Neverland
1 Welcome to the Jolly Roger
Notas iniciais
Bom, essa é minha segunda fic, espero que gostem tanto quanto a primeira :)
O vento batia frio contra as velas do Jolly Roger, que deslizava pelas águas de Neverland. Hook observava o globo onde a localização de Henry se mostrava, era inegável, ele estava na ilha dos meninos perdidos. Hook já os encontrara antes e sabia como eles podiam ser perigosos, mais um motivo para apressar a viajem. Infelizmente o portal os tinha jogado em águas distantes e levaria no mínimo uma semana para chegarem na ilha. A tripulação do navio estava longe de ser perfeita para a viajem, mas o pirata iria se virar com o que tinha.
Emma tinha feito sua escolha ao decidir voltar por Regina e a conseqüência foi perder Henry, quando ela viu o garoto desaparecendo no portal se amaldiçoou por sua decisão, mas ao mesmo tempo ela sabia que não poderia ter feito nada diferente, ela não poderia ter deixado a rainha morrer, ela era mãe de seu filho também, ela era família e agora mais do que antes Emma tinha que se forçar a ver Regina assim, pois sabia que juntas elas teriam melhores chances de ter Henry de volta.
Regina estava na proa do navio, mil pensamentos passavam por sua mente. O primeiro impulso que vinha ate ela era ir ate Emma e gritar com ela. Como a xerife podia ter sido tão idiota? Por que ela tinha que voltar ate ela? Regina estava satisfeita em dar sua vida para que Henry continuasse a ter sua família. Era a melhor coisa que ela podia fazer. Ainda assim algo aquecia o coração da rainha quando ela pensava como seu filho não a quis deixar pra trás.
- Regina... – Emma se aproximou quase cuidadosamente da rainha.
- Sim?
- Hook disse que levaremos pelo menos uma semana ate chegar na ilha onde Henry está.
- Uma semana? Você sabe o que pode acontecer em uma semana? – Regina não escondeu a raiva em sua voz.
- Eu sei! – Emma também se exaltou. – Você acha que eu não estou pensando a mesma coisa?
- Nada disso deveria estar acontecendo! – Regina andou impaciente pelo convés. – Eu te dei instruções simples Emma, você deveria manter Henry a salvo! – Ela quase gritava agora.
- Eu deveria ter te deixado morrer então?! – Emma não podia acreditar que a rainha estava questionando sua decisão, logo ela.
- Sim, você deveria ter me deixado morrer. – Regina disse com uma voz mais calma. – Eu não me importaria de morrer por Henry. Na verdade, eu não me importaria de morrer... – A ultima parte dita sem pensar atingiu tanto a rainha quanto a xerife.
- Se fosse ao contrario. Você me deixaria morrer? – A pergunta pegou Regina de surpresa.
A rainha encarou a xerife por um longo minuto. – Você sabe que não. Isso machucaria Henry, e eu não faria nada que machucasse meu filho.
- O mesmo vale pra mim. – Em um gesto que surpreendeu Regina, Emma segurou suas mãos. – Estão para de ficar com raiva de mim porque eu não te obedeci e comece a pensar em como vamos salvar nosso filho.
Hook pigarreou quando se aproximou da rainha e da xerife. – Vocês precisam saber que vamos passar por muita coisa ate chegar no nosso destino, uma delas são sereias. – Emma e Regina encararam o pirata em expectativa. – O encanto delas não recai sobre mulheres, então se alguma de vocês estiver disposta a aprende a comandar o navio, essa é nossa melhor chance de passar por elas sem mais complicações.
- Eu faço isso. – Regina foi a primeira a dizer.
- Por que você? – Emma a interrompeu.
- Porque você vai ocupar seu tempo aprendendo a usar magia com o Rumplestiltskin. Não sabemos o que vamos encontrar naquela ilha, vamos precisar de toda mágica possível. – Emma encarou a rainha considerando a idéia e por fim consentiu.
- Então rainha, me siga. – Hook estendeu a mão para Regina, que hesitantemente também estendeu sua mão para ele.
***
Regina tinha suas mãos no timão do navio, Hook estava logo ao seu lado. – Segure firme, não é tão difícil quanto parece. O lado esquerdo é chamado bombordo e o direito estibordo. Agora vamos dois nós a bombordo. – O pirata colocou suas mãos sobre as de Regina, de modo que ela ficou entre ele e o timão. Os dois viraram juntos para a direção que o pirata instruiu. – Agora mantenha firme. – Ele disse próximo a orelha de Regina.
- É...realmente não parece tão difícil. – Regina manter sua voz impassível, mas ela estava um pouco intimidada pela proximidade do pirata.
- Não se engane, também não é tão fácil. Mas a melhores coisas são assim mesmo, ficam entre o difícil e o fácil, porque se for difícil demais a maioria não se propõe a tentar, mas também se for fácil demais, não vale a pena. E isso, Regina, vale a pena.
Regina soltou uma respiração que não sabia que estava segurando e se pegou analisando as palavras do pirata, ele estava falando mesmo apenas sobre velejar, ou queria dizer algo mais com aquilo? Ela decidiu ignorar e manter a conversa em um lugar seguro. – Então... como você se tornou pirata?
Hook sorriu. – Como eu me tornei capitão, você quer dizer. Bom... eu viajei com o meu pai por um tempo em vários navios, por fim eu acabei sozinho e minha única opção era ser um marujo.
- E esse navio? Como o conseguiu?
- Isso, querida, é uma historia longa e que você só vai retirar de mim com muito esforço.
- Quanto esforço? – Regina o encarou erguendo a sobrancelha.
- Bom...
- Hook, Gold precisa falar com você, lá embaixo na cabine. – Emma o interrompeu.
- Mantenha o timão firme, eu já volto. – Ele passou o dedo pelo queixo de Regina e saiu.
- Você confia nele? – Emma disse assim que o pirata as deixou a sós.
- Ele é um pirata, não se pode confiar completamente. Mas eu tenho que admitir que em nosso ultimo acordo eu é que não fui confiável. Claro que isso não deve te surpreender.
- Bom, minha desconfiança nele também me fez o trai quando estávamos no mundo dos contos de fadas.
Regina ergueu uma sobrancelha. – Nós duas traímos a confiança dele e ainda assim ele esta aqui nos ajudando a salvar nosso filho.
- Talvez devêssemos parar de julgar.
Regina sorriu involuntariamente. Só o que Emma tinha feito desde que chegou a Storybrooke era julgá-la. – E você consegue fazer isso?
- Eu... – Emma parou analisando o que a rainha quis dizer. – Eu não julguei você, Regina. Se é isso que quer dar a entender.
- Claro que não. – A rainha disse em um tom seco. – Mas isso não importa mais agora. Eu só não quero que a idéia que você faz de mim nos atrapalhe quando estivermos lutando pra salvar nosso filho.
- Não vai. – Emma se virou para sair e então voltou. – E você não imagina a idéia que eu faço de você, então não tire conclusões.
***
- Sereias, ok, mas monstros marinhos? Você só pode estar brincando. – Emma disse em exasperação quando olhou as marcações que Gold e Hook fizeram no mapa náutico.
- Isso não é tudo, Swan. – Hook apontou para o mapa. – Teremos que passar entre esse conjunto de redemoinhos.
- E como vamos fazer isso?
- Pra nossa sorte temos, você, Regina e eu. – Gold disse com um olhar divertido.
- O que vamos fazer? Levitar o barco através dos redemoinhos? – Emma sorriu.
- Essa é a idéia, querida.
***
Já era noite e Regina se revirava em uma das camas improvisadas na cabine do navio. Ela olhou para os lados e viu David, Snow e Gold dormindo. Como eles conseguiam dormir com aquele balanço irritante? Ela pensou e então decidiu sair para tomar ar, talvez ajudasse.
Ela saia da cabine quando parou de repente observando a cena. Hook e Emma conversavam muito próximos encostados contra as grades da lateral do navio. Ela se virou pra voltar para a cabine, mas acabou derrubando uma luneta que estava sobre um caixote.
- Regina? – Emma falou. – Também não consegue dormir?
- Não. – A rainha andou ate eles.
- Logo você se acostuma. – Hook pronunciou um sorriso para ela. – Com o tempo é como se o navio fizesse parte de você, como se você é que estivesse cortando as ondas.
- Você diz isso como se ela fosse passar muito tempo aqui. – Emma olhou para o pirata.
- Quem sabe o que pode acontecer. Agora me permitam deixá-las a sós, tenho que voltar para o comando do meu navio, os ventos estão mudando.
- Desculpe, eu não queria interromper nada. – Regina disse quando Hook deixou a proa do navio e voltou ao timão.
- Interromper? Acredite, você não interrompeu nada. – Emma disse cruzando os braços atrás da cabeça.
- Ok então. – Regina se recostou contra o navio ao lado de Emma. – Emma, eu estou curiosa.
- Sobre?
- Você me disse de manhã que eu não sabia a ideia que você faz de mim. Então... qual seria ela? Posso saber?
- Desde quando você se importa com o que eu penso de você? – Emma se virou para encará-la, seus olhos verdes examinavam cuidadosamente as feições da rainha.
- Desde que eu preciso de você. – Regina sustentou o olhar da xerife. – Pra salvar Henry. – Ela completou.
- Pois bem. – Emma deu de ombros. – Eu nunca te vi como uma bruxa, nem mesmo depois de saber que você era a Evil Queen. Eu sempre te vi e sempre vou te ver como Regina. Eu sei que você fez escolhas ruins, mas todo mundo faz. Eu sei que você fez coisas ruins para outras pessoas, mas coisas muito ruins já aconteceram com você tambem. Então, eu não te vejo como uma vilã, te vejo como um pessoa normal, cheia de falhas, como eu. Eu tive o direito de recomeçar e você também deve ter, porque apesar de ser uma rainha, você é apenas humana. É assim que eu te vejo. Surpresa?
Regina franziu as sobrancelhas. – Confesso que sim. – O lábio da rainha se curvou em um leve sorriso que ela dirigiu a xerife.
- E você? Como você me vê?
— Desde quando você se importa com o que eu penso de você? – Regina imitou o mesmo tom de voz da xerife e as duas sorriram. – Ok, vamos pular essa parte. Bom... – A rainha nunca tinha parado pra pensar em Emma como nada diferente de uma ameaça. Mas agora que tinha sido pega por essa pergunta, ela percebeu que sempre viu Emma como uma ameaça porque ela era uma mulher muito forte. — ... você é a pessoa mais inconseqüente que eu conheço, mas também a mais corajosa. E você é boa, do modo que um dia eu desejei ser. E isso era o que me irritava tanto sobre você.
- Eu só te irritava? – Emma sorriu. – Pensei que você me odiava.
- Por um tempo sim, mas em certo ponto isso ficou pra trás. Você me deu a coisa mais importante da minha vida. Henry. Eu vou te dever pra sempre por isso.
- E você cuidou dele por todos esses anos. Eu sempre vou te dever isso também.
- Quando tivermos nosso filho de volta, porque nós vamos ter. – Regina tinha um olhar determinado. – Nós vamos dar um jeito de conseguir compartilhá-lo, não vamos?
- Claro que vamos. – Emma apertou a mão de Regina e as duas sorriram uma pra outra.
***
- Já está quase amanhecendo, você deveria ir descansar um pouco. – Regina disse para Emma, as duas agora estavam sentadas uma ao lado da outra recostadas contra uma pilha de caixotes que ficava entre elas e onde Hook estava, impedindo que o pirata as visse.
- Você também deveria então.
- Você que vai treinar magia com Rumplestiltskin hoje. Vai precisar de energia, mágica pode parecer fácil, mas consome muito de você.
- Confesso que não estou muito animada com a idéia de aprender com Gold.
- Bom, eu já fui aluna dele. E acredite em mim ele pode ser um pouco assustador, mas ele é o melhor para te ensinar. Só me mantenha informada sobre o que ele está te ensinado.
- Por que?
- Tem coisas que você não precisa aprender, Emma.
- Mas você aprendeu.
- Sim, mas Rumplestiltskin não estava me treinando para ser exatamente uma pessoa boa.
- O que quer dizer com isso?
- Quero dizer que seus pais me chamaram de Evil Queen, mas quem fez a Evil Queen realmente nascer, foi Gold. Claro que eu fiz tudo por minha vontade, não estou o culpado pelo que eu sou, mas foi ele que me mostrou o caminho que me trouxe ate aqui.
- Ele alimentou sua raiva. – Emma concluiu. – Não precisa se preocupar, eu não tenho material para que ele faça o mesmo comigo.
- Todos tem um lado sombrio, Emma. Eu só estou te alertando, mas se você se acha superior a isso tudo bem. – Regina soou irritada.
- Eu não quis dizer isso... você está certa. Obrigada por se preocupar. – Emma tocou gentilmente o braço de Regina.
- Desculpe por me irritar, eu só não quero que você siga o caminho que eu segui. – Regina disse sinceramente, a verdade é que ela se importava com Emma e alem disso ela não desejava a ninguém a vida solitária de Evil Queen.
- Eu... – Emma capturou o olhar Regina com o seu. – posso perguntar, por que você se importa?
- Eu só sinto que tenho a obrigação de cuidar de você em relação a isso. Eu te devo, você salvou minha vida, mais de uma vez.
- Você também salvou a minha. – Emma tinha um leve sorriso no rosto. – Eu acho que...
- Que?
- Que tem algumas coisas que quando as pessoas fazem juntas, não tem como elas não se envolverem. – Os olhos de Emma estavam fixos nos de Regina.
- Eu concordo. – Regina gentilmente colocou uma mecha do cabelo de Emma atrás da orelha.
- E eu acho... – A respiração de Emma era pesada. – que nós nem percebemos o quanto estávamos envolvidas.
O rosto de Regina estava a centímetros do de Emma e as duas pareciam hipnotizadas pelo olhar da outra. – O que estamos fazendo, Emma? – A voz de Regina era só um sussurro.
- Eu não faço a menor idéia. – Emma extinguiu a distancia entre seus lábios e os de Regina e a acolheu em um beijo leve e cuidadoso, quase como se pedisse permissão para continuar.
Regina alcançou o rosto da xerife entre suas mãos e a puxou mais contra si, correspondendo intensamente a investida. O beijo se aprofundou e com isso os sentimentos foram aflorando nas duas, todas as memórias das brigas, de quando pareciam entrar em acordo, de quando salvaram uma a outra, tudo veio a tona. Quando as duas se afastaram ofegantes se encararam em silencio por um longo momento. Nenhuma palavra pareceu apropriada.
Regina queria apenas sair dali e ficar sozinha pra pensar o que aquilo significava, mas ela não podia simplesmente sair. Como Emma interpretaria isso?
Emma se via perdida em uma enorme confusão. Mas de algum modo ela não se sentia arrependida, na verdade se sentia feliz, de algum modo aquilo fazia sentido, mesmo que não fizesse sentido algum.
- Eu nunca beijei uma mulher antes. – Regina disse quebrando o silencio.
- Eu posso dizer o mesmo. – Emma sorriu, grata por esse ser o ponto da conversa.
- Nós estamos muito abaladas com tudo que aconteceu, isso foi... – Regina parou, só agora percebendo que não tinha como explicar. – bom, eu não sei o que isso foi.
- Eu também não sei. – Emma disse sinceramente. – talvez precisemos de tempo pra entender.
- Você tem razão. Devíamos ir descansar um pouco. – Regina se moveu inconfortável.
- Você pode ir, depois eu vou. – Emma queria ficar um pouco sozinha pra pensar.
Regina ficou em um impasse, ela deveria simplesmente levantar e ir embora ou deveria dizer mais alguma coisa? Por fim ela decidiu se levantar e ir.
- Regina... – Emma estava de pé atrás dela.
- Sim?
Impulsivamente, ou talvez instintivamente Emma puxou Regina contra si, os lábios macios da rainha se colaram aos seus sem nenhuma resistência. A xerife encontrou caminho livre para explorar a boca da rainha, suas línguas travaram uma dança complexa e urgente. Elas podiam não saber o que aquilo significavam, mas também tinham certeza de que não queriam que acabasse. Emma rompeu o beijo ainda segurando Regina pela cintura. – Tenha um bom descanso. – Os olhos castanhos de Regina a examinaram ainda por um segundo e então ela se virou e foi em direção a descida para a cabine.
Agora sozinha Emma tinha um sorriso bobo no rosto. Ela pensou em todas as vezes que esteve sozinha com Regina, como a atmosfera mudava, antes ela presumia que era por causa da raiva que elas tinham uma pela outra, mas agora. Agora ela não tinha certeza de nada, ou melhor só tinha certeza de uma coisa. Queria beijar Regina novamente.
Notas finais
Confesso que dei uma puxadinha pro lado swanqueen no final, pq velhos hábitos nunca morrem ne? e depois daquele final então *--*
Enfim, espero que tenham gostado da minha decisão de misturar um pouco os ships. Na fic passada a maioria votou por swanqueen, mas muita gente queria hookedqueen tambem, ai não consegui decidir. Então misturei tudo porque eu gosto de bagunça haha
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