New Galaxy

16 Ghosts of the past


Tinha sido uma longa noite para Ben tal como para os outros adolescentes que tinham ficado de vigia. Ele só queria ir para a sua tenda e aconchegar-se com Eleonor mas primeiro tinha de reportar a Bellamy e Carly. Ele foi até à área de treinamento onde uma Carly sonolenta e um Bellamy preocupado olhavam para um mapa desenhado. O mapa para o qual eles olhavam vinha sido feito por todos os adolescentes. Cada vez que avançavam mais na floresta, uma nova facção era desenhada no mapa. Ben aproximou-se destes e eles olharam para ele.

— Não houve ocorrências durante a noite.- informou ele.

— Ótimo.- suspirou Carly.

— Estão a olhar para o quê?- perguntou Ben olhando para o mapa.

— Estamos a tentar perceber de onde vêm estas pessoas.- respondeu Carly.

— Ainda não sabemos se são pessoas.- comentou Bellamy corrigindo Carly.

— Eles não são cangurus, Bellamy.- gozou Carly.

Bellamy revirou os olhos, um hábito que ele vinha adquirido de Carly. Ben observou o mapa e disse:

— O meu palpite é que eles estão a norte do acampamento. Cerca de 20km da nossa última localização conhecida.

— Porquê norte?- perguntou Bellamy.

— Foi onde o Anthony foi atacado.- explicou Ben.

— Parece-me bem.- comentou Carly.- Mas teremos de esperar que o Jake e os outros voltem para obtermos mais informação.

— Ele ainda não regressou?- perguntou Ben preocupado.

— Não, mas eu estou a tentar permanecer calma portanto não vamos falar sobre o assunto.- pediu Carly.

Bellamy fechou o mapa com um pouco de mais violência do que a necessária. Carly olhou para Bellamy que não retribuiu o seu olhar e virando-se novamente para Ben perguntou:

— Mas tu não devias estar com a tua linda Ellie e a tua sementinha?

Ben ao ouvir Carly falar do seu filho sorriu.

— Tu marcaste mesmo golo.- comentou Bellamy rindo.

Ben sorriu para Bellamy. Apesar de estarem afastados, Bellamy e Ben foram em tempos bons amigos juntamente com Jake, Eric e Drew. Mas após o acidente e a separação da equipa, Ben, mesmo que inconscientemente, escolheu o lado de Jake. Mas quem sabe não iria ser este novo planeta um recomeço para todos eles?

— Tu estás certa.- concluiu Ben.- Eu vou indo.

Ben saiu da área de treinamento em direção à sua tenda. Bellamy foi arrumar o mapa no seu lugar e foi quando ouviram o som do portão a ser aberto. Carly quase que foi a correr até ao portão e quando este abriu viu apenas Jake, Max e Ruth. Carly correu para Jake dando-lhe um beijo.

— Eu estava tão preocupada.- disse ela.

Ela afastou-se e quando olhou para Jake viu um grande corte no lado esquerdo da testa e quando lhe tocou, Jake queixou-se.

— O que é isto?- perguntou ela.

— Estou bem, eu bati numa rocha enquanto lutava…- começou Jake, sendo interrompido por Carly.

— Enquanto lutavas?- interrompeu Carly.

— Encontrámos as pessoas que atacaram o Anthony.- informou Max.

— O que aconteceu?- perguntou Bellamy.- Onde está Constance?

Todo o grupo ficou em silêncio até que Jake falou:

— Nós separamo-nos durante o ataque.

— Nós temos de encontra-la.- declarou Bellamy mais para Carly do que para o resto.

Carly puxou Bellamy à parte o que fez com que Jake ficasse um pouco chateado. Quando estavam longe dos ouvidos de todos, Bellamy pediu:

— Nós temos de encontrá-la.

— Não podemos dar-nos ao luxo de enviarmos tropas para a procurar quando estamos sob ataque eminente.- apontou Carly.

— No exército a primeira coisa que nós aprendemos é que nenhum Homem fica para trás.- retrucou Bellamy.

— Então não me deixes.- pediu Carly tocando no braço de Bellamy. Carly depressa percebeu o seu erro e corrigiu-se.- Não nos deixes.

Bellamy olhou para a mão de Carly no seu braço. Aquele pedido dela tinha-lhe tocado no fundo do coração e ele sabia que ela estava certa. Bellamy olhou para Carly como se estivesse em conflito.

— Eu prometo que se a Constance não voltar até ao final da noite eu irei contigo a procurá-la.- prometeu Carly.

Bellamy assentiu com a cabeça e Carly deu-lhe um último aperto no braço em conjunto com um olhar que ele não conseguiu decifrar. Ela então deu meia volta e foi falar com Jake enquanto Bellamy olhava do lugar em que tinha falado com Carly.

Constance acordou num sítio desconhecido. Estava deitada no chão e tinha umas ervas colocadas sobre uma ferida que já começara a cicatrizar. Tentou levantar-se mas uma dor aguda fez com que ela ficasse deitada. Um rapaz veio na sua direção trazendo mais ervas e colocando-as na ferida dela. Constance assustou-se com a chegada repentina do rapaz mas este pareceu nem reparar.

— Quem és tu? – perguntou Constance afastando-se.

O rapaz levantou a cabeça para olhar para ela pela primeira vez. Ele tinha olhos azuis e um cabelo que parecia ser loiro apesar da sujidade. Ele ignorou Constance e colocou as ervas na ferida.

— Não me ouviste?- perguntou Constance mais uma vez.

Ele virou as costas a Constance e foi mexer em algo que Constance não conseguia visualizar do lugar onde estava. Aquelas ervas deviam estar a resultar pois a dor tinha diminuído drasticamente. Do lado esquerdo ela viu o que parecia ser a saída daquele lugar onde se encontrava. Ao pensar que o rapaz estava distraído, ela levantou-se e correu em direção à saída. Não deu nem dois passos quando foi derrubada no chão fazendo com que a sua ferida ardesse. A olhar para ela com olhar reprovador estava o rapaz. Ele puxou-a até ao lugar onde ela estava anteriormente deitada e fez um gesto para que ela ficasse lá. Constance sentou-se cruzando os braços. Seria um longo dia.

Katherine acabara de sair do treinamento. Secava o suor que escorria pela testa com a sua camisola, ela ia mudá-la de qualquer maneira apesar das reduzidas opções. Estava prestes a ir para a sua tenda quando Carly foi à porta da enfermaria e disse:

— Ia agora mesmo à tua procura; podemos falar?

Katherine assentiu e seguiu Carly para a enfermaria. Quando entrou nesta viu que, não só Carly estava lá, mas também Jake, Bellamy e Francis. Ao ver Francis, Katherine adotou uma cara séria. Carly notou e revirou os olhos e Francis informou:

— Vou começar esta pequena reunião dizendo que nada disto foi ideia minha.

Carly deu-lhe uma cotovelada. Ela, então, sorriu para a amiga e disse:

— Preciso que tu e o Francis vão fazer uma coisa.

Katherine fez uma cara de chateada para esta. Carly conhecia bem a história entre eles e sabia que Katherine não queria ter qualquer tipo de relacionamento com Francis depois daqueles acontecimentos.

— Eu não te estaria a pedir isto se houvesse mais opções.- explicou Carly.

Katherine assentiu sem muito entusiasmo e perguntou:

— Para que precisam de mim?

Carly sorriu e estendeu o mapa do planeta que estava cada vez mais completo. Ela fez sinal para que todos se aproximassem. Francis ficou mesmo ao lado de Katherine e esta desviou-se, evitando tocar-lhe. Entretanto, Carly começou a falar:

— Nós precisamos que vão buscar a Jessica e o Eric. A presença destas criaturas mostram a inocência de Jessica no homicídio e também provam que não é seguro para eles estarem lá fora.

— Irónico.- comentou Bellamy. Constance ainda não tinha regressado e ele estava realmente a começar a ficar preocupado. Mas ele também tinha prometido a Carly que iria esperar até ao final do dia.

Carly lançou um olhar a Bellamy e este cruzou os braços.

— O Jake sabe mais ou menos a área onde eles devem estar, o que irá reduzir as vossas buscas.- continuou Carly.

Jake sorriu para ela.

— Da última vez que estive com o Eric foi perto desta cascata.- começou ele, apontando para um local do mapa.- Eles devem estar por perto.

— A cascata fica a mais ou menos 5 horas a pé mas vocês terão de alargar as buscas, por isso aconselho a que levem mantimentos para passar a noite.- aconselhou Carly.

— Quando é que partimos?- perguntou Katherine.

— O mais depressa possível.- respondeu Bellamy, entrando na conversa.

— Vou empacotar as minhas coisas.- declarou Katherine saindo da enfermaria.

Francis ficou especado a olhar para ela enquanto saia. Jake estava ocupado a olhar para o mapa enquanto Bellamy falava de algo com Carly. Francis estava prestes a sair da nave quando sentiu alguém tocar-lhe no ombro.

— Não forces a barra.- aconselhou Carly.

Francis assentiu, dando um beijo na testa da amiga e seguindo para empacotar as suas coisas também.

A ala de recuperação estava vazia exceto por Mary que tinha passado a noite com Anthony. Eles tinham falado a noite toda e agora Anthony tinha adormecido devido aos medicamentos que Carly lhe tinha dado. Mary olhava o peito de Anthony subir e descer. Uma ligadura nova estava no seu peito, tapando o ferimento. Mary tocou com a ponta dos dedos nesta. Sentia-se culpada pelo que tinha acontecido e, se não fosse por Carly e Jack, estaria a morrer por dentro devido à morte de Anthony. Mary afastou estes pensamentos. Anthony já estava fora de perigo e era isso que importava.

Ela levantou-se, em silêncio, deu um beijo na testa de Anthony que continuava a dormir, e saiu da enfermaria. Ela sabia que não conseguiria dormir, então iria perguntar a Carly se precisava dela para alguma coisa. Como Carly não estava na enfermaria, o mais provável era estar na ala das armas que ficava ao lado da arena de treinamento. Mary estava prestes a ir até à arena quando deu de caras com Louis.

— Olá.- disse ele, sorrindo.

— Não estou com humor.- respondeu ela, desviando-se.

— Ouvi sobre o que aconteceu com o Anthony.- continuou Louis.

Mary parou abruptamente. Ela queria saber sobre o que é que os outros adolescentes do acampamento estavam a dizer sobre o acidente do dia anterior.

— O que ouviste?- interrogou Mary.

— Que ele tinha sido atingido por flechas e que esse era o motivo pelo qual toda a gente está a fazer rondas nos muros.- respondeu Louis, dando de ombros. Na realidade não tinha sido apenas isso que ele tinha ouvido mas ele tinha de jogar bem as suas cartas de modo a manipular Mary para que ela fizesse exatamente o que ele queria.

— Só isso?- perguntou ela.

— Há algo mais?- perguntou ele com um sorriso sarcástico.

— Não.- mentiu Mary.

— Queres saber o que eu acho?- retrucou Louis.

— Não particularmente.- respondeu ela indo embora novamente.

— Eu acho que foi culpa tua.- disse ele secamente.

Mary parou abruptamente.

— O que é que disseste?- Mary perguntou, furiosa.

Louis sorriu sombriamente. Tinha tocado no nervo.

— Eu disse que ele ter sido atingido foi culpa tua.- repetiu ele.

— O que te faz pensar que eu tive algo a ver com o que aconteceu?- desmentiu ela. Na verdade, Mary achava realmente que tinha sido culpa sua mas Louis não tinha o direito de a acusar.

— Não acho que foste tu, diretamente.- explicou ele.- A minha teoria é que aquela flecha não era destinada a ele.

O coração de Mary apertou. Como é que Louis sabia aquilo?

— Eu conheço-te.- disse Louis como se lendo os pensamentos de Mary.- Eu sei que no momento em que o Anthony se tornou o teu cavaleiro branco, tu te apaixonaste perdidamente por ele. Porque tu não estas habituada a ser tratada assim. Mas, por outro lado, ele também deve gostar muito de ti para se colocar na tua frente e quase morrer para que tu sobrevivesses.

Mary começou a ficar com lágrimas nos olhos.

— Então, a melhor coisa que tu podes fazer neste momento é cortar o mal pela raiz.- continuou Louis.- Acaba com o Anthony e fica com aquilo que tu mereces. Eu.

E com isto, Louis foi-se embora para fazer o seu turno no muro. Ele sabia que tinha sido a pior pessoa do mundo mas ele também sabia que não podia competir com Anthony. E por isso tinha de o tirar do caminho. Nem que para isso tivesse de partir o coração de Mary mais uma vez.

Katherine colocou a sua pistola carregada na parte traseira das calças. Ela estava com William, preparando-se para sair em busca de Jessica e Eric. Tinha começado a anoitecer e o grupo achava que era o melhor momento para partir pois estariam mais camuflados e ninguém esperava que eles tivessem a vaguear pela floresta à noite.

— Só não percebo porque é que tens de ser tu.- William repetiu isto pela milésima vez desde que tinha chegado.

Katherine foi ao pé dele e beijou-o profundamente. William sorriu e deu um beijo na testa dela. Na realidade, ele também estava inseguro devido ao facto de Katherine ir com Francis. Francis tinha um poder sob Katherine que ainda estava para ser desvendado e William não se sentia confortável deixando-os só aos dois.

— Vai tudo correr bem.- disse Katherine.

Ela colocou a sua mochila às costas e foi até ao portão. No portão estavam Carly, Bellamy, Jake e Francis esperando por ela. Francis também tinha a sua própria mochila às costas e quando viu Katherine e William aproximar-se fez uma careta.

— Abram o portão.- ordenou Bellamy.

O portão abriu lentamente e todos olharam para a escuridão da floresta.

— Boa sorte.- desejou Carly abraçando os dois amigos.

Jake abraçou Francis, tal como Bellamy e Katherine beijou profundamente William. Katherine foi juntar-se a Francis e ambos saíram com o olhar dos amigos sob eles. Agora eram só eles os dois.

Constance voltou a acordar. Estava em cima de uma cavalo e conduzindo o cavalo estava o mesmo rapaz que a tinha salvo. Constance endireitou-se no cavalo e este grunhiu.

— Onde vamos?- perguntou ela.

Constance não sabia porquê, mas não temia aquele rapaz. Ela sabia que, se ele a tinha salvo, era porque não tinha quaisquer intenções de a magoar. Pelo menos era o que ela achava. Ela olhou para a sua ferida. Tinha uma coloração rosado mas parecia estar a começar a cicatrizar. Ela voltou a levantar a cabeça e nisto o rapaz fez um som que fez com que o cavalo parasse. Ela olhou para o local onde tinham parado e reconheceu-o como sendo as traseiras do acampamento.

— Vai.- disse o rapaz secamente.

Constance saiu rapidamente do cavalo mas antes de ir até ao portão do acampamento disse:

— Obrigado.

O rapaz virou as costas e começou a galopar. Constance observou-o até que ele desapareceu. Ela começou a correr até à entrada do acampamento e ao chegar lá, rapidamente abriram o portão.

— Estás bem?- perguntou Bellamy vindo na sua direção e abraçando-a.

Constance reparou que Carly tinha ficado um pouco constrangida com a situação e rapidamente cortou o abraço com Bellamy.

— Estou.- respondeu ela sorrindo.

— Ainda bem.- disse Carly com um sorriso forçado.

— O que aconteceu?- perguntou Bellamy.

Constance não sabia por onde devia começar e sinceramente estava muito cansada para fazer tal coisa. Ela estava prestes a dizer isso a Bellamy quando foi interrompida por Carly que disse:

— Eu aposto que a Constance está demasiado cansada para fazer isso. Fazemos isso amanhã.

Constance assentiu e agradeceu silenciosamente a Carly. Bellamy assentiu e Constance viu a sua oportunidade para ir para a cama e ter uma longa noite de sono e talvez sonhar com aquele rapaz que a salvou.

Carly entrou na enfermaria seguida de Bellamy. Jake estava no seu turno do muro e a situação da Constance estava finalmente arrumada, pelo que era hora de resolverem algo que tinham deixado pendente. Os espinhos nas costas de Bellamy.

— Tira a tua blusa.- ordenou Carly.

— Não precisas de dizer duas vezes.- gozou Bellamy.

Carly riu e voltou-se para ir buscar uma pinça.

— Então, tu e a Constance…- começou Carly.

— O que é que tem?- perguntou Bellamy, tirando a blusa.

— Vocês são um casal?- perguntou Carly tentando parecer desinteressada.

— Nós somos só amigos.- respondeu Bellamy sentando-se em cima da mesa.

— Ainda bem.- soltou Carly.

Bellamy levantou a sobrancelha e Carly rapidamente se corrigiu:

— Eu quero dizer… É bom serem amigos… Não que fosse mau serem um casal… Tu sabes o que eu estou a tentar dizer…

— Sim, eu sei.- respondeu Bellamy sorrindo.

Para acabar com aquela conversa, Carly foi até à mesa mas quando olhou para as costas de Bellamy ficou chocada.

— Mas que raio…- soltou ela.

— O que é?- perguntou ele, preocupado.

— Os espinhos… Eles desapareceram.

Notas finais
Quem terá salvo Constance? O que realmente aconteceu entre Francis e Katherine? O que Mary irá fazer quanto a Anthony e Louis? Estava Carly com ciúmes? O que aconteceu aos espinhos?