New Feelings
2 Capítulo 1 - Rumo às Ilhas do Sul
Era a primeira manhã do outono, me dei ao luxo de dormir até mais tarde e acordei da melhor forma possível, senti dedos passarem por meus cabelos e acariciarem minha cabeça. Abri os olhos devagar e uma silhueta masculina foi se formando à minha frente.
– Bom dia, Hans. — eu disse sonolenta.
– Bom dia, querida. — ele me cumprimentou com um sorriso.
E as pessoas me diziam que isso acaba um dia, que os casais caem na rotina,que talvez um dia nem conversemos mais. Que exagero! Particularmente, eu acho isso besteira, Anna e Kristoff já estavam casados há um tempinho e ainda pareciam dois namorados.
Eu não queria que isso acabasse nunca, os carinhos, os apelidos, os olhares apaixonados... Não queria que acabasse e não deixaria acabar.
– Dormiu bem? — ele me perguntou.
– Melhor impossível. — me sentei e nos beijamos de leve.
Ouvimos alguém bater na porta.
– Sua Alteza? — algum criado chamou.
– Sim? — Hans perguntou curioso, assim como eu.
– Desculpe se atrapalho, mas chegou uma carta para o senhor.
– Carta? — ele levantou e pôs um casaco, para depois pegar a carta na porta.
Isso era estranho, Hans nunca recebia cartas. Algo me dizia que não era boa coisa.
Ele abriu o envelope, a medida que lia sua expressão ia ficando cada vez mais séria.
– O quê houve?
– Hum, nada. É só... Weselton, tentando reatar a parceria comercial. Vê se pode. — droga, Hans! Velhos hábitos nunca mudam, se eu não tivesse visto a sua cara, nem desconfiaria que era mentira.
Cruzei os braços, séria.
– A verdade, por favor.
Ele suspirou e me entregou a carta.
– É melhor... Você mesma ler.
Peguei a carta e li em voz alta.
"Sua Alteza, Príncipe Hans das Ilhas do Sul, duque de Arendelle,
Lamento informar que seu pai, Rei Freyr das Ilhas do Sul, acaba de falecer. Sua Alteza está convidada para o funeral que ocorrerá dia 26 de setembro deste ano.
Atenciosamente,
Duque Jorunn das Ilhas do Sul, 19 de setembro de 1840."
Perdi a voz por alguns segundos, virei-me para Hans.
– E-eu... sinto muito. — finalmente disse,com dificuldade.
– Tudo bem, não sinta. Sabe, ele não foi o melhor, mas... ele era meu pai... — seus olhos marejaram de leve, mas ele logo se recuperou.
Eu o envolvi com meus braços. Ficamos assim até ele dizer:
– As Ilhas do Sul ficam consideravelmente longe. Terei que partir agora se quiser chegar a tempo, e a todo o vapor.
– Eu vou com você.
– Não, Elsa! Quem cuidaria do reino?
– Anna... — ele me olhou como se dissesse: "Sério?" — Ah, ela já é adulta, acho que saberia cuidar de tudo.
– Tem certeza?
– Não, mas vou com você mesmo assim. Acha mesmo que vou te deixar ir pra lá sozinho? Com todos os seus irmãos?
– É, eles vão pegar no meu pé...
Eu abracei Hans e sussurrei:
– Não vai se livrar de mim tão fácil.
– Não quero me livrar de você. Vamos? — eu concordei com a cabeça.
Nos aprontamos e pedimos para prepararem tudo para a viagem. Aproveitei um tempo para falar com Anna.
– Elsa, tem certeza de que pode confiar o reino em mim? Quero dizer, eu nunca governei antes.
– Vai dar tudo certo. Você ainda tem os conselheiros para te ajudar... — ela suspirou.
– Não sei... — eu segurei seus braços.
– Anna, eu confio em você. Sei que não vai me desapontar. — ela deu um sorriso leve.
– Vossa Majestade,10 minutos para sair. — um criado anunciou.
– Certo, obrigada. — virei-me de volta para Anna e a abracei — Até breve, minha irmã. Fique bem. E você também, pequenino! — me abaixei e falei com a sua barriga de grávida, ela riu.
Me despedi de Kristoff e Olaf também, depois partimos. Quando cheguei no cais, um pânico indescritível tomou conta do meu coração.
– Elsa, está se sentindo bem? — perguntou Hans, era impressão minha ou ele estava um pouco... desfocado?
– Ótima... — me senti tonta e quase fui ao chão, mas ele me segurou.
– Elsa! O quê há com você?! O quê está sentindo?! — pude notar um certo grau de desespero.
– Estou sentindo... Medo. — me lembrei, eu conhecia isto muito bem, vivi bastante tempo no medo, e depois de achar que finalmente havia superado-o... ele volta.
– Medo?
– Sim, medo de viagens em alto mar. Acho que tenho isso desde que meus pais morreram em um naufrágio... — fazia todo o sentido, como me esqueci disso?
– Por que não me disse?!
– Eu não sabia!
– Você quer voltar?
– Não, não. Eu vou com você. Eu vou vencer o medo! — pisei com firmeza, andei em direção ao navio e fiz o sinal da cruz.
Senti minhas pernas fraquejarem de novo.
– Hans, querido, me leve para a minha cabine, sim? — Hans me segurou e guiou até lá.
– Descanse. — ele beijou minha testa e saiu.
Mas eu não conseguiria descansar com aquele balanço do mar. Não sabia se dormia e esquecia o medo ou continuava acordada alerta. Estava começando a me arrepender.
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