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22 Capítulo 21 - O Que o Futuro Nos Reserva


Notas iniciais
Olá! Antes de tudo, queria agradecer às leitoras que comentaram, Gicah Love Frozen 2, Snow Quen e Frosty Girl :)! Obrigada, espero que continuem gostando da fic. Este é um capítulo com um ar misterioso e filosófico... Você consegue ler nas entrelinhas?

Reunimo-nos no saguão de entrada para nos despedirmos. Estavam presentes todos, até mesmo a antiga rainha, exceto Gardar e Lydia, que mandaram um criado avisar que sentiam muito, mas estavam ocupados e não podiam despedir-se pessoalmente.

– Estão é dormindo até agora, devem ter passado a noite toda acordados – gracejou Patrick, e a Rainha lhe deu um puxão de orelha.

– Será que você não sabe a hora de calar a boca? – disse Forseti, com a expressão muito séria.

Todos o olharam com censura, algumas das princesas – como Clarisse – ruborizadas com tamanha indelicadeza. Brunnehilde desculpou-se pelo comportamento infantil do filho e despediu-se de nós com uma curta reverência. Muitos fizeram o mesmo, exceto por Dagny e Triwar, que nos abraçaram. Hans ficou meio sem-jeito, mas eu já havia entendido que esse era o jeito deles: humildes e gentis. Nós demos os últimos “adeus” e partimos. Antes de embarcar, olhei uma última vez para o castelo e tive um estranho pressentimento, como se algo dentro de mim soubesse que eu não ficaria longe dali por muito tempo. Balancei a cabeça e subi a bordo.

Enquanto vínhamos no navio, não conseguia parar de pensar no que haviam me dito: “Não confie em Gardar.”, eu simplesmente não entendia o que eles queriam dizer com isso. O que ele poderia fazer de tão ruim, afinal?

– Hans, me fale de Gardar, como ele era com você?

– Gardar? Ah... Eu quase não falava com ele. Era muito mais velho e ocupado, não tínhamos nada em comum. Lembro apenas de uma vez, em que pedi ajuda com a lição, e ele respondeu: “Se vira, pirralho. Ninguém mandou você nascer.”

– Que tipo de pessoa monstruosa diz isso a um irmão? – questionei indignada.

– Esse é Gardar.

– Então as pessoas realmente têm razão em não confiar nele!

– De que pessoas está falando?

– Ninguém! Apenas... Aconselharam-me a não me enganar com ele, disseram que ele “não é santo”.

– Não sei quem disse isso, mas está com toda a razão! É a mais pura verdade, infelizmente... – disse com um suspiro.

– Eu sinto muito por sua família. Às vezes, penso que nenhum deles presta. Mas me engano, há muitas pessoas boas na sua família.

– Ainda sonho em encontrá-las.

– Você sabe bem de quem estou falando.

– Elsa, não vamos falar disso agora, sim? Não quero começar uma discussão – respirei fundo.

– Nem eu.

Nada dissemos por um tempo, até que Hans resolveu quebrar o silêncio:

– Me desculpe – murmurou.

– ...O quê?

– A minha família é um problema meu, mas eu acabei te envolvendo também. Desculpe-me. Eu não queria te preocupar – olhei para ele um pouco incrédula.

– Hans! Será que dá pra parar de querer resolver tudo sozinho? Eu estou aqui ao seu lado, e sempre estarei! Quando aceitei me casar com você, eu sabia muito bem o que estava fazendo! Não estava aceitando compartilhar com você só os momentos bons, mas os ruins também! Você pode contar comigo para tudo, eu estou com você.

Ele me olhou com melancolia por alguns momentos, até que sorriu fracamente, pegou minha mão e beijou-a.

– Você está certa. Eu só não quero te preocupar com os meus problemas.

– Não existe mais “meu”, existe “nosso”. Quando nos casamos, viramos um só. A sua família é a minha também, e vice-versa – o sorriso que ele dera dessa vez fora mais verdadeiro e alegre. Hans apertou minha mão e ficou quieto.

O tempo ia passando, as Ilhas do Sul tornaram-se apenas uma linha no horizonte. Comecei a pensar sobre aquele lugar, Gardar falara sobre um irmão mais velho de seu pai que morrera precocemente. Perguntei a Hans sobre essa história.

– Eu não sei muitas coisas sobre a minha família, nós não conversávamos muito, mas a história que contam é que Klaudius foi assassinado antes mesmo que pudesse assumir o trono...

– Isso quer dizer que o seu pai...?

– Não posso afirmar nada. É apenas um antigo boato. Mas sinceramente, não duvido que ele fosse capaz de fazer isso.

Fiquei um pouco assustada com o que ele contara, parecia que a árvore genealógica de Hans estava infectada pela mentira e crueldade. Continuava a me perguntar se ninguém prestava nessa família.

– Outra coisa que contam é que na verdade minha mãe estava apaixonada pelo cunhado, e meu pai matou-o por ciúmes.

– Essa história fica cada vez mais obscura! A sua família não fez nada de bom? – depois me dei conta do que havia falado e temi que Hans tivesse se ofendido, mas pelo contrário, ele parecia concordar.

– Bem... Até onde eu sei, meus avós foram bons governantes. Eles fizeram tudo aquilo que Gardar mentiu e mais um pouco, foram eles que firmaram parceria com Arendelle.

– Então agradeço a eles por terem existido – eu sorri.

Hans deu um meio sorriso e olhou para as mãos, pensativo.

– Vamos falar sobre o futuro? – perguntou de repente. Ergui uma sobrancelha, tentando entender o que ele estava falando. – Sempre falamos sobre o passado, estou cansado disso! Vamos falar sobre o futuro, o daqui pra frente.

– Hum, certo... – na verdade eu não sabia como fazer aquilo. – Quer começar?

– Como você acha que estaremos daqui a... Vinte anos?

– Ah, sempre sobra pra mim. Bem, eu acho que estaremos muito felizes, apaixonados e com nossos filhos crescidos! – ele riu com certa ironia.

– Um final feliz?

– Sim! E você, como acha que estaremos daqui a vinte anos?

– Você eu não sei, mas eu acho que estarei... Morto.

– Mas que pessimismo! É claro que não! Você vai estar bem vivo e saudável.

– Mas que otimismo! Elsa, sinceramente, acha que eu tenho qualquer chance de viver mais vinte anos? Eu daria graças a Deus se durasse mais cinco!

– Minha nossa! Não está falando isso por causa daquela carta, está...? Porque se for, acho que você não tem por que se preocupar tanto, já se passaram meses e até agora, não aconteceu nada.

– Também por isso. Mas principalmente, porque o amanhã é um mistério. Pessoas morrem todos os dias, por doenças, guerras ou simplesmente por puro descuido. Não sei se vou morrer amanhã ou depois.

– Você me entristece dizendo isso!

– Estou apenas sendo realista!

– Pois eu diria que está sendo surrealista! – cruzei os braços e virei de costas.

– Mas se você quer ser otimista... Quem sou eu para discordar? Apenas estou dizendo que a vida é imprevisível, surpreendente. Nunca se sabe o que pode acontecer.

– Na verdade, se você souber planejá-la, a vida pode ser muito previsível – Hans arregalou os olhos, surpreso.

– Agora você está até parecendo eu! – dei risada. – Deixa isso pra lá, vamos entrar, está começando a esfriar.

– O frio não vai mesmo me incomodar.

– Mas vai me incomodar, então a não ser que você queira cuidar de mim quando eu pegar um resfriado, é melhor entrarmos.

– Não estou a fim, muito obrigada...

– Tarde demais! Acho que já me resfriei!

– Nem vem...

Ríamos despreocupados, sem nos lembrar de ameaça, de Gardar, de morte nem nada... Falando nisso, eu gostaria muito de saber o que aconteceu nas Ilhas do Sul durante o curto período que se passou entre a nossa partida e retorno, mas os irmãos de Hans pouco nos contaram, afirmando coisas tão horríveis que não queriam nem lembrar. Por mais que eu possa imaginar como foi, ainda gostaria de ter visto de perto, me ajudaria a entender uma parte dessa história muito confusa e repentina que jamais compreendi ao certo como e por que aconteceu.

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Notas finais
Enfim, vamos falar sobre os próximos capítulos: Vamos voltar para as Ilhas do Sul e ficar lá por algum tempo. Como? Será narrado em 3ª pessoa. É necessário, vocês logo verão o porquê. Muita agitação, ódio e até violência nos próximos capítulos! Façam suas apostas! Até a próxima, comentem e muitos bjs ;).