New Chances Of Love
8 8_ Acho Que Vi a Morte
Notas iniciais
BOA LEITURA!
PS - Quem ai curtiu a nova capa da fic???
Pov Melissa
3 meses depois...
— Bom dia dona May! — falo assim que adentro a cozinha da casa dos Parker´s e avisto May.
— Ah! Bom dia querida. — ela me da um de seus sorrisos gigantescos e vem em minha direção me dando um ligeiro abraço. — Esta radiante... o que aconteceu? — indaga ela acariciando meus cabelos presos em um coque mau feito.
Eu solto uma risada, realmente eu estava radiante.
— Nossa, que saco! Eu sou tão previsível assim? — digo fingindo que estava zangada, May joga a cabeça para trás e ri.
— Você é mais imprevisível do que imagina. — fala.
— Certo, isso fez com que meu ego voltasse a inflar. — retruco sorrindo. — Mais você esta certa, Sra. Sou Observadora, eu estou radiante. —
— E eu poderia saber o por quê? —
— Consegui um emprego! — digo e dou um pequeno pulinho.
— Oh Mel! Estou orgulhosa de você! — ela diz e me da um abraço. — Onde fica? — pergunto logo em seguida.
— Ah, é um bar de musica na 6ª avenida. — diga dando de ombros.
Bom... vou explicar melhor a situação.
O fato é que Peter havia conseguido um emprego num jornal, o babaca ficou me zoando por que tinha conseguido um emprego primeiro que eu, motivo? Agente tinha apostado no teste vocacional da escola quem conseguiria algo primeiro, e bem... ja deu para sacar né?
Mais enfim!... mesmo que 2 semanas depois do Sr. Like a Boss Parker, eu consegui.
— Mais... e o seu turno? não vai afetar na escola? — pergunta.
— Ah não, eu fiquei com o turno da tarde e uma pequena parte da noite na semana, mais na sexta e no sábado eu fico ate mais tarde. — explico.
— Bom... certo, já falei que estou orgulhosa? — e mais uma vez ela me abraça fazendo com que eu ria.
— Certo Certo... Chega isso aqui ta parecendo comercial de margarina. — reclamo com um ar de riso me afastando logo em seguida para May rir. — O Peter ta ai? — pergunto.
— Ah, esta la em cima. — responde mais eu vejo seu semblante alegre vacilar por um momento.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa? — pergunto alarmada.
— Não, não... só, ele chegou meio machucado ontem a noite. — responde soltando um suspiro.
— De novo?! — indago pondo minhas mãos na cintura.
May apenas assente com a cabeça quase como em conformidade.
— As vezes eu acho que esse moleque quer se matar no Skate. — resmungo. — Bom... Eu vou lá. — digo indo em direção as escadas, caminhando calmamente até o quarto de Peter.
As vezes eu queria entender o que estava acontecendo.
Chega tarde, e ainda por cima machucado.
Eu cheguei cogitar Ganges de rua, mais vá lá! Peter Parker dando uma de mafioso nas horas vagas não é lá uma coisa aceitável, eu ate mesmo ri sozinha quando pensei nessa possibilidade pela primeira vez.
Mais uma coisa do qual eu respeitava era o silencio de uma pessoa.
Era simples.
Da mesma forma que eu não gostaria de ser impelida ou forçada a contar ou revelar algo do qual eu não me sentia pronta para contar era com Peter.
Ele tinha segredos, só uma pessoa muito burra para não perceber, ainda assim eu não poderia forçá-lo a me contar.
Eu era sua melhor amiga, e se ele achasse que eu fosse digna de confiança ele iria me contar independente disso ou independente de quando ele se sentisse pronto para contar.
Ainda assim eu me sentia meio chateada por ele não conseguir confiar um segredo, mais o que eu poderia fazer? Enfiar goela a baixo uma poção da verdade do Harry Potter para ele me falar?
As vezes eu ate pensava em colocá-lo contra a parede, mais quem era eu para julgá-lo? Eu também não me sentia pronta para contar o que... Bom... o que eu tinha que contar, o meu maior, e mais desprezível segredo.
Eu so sabia de uma coisa; Peter nunca, jamais, poderia descobrir o que eu guardava em uma caixinha no fundo da minha alma.
Abro a porta de seu quarto devagar me deparando com a escuridão do lugar.
Fecho a porta atrás de mim e caminho em direção a cama.
Ele dormia de barriga para baixo, os lençóis quase tão bagunçados quanto seus cabelos, a mão direita dele descansava em sua cabeça e ele ressonava baixinho.
Eu esboço um pequeno sorriso ao ver a cena e me aproximo devagar.
Me sento na beirava da cama com cuidado para não acordá-lo e continuo a prestar atenção em cada movimento de suas costas enquanto ele respira.
De maneira hesitante eu levo minha mão ate seus cabelos.
Eu ja havia tocado em seus fios, em brincadeiras a parte, ou quando zoava dizendo que só eu sabia arrumar os fios desarrumados quando na verdade eu os bagunçava ainda mais.
Eu continuei a acariciar os fios calmamente, afinal... o que tinha de mais? ele era meu melhor amigo certo? Nada de mais fazer um pequeno carinho.
E ele estava machucado, isso amolecia meu coração de pedra né?
É!
— Mel — de repente ele sussurra, e eu me assusto achando que ele havia acordado, mais na verdade continuava dormindo.
O fato dele ter falado meu nome enquanto dormia me deixou meio que balançada, e eu nem sabia o por que! Mais o que realmente tirou de lavada meu sorriso foi o que ele murmurou logo em seguida.
— Gwen. —
Eu paro de acariciar seus cabelos logo em seguida e semicerro meus olhos.
Quer dizer que o FDP sonhava com nós duas?
Bom... nós duas sim, mais eu sabia que provavelmente eu era apenas a melhor amiga legalzinha enquanto ele se agarrava com a loira.
Por algum motivo surreal desconhecido eu senti raiva.
Muita raiva.
Mais... não havia nada com que se preocupar, eu sempre fui egoísta certo?
Queria meu melhor amigo so para mim, e é por isso que eu senti raiva não é?
Sim, é por isso.
— Gwen é a senhora sua avó. — sussurro sem querer acordá-lo.
Me levanto e olho para as cortinas de seu quarto abrindo logo em seguida um sorriso diabólico.
Eu era melhor amiga dele, sabia exatamente a maneira que o irritava ser acordado.
Hoje era sexta... Feriado, aposto que ele sonhava em dormir ate tarde.
"Ah que peninha", penso e vou em direção ao seu despertador programando para despertar nos próximos 50 segundos.
Deixo o despertados bem ao lado de sua cabeça.
Sou diabólica não?
Mais o fato é:
Eu adoro curtir com a cara de Peter Parker.
Vou em direção as cortinas fechadas e quando o despertador começa a apitar da maneira mais irritantemente possível eu abro elas com força fazendo o sol forte da manhã de Nova York adentrar o quarto.
Escuto o baque de algo caindo e outro de alguma coisa estilhaçando e me viro já as gargalhadas.
Peter estava completamente alarmado em cima da cama agachado no colchão como se fosse atacar algo a qualquer momento.
O que eu acho que deveria ser o pobre despertador que estava estilhaçado na parede do outro lado do quarto perto da porta do banheiro.
Quando Peter olhou para mim e depois pro despertador eu não agüentei e me joguei no chão rindo.
Imagina a cara OMG do memes e some com a Poker Face, acrescente um pouquinho de uma expressão ridícula e puft!... você tem a cara que Peter acabou de fazer.
E eu? Bom... Eu deveria estar pior.
Jogada no chão e me contorcendo como se estivesse tendo um tipo de ataque epilético.
— Eu não... — Escuto Peter dizer. — Acredito nisso Melissa Jayderi Wright! — completa.
Eu continuava a gargalhar sem parar no chão e meu fôlego já estava acabando e eu tinha a impressão de que estava começando a ficar roxa.
— Cadê... Meu... Ar! — digo entre gargalhadas.
— Ta legal! Muito engraçado agora pode parar. — Peter diz, eu não o vejo mais tenho quase certeza de que ele esta com uma cara seria e os braços cruzados de uma maneira emburrada.
— Não... Consigo! —
Mais algumas gargalhadas depois aos poucos eu fui me controlando e virando meu rosto em direção a Peter, que estava com os olhos semicerrados e as mãos na cintura.
— Já acabou? — indaga.
— Já. — falo afirmando com a cabeça.
— Escuta, você não tem medo de eu ter um ataque não? — pergunta enquanto eu me levanto do chão.
— Na verdade... —
— Não responda. — ele me corta coçando a nuca de um jeito que me fez ter vontade de rir mais uma vez.
— Ta né. — digo e dou de ombros me jogando em sua cama.
Haviam um tipo de mural de fotos na parede ao lado da cama de Peter e eu me surpreendi ao ver uma minha ali, já que geralmente ali so ficavam umas paisagens estranhas que ele gostava de fotografar.
— Olha eu. — falo como uma débil apontando para uma foto minha, nela eu estava sorrindo e fazendo uma careta engraçada, olho para Peter e ele parecia constrangido, qual era o problema afinal?
— Hrum... é. — diz mais uma vez coçando a nuca.
— Eu também tenho uma, aquela que a Kenzy tirou quando fomos ao orfanato pela primeira vez, ta na minha cabeceira. — falo tentando amenizar seu constrangimento.
Peter era tão... Peter!
Éramos amigos a quase 6 meses e ele ficava com vergonha de uma coisinha dessas.
— Ah serio? —
— Serio. — respondo rolando os olhos.
— E ai? por que veio aqui tão cedo? você não é de acordar cedo num feriado. — diz ele indo ate o banheiro escovar os dentes.
— Ah é que eu tenho uma novidade, aconteceu ontem na verdade mais eu não te vi depois disso e não achei legal contar pelo Mmail. — digo enquanto me aconchego em sua cama, folgada eu né?
— Novidade que seria? — indaga pegando a escova de dente como se estivesse muito entediado.
Vamos lá dar mais um pequeno susto no Parker.
— Eu arranjei um namorado. —
E la se fora todo o conteúdo do tubo da pasta de dentes sendo despejado no espelho.
Peter se vira como um tufão vindo ate a porta do banheiro e agarrando o canto da parede de um jeito que eu jurei que ele a estilhaçaria.
— Como é?! — indaga e seus olhos antes pesados de sono estavam em alerta como se tivesse levado um belo banho de água fria abastecida á gelo.
— Isso ai, e... Nossa! você nem vai acreditar, o bofe é escândalo! Sabe aquele peitoral de estatua grega? amor! Ui, fico ate arrepiada. — digo fingindo-me de garota fresca quase de uma maneira homossexual.
— Como... Por que não me disse antes?! — ele pergunta quase como se eu tivesse matado seu cachorro atropelado e nem ao menos prestado socorro.
— Como eu disse... Não seria legal pelo telefone. — digo dando de ombros.
Sabe uma coisa completamente divertida de se fazer? Pronto... tirar uma com Peter.
Meu passatempo favorito! E acredite você no meu lugar, acharia a coisa toda maravilhosa.
A cara que ele fez foi hilária, então eu não era a única egoísta nessa "relação", hum... que interessante.
Ficamos em silencio por mais algum tempo ate que eu não agüentei mais e tive que rir.
— Tava de onda seu bocó! — digo rindo.
Ele fecha a cara na hora e bufa voltando ao banheiro.
— Você me deve um tubo de pasta! — ele diz la de dentro quando fecha a porta.
— Eu não! É culpa minha se você é um adolescente complexado?! — retruco.
— Olha só quem fala. — replica e eu apenas rio em seguida me enrolando em seus lençóis.
***
22:50 da noite.
Nossa como o tempo passa rápido!
Eu estava no Poison´s desde 13:00hrs de hoje e olha já que horas são!
Bom... Poison´s era onde eu estava trabalhando, o bar de musica na 6ª avenida, como hoje era sexta e conseqüentemente meu primeiro dia de trabalho não achei problema em pegar ate o turno da noite, amanhã era sábado, então não haveriam problemas.
A Poison´s era bem freqüentada, digo... pela quantidade de gente, já o tipo isso era um bom caso a se discutir.
Sabe aqueles barzinhos de beira de estrada? E sabe o tipo de pessoas que o freqüenta? Pronto, tá ai a clientela.
Não é que eles sejam ruins, a maioria ate que é legal, mais tinham alguns caras que nem ao menos disfarçavam enquanto olhavam ora para os meus peitos e ora para minha bunda.
Mais ainda que eu levasse em conta tudo isso a coisa toda era divertida.
Essa era a segunda semana de trabalho na Poison´s e eu ja me sentia em "casa".
Todas as garçonetes eram mulheres, estranho né? Mais também tinha o gerente, o nome dele era Steve Collerman, um cara da Midwton que eu não havia dado conta de existência, mais o fato é que eu o conheci quando comecei a trabalhar na Poison´s e ate que ele era um cara legal, desastrado e tímido, ainda assim, legal.
Ah, e também tinha a Tainara Lidson — que se você ama a sua vida vai chamá-la apenas de Tay — ela também era uma das garçonetes, e eu havia simpatizado com ela da mesma forma que com Steve, mais o que me surpreendeu é que a dita cuja também estudava na Midwton, caramba! eu não prestava atenção nesse povo não?
Tinham mais 2 garçonetes, Frida e Kathy, duas putas diga-se de passagem.
E é claro também tínhamos o patrão, Cliver Olen, um velho gordo e mau amado que adorava pegar no meu pé, mais que quando se embebedava chorava feito um bebe por que a mulher dele resolveu se separar e cantava no mini palco do lugar musicas da fossa de Nova York.
Resumindo; meu trabalho era uma comedia.
— Pronto, consegui fazer com que o Cliver fosse embora. — Tay diz voltando a adentrar a Poison´s.
— Você disse ao cara do Taxi onde ele mora? — indago terminando de limpas o balcão.
— Disse, mais espero que o meu sotaque tenha feito com que ele não tenha entendido e com sorte o Sr. Cliver Olen vai para Puta que pariu! — ela diz prendendo os longos cabelos loiros em um rabo de cavalo alto.
— É, quem sabe a nossa sorte não esteja ao nosso favor. — digo enquanto ainda riamos pela piada interna.
— Como vocês duas são maldosas. — Steve fala, este estava sentado no mini palco do local limpando sua guitarra.
— Fala não que tu gosta! — Tay diz jogando um pano de prato na direção dele. — Cara, eu to morta de cansada. — comenta se encostando-se ao balcão.
— Só você né. — Steve retruca e ganha uma língua estirada em resposta.
— Hoje eu cheguei mais tarde por calça daquele trabalho na escola, vão lá! Estão dispensados. — digo.
— Tem certeza? — Tay pergunta, mais eu a conhece e sei bem que ela estava louca para cair na cama e dormir.
— É, não esqueça que aquele Duende Verde esta a solta por ai. — Steve comenta e vejo que ele hesita em concordar no "ir embora".
— Vamos deixar que o Homem-Aranha faça direitinho a sua lição de casa. — digo soltando um suspiro e sorrindo fracamente, eu tinha confessar que também estava cansada.
— Tem certeza de que fecha sozinha? — indaga Tay.
— Tenho, vão logo! —
***
Depois de mais uma pequena discuçãozinha sobre eu fechar a Poison´s sozinha Tay e Steve foram embora, arrumei as mesas por mais alguns minutinhos e quando eu me agacho para pegar a vassoura no chão eu vejo meu pior pesadelo.
— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH! — grito me afastando quase como se tivesse levado um choque.
Mais enquanto eu me afastava, mais a coisinha vinha atrás de mim.
Não era possível! Ela estava me perseguindo?!
— SAI! SAI! SAI! — berro pegando a vassoura e tentando afastá-la, mais a filha da mãe subiu no cabo e começou a vir em direção a minha mão.
— AHHHHHHHHHHHHHHHHH! — exclamo jogando a vassoura longe.
Corro ate minha bolsa e tento deixar meus olhos na direção onde estava o monstrinho mais eu já não a via mais.
Pego meu celular rapidamente e ligo para o numero de Peter, o primeiro da discagem rápida diga-se de passagem.
Depois de 4 toques (desesperadores) ele atende.
— Oi Mel. — fala com a voz cansada , quase como se tivesse segurado o mundo nas costas.
— PETER! VEM ATE A POISON´S RAPIDO! PELO AMOR DE DEUS PAI TODO PODEROSO E DA SANTA LADY GAGA, CORRA COMO SE SUA VIDA DEPENDESSE DISSO! — berro no telefone.
— Melissa? Oque ta acontecendo?! — pergunta alarmado.
— PETER RAPIDO! — grito olhando ao redor avistando a monstrinha e dando um grito.
— Agüenta firme eu to chegando! — ele diz e desliga e seguida.
Certo, respira, inspira... Calma, o Peter da chegando.
Pov Peter
Uma coisa era certa;
Melissa Wright estava desesperada.
O que significava que a coisa toda era realmente seria.
Melissa era praticamente indecifrável e impenetrável, qualquer emoção que não fosse ligado a seu jeito extrovertido me deixava gravemente preocupado.
E o jeito como ela falou no telefone fez com que o sangue em minhas veias congelasse.
Eu estava no meu quarto quando recebi sua ligação, já havia retirado a roupa do Homem-Aranha e estava tentando inutilmente fazer um curativo no corte que a lamina do Duende Verde fez em meu braço, estava cansaço e praticamente acabado com as escoriações ainda assim a ligação dela fez com que todo o cansaço fosse pro espaço dando lugar apenas a preocupação pelo fato dela estar em perigo.
Não liguei pelo fato de minhas teias estarem quase acabando no cartucho, eu não tinha tempo, aquelas dariam, tinham que dar.
Apenas alguns poucos minutos — que pareceram uma eternidade — eu achei a 6ª avenida, as luzes de neon no nome Poison´s estava desligada, e aparentemente tudo estava normal.
Isso só servil para que eu ficasse ainda mais assustado.
A porta estava destrancada e o salão estava com as luzes acessas mais tudo estava banhado no silencio.
Olho ao redor procurando fazer o mínimo de ruído, me concentra na minha audição aracnídea e escuto o barulho frenético do coração dela.
Estava próximo.
— Mel... sou eu. — murmuro.
Agora que eu paro para pensar deixando o desespero de lado percebo que meu sensor aranha não me alertava a perigo algum.
— Não vou sair daqui, ela esta por ai. — escuto sua voz baixa e tremula.
Sigo o som e a vejo do outro lado do balcão, agachada e com a cabeça entre as pernas.
— Ela quem? — indago me aproximando.
Melissa levanta a cabeça e arregala os olhos azuis, que estranhamente estavam em um tom mais claro, quase como nuvens num dia de tempestade.
— EM CIMA DE VOCÊ! — grita.
Meu sensor alerta, mais não para um tipo de perigo eminente, era quase como se me alertando que havia algo próximo a mim.
Olho para cima e vejo uma...
Aranha.
Ela descia calmamente em sua teia, era consideravelmente grande e tinha pelos pelas patas, eu conseguia enxergar facilmente seus diversos olhos.
Elevo minha mão e ela desce ficando sobre meus dedos.
— PETER NÃO! ELA VAI TE PICAR! —
Eu olho para Melissa e me surpreendo ao ver lagrimas em seus olhos, volto meu olhar para a aranha e a mesma me encarava com seus múltiplos olhos.
Era estranho, mais era quase como se eu visse o sarcasmo em seu olhar.
— Mel... é só uma aranha. — tento amenizar.
— Ela vai tentar me matar! — diz ela como se fosse mais que obvio.
— Não vai não, é inofensiva. — digo, bom... podia ser inofensiva para mim, aquela ali tinha veneno.
— Solta ela Peter. — Melissa diz suplicante e eu faço menção de solta-la. — NÃO! tire isso de perto de mim! — grita encolhendo-se.
Eu vou ate a janela e coloco a aranha no parapeito do lado de fora, fechando a mesma logo em seguida.
Volto-me ate onde Melissa estava e a veja com as mãos no rosto, parecia ligeiramente tremula.
Toco sua mão e vejo o quão fria estava.
Ela não gostava de aranhas?
Nossa que irônico.
— Mel? Eu já a pus para fora. — digo.
— Por que não a matou? — sussurra.
"Respeito entre espécies", penso.
— Ela já esta longe, não vai te fazer mau. — falo a puxando para meus braços.
— Ela me perseguiu! — diz.
— Eu estou aqui agora não estou? — digo sorrindo calmamente.
"Se você soubesse o que eu sou estaria correndo de mim?" , penso.
Melissa fica em silencio por mais algum tempo, ate que tira as mãos do rosto e me olha, seus lindos olhos azuis estavam de volta ao tom Lapíz Lazulí.
— Eu acho que vi a morte. — comenta e nós dois rimos.
Mel observa-me por um tempo e leva sua mão ate meu rosto, a mão quente me trás uma incrível sensação de conforto, me deixando com o ligeiro desejo de fechar os olhos e aproveitar.
— Você esta machucado. — sussurra e em sua testa uma pequena ruga se forma.
— Não é nada de mais. — retruco.
— Mesmo? — diz e leva seus dedos ate meu pescoço e desce ate meu braço deixando uma linha de fogo no percurso.
Ela puxa a pequena manga da camisa e observa o corte fundo.
— Onde consegue essas coisas? — pergunta com uma aflição escondida entre os tons azuis de seus belos olhos.
— Mel... —
— Certo... Você não quer dizer, eu... Entendo. — diz e eu solto um suspiro pela contradição em sua voz. — Afinal... Todos nós temos segredos não é mesmo? — continua e se afasta. — Mais, me deixe pelo menos estancar todo esse sangue e fazer um curativo decente. —
Eu abro um pequeno sorriso e aceito sua mão estendida.
***
Echo — Jason Walker
— Desde quanto você... Tem medo de aranhas? — pergunto enquanto ela faz os pontos no meu braço.
Estávamos no pequeno palco do lugar e Mel estava bem ao meu lado com a atenção no meu corte.
— Eu não tenho medo. — diz e eu a olho com a sobrancelha arqueada. — Tenho pânico. — completa e rimos.
— Por quê? — indago.
Mel suspira e da um pequeno sorriso.
— Desde os meus 5 anos... Minha mãe e eu somos descendentes de "Athena", bom... era o que dizia os livros da família Wright, dai minha mãe sempre me contava as historias de Athena e Aracne, como você deve saber Athena também é a deusa da tecelagem, e Aracne adorava tecer e um dia Aracne desafiou Athena e disse que era melhor na tecelagem, bom... Athena e ela disputaram e Aracne perdeu, conseqüentemente Athena a transformou em um ser de pelos e patas e disse que ela estava condenada a tecer em suas próprias teias, desde então Aracne amaldiçoa os filhos de Athena e toda vez que um de seus filhos nos vê estão fadado a nos matar. — conta como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo ainda com a atenção no meu braço.
— Quer dizer que é por isso que você tem medo de aranhas? — indago.
— Não, quer dizer, em parte sim, mais quando eu tinha 6 anos fui passar um verão no acampamento onde meu pai adorava ir, minha mãe também foi e bom... numa noite eu sai para buscar um pouco de madeira com o meu pai para fogueira e bem... acabei sendo picada. — fala e para seu trabalho em meu braço, ela se afasta um pouco e coloca os cabelos negros para o lado, deixando o pescoço a mostra.
Me aproximo e vejo, em choque, uma marca em seu pescoço, exatamente no mesmo lugar que o meu também havia uma.
— Era uma Aranha Camelo, uma das mais venenosas do mundo, eu me lembro de começar a passar mau, e aos poucos fui ficando meio aérea, meu corpo inteiro paralisou por 1 dia inteiro e eu precisei da ajuda de médicos para respirar. — diz. — Foi a experiência mais assustadora da minha vida... — de repente ela para e seus olhos ficam nublados como se voltassem ao passado. — Quer dizer... talvez a segunda. — completa dando de ombros como se não se importasse, mais eu a conhecia o suficiente para saber que ela se importava, assim como também a dilacerava por dentro.
— É sobre isso que você não me fala? — pergunto observando cada belo traço de seu rosto.
Mel sorri marota e se aproxima do meu braço, levando a boca ate ele, levou 1 segundo para perceber que ela iria cortar a linha dos pontos que ela havia dado.
— E também é sobre isso que você não me fala? — retruca cutucando meu braço após se afastar. — Estamos quites então Garoto da Teia. —
Eu solto uma risada baixa e Melissa coloca o curativo sobre meu braço.
— Tenho que confessar que fez um ótimo trabalho. — comento.
— É claro! Sou ótima em tudo que eu faço. — provoca soltando uma risada.
Ela pega um algodão próximo e se concentra em limpas o machucado da minha testa.
Enquanto ela fazia isso eu não desviei meus olhos do rosto dela por sequer um segundo, simplesmente era como se... eu não conseguisse desviar.
Eu não sabia o que havia dado em mim, so sabia que já levava minha mão quase de maneira inconsciente ate seu rosto e o acaricie fazendo com que ela me olhasse.
Seus olhos pareciam o céu de Nova York a meia noite sem estrelas, ainda assim pareciam brilhar como se houvessem centenas dela.
Eu nunca havia visto na vida olhos daquela cor, e eles me fascinavam de uma maneira assustadora em que eu me via chamando a atenção de Melissa só para que ela me olhasse e eu pudesse encarar seus olhos.
Desvio meu olhar de seus olhos e me permito encarar seus lábios.
Eram carnudos em uma linha perfeita, sua cor tão vermelha que eu conseguia me lembrar com facilidade do cheiro de frutas vermelhas do seu perfumo.
E pela primeira vez eu me permito pensar no quão ela era perfeita, e no quanto eu a queria.
E num gesto impulsivo eu me inclinei capturando seus lábios...
Notas finais
Bjoooooooos e ate o next *u*
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