Never Stop
22 “I will never get used to you”
Notas iniciais
— Eu sei, Caitlin. — Equilibrei o celular entre o ouvido e o ombro, enquanto digitava e ouvia minha amiga reclamar do meu atraso. — Eu sei disso, mas eu já estou a caminho daí.
— Estou vendo que você nem saiu da empresa, sua mentirosa.
— Como sabe disso? — Franzi minha testa, estranhando a descoberta. Desliguei o computador e comecei a andar em direção ao meu vestido.
— Seu irmão instalou um aplicativo que rastreia seu celular.
— Amor! — ouvi Barry reclamar a denúncia do outro lado da linha.
— Tinha que ser! Diz pra ele que vai levar uns tapas por isso.
— Eu não me importo se Barry vai levar uns tapas.
— Amor! — reclamou novamente, me fazendo rir dos dois. Fofos!
— O que importa é que você não está aqui, quando todos estão. Sara está a dois minutos de colocar uma música eletrônica numa sinagoga. Você quer ver a cabeça do seu rabino e da sua mãe explodir, porque eu não quero — falou angustiada. — É o dia do seu casamento e você está trabalhando!
— Toda noiva atrasa, e eu tinha umas coisinhas para fazer por aqui. Oliver me promover para chefe de TI não é tão bom quanto parece. Saudades de ser a secretária do CEO mais faltoso da história — falei saudosa, mas na verdade, eu estava amando tudo sobre o novo cargo. Sem falar que, nesses dois anos aqui, Oliver havia deixado de ser tão faltoso como no início. — Aliás, ele já chegou? — Caitlin não respondeu, o que já era uma resposta mais do que clara. — Aí, e você me apressando.
— Trazer seu noivo super atrasado para a igreja é problema do Tommy e da Laurel, o meu é trazer você. Então esteja aqui em meia hora, ou eu levo todos os convidados para QC e você vai se casar aí!
— Olha, Cait, minha maquiagem e cabelos estão feitos, e meu vestido prontinho em um cabide enquanto olho para ele, Diggle já me esperando no saguão. Só preciso de mais meia hora para chegar.
— Meia hora. — E desligou com essa ameaça. Alguém deveria dizer para minha amiga que as pessoas deveriam ser mais gentis com noivas no dia especial delas.
— Talvez mais do que meia hora. — Oliver sorriu para mim, já pronto em seu smoking, com as mãos nos bolsos e o ombro despojadamente encostado na minha porta. Era estranho dizer que a cada vez que eu o via sorrindo me apaixonava mais um pouquinho? — E eu estou mudando oficialmente a política de vestimentas da empresa. — O sorriso dele ficou maior me olhando enquanto eu usava apenas um curto robe branco por cima da lingerie.
— Assédio, senhor Queen? — Estreitei os olhos para ele. Oliver trancou a porta atrás de si e se aproximou devagar, enlaçando minha cintura com os braços e me pressionando contra a mesa.
— Atentado ao pudor, senhorita Smoak? — Quando ele se inclinou para me beijar, arregalei os olhos com a lembrança.
— Você não podia me ver, ou ver meu vestido hoje! — falei exasperada, segurando sua cabeça para que ele não olhasse para trás onde meu lindíssimo Vera Wang estava pendurado. — Isso pode dar um azar do caramba.
— Eu não acredito essas coisas, então...
Começou a beijar meu pescoço achando que me distraía de suas mãos abrindo meu robe. Ok, distraiu por uns segundos e até me levou na onda, o que me fez sentar na mesa e arrancar seu terno rapidamente.
— A gente não vai mesmo esperar até a lua de mel?
— Aruba é longe, quero você agora — murmurou ao meu ouvido, me fazendo arrepiar inteira. Droga, se já não estivéssemos tão atrasados e minha sinagoga prestes a virar boate, iríamos mesmo antecipar a lua de mel para minha sala.
— Oliver, para — pedi, o parando com as mãos em seus ombros.
— Por quê? — perguntou a contragosto.
— Porque é nosso casamento e já estamos atrasados mais de uma hora? — falei como se fosse óbvio. — Aliás, o que faz aqui?
— Meu assistente lesado me ligou dizendo que tinha esquecido de me dar uns documentos importantes para assinar antes de viajarmos. Saudade de quando você cuidava disso para mim, nunca esquecia de nada — reclamou.
— Saudade de te encarar por aquela parede de vidro o dia todo. — Mordi o lábio com a lembrança dos nossos primeiros anos juntos.
— Temos mesmo que ir? — Oliver falou encarando minha boca.
— Você deixou minha mãe e sua irmã organizarem o casamento, agora não podemos deixar os quinhentos convidados esperando, principalmente porque seus pais estão incluídos nessa lista. Eu finalmente conquistei eles, não os faça me odiar de novo.
— Que saco!
— Mas podemos guardar esse atraso para gastar entre a igreja e a recepção, e sair meia hora depois de chegar na festa, que tal?
— Fechado. — Piscou para mim, dando um passo para trás e pegando seu terno no chão, me dando espaço para descer da mesa. — Você é incrível e tem os melhores acordos, amor. Eu nunca vou me acostumar com você, tão mais do que eu merecia. — Fez carinho na minha bochecha, me arrancando um sorriso bobo. — Te vejo daqui a pouco. — Deixou um beijinho em meus lábios.
— Até daqui a pouco.
E era isso. Apenas mais um começo do resto do resto das nossas vidas.
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