New Legends Of Musashi
2 Novo Mundo
Notas iniciais
Era Tokugawa, ano 1622, período de ascensão do Shogunato e os Samurais. A era de ouro, propulsora de grandes guerras e da criação de uma lenda, a lenda do grande samurai da arte das espadas lendárias: Miyamoto Musashi!
Entretanto, essa história não se trata desse estimado herói... E sim de um garoto. Nascido e criado em uma pequena província do interior, por ser de família nobre, ele foi levado ao DoJô para ser treinado, bem após de nascer e seu pai ser enviado pra guerra. Lá, quando não estava pregando uma peça em algum empregado do DoJô ou tirando um cochilo na sala das divindades, (algumas estatuas Shitoistas e Budistas) ele treinava sério com o sábio Yamamoto kashim, todos os estilos de artes marciais conhecidas.
Acordando sonolento com força apenas de abrir 2% de suas pálpebras, desorientado e com uma terrível dor de cabeça nosso intrépido garoto "corajoso", percebe que está sendo carregado no maior estilo pau-de-arara, por 2 guardas.
— Ah...? Eh... com licença, eu já estou com uma maldita dor de cabeça, (aquele livro do mal...) então eu gostaria que vocês me soltassem. Não estou nem a fim de saber o que eu estou fazendo amarrado desse jeito, só me soltem, por favor.
Os guardas obviamente não entendem nenhuma palavra dita pelo garoto, apenas continuam carregando o moleque, até o Posto oficial.
— Ah... eu acho que estou sendo ignorado aqui! Sério pessoal, e qual é a dessa de andar com essas armaduras japonesas? (Isso é uma peça ou o que? Espera! Olhando bem... que lugar é esse? E por que quê já está de manhã? Será que eu "dormi" de mais e já é outro dia?).
Enquanto ele era levado, as pessoas que viviam no subúrbio daquela província olhavam curiosas, um garoto com trajes tão estranhos. Ao menos para aquela época.
— Beleza! Descobri, é sonho. Tudo isso é só um maldito sonho. Os guardas, os aldeões orientais, as casas e arquitetura japonesa e essa maldita dor, tudo é só um sonho. Afinal, não tem como eu ser atingido por um livro da história japonesa e eu acabar do outro lado do mundo em uma época que não é minha... isso é louc– Sendo subitamente jogado no chão pelos guardas, significava que eles já tinham chegado aonde queriam.
— Fique com o garoto, irei relatar ao Capitão o ocorrido.
— Ai! Nossa, pra um sonho isso tá sendo muito dolorido. Alô? Um pouco de delicadeza não mata ninguém!
— Você, criança estrangeira, estais em encrenca.
— Eh... NãO EnTeNdO uMa PaLvRa QuE vOcÊ eStá DiZeNdO. sErÁ qUe VoCê É cApAz De Me EnTeNdEr?
— Nossa, essa criança parece ter um gral de retardamento mental grave! Não se preocupe, após achar seus responsáveis irei recomendar um ótimo médico para ajudar-lhe.
— É, acho que estamos em comunicação nula aqui e o meu japonês de animes e mangás é totalmente obsoleto. (por alguma razão eu acho que foi insultado aqui)
O outro guarda retorna e então todos entram no posto oficial que estava a sua frente. Uma certa tenção invadiu o corpo do garoto, ao se deparar com aquelas portas gigantes se abrindo para um pequeno palácio, onde ficava o Capitão da guarda da província, a maior patente que lá havia.
— Beleza... Esse sonho já está muito viajado pro meu gosto. — diz o garoto enquanto suspirava profundamente.
Pilares enormes, enfeites de ouro, estátuas e estatuetas de jade, e as famosas lanternas típicas do Japão. Tudo isso fazia parte do cenário das instalações do local.
Chegando na sala do Capitão os guardas se sentam de joelhos enquanto o garoto ainda estava de pé.
— Então! Esse é o estrangeiro que me falaram?
— S-sim senhor!
— Hmm... Ele me parece não ter o mínimo de noção de Respeito!
— L-lamentamos muito senhor, mas me parece que ele não sabe a nossa língua, também me parece ter um certo gral retardamento mental severo...
— C-com toda licença Capitão Hayfon... eh... Me parece que a sua linguagem não se é conhecida.
— Hmmm... Então ele não sabe falar nossa língua? Chame alguém que saiba então!
— Encontramos algumas coisas incomuns nos pertences dele.
— Ei, essa é a minha mochila! Tratem logo de devolver. (por quê que eu ainda falo com eles se eu sei que não vão me entender? Ainda mais, por que eu estou interagindo com eles, se tudo isso é um sonho?)
— Chamem aquela velha bruxa! Ela deve saber dessas coisas que ele fala.
Um tempo depois, entra na sala, uma velha imunda, enrolada em trapos, e que realmente tinha todo o estereótipo de uma bruxa.
— Hmm... Eu vejo!
(Ela chegou agora, está a 2 metros de mim e já está agindo como uma cigana vidente sem a bola de cristal? #farsante detect)
— Hmm...vejo que ele é um estrangeiro!
(Oh é mesmo? O português de Portugal dela é péssimo. O que deu certeza a ela de que eu não sou daqui, meus olhos não serem puxados, minhas vestes, minha cor, OU TUDO ISSO JUNTO?!)
— Oh ela já sabe! — diz um soldado.
— Ela deve ter escutado os espíritos! — reforça um outro soldado.
(Ahh me poupe! Não me diga que eles caíram nessa?)
— Escute velha, faça ele falar o que ele faz aqui!
— Está bem, está bem! Farei melhor...
— Eu duvido muito que essa velha–
Com a ajuda de uma vela, ela tira um saquinho de suas vestes. Tira de lá, um pó e joga parte na chama da vela, que rapidamente levanta uma densa fumaça que envolvia a corpo do menino, e com o resto, jogou direto, mas narinas do podre garoto.
Após cair desorientado, ele aos poucos vai voltando ao normal.
— Cofh coff coff! Arhh! Quer me matar sua velha bruxa?
— Ora, do que me chamou?
— Chamei de ve– opa! Você pode me entender.
— E você me chamou de velha bruxa!
— Mau aê! Mas, mas, como você fez isso? Você usou magia de verdade!*
— Mais já chega de tanto falatório! Aquilo que eu quero saber é de onde você veio e o que é que está fazendo aqui?!
— Hunf! E por que é que eu tenho que dar explicações para alguém, se eu estou apenas em um sonho?
— M-mas o QUE? Guardas, guardas! Estou cheio disso tudo, quero que levem esse molecote direto pra uma sela! Paguem à velha e levem-na daqui também.
— Opa, opa! Que isso?! Não precisa disso tudo–
— Olha como se fala, garoto!
E com uma pancada na nuca, ele mais uma vez é nocauteado. Ao anoitecer ele acorda na sela que o Capitão havia lhe mandado.
— Ai cara... A gentileza não é o forte dessa época. Droga, me trancaram aqui e eu nem fiz nada. Isso não é mais um sonho, é um pesadelo! Aff, fome! Na minha mochila tinha um pacote de biscoitos, mas ela foi levada por aquele guarda do olho pequeno.
Enquanto isso, na sala do Capitão...
— Hayfon-sama, o Shogun do Norte já partiu junto com sua escolta e chegará aqui por volta de 2 dias.
— Hmm... A chegada de um estrangeiro e depois o Shogun do Norte... Um não pode saber da existência do outro. Essa província foi confiada a mim, ela deveria permanecer tranquila e pacifica, mas com a chegada daquele inseto não será bom pra minha imagem. Avise os guardas... o garoto deve ser executado ao meio dia de amanhã, com a acusação de difamação ao Imperador. Quero que esse assunto esteja resolvido o quanto antes.
No dia seguinte, com os raios do sol iluminando o seu rosto. Conrado acorda e percebe que está no mesmo canto.
— Hmmm... Isso tá muito estranho. Eu dormi sonhei, acordei e aqui estou, dentro desse mesmo pesadelo... E ainda com fome! Ei, guardas, guardas! Eu tô com fome!
— Não vai adiantar nada te encher o bucho, se ao meio dia vão lhe cortar a cabeça! — diz um dos carcereiros, rindo debochadamente do garoto.
*(Nota: Bom negada, eu não podia prosseguir com a história, com esse conflito de comunicação, então "magia de tradução" foi necessária aqui. E espero que também entendam que ficar digitando um dialogo formal entre japoneses nessa época é incrivelmente... chato, e algumas palavras nem eu nem vocês iriam entender, assim, espero que entendam a minha escolha em optar pelo uso de gírias contemporâneas nos diálogos apresentados durante todas as edições.)
Fale com o autor