e abri mais os olhos. Ela realmente estava linda. Seu vestido era vermelho e longo. Seus cabelos loiros estavam soltos e lisos e ela usava um batom vermelho.
– Nossa! É, você está realmente linda! Estou me sentindo uma mendiga agora. – falei e ela gargalhou.
– Para de ser boba. Você sabe que é linda. – ela notou que eu continuava olhando para os lados. – Está procurando alguém?
– Hã? Não. Quer dizer, estou. Onde está a Julie? – menti.
– Ah, aquela ali não vai chegar tão cedo.
– Onde estar seu par?
– O Matt foi buscar umas bebidas pra gente. Eu te vi andando que nem uma doida e resolvi te chamar. Fiquei com medo de você não me reconhecer. Aliás! – ela gritou.- Porque não estamos com nossas máscaras? – ela colocou a sua e eu coloquei a minha.
– Essas máscaras são um saco. Não dá pra enxergar nada. – reclamei.
– Amanda, quem você acha que vai ser a rainha do baile? Você acha que eu tenho chance?
– Totalmente. Não vejo ninguém melhor para essa posição. – quando falei, Meredith ficou radiante.
Segundos depois Matt apareceu com dois copos de refrigerante.
– Onde está o Andrew? – ele perguntou em minha direção.
– Oi pra você também, Matt. Ele está resolvendo algumas coisas da banda com os caras.
– Ah. Quer refrigerante? – esticou um dos copos em minha direção.
– Não, obrigada. Preciso ir ao banheiro. Volto daqui a pouco. – saí sozinha em direção ao banheiro ainda olhando para os lados.
A máscara estava machucando meus olhos. Tinha certeza de que minha maquiagem já havia borrado inteira com toda aquela arrumação de máscara. Tirei-a por alguns instantes e olhei ao redor, procurando pelo garoto estranho. Por algum motivo eu precisava saber quem ele era.
– Procurando alguém? – uma voz me assustou. Virei rapidamente e relaxei.
– V-Você! – sorri. – Está tudo certo com os instrumentos?
– Está sim. – Andrew colocou sua máscara. – O que acha dessa máscara preta? Estou parecendo o Robin?
– Está. – dei risada, percebendo a semelhança. – Mas você é muito mais lindo que ele. – mordi seu lábio e me afastei.
– Ok. Podemos achar um lugar sossegado só para nós dois e...
– Boa noite! Vocês já votaram em rei e rainha do baile? – um garotinho com aproximadamente 12 ou 13 anos segurava um caixinha com vários papeis.
Rapidamente fizemos nossos votos. Obviamente eu havia votado na Mel. Ela queria tanto aquele título e ela realmente merecia. E para rei votei no Matt. Ele não merecia, mas era par da Mel. Perguntei em quem Andrew havia votado e apenas disse:
– O voto é secreto! – bati em seu ombro e ele falou em meu ouvido. – Voltando ao nosso assunto... Acho que deveríamos ir para o depósito da banda...
– Isso é realmente humilhante. Você quer que nossa primeira noite seja em um depósito qualquer?! – fingi desapontamento. – Pensei que você fosse mais romântico, senhor Andrew Bale.
– Certo. Então a gente coloca umas velas lá e está tudo certo.
– Hahaha, engraçadinho... Preciso ir ao banheiro. Me espera aqui?
– Ah, não posso. Daqui a pouco é a música do rei e da rainha. – beijou meu rosto. – Te vejo daqui a pouco. – saiu.
Segui para o banheiro, mas parei perto da entrada.
– Boa noite, pessoal! – uma garota com um vestido amarelo e luvas brancas falava ao microfone. – Quero agradecer à presença de todos vocês em nome da nossa escola. – ela limpou a garganta. – Agora, como todos sabem, veremos quem ganhou o título de rainha e rei do baile! – algumas pessoas gritaram. – Bom, vamos lá. – o mesmo garotinho que estava com os papeis de votação entregou um cartão branco para a garota. – E o título de rainha do baile vai para... Amanda Pierce! – meu corpo inteiro gelou. Todos ficaram calados. O silêncio era aterrorizante. Algumas pessoas começaram a me empurrar para que eu fosse em direção ao palco. Andei lentamente, enquanto vozes sussurravam ao meu redor.
– O quê?! Ela ganhou rainha do baile?
– Quem votou nela?
– Ela é tão esnobe...
Engoli seco e subi no palco.
– Parabéns, Amanda! – a garota disse colocando uma coroa em minha cabeça. Olhei para os lados e avistei Andrew em cima do palco. Ele me deu um sorriso estimulante e me mandou um beijo. Tentei sorrir de volta, mas meu rosto estava duro feito pedra. – Aplauso para a Amanda, pessoal! Ela não está linda? – a garota forçou um sorriso e bateu palmas. Apenas algumas pessoas acompanharam. – Bom, agora vamos ao título de rei do baile. – o garotinho entregou um envelope preto para a garota. – O rei do baile é... Harry Knight!
Harry Knight? Quem diabos é esse?, pensei. Eu nunca tinha ouvido aquele nome antes. Todos começaram a se olhar, sem entender quem teria ganhado aquele título. Olhei para a escada que dava para o palco e um garoto subia com a cabeça abaixada. Ele levantou o rosto e eu quase caí de joelhos. Era ele... O garoto do jardim.
Notas finais
Até o próximo.
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