Never Stop

12 Bônus: Oliver


Notas iniciais
OLÁ PESSOAS!!! COMO ESTÃO NESSA MADRUGADA DE QUARTA?? Estou criando o hábito de postar sempre que acabo de ver o episódio da semana, tudo bem pra vocês? Finalmente um dos capítulos mais esperados e, devo dizer, um dos meus preferidos!!! Vamos finalmente entrar na cabeça (vazia?) de Oliver Queen. E a postagem de hoje vai para Mili Olicity e Tayná Brito que favoritaram a história, mas especialmente para... EMILY QUEEN!! Lindona, você sempre me deixa reviews adoravelmente gigantes e agora recomendação também?! Estarei enviando um Oliver de presente para você, aguarde nos correios em breve!! HAHAHAHAHAHAHAHAHA Sem mais enrolação por aqui, vamos ao capítulo!! Até as notas finais... Bjs*

Mesmo sem planejar, um sorriso bobo surgiu em meus lábios enquanto a observava tropeçar e quase bater com a cara na parede ao virar a esquina no corredor e seguir de volta para a saída para buscar o celular que tinha esquecido em meu carro.

Merda! Como eu acabei aqui, apaixonado como um idiota sem cérebro?

A primeira pessoa que disse que isso aconteceria, foi meu pai. Eu estava no auge da minha adolescência, namorava a garota mais linda e popular da escola, e pegava uma mulher por noite, então minha reação foi apenas rir. E muito.

Então veio Tommy. Ele estava claramente apaixonado por Laurel (mesmo que escondesse isso de mim), e na sua cabeça, eu também cairia por alguém um dia, quando achasse a pessoa certa. Foi depois do acidente de barco, eu estava prestes a trancar minha segunda faculdade e estava em uma vibe de “aproveitar o dia”. Eu ri como um demente, utilizando do velho e bom sarcasmo para lhe dizer como isso era impossível.

Sara também tentou me convencer disso uma vez. Estávamos bebendo eu, ela e Tommy, em um domingo pela manhã, depois que fechamos a boate. Eu viajaria no dia seguinte para o Taiti e estava tentando convencê-los a largar a Verdant por uns dias e ir comigo. Podia ser conversa de bêbado, mas, na ocasião, ela afirmou categoricamente que um dia eu encontraria alguém que seria meu tudo, o que me faria levantar animado em um dia chuvoso, dormir de conchinha sem pensar em sexo, que teria a vontade de contar cada detalhe, acontecimento ou descoberta da minha vida, por mais banal que fosse. Alguém que seria minha felicidade.

Quão irônico podia ser isso?

Claro que logo em seguida, caímos na gargalhada juntos, enquanto Tommy sorria amarelo. Esse daí já estava amarrado com cordas e correntes, perdido de amores, o coitado! Mas eu e Sara não, éramos espíritos livres, bichos soltos. Não nos prendíamos sequer a um trabalho ou curso de faculdade, quanto mais a pessoas.

Então poucos dias depois me vi sendo arrastado de um bar, onde conversava com duas lindas polinésias e já combinava os esquemas da noite, pelos seguranças da minha mãe de volta para Star City para assumir a empresa. Nem Diggle conseguiu evitar, eles eram quatro e meu amigo/guarda-costas apenas um.

Lembro até de ter cogitado a possibilidade de causar um acidente no jatinho e ficar mais umas semanas desaparecido, talvez minha mãe esquecesse aquele disparate. Eu, como CEO das Consolidações Queen? Queria só saber quem ia pagar todos os direitos trabalhistas paras os milhares de funcionários quando eu afundasse a empresa. Porque seria exatamente isso que aconteceria.

Então a vi naquele fim de tarde, nada deslumbrante, mas bonita à sua maneira, rindo da cara de John por ele ter sido designado para ser meu segurança, parecendo tão deslocada como eu naquela maldita reunião. Seu rosto estranhamente familiar, mas quando a questionei sobre isso, ela negou veementemente, então apenas deixei para lá. Eu tinha problemas maiores no momento.

Ao observá-la de longe, conversando com Laurel, tive a ideia. Eu precisaria de pessoas inteligentes, não manipuladas por Moira, e que compensassem minha total falta de preparo. Eu tinha certeza que “uma grande queda das ações” e a “gigantesca falha do herdeiro” eram as manchetes que minha mãe esperava que trouxesse meu pai de volta de onde quer que ele tenha se enfiado. Então, apenas para desafiá-la, eu tentaria fazer aquilo direito, pelo menos até meu pai resolver aparecer e eu poder voltar à minha vida boêmia.

Conhecê-la e conviver diariamente com ela todos esses meses tem sido revigorante. Nunca se sabe o que vai sair daquela boca. Podia ser uma ofensa ou elogio que ela não pretendia dizer em voz alta, assuntos científicos ou matemáticos que eu não entendia nada, ou até mesmo um conselho inteligente.

Flertar com ela era uma diversão a mais. Não era por maldade, apenas porque fazer ela ficar com vergonha e me xingar, fazia meu dia. As noites e os fins de semana não eram mais tão divertidos, eu estava um tornando um cara diurno e isso era estranho. Desde que me lembro, eu nunca tive costume de acordar antes das duas da tarde. Mas Felicity corando e soltando um jorro de palavras que apenas a complicavam mais não tinha preço.

Até o dia que quase a beijei na borda da minha piscina, a brincadeira de horas atrás, no mesmo local, tomando outras proporções. Eu não ia beijá-la por causa de uma aposta, eu não ia beijá-la porque queria que ela fizesse algo para mim. Eu ia beijá-la apenas porque queria, e muito. Na hora fugiu da minha mente o cuidado que eu tinha com ela, o fato de sermos patrão e empregada, ou mesmo o namorado que ela tinha.

Me afastar dela no aspecto romântico foi minha melhor escolha depois de deixá-la em sua porta naquela manhã, mas como não podia mais evitar, ainda a queria por perto. Ficar longe não era mais uma opção, nem que fosse apenas por uma relação profissional ou de amizade.

Mas eu soube que a “maldição do apaixonamento” que todos tinham jogado em mim durante os anos tinha finalmente se cumprido pelo nome mais improvável de todos: Laurel Dinah Lance.

Ninguém espera que sua ex namorada seja a pessoa que te dê uma sacudida e te acorde para a vida. Eu estava quase estragando um contrato de milhões de dólares com a Palmer Tech e mandando Ray para a puta que o pariu, apenas porque não conseguia suportar a ideia de ceder Felicity a eles, um dia que fosse. Eu não perderia minha loirinha, era incogitável a possiblidade de não a ver todas as manhãs através da parede de vidro que nos separava.

― Qual é, Oliver, vai foder tudo de vez? ― Laurel largou meu braço já do lado de fora da sala da presidência da Palmer Tech.

― Não vamos dar Felicity a ele! Eu... Quer dizer, a CQ se ferraria sem ela, você sabe disso. Ela é importante.

― Quando você me explicar isso em termos administrativos, talvez eu acredite. ― Laurel me encarou em desafio.

― O que você quer insinuar?

― O que todo mundo insinua, burro! Você está apaixonado pela nerd, é óbvio. Demorou quase 28 anos, mas finalmente aconteceu, e você não está sabendo lidar. ― Quis gargalhar como nos outras vezes, mas só consegui soltar um riso nervoso.

― Eu não... Eu não estou apaixonado por ninguém, tá maluca, Laurel?! Você já me estressou demais hoje, me deixa.

― Olha, eu não entendo também, mas sinceramente? Foda-se. Parei de me preocupar com sua vida amorosa anos atrás! ― Abanou as mãos em um gesto de desdém. ― Agora ver você destruir um contrato de milhões, que vai beneficiar as duas empresas e muita gente, em nome da sua covardia em assumir um sentimento? Me poupe, se poupe, nos poupe, Oliver Queen!

― O que você quer que eu faça? ― questionei estressado, já sem argumentos.

― Você vai entrar lá, pedir desculpas por ter xingado a falecida mãezinha do Palmer, e assinar o bendito contrato. ― Assenti relutante. Quando eu virei pau-mandado de Laurel? Não sei. ― Então você vai chamar a nerd para conversar, e falar disso tudo que você sente, antes que você exploda e me leve junto. Aí a decisão é com ela, mas fala sério? A garota arrasta um caminhão por você, ela se arrisca, trabalha como uma doida para te ver crescer, te entende e te anima quando você está na bad. Você é cego, ou o quê?

Mas eu não via. Ela era prestativa sim, me ajudava bastante, mas já tinha usado os termos “somos amigos”, mais de uma vez. Posso não ser expert em relacionamentos de sucesso, mas isso é o que todos chamam de friendzone. Sem contar que ela fugiu do beijo, não tocou mais no assunto e estava namorando Ray Palmer. Os únicos sinais que ela me mandava era de “afaste-se”!

Mas Laurel não me acusaria mais de covardia. Hoje a noite eu jogaria tudo no colo de Felicity e ela que decidisse. Se fosse Ray, eu ficaria puto, mas pelo menos poderia passar na cara de todos meus amigos babacas que estavam errados. Isso se eu conseguisse parar de enrolar o assunto e ir direto ao ponto, e claro, se ela também me deixasse falar. Não queria esperar para o almoço de amanhã.

A porta entreaberta, fazia com que a luz do corredor iluminasse um móvel que ficava logo na entrada da sala. Então observei algo que ainda não tinha visto em nenhuma das duas vezes que estive aqui. Um porta retrato emoldurava uma foto de alguém que eu conhecia. Quer dizer, alguém que eu conheci muitos anos atrás.

Sadness?

Peguei a moldura em minhas mãos e a analisei na luz do corredor. Aquela era a menina que fez parte do colegial comigo, a nerd gótica que Laurel odiava, a pessoa que, apesar de não conhecer, mais tentei proteger enquanto estava por lá. Eu evitava até pensar sobre o assunto, mas a culpa do que aconteceu no dia da formatura de Laurel ainda me corroía. Eu devia ter impedido a humilhação que a menina sofreu antes que chegasse naquele ponto.

Mas que infernos ela tinha a ver com Felicity, fora os nomes opostos?

Aproximei a foto do meu rosto para ver melhor. Aqueles olhos azuis inteligentes eram familiares, mas eu não sabia de onde... Oh, boy! Eu não poderia ser tão burro e desmemoriado, não poderia. Que merda, só podia ser imaginação da minha cabeça! Eu estava alucinando, era isso.

― Oh, boy. ― A voz de Felicity saiu baixinha, os olhos arregalados fixos em minhas mãos.

― Quem é ela, Felicity? ― perguntei mesmo sabendo a resposta.

― Minha... prima. ― Arqueei uma sobrancelha incrédula em sua direção. ― Irmã? ― Testou mais uma vez, soando cada vez menos convincente. Ela não sabia mentir.

― Ela é você, caralho! Porra, você é a Sadness*!

― Quem? ― Ela estava confusa pelo modo com a chamei, mas foi esse o nome que Laurel me disse ser o dela, anos atrás. Estranhei, é claro, mas minha namorada não teria motivos para mentir para mim, pelo menos era o que eu achava na época. Por isso usava sempre o “morena”, ninguém tão feliz não merecia ser chamada assim.

― Não importa. Você é ela! A única que eu sempre vi, nunca toquei, mas nunca também esqueci! ― Apontei para a foto, que foi tirada rapidamente de minhas mãos.

― Você está louco. ― Felicity repetiu seu constante movimento de rolar olhos, fingindo pouco caso da minha descoberta, mas eu podia ver ela contorcer os dedos em nervoso. ― É melhor eu entrar.

― Felicity... ― A parei com a mão na maçaneta.

Esse era o momento.

A certeza que eu já a conhecia antes da CQ só me fez ter mais certeza do que eu queria. Não era mais ninguém além dela, e agora eu sabia que aquilo não tinha acontecido esse ano. Minha inexplicável atração colegial pela menina de piercing no nariz, calça jeans folgada, maquiagem forte e camiseta de banda ficava mais clara.

Nunca foi a aparência, sempre foi a pessoa.

― Você não está raciocinando. ― Uma gota de um suor nervoso escorreu de sua testa. Por algum motivo, ela não queria que eu soubesse quem ela era. Eu quase podia ver as engrenagens de seu brilhante cérebro trabalhando em um modo de me contornar, mas eu não deixaria. Ela não escaparia de mim, não de novo.

― Estou mais do que nunca. Finalmente, morena.

Tomei seu rosto entre minhas mãos, e já choquei minha boca contra a dela. Então eu soube. Meu pai estava certo, Tommy, Sara e Laurel também. Eu estava apaixonado e ao encaixar meus lábios nos seus, eu sabia que aquilo era do que eles tanto falaram. O sentimento de que “ou era ela, ou não seria mais ninguém”. Minha escolhida, minha única, meu amor.

Felicity segurou em meus braços buscando apoio e deu um passo para trás, colidindo-se contra a porta semi-aberta e finalmente a escancarando.

Todas as luzes do apartamento se acenderam ao mesmo tempo, interrompendo nosso beijo e fazendo surgir um coro de pessoas lideradas por Ray Palmer gritando “Surpresa”. Era o aniversário dela?

Ela abriu os olhos no susto, olhando ao redor ainda meio atordoada, até encontrar o rosto de Ray, o sorriso dele morrendo em câmera lenta.

― Feliz aniversário, Felicity. ― Sua voz era triste, ele entregou para ela um buquê de flores e passou por nós para fora do apartamento. Vi várias emoções tomarem gradualmente conta do seu rosto, desde a surpresa, passando por pesar, culpa, então raiva.

― Está feliz agora? ― Ela me lançou um olhar furioso, antes de jogar a bolsa, as flores e a foto para que eu segurasse, e corresse atrás dele.

― Cara, o que foi isso? ― Tommy chegou atrás de mim rindo e segurando meu ombro enquanto eu ainda encarava a porta, congelado no lugar. Eu me declaro e ela corre atrás dele! ― Você tem o pior timing da história!

― Que merda é essa? ― Olhei ao redor para a pequena sala toda decorada com balões cor de rosa e prateados e um bolo na mesinha de centro. As pessoas me encaravam como seu eu fosse algum tipo de E.T. Barry, a amiga dela, Sara e até Laurel estavam presentes, mais alguns que eu não conhecia. ― Quem fez essa festa?

― Ela já chegou? ― Ninguém menos que Thea Queen apareceu do corredor que dava para o quarto. ― Hey, Ollie, já ia te ligar. Mas onde está Felicity, por que as luzes já estão acesas? ― Todos se entreolharam, mas ninguém disse nada. ― Vocês estão me assustando.

― Thea, você organizou isso tudo?

― Com ajuda de Barry e Cait, sim.

― E ninguém pensou em me avisar? ― explodi em um grito.

― Calma, Oliver ― Dig pediu, ao lado da esposa, quando eu nem sabia que ela conhecia Felicity. Pois é, até meu segurança traidor também estava nessa. O que custava dizer que seu “compromisso” era a festa de aniversário de Felicity?

― Eu falei pra Thea te avisar só em cima da hora, você sempre entrega as festas surpresas antes do tempo ― Sara justificou-se e Tommy balançou a cabeça como um cachorrinho adestrado concordando. Bastardo!

― Você! ― Apontei meu indicador para Laurel. ― Você me falou aquelas coisas mais cedo, deixou nós dois sozinhos no escritório de propósito, depois armou isso tudo com Ray para Felicity me odiar para sempre.

― Ei! Eu também não sabia da festa até hoje no fim do expediente, me inclua fora dessa. ― Desprezou meu estresse soprando as unhas. ― Você que é o senhor mão boba dos corredores!

― Você, antes de sair da empresa hoje, me mandou tomar uma atitude!

― Não beijar uma garota comprometida na frente do quase-futuro-namorado dela. ― Se defendeu tentando provar seu ponto, mas minha atenção foi direto para a palavra quase. O que Laurel sabia?

― O quê? Eles se beijaram?

― Na frente de todo mundo! ― Barry esclareceu a Thea sorrindo animado, e lhes dei meu pior olhar de morte. Desde quando minha irmã é amiguinha de Felicity? ― Ah, e do Ray.

― Puta merda! Que timing ruim, irmão. ― Minha irmãzinha fez uma careta de pena.

― Eu acabei de dizer isso a ele! ― Tommy, que mais parecia estar em algum show de humor, pois ria de orelha a orelha, divertindo-se com a coisa toda, esclareceu.

― Tommy, cale-se antes que eu peça para Diggle quebrar a sua cara por mim. ― Ele desmanchou o sorriso no mesmo instante. ― Quero fazer mais um teste com meus “supostos amigos”. ― Fiz sinal de aspas com dedos enquanto fazia uma caminhada impaciente pela sala. ― Quem aqui sabia o tempo todo que Felicity e eu fizemos o colegial juntos anos atrás, levanta a mão. ― Mais uma vez eles se entreolharam ficando em silêncio com cara de culpa. ― Tommy?

― Ela pediu para não falar para ninguém no dia que você a levou na Verdant a primeira vez. ― Típico, Tommy sempre faz o que qualquer mulher bonita pede a ele.

― Sara?

― Tommy me contou.

― Ah, contou, é? ― Para ela, ele podia contar, mas para mim não?

― Porra, Sara! ― Cruzei meus braços encarando meu ex—amigo, que riu amarelo. Eles que me aguardem, outra vingança estava a caminho.

― Dig?

― Deduzi. ― Ele respondeu simplesmente. Diggle tem sorte que ele é tão grande e amo minha vida, ou eu provavelmente também pensaria em algo para retribuir o favor mais à frente.

― Vocês dois eu nem pergunto. ― Me direcionei à Barry e Cait, estava claro que eles também sabiam. ― Agora você... ― Olhei para Laurel. ― Como não pude ver que todas aquelas briguinhas, implicâncias... Você deveria ter me dito!

― Gente, o que está acontecendo aqui? ― Thea era a única tão perdida como eu.

― Ah, Ollie... Não se preocupe, ela gosta de você mesmo com toda essa lerdeza. ― Laurel deu dois tapinhas confortadores em meu ombro. ― Eu já vou, já marquei minha ilustre presença nessa festinha, então digam à nerd que eu desejo tudo de bom e essas coisas que se diz em aniversário. Tchau, tchau.

― Espera, eu vou com você. Boa sorte, Ollie. ― Tommy, o babaca apaixonado, correu atrás dela, também saindo pela porta.

― Gente, isso aqui é um enterro? ― Sara falou animada depois de alguns poucos minutos de silêncio constrangedor. ― Thea, coloca alguma música, porque se alguém tem motivos pra comemorar, é a Felzinha. Não é pra todo mundo ter dois bofes escândalo desses caidinhos por ela!

― Não é tão divertido quanto parece. ― Felicity estava novamente na porta, e ela estava chorando, mesmo parecendo lutar para não fazê-lo. Droga, ela estava chorando! ― Fiquem à vontade, vou para meu quarto. ― Passou direto ignorando o fato que eu estava ali, parado em sua frente.

Até cogitei a possibilidade de a deixar sozinha, mas foi um pensamento que passou rapidinho. Eu não poderia deixar as coisas como estavam. Entrei silenciosamente no quarto e sentei-me ao seu lado na cama, onde ela chorava com o rosto enfiado nos travesseiros.

― Sai daqui, Oliver! ― gritou, sabendo de algum modo que se tratava de mim ali com ela.

― Me desculpe ― pedi, e ela finalmente decidiu olhar para minha cara.

― Não quero suas desculpas, quero distância! Que droga, quem disse que você podia me beijar?

― Acho gosto de você, Felicity. ― Dei a melhor justificativa de todas, a verdade. Ela prendeu uma respiração por alguns segundos, antes de soltá-la em um suspiro pesado de incredulidade, desviando o olhar do meu. Nossa, que hoje ela tá difícil!

― Desde quando?

― Desde... ― Pensei sobre, e eu não tinha uma resposta. Na primeira pergunta que ela me fez, eu não tinha uma resposta! ― Eu não sei exatamente, mas gosto.

― Você destruiu minha relação com Ray e nossa relação um com o outro, e com sorte não ferrou tudo entre a CQ e a Palmer Tech. Porra, Oliver, o que deu em você?!

― Deus, Felicity, você não está me escutando?

― Sai do meu quarto ― ordenou.

― Não enquanto não conversarmos. Eu não aguento mais as pessoas falando sobre isso e me mandando tomar uma atitude, eu não aguento mais sentir essa coisa em mim, e eu sei que você não é indiferente. Eu sei que você reage aos meus flertes, mesmo quando eram só brincadeira, e que queria me beijar naquele dia na piscina. E você não me afastou um segundo sequer ainda a pouco, admita. ― Ela abriu a boca para responder, mas a fechou novamente, negando com a cabeça.

Deixei Felicity Smoak sem argumentos? Ponto pra mim!

― Outra coisa, sei que seus sentimentos não são de cinco meses atrás quando começamos a trabalhar juntos. ― Essa frase pareceu despertar uma faísca em seus olhos azuis, raiva voltando.

― Ah, agora entramos no assunto de meio milhão de dólares! ― Ela pulou da cama e começou a andar pelo quarto. ― Você estudou comigo durante um ano, e trabalhou comigo por vários meses e não lembrou da minha cara. Agora quando diz que “acha” – fez sinal de aspas com os dedos – que gosta de mim, apenas espera que eu me atire em seus braços? Me poupe, se poupe, nos poupe!

― É a segunda pessoa que diz isso pra mim hoje. ― Assumi, massageando as têmporas com os dedos.

― Sinal que é verdade.

― Sinal que vocês garotas precisam ser mais diretas. Eu sou burro! ― Minha lerdeza de repente tinha sido o assunto do dia de todo mundo, então acabei entrando junto no movimento.

― Queridinho, de burro você não tem nada. É esperto até demais quando quer.

― Felicity, para. Podemos não brigar, por favor? ― Segurei seus braços para que ela parasse a caminhada frenética que fazia pelo quarto. Seu lábio inferior começou a tremer e lágrimas inundaram seus olhos.

― Você arruinou tudo! ― Felicity sentou-se na cama com o rosto entre as mãos, chorando tanto que seu corpo tremia. Ela devia gostar mesmo do Palmer.

― Desculpe pelo Ray. ― Me acomodei ao seu lado, afagando suas costas.

― Não estou assim pelo Ray. Você arruinou tudo quando ainda estávamos no colégio! ― Seus olhos vermelhos de choro encontraram os meus. ― Você foi meu primeiro amor e minha primeira decepção amorosa. Cara, eu gostava tanto de você, mas tanto... ― Senti meu coração apertar. Sem saber, feri aquela menina, que aos meus olhos, era a melhor pessoa daquele colégio.

― Eu queria não ter sido tão babaca. ― Não resisti ao impulso e a abracei, o que só serviu para que ela chorasse mais. ― Mas eu tentei, juro. Eu fui atrás de você na sua formatura!

― O quê?

― Naquela noite, quando você saiu no meio do vídeo, eu desliguei a porra toda e fui atrás de você. Mas, não sei como, você foi mais rápida e não consegui te alcançar. Por anos eu carreguei essa culpa, eu deveria ter previsto que Laurel aprontaria, você não merecia, e era meu trabalho de proteger. Me perdoa?

Felicity se afastou do meu abraço e seus olhos fixaram-se nos meus.

― Oliver... Você gosta mesmo de mim. ― Não sei em que momento ela deixou de achar que eu mentia e chegou a essa conclusão, mas realmente não importava. Porque aquele olhar, aquele pequeno sorriso que se formou me mostrava que todo mundo estava certo e fomos feitos para ficar juntos.

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* Sadness: significa “tristeza” em inglês, ao contrário do significado de felicity.

Notas finais
Então? O que acharam? E para onde acham que essa relação vai daqui para a frente, agora que todos os sentimentos foram postos na mesa?! Amei muito escrever esse capítulo, tirar uma com a cara do Oliver está virando meu esporte preferido!!! E tadinho do Ray, só quem não ficou feliz na história foi ele... E Felicity, é claro, mas vamos ver quanto tempo duram essas lágrimas... ~sorrisinho malicioso~ Comentem o que acharam da participação de todos. Quem diria que seria Laurel a dar o empurrão definitivo em Oliver? Olha as coisas mudando... O próximo capítulo ainda é na mesma noite, vamos ver como esse relacionamento fica, então comentem bastante. O feedback de vocês é essencial para mim!! Recomendem, favoritem, indiquem para os migos e migas, que minha inspiração fica solta!! Até mais... Bjs* p.s.: Vou responder os reviews desse e do capítulo anterior juntos, porque são duas visões da mesma coisa e fiquei com medo de dar spoiler, porque, se me conhecem bem, sabem que falo demais quando me empolgo. p.s.2: Papi Smoak conquistando meu respeito. Mas não muito, só para deixar claro, vamos com calma... hehehehehehehehehehehe