Neverland
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Acordei como de costume, lá pelas onze horas da manhã. Acho que vai ser difícil eu acordar quando começarem as aulas da faculdade, mas quando elas começarem, eu me preocupo. Meu nome é Perseu Jackson, mas sempre me chamaram de Percy no orfanato. Tenho 20 anos e em poucos dias começo a faculdade de Biologia Marinha, um dos poucos assuntos em que me dou bem. Posse se dizer que minha vida sempre foi relativamente normal. Cresci em um orfanato, aqui mesmo em Nova York, não fui adotado, então quando atingi a maioridade saí de lá com um emprego e aos poucos aluguei um pequeno loft numa parte afastada do centro da cidade, o que não quer dizer que seja mais calmo. Nunca tive amizades muito duradouras, por mais gentil que fosse às vezes, acredito eu que inconscientemente, as pessoas me tratavam como se eu não fosse dali, como se de algum outro lugar. Quando era pequeno eu acreditava que as pessoas achavam que eu era um extraterrestre pela forma que me tratavam antigamente.
Deixei todos os pensamentos sobre minha pacata vida com meu travesseiro e fui tomar um banho. Enquanto deixava a água do chuveiro lavar aquelas lembranças, pensava no que iria fazer aquele dia. Cheguei a bela conclusão do “nada”. Como era domingo eu não iria trabalhar e não me vinha a mente ninguém de interessante para ligar ou sair junto. No final das coisas, saí do banho, vesti apenas minha cueca e um moletom preto, esquentei um último pedaço de pizza no micro-ondas, e logo após que eu comi fui dormi de novo. Foi quando tudo mudou.
Eu estava sonhando, definitivamente. Estava em algum corredor mal iluminado, o chão e as paredes eram de pedra e um cheiro pútrido impregnava o ar, pelo jeito deveriam ser cadáveres. Eu corria ofegante, percebi que nas paredes havia portas rústicas de madeira, com uma pequena janela com grades. Olhei em uma delas e vi que a minha teoria para o cheiro pútrido estava certa. Então ouvi alguém sussurrando meu nome, alguém no fim daquele corredor, só de ouvir aquela pessoa sussurrando meu nome, meus pés voltaram a se mover e direção ao fim do corredor. Meu coração batia rápido, a cada passo que dava mais perto para o fim daquele corredor, mais meu corpo ficava ansioso. Mas a cena que vi no final me chocou, não havia portas ali, apenas grades de ferro grossas. Uma mulher estava deitada naquela espécie de cela, ela vestia um vestido que um dia fora branco, mas agora estava se decidindo entre um tom de cinza e marrom. Seus cabelos loiros estavam sujos e mal tratados, ela levantou o rosto, que estava magro e arranhado e olhou fixamente para mim, com um par de olhos no tom mais profundo de cinza eu já vira. Olhos que me prendiam nela, como se todo o resto do mundo sumisse.
- Perseu... Percy. – Ela sussurrou, tentando levantar a mão em minha direção.
Isso foi a última coisa que me lembro daquele sonho.
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